Pesquisando

Mostrando postagens com marcador bibliotequices. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bibliotequices. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de maio de 2017

[bibliotequices] essa tal representação de categoria

Vamos lá falar de representação de classe/categoria, amorzinhos? 
Vamos, porque em tempos como agora tá precisando.

Taxas de anuidade de registro profissional (sendo cobradas em parcela única) com suas variações:
(Usa o Google e digita taxa anuidade *insira sigla do conselho regional aqui* - faz bem pra sua vida biblioteconomística)

OAB (Advogados e lalala): R$ 963,90
CFM (Médicos): R$ 712,00
CREA (Engenheiros e lalalala): R$ 639,33
CRF (Farmacêuticos): R$ 512,81
CRECI (Corretores de Imóveis): R$ 591,00
CRP (Psicólogos): R$ 479,14
CORECON (Economistas): R$ 464,00
CRB - (Esse é o NOSSO!!): R$ 425,96 
CRA (Administradores): R$ 401,00
COREN (Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares e Obstetrizes): Varia entre R$ 173,50 e R$ 300,13

* Até onde eu sei, professor/docente não tem Conselho Regional, pagar o Sindicato é o que vale, é isso produção? 

E eu poderia ficar a noite toda aqui listando as anuidades, maaaas decidi colocar essas pra gente comparar com o que algum dia pagaremos (Do tipo: "nossa como o tempo passa rápido, amanhã me formo, como assim?!"). Percebam que os listados são todos profissionais que a CLT chama de "liberais", gente como a gente. Sabe, os de cunho humanístico e talz? Bem isso.

Aí existe um órgão que cuida dos profissionais liberais (OMG não diga?!), o CNPL que abrange sindicatos, e outras entidades de representação de categoria. A FEBAB não tá, não há Sindicato de Bibliotecários em Santa Catarina, muito menos uma entidade intersindical para dar conta das demandas (Urgentes, btw, tem uma lei pra ser cumprida em menos de 3 anos, sabe?).

Então antes de ficar de mimimi que entidade de base só sabe levar teu dinheiro embora, não faz nada por você e lalala, notícias lindas e super atualizadas: quando você tiver pagando sua anuidade de registro profissional em qualquer lugar que seja, não é pra dar dinheiro pro bolso de alguém, é pra uma galera toda garantir que seus direitos vão ser respeitados - e sim, quiriduns, vocês tem TOOOOODO direito de cobrar esses direitos de quem deveria garantir seus direitos.

Aí tem uns panaquinhas dizendo que tem que acabar com essa de pagar sindicato. 
Ok. 
Vai lá falar com teu chefe que a poeira do acervo no arquivo onde você trabalha fez você contrair uma doença respiratória, pois não te ofereceram nenhum tipo de EPI, nem treinamento. Ou negociar com a chefia a contratação de estagiários, porque você não aguenta mais fazer além e muito mais das 6/8 horas de serviço, porque bem, a biblioteca tem que ficar aberta o dia todo, né? 
Oferta e demanda. 
Tenta então discutir com a prefeitura municipal de sua cidade que receber 2 salários mínimos com condições de trabalho que beiram ao impossível não é uma opção viável para trabalhar com dignidade.

Vai lá, fera! A Força está com você! #SqN

Bibliotecário sofre disso todo fucking dia ou pior, porque não tem ou não sabe querer/ter representação. E não venham dizer que "não gosta de política", amigolhes, cês tão na Biblioteconomia: tudo aqui é política, querendo você ou não.

Por que a gente precisa de representação de classe?
Pra fazer valer as leis que nos garantem dignidade em trabalhar
Por que a gente precisa disso?
Pra ninguém pisar mais na gente como faziam antes e continuam cismando de fazer mesmo com as regulamentações aí afora.
Por que a gente tem que fazer VALER as leis?
Porque ninguém vai fazer isso pela gente e começa nas entidades de base, é lá que vocês precisam atuar e se inteirarem mais das discussões trabalhistas da profissão que escolheram.

(Será por que OAB e CFM como as anuidades mais caras?! Coincidentemente quando esses caras param, o país para junto, né?)

Mais coerência nas ações do que beleza nos discursos, sim?

terça-feira, 16 de maio de 2017

[bibliotequices] onde perdemos o diálogo?

Há uma década atrás na universidade dos Stormtroopers eu escrevia emails pra professores sem ter medo de ser informal, porque convivia com essas pessoas todos os dias, nos corredores, na Coordenação, na lanchonete minúscula do campus, e tudo e tal.

Tem um email de 2006 para um docente super bacana em que me explico o porquê de ter entregue o trabalho atrasado, de uma forma totalmente nada a ver, nonsense e nada convencional (Quem me conhece, sabe que quando tou empolgade, vou acabar fazendo alguma coisa que não é determinada pelo acordo tácito padrão, tipo: falar gírias, usar minerês, fazer piada interna, referência ao mundo nerd). A resposta foi na mesma intensidade de nerdice (E sim, deu pra entregar o trabalho, era latim, a vida não era legal com latim naquela época!)

E gif de péssima qualidade sim!! Porque a dancinha é clássica!

Me pergunto onde a gente perde essa sensibilidade e aproximação com quem nos dá aula todos os dias, se é por não conseguir quebrar aquela barreira invisível de um tá cá, outro tá lá, se é protocolo de Universidade Pública não deixar esse diálogo acontecer.

Talvez seja até da própria cultura acadêmica UFXQuiniana de haver uma placa de NÃO para conversar direito com os professores sem se sentir estranho. Ou intimidado. Ou violando algum código super secreto de convivência. Até o docente dizer abertamente que está de boas para dialogar.

Talvez pelo fato da Universidade dos Stormtroopers ser tradicional, particular e uber-conservadora (Olá, tou fazendo referência ao Império Intergaláctico aqui o tempo todo!) o diálogo acontecia por questões de cordialidade e por mais tempo dos professores no campus.

Talvez fosse numa cidadezinha brejeira no findemundéco de Minas Gerais, sem conexão de banda larga ainda. A tecnologia influencia nessas coisas! Vide o email citado ali em cima, totalmente informal, sem firulas acadêmicas. Hoje temos tecnologia na ponta dos dedos, mas sensibilidade e empatia? Muito difícil!

Talvez eu tenha ganhado um pouco de noção (???) e colocado o murinho invisível, é difícil dizer, mas é nítido ver como faz diferença quando o diálogo é aberto e honesto entre discentes e docentes.

Heeeeeeeeeey conversem mais discentes e docentes, ops ops ops!!

Porque aí a gente conhece o camarada, sabe? Entende o que raios ele tá fazendo ali e as motivações dele pra trabalhar, porque hey! Talvez algum dia eu queira também estar naquele ambiente, ensinando outras pessoas. O clima na Universidade - que não citarei o nome por medo de um Lorde Sith brotar do chão e me cauterizar com uma sabre de luz - era mais de parceria acadêmica (Tá, tinha gente que arrancava nosso couro, não vou omitir), até nos piores casos (Tipo aquela mudança linda de currículo em 2006, né?). Tinha picuinha, mas tinha diálogo, não backlash e desavença, silêncio e passividade. E isso fazia uma diferença danada na nossa forma de tratar o curso, de se identificar com o curso, amar o bendito curso.

Isso me chamou atenção, porque a gente passa 4 anos (Ou mais) no mesmo lugar, frequentando a mesma rotina e não sabe absolutamente nada da pessoa que tem a paciência de te dar aula, ou que vai dar aula algum dia.

É tensinho.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

[bibliotequices] estágio para Biblioteconomia no IML

[Disclaimer: era para ter postado esse texto na época em que a vaga saiu, mas a falta de iniciativa vinda de minha pessoa foi alta. Bora lá deixando o verbo e analisando a cadeia hereditária...]

No email, vaga de estágio para Biblioteconomia no IML.

Sim, isso mesmo que você leu. IML, Instituto Médico Legal. 
Onde levam os mortos para serem examinados pela última vez antes de ir pra debaixo da terra - algo desagradável para o meio ambiente, viu humanos tapados? - ou também lugar onde pessoas vivas vão para terem exame de perícia médica de diversos tipos. Agressão física, estupro, coisas assim. E o que raios um estagiário de Biblioteconomia faria num lugar assim?!

Pelo anúncio da vaga é gestão documental e atendimento ao público. 
O que nem é a ponta do iceberg, creio eu. 
Trabalhar em hospital já é difícil, agora em IML é algo que grande parcela da população nem quer saber como funciona. Pequena parte da população, incluindo eu, gostaria muito de saber como é feito esse ritual institucionalizado que tão pouco é reconhecido como importante. 

Depois de ler um artigo de duas pesquisadoras de Psicologia da UFMG que submeteram artigo pra Psicologia em Revista da PUC-MG na época em que tava em Betinopolis - coincidiu com a ida do IML para a dita cidade, que ainda mandava os cadáveres pra Belo Horizonte, arruinando muitas vezes provas de crimes por ser uma viagem demorada e com contratempos (BR parada, falta de transporte adequado, etc) ou a integridade do corpo do morto.

Porque pessoas se importam com o corpo do morto quando morre como se ele fosse ainda vivo. O que é paradoxal, devo admitir. Velar o corpo em cidadezinha do interior era um modo tradicional de integrar a comunidade, morto na mesa da sala da casa, gente em volta, tudo arrumadinho, pra onde ia depois? Não sabia, fui saber só depois de crescer e a curiosidade já alimentada pela esperança vã de querer cursar Medicina aflorou a explorar as tradições dessa fase da Vida.

E não adianta falar que a Morte é algo ruim, ela faz parte do ciclo natural de qualquer coisa nesse universo.

A vaga me fez dar um pulo na cadeira e segurar meu modo pesquisador, qual seria a forma de atuação de um bibliotecário em um local assim? Apenas um documentalista? Apenas um servidor qualquer que não faz diferença alguma no grande esquema das coisas que estão ocorrendo ali? O que a Biblioteconomia contribuiria dentro de um IML?

Já matutei isso algumas vezes, sabe?

Uma das características que mais citam para desempenharem um ótimo trabalho como bibliotecário é a tal da inteligência emocional. Algo como ter aquele sexto sentido pra entender como o Outro se sente, como reage, como se expressa. Se a análise do discurso nos dá margem pra adivinhar essas pistas de interação social através da linguagem, o que se pode fazer para sacar o que uma pessoa precisa em uma unidade de informação antes dela mesmo pedir? A tal da inteligência emocional dá conta disso, dizem. Até agora o que venho pesquisando e compreendendo com prática é de observar bem quem atendo.

O que a inteligência emocional poderia ajudar em um lugar como o IML? Não sei quanto a vocês, mas pergunto sempre que há oportunidade o que as pessoas sentem trabalhando em locais de extrema insalubridade, tipo lixeiro, gari, galera de arquivo esquecido, museu, hospital, assistência social, casa de passagem (aka albergues e não é o estudantil). O feeling é de carga pesada devido a atribuição do local, dependendo de onde for, o local que faz a identidade do trabalhador, não sua própria personalidade, muito doido isso! Locais como esses citados são frequentemente esquecidos pelas instituições onde estão alocados e dificilmente conseguem uma ascensão de privilégios ou financeiro.

Como bibliotecário poderia ajudar em um IML? 
Além da parte mais técnica chatonilda que não manjo bem (gestão de docs, arquivamento de processos, organização e recuperação de informação, etc), creio que atendimento ao público com mais ênfase na situação seria uma boa, grupos comunitários de luto, encontrar meios de comunicar eficientemente o andamento do processo todo para os que sobreviveram, poupar gente de aguentar mais morosidade, porque o serviço público não é nada lindo e ter que sobreviver a um despedida dolorosa sem saber o que fazer já é algo horrível. Fazer ponte com outros departamentos e secretarias como assistência social, conselho tutelar, universidades, laboratórios, terapias alternativas? Muito gestão de pessoas pra vocês? Não vejo por que não.

Sei que vai ser uma barra imensa pra quem aceitar esse estágio - estamos falando de um local onde tem gente que quando passa faz sinal da cruz? - mas torço que consiga fazer um trabalho bacana lá. Vou lá acompanhar o andamento da vaga e ver quem vai pegar essa, não custa nada tentar levar um pouco dos ensinamentos de Rangs pra locais incomuns nesse mundão afora.

Ps: a vaga foi preenchida, agora é ir conversar com o colega que conseguiu sem ser extremamente curiose (Isso espanta as pessoas, às vezes).

sábado, 6 de maio de 2017

[bibliotequices] sobre lasanhas, pastelão de frango e incoerência

Leis são o patamar máximo de "coisas que eu devo obedecer sem pestanejar, porque sempre vai ter um advogado de regras babaca pra contestar e interpretar do jeito dele ou literalmente. Ou vai ter punição.". Seguir a lei é fundamental para garantirmos nossos direitos/deveres, blablablá, manutenção da ordem, do progresso, sustentação de dogmas e doutrinas, aaaaah vocês entenderam!

Aí eu chego na hora de entender currículos de cursos. Ou como supostamente alguém que está cursando o curo chega a uma conclusão sobre o curso. Vou usar alusões à comida, porque é algo que gosto de tagarelar e fazer piadinhas sem ofender ninguém. E quem veste a carapuça é meu chegado \o/

Fonte: Just West of Hell - Heartbreak is a lasagna - interessante.

As Leis tal e tal dos anos tais te dizem que para você virar lasanha, você tem que preencher uns seguintes requisitos, ou modos de preparar. Tem a massa da lasanha, o molho de preferência (tem vários aí no meio, você escolhe, você vai ser a lasanha!), qual forma adequada pra colocar as camadas, qual temperatura do forninho, o tempo a ser assado, quantas porções a servir.

Essa é a Lei falando, tá? Tá lá escrito, em letras bem legíveis e de acesso gratuito pra qualquer pessoa ler. Se vai interpretar da forma certa/errada/o que for, aí outros quinhentos. E como a gente sabe o que acontece com as pessoas que não seguem as leis (viram políticos?!), aí fica mais difícil ainda de dialogar com as nuances.

Aí tem a premissa que toda universidade tem autonomia de montar seus currículos de cursos. 
Beleza, parece plausível, coerente, até bem assim... qual a palavrinha? Liberal, né? Pode pegar a mesma receita de lasanha e fazer um apanhado de diversas formas de se fazer lasanha. Lasanha de forno, de microondas, de forno à lenha, de laser alienígena, de máquina de fótons, por aí vai.
E você quer ser uma lasanha, eu quero ser uma lasanha, porque lasanhas já me provaram socialmente que são importantes para o contexto atual do momento e sempre serão. Lasanha é vida.
(Tem gente que vai achar a pizza mais importante ou até aquele talharim com molho a bolonhesa, mesmo sabendo que existem pessoas que são vegetarianas/veganas que querem ser talharins e são obrigadas a se encaixar nesse enquadramento, mas anyway: LASANHA!)

Aí o currículo do curso de ser lasanha diz um tanto de coisa que não bate com as Leis de como ser uma lasanha lá chancelada pelo Executivo/Legislativo e Judiciário. Tem um Conselho Federal e um Regional de ser uma lasanha acompanhando os desdobramentos dos molhos, das temperaturas, das formas (Essas são importantes, usem as redondas, dá mais espaço para mais coisa), tem associação de ser lasanha também nas parada. Mas a faculdade prefere seguir uma receita totalmente que não é sobre lasanha. É, sei lá... Kalzone. Ou pastelão.

A universidade quer que você que quer ser lasanha, se forme como um pastelão de frango. 
É, de frango. 
E de quebra, se sobrar tempo na carga horária, colocar azeitona no meio, vai ter que rebolar pra ter azeitona na receita. 
Pastelão de frango. Não lasanha.
(Crise de identidade? Não, imagina! porque ser lasanha tá ultrapassado! lasanha é coisa do passado!)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

[bibliotequices] 5 coisas para fazer estagiári@ feliz

Já que hoje é dia de trabalhador e meu trabalho é ser estagiárie pro resto da graduação que vou acabar jubilando (lol), compilei algumas coisinhas aqui com a experiência que já tive no ofício.

Você, amigolhe bibliotecári@, você já foi estagiári@? Lembra como era essa época absurda entre ter conhecimento teórico e ver a prática de perto e chegar a conclusão que "QUEQUI TÁ CONTESSENU?!", "Que cês tão fazenu?!" "Rangs dos céus acende vela que LIVRO DA CAPA AZUL?1" - é provavél que tenham passado por perrengues assim.


Bem, o feeling continua o mesmo, mas você que tem estagiári@ sabe que pode fazer com que seja menos penoso. 

Cinco coisas para fazer seu estagiário feliz? Urrum, porque eu tenho a impressão que quando eu for como você quando crescer, irei tratar @s querid@s assim.

1 - dialogue com ele sobre a profissão: pontos altos, pontos fortes, as surpresas, os desafios, o que rola de chato, o que é de se esperar, isso ajuda um bocado pra quiança se enturmar.
(aaaaaaand saber se está realmente interessado ou não no estágio - tem gente que só faz pelo dinheiro, vai me dizer que não?) 

2 - socialize com as instâncias superiores da biblioteca. Faça a pessoa saber quem assina cada folha de pagamento e quem dá o aval para o financeiro, quem faz a coisa funcionar . É importante fazer a pessoa entender o que é gestão e como isso funciona, a pessoa não é somente a sua responsabilidade, é também de quem te chefia.

3 - estimule criatividade e idéias inusitadas, por mais bobas que sejam. Estagiári@s estão com outro olhar sob a biblioteca onde atuam, as percepções são novas, as inovações podem ajudar a fazer o trabalho mais otimizado, você como gestor pode avaliar o que pode dar certo e o que não vai. Ps: a linguagem d@s estagiári@s podem estar mais aproximadas do público-alvo da biblioteca (vide @s estagiári@s gamers, YouTubers, músic@s, geek)
Ps: experiência própria - falar a mesma língua do usuário dá mais resultado que questionário de satisfação e enquetes. 

4 - pergunte se a criatura está se alimentando direito: muit@s estagiári@s passam algumas dificuldades com alimentação, ainda mais quando não se recebe vale-alimentação ou ajuda de custo para isso. Tirando o fato del@ passar o maior tempo do dia na unidade de informação, é possível que não possa ou não tenha condições de pagar um almoço decente ou esperar até a noite antes da aula pra comer no RU ou comer em casa antes pra poder não tomar tempo no estágio. Buscar algumas alternativas com estagiári@ é viável nessa hora (hey não precisa pagar meu almoço!) como disponibilizar acesso a copa ou cozinha da instituição (esquentar marmita) seria uma boa.
Ps: estagiári@ com fome não levanta as toneladas de livros didáticos que vocês são obrigados a carregar, foi mal gente. 

5- Comunicação. Não está gostando da contribuição d@ estagiári@ na biblioteca? Converse com a pessoa sobre suas prioridades. Está realmente gostando da ajuda que tem dado?  Fale com a pessoa. Seja honesto sempre, lembre-se que muitos de nós fomos criados para só acatar ordens e não dialogar, comunicação evita tantos maus entendidos e acerta em feedbacks para graduand@ se sentir valorizad@ onde está.

Não se preocupem amigolhes, bibliotecári@s terão também uma listinha em breve!!

sexta-feira, 31 de março de 2017

[bibliotequices] faz sentido

Tem coisas na minha vida de escriba que normalmente não fazem sentido. Tipo minha vida amorosa, a vida familiar, a vida privada que o Nelson Rodrigues fazia comédia (referência nenê?), mas estar novamente atuando em biblioteca faz total sentido.

Há uma premissa que gosto de repetir pra mim mesme: "Quanto mais insano, mais normal fica" que acaba se encaixando bem em tudo relacionado na vida de bibliotequere. A vida faz sentido aqui entre as estantes. O exercer o meu existir faz sentido aqui no balcão.

Pode parecer besteira, ver alguém enaltecendo a própria profissão como algo divino, não é, não deve ser e pelamoooooor não seja. Eu amo a Biblioteconomia utópica dentro do meu plano de ideias que entendo, compreendo e compartilho, mas tem muita coisa pra se melhorar.

Aconteceu alguns fatos nesses dias em que estou estagiando que me fizeram reavaliar muito o que me leva a ser tão apaixonade pela profissão - e aí vamos na batalha de emoção versus razão? Com esse assunto em específico, eu perco a compostura e me entrego de corpo, alma e coração. Pode levar toda minha integridade física e mental que aceito!

O motivo para tanto furor é a forma como certas cousas estão se encaixando, desde o momento do compreender o que raios faço aqui, como vou fazer, pra que/quem é porque fazer. Isso está se concretizando.

Faz sentido passar aperto no estágio por conta de situações que não dá como controlar, que se necessita de uma ética pautada até em algo superior a ciência e o academicismo pra compreender, analisar, simpatizar e resolver. Que há aulas que foram assistidas pra sr lembrar na hora do aperto e dizer "véi de Bowie, obrigade pessoa que me deu aula por existir, por ter uma consciência incrível, por estar na minha vida" - esse feeling, aliado com um pequeno papo de banheiro com velhinha simpática que exclamou "esse banheiro é feminino" em um tom escandalizado e excludente para evoluir em um diálogo de respeito e alteridade. É o puxar papo com docente decente sobre um relampejo de ideia para algo a ser produzido no futuro.

Essas pequenas coisas. 

Elas me fazem sentir vive e útil e bem comigo mesme, as pequenas vitórias. O bilhetinho para BFF com zoação, a preparação de algo improvisado que dá certo, é eficaz, as pessoas são beneficiadas. Esse feeling? Sabe esse, de fazer o coração gelado pulsar na garganta, os pulmões absorverem mais oxigênio, deixar a mente anuviada com as inúmeras possibilidades se amanhã ocorrer mais surpresas e coisinhas a se resolver com a teoria vista em sala de aula?


Eu troco todo tipo de coisa que já senti nesse mundo por esse feeling sendo habitual.

Não é take it for granted, mas é que quando se encontra a quest da sua vida, não é pra deixar ela escapar pelas mãos quando se apresenta. Ser bibliotecárie me traz muita alegria e momentos memoráveis também. Tem coisa ruim, mas entra aí nas alegrias e talz, a gente não vive suficientemente para entender o quanto pode ser feliz com pouca coisa nesse mundo, o fazer por onde está sendo constante, tá fazendo sentido.

Por mais que tenha umas criaturinhas tumulares que gostem de arranhar a superfície do quadro pra causar aquele som horrendo, elas não ganham dessa sensação. Queria que fosse permanente, tou apostando minhas fichas para manter o feeling por mais tempo.

Teve dois cliques nesses dias, um mandou o vitimismo pro fundo do poço (Sorry Samy) por saber que posso ser forte, bem mais forte que qualquer um quando preciso me posicionar como ser vivente. O outro clique foi compreender que ter um olhar mais crítico de uma situação potencialmente perigosa/vexatória pode salvar pessoas de desconfortos, inclusive o meu. E o meu desconto com o mundo se resume a um demonho bem bem beeeeeem específico: leio o mundo como se não fosse o bastante.

O mundo não é criado para ser o bastante, eu devo estar perdendo algo disso, sentir culpa faz parte (sim, eu sei, absurdo!), consertar a minha bagunça é inevitável.
E isso vai pra tudo. 

Isso também arruinou muitas oportunidades de ser feliz plenamente, mas verificar que a culpa não vai me levar a lugar algum continua sendo uma barreira a se quebrar todos os dias.


Não quando esse feeling de ser fucking awesoooooome e útil na biblioteca vem. Ele preenche tudo, transforma toda energia pesada carregada, mantém o controle e a serenidade. Pra se chegar a um level de entendimento comigo mesme foi torturante, agora o se autoflagelar não parece fazer mais sentido.

Essa é a plenitude que quero pro resto da vida. É nisso que irei focar de aqui por diante. As pequenas coisinhas, elas fazem diferença.

quarta-feira, 8 de março de 2017

[bibliotequices] o que, pra quem e porquê?

[Disclaimer: não uso o nome da Federal em que curso, porque já sofri uns backlashs lindos do próprio curso ao ter perfil de Facebook exposto em sala de aula por pessoinhas super bem intencionadas. Uso alusões a saga Star Wars para direcionar minha linda jornada na universidade mais tradicional de todo país. Também uso de sarcasmo e ironia pra poder escrever sem que ninguém em particular se sinta ofendido]

Uma piada recorrente entre os anos de 2004 a 2008 na PUC Betinópolis era sobre como nosso dinheiro da mensalidade ia para o Vaticano para construção da nova Estrela da Morte¹.

Because, razões tinham de sobra...

Uma coisa também que era zoeira na época - por conta de não perceber exatamente o que estudar com os Sith poderia criar - era como nossos professores eram extremamente avaliativos e rigorosos com nossa formação humana. Não era pegar a powha da Gramática e fazer pomposidade no idioma nem falado pela maioria da população, era usar aquele trambolho como instrumento de cidadania e destrinchar cada preconceito linguístico, cada inadequação temporal, cada vício elitista de "falar certo e falar errado" e mandar pro espaço sideral.

Estudar com os Sith me tornou, pasmem, Jedi. O lado iluminado da Força até pode ser feito de escuridão também (hello, bora estudar um pouco de física e refração da luz e espectros de cores), mas o que ficou na PUC dentro de mim foi esse bichinho miserável da avaliação contínua do que raios tou fazendo, pra quem tou fazendo e porque tou fazendo.

As tias fessoras mais didáticas é que adoravam repetir a romaria, quando você escreve um texto é pensando nesses três fatores - o que, pra quem, porque - e isso não mudava né um pouco na prática docente. E ser professor, caso tenha escapado do memorando, é uma das coisas mais sérias desse universo.

Se perder a noção do que tá fazendo, pra quem e porque, o trem desanda. E com consequências tão tão ferradas e sem lógica que você só vai perceber a m**** que fez daqui há 9 anos ou 12 anos, dependendo do ciclo educacional que pegar. Pra aí encontrar um colega de turma na primeira fase que não sabe interpretar uma notícia de jornal, escrever o essencial para reivindicar um direito seu, imagina só se meter com bibliotecas e livros e gente e talz?

A responsabilidade é enorme, algo que não quis abraçar a princípio por conta do olhar mais crítico que a PUC me abriu. A virginianice também tem culpa no cartório, a criação restrita com uma mãe detalhista, mas o olhar humanizado sob algo concreto, real e com consequências em longo prazo? 
Os Sith me deram.



E é com esse mesmo olhar que entrei na Biblioteconomia e é por isso que me sinto na obrigação de fazer avaliação atrás de avaliação sobre o rumo do curso, sobre tudo que aprendi até então e principalmente, ver o que isso tudo tá causando nos colegas de sala e de futura profissão. Não quero dar o pedala Robinho de imediato, mas a vida fora dos murinhos invisíveis da Universidade é bem cruel e a nossa atuação é parte fundamental em fazer alguma diferença no percurso acadêmico de uma criança cheia de sonhos, esperanças e fôlego.

Debaixo do link, avaliações, resultados, surprise, surprise modafóca, isso vai ser isso o tema do meu TCC até eu jubilar...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] Bibliotendicites

Esse post será um breve lembrete de como devo me encaminhar logo para umas aulinhas de gestão de pessoas.

Are you there, Loki?
Porque a vida tá estroooooooonha meu deus lindo! 
(Até botei Lionel Richie na rodinha, não adianta deixar a chamada em espera)

Em todos os anos nessa indústria biblioteconômica vital, nunca ouvi um profissional da informação não dizer que sentia dor. Tipo dor mesmo, do pior tipo, daquele que te manda pro hospital conforme uma abaixadinha ou uma virada errada. Aquela dor que tira sono e maltrata o humor pro resto da semana. Aquele tipo de dor que só passa com tarja vermelha com retenção de receita e CPF anotado pelo farmacêutico. Aquela dor que só passa quando vemos o trabalho danado ser finalizado e para algo bom.

Se vocês já descobriram qual é o tópico de hoje, eu vos saúdo. Mas não tanto, não consigo mais me curvar com a quantidade de dor que ando sentindo ultimamente.

Vamos falar de...
BIBLIOTENDICITES!!

Bibliotendicites:
                          do vulgo bibliotequês [biblios]

Você que está se enveredando nas estantes da vida, procurando sentido nas prateleiras (042, pelamooooor) precisa entender uma coisinha antes de qualquer coisa: Bibliotecárixs pegam peso. Muito. Demais.

Não, é uma lenda urbana aquele negócio de ficarmos atrás do balcão só dizendo "Xiiiiiiu!" ou repreendendo gente com olhares fulminantes. Até porque dá pra fazer isso em pé, ao lado do frequentador e carregando trocentos quilos de livros para lá e para cá.

A tortura é mais prolongada nesse vídeo do Tears for Fears

Desde que entrei na Biblio venho fazendo uma pergunta impertinente para tode bibliotecárie que conheço: "Você tem dor aonde?" e a resposta é batata (Não o tubérculo, mas!!): todos dizem algum tipo de dor corporal por conta do ofício.


O desgaste físico de muitos bibliotecários é tema de poucas pesquisas na nossa área, mas é extremamente importante ser discutido em algum ponto de nossas vidas. Afinal de contas já que não vamos aposentar tão cedo, temos que resguardar essa máquina que nos mantém vivos, né?

Para mais informações detalhadas de pesquisas, tem uns trem aí embaixo:





Ergonomia tá bem nesses esquemas e em qualquer profissão em que haja certos tipos rotinas como a nossa (o de ficar muito tempo sentado ou em pé, por exemplo), estudar um bocado disso seria excelente na graduação. Brinco que algumas optativas deveriam incluir disciplinas da Fisioterapia, Ed. Física ou Psicologia devido a essa estatística boba que faço sem intenção científica, mas faça o teste você mesmo: próximo bibliotecário que aparecer na sua frente, pergunte sem medos "Tem algum tipo de dor, quiridu?" - as respostas são bem similares.

Talvez ser projeto de bibliotecária deva ter me dado mais pontos de sabedoria, mas tirou as minha de destreza e física. Então recado para posteridade: quando chegar aos 35 fazer um plano de saúde que cubra ortopedia e fisioterapia, seguro de vida em nome de Ranganathan, beleza?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] intervalinho sobre a tal da caridade no estágio obrigatório

Gente, uma coisinha que esquecem de plantar nos nossos coraçõezinhos biblioteconomisticos quando estamos na graduação, se for fazer estágio obrigatório, dê preferência pela biblioteca escolar ou comunitária da sua comunidade. Mesmo que não seja tua área, mesmo que você não goste de mexer com gente, se deixe ter essa experiência, preste mais atenção em como nossa profissão faz a total diferença onde a gente mora.

Não cai nas ideias que isso é "caridade", você tá ajudando quem algum dia vai pagar teu salário seja lá onde você estiver empregado, cê tá ajudando quem passou o mesmo aperto com falta de investimento em educação e cultura quando você era criança. Você tá fortalecendo um link tão forte que é provável gerar muita coisa bacana a partir da iniciativa. 

Faz por onde.

Biblioteconomia sem vivência em comunidade, sem conhecer gente, sem ajudar a galera se empoderar com a informação e cidadania, isso não é o que estamos lutando todo santo dia dentro de sala de aula.

Caridade biblioteconomistica é bambambam com 5 ou mais dígitos de salário no mês "doando" tempo pra descer do salto e subindo morro pra atender comunidade carente (o que é raro, sabe?).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] vida de estágio

As condições financeiras costumeiras são sempre na beirada da falência e pedir arrego, nada de novo aqui, mas esse post queria compartilhar com vocês faz uns 3 anos. Como eu decidi sobreviver só de estágio.

As perspectivas para uma nova graduação ampliaram minha expectativas quanto a vivência na carreira que escolhi e as pendengas eternas de nunca ter dinheiro pra nada. Porque na verdade quase minha vida toda foi sem dinheiro pra coisa alguma, contando moedinha pra comprar as coisas que precisava e pagando contas.

Só que no Mario a gente consegue mais moedas que o costumeiro aqui na vida real.
Debaixo do link, vivências em estágio e algumas dicas. Essa postagem será editada em breve com mais coisa, tem muito assunto pra esse tópico!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

[bibliotequices] voltando a programação biblioteconomística

Tenho ideias para app pra Android de controle de acervo para Bibliotecas Comunitárias, tudo otimizado pra usuário de boinhas, sem firulas, integração com Facebook, conta Google, código API pra Organização da Informação vinda da LoC, Google Books (são os únicos abertos que conheço), Amazon. Adicionar livro num clique só (código de barras do ISBN), pesquisar/adicionar por autor ou título título. Empréstimo com recibo via WhatsApp pro leitor, aviso de data limite de devolução também, serviço de disseminação de informação no mesmo esquema, super facim, sem complicação, tudo free e só pedindo uns likes no Facebook e avaliação no Google Store.

Aí lembro que não sei lhufas de programação...

Em Hackers (1994) parecia ser tão fácil #SqN

Fiz um teste com o +LibraryThing e TinyCat para um trabalho de Indexação junto com a beeeeesha leeeeenda magnânima da Beadrade Antrice (WTF?!) e até que foi, só que não é tão funcional e simples como eu tava planejando.
(aí chatonildo vai perguntar: "e a organização da Informação?! E as métricas?! E a manutenção do acervo?!" - respondo com um sonoro escrito em letras garrafais no boldinho: não leu direito que é pra biblioteca comunitária não?!)

Eru Ilúvatar não dá asas às cobras D:

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

[bibliotequices] não é educador e pronto!

[disclaimer: esse é um post velho, tava na fila e resolvi ressuscitar. Mas a discussão continua a mesma]

Adoro ouvir as argumentações nos corredores da Biblioteconomia. Mesmo quando as criaturas não são bibliotecários ou da área. A quantidade de pontos de exclamação ali extraído daria uma tese de doutorado das lindas. Pode apostar que vai, porque é de meu intento entender o motivo de uma maioria esmagadora aqui na UFSC achar que bibliotecário é coisa jurássica e deveríamos ser substituídos por cientistas da Informação ou engenheiros da produção.

(Ou mudar o termo "bibliotecário" para algo mais modernoso e chiqueroso - pessoalmente acho asqueroso, a garotada da filosofia da linguagem e antropologia sabe bem o que acontece quando você muda a nomenclatura de algo já existente, a rasura do ser ali contido - no caso a pessoa que adota aquele termo como seu - vaio ficar mais e mais complicada de se compreender quando forem buscar os princípios daquela coisa existir. Complicado? Imagine que pra entender o que é a essência da "coisa bibliotecária" tem que sair esfregando muito muito muito muuuuuuuuuuuito com alvejante, cloro, álcool 98%, tinner e depois usar um esmeril pra encontrar os fundilhos do que é ser bibliotecário. E ainda ter uma chance de uns 42% de ainda estar equivocado.)

Feedback construtivo: você está fazendo errado

Essa postagem será um daqueles exercícios de análise autocrítica sobre a impressão que nossos semelhantes deixam na quiançada com aquele discurso motivacional de que bibliotecário não deveriam praticar interdisciplinaridade entre as áreas.

O bichinho miserável vitoriano e extremamente crítico e tradicionalista que vive dentro de mim se contorceu em pleno horror ao ouvir em certa aula: "Quando você decide juntar pedagogia e Biblioteconomia, você está sujeitando o bibliotecário a uma posição inferior a que ele pertence."

Além disso houve um momento em que eu, no comando do serzinho miserável, me recusei a expressar opinião alguma após a fala, pois em minhas convicções PESSOAIS:

1) não há problema algum juntar licenciatura com Biblioteconomia já que pra estar lá na linha de frente da biblioteca escolar tem que rebolar pra suprir a demanda EDUCACIONAL PEDAGÓGICA daquele público em específico. Tipo, pelo menos se esforçar para saber o que raios a gurizada estuda?

2) posição inferior aonde, miguxis? Educação no Brasil já é uma tragédia grega com direito a 9 atos de puro sofrimento e angústia sem perspectivas de final feliz e ainda me fala que se juntar com a galera do magistério é se rebaixar na profissão?!

3) bibliotecário escolar não é educador. Como não monamu?! COMO FECKING NO?! Como podes me afirmar tal coisa quando uma criança em processo de alfabetização pega um livrinho ou gibi, leva pra casa, lê com a família ou sozinha como dá, ou mesmo faz isso ali na biblioteca e devolve o livro e diz que vai voltar porque quer pegar mais?

Só o fato de disponibilizar o acervo pro toquim de gente em formação já não é um ato EDUCATIVO?! O que raios tou fazendo então?! Qual foi a parte do processo de letramento e aquisição da linguagem que perdi nas aulas da Letras que dizia que ensinar alguém a ler e escrever era SEM PRATICAR A LEITURA E ESCRITA? É via osmose ?! Transmissão de saberes via córtex cerebral que nem na Matrix?!

Não, não ensinamos caligrafia, ortografia, morfologia, sintaxe, Gramática e esses trem da linguística pros pequeno, mas será que dá pra entender que esse montoeiro de livros empilhados aqui na estante de uma sala qualquer não faz sentido algum pra quiançada se não tem alguém ali pra organizar, recuperar informações para uso na sala de aula e o melhor dessa profissão: mostrar que o amontoado de livros é um passaporte grátis pra criança ser incluída socialmente no sistema escolar e na sociedade? Que ela tem TODO O DIREITO de se apropriar desse espaço? Que eu que estou trabalhando ali tenho o DEVER de prover que ela tenha esse direito garantido da melhor maneira possível?

Então bibliotecário escolar É SIM educador, querendo você e todo esse preconceito dizendo que não.

Não com o mesmo alcance do professor que se dispõe de outras ferramentas cognitivas e mecânicas para fazer o mesmo processo, mas conseguimos auxiliar em parte isso.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

[bibliotequices] paranoia de primeiro mundo

Enquanto aqui nas terras tupiniquins estamos lutando bravamente pelo direito de ter bibliotecas escolares em todas as escolas com profissional bibliotecário em seu lugar (Lei federal 12.244 garante isso até 2020) e levantando forças pra manter as Bibliotecas Parque abertas para atender as comunidades mais carentes de nosso país, na terra do tio Sam a preocupação são outras:

1) FBI dando guidelines (Ou manual de instruções) para escolas de ensino fundamental sobre conter potenciais terroristas/extremistas juniores (tem lista de idades dos últimos atiradores em lugares públicos e guess what? Adolescência efervescente!) - podem estar infiltrados nas bibliotecas, lendo alguma literatura considerada subversiva ou de cunho nada feliz (imagino o quê deve estar nessa lista)

2) paranoia imensa da administração Trump tocar um f***-se na sagrada liberdade de expressão e sair catando tudo quanto é dado de usuários da rede de bibliotecas para uso indevido (literalmente uma caça as bruxas) - tão chamando isso de #Trumpageddon, algo como Armageddon do Trump. Medidas drásticas de bibliotecas de renome? Transferir toda a database pra outros países, como o Canadá. Ou apagar os registros, tudinho, pronto, benza Maria.

3) como as corporações e suas doações podem estar (Hahahahahahahahahahahahahahahaha) manipulando bibliotecas e bibliotecários a entrarem em um ciclo vicioso de contenção de informação ao decidirem o que vai pro acervo ou não. (insira mais risadas aqui)

E gente achando que temos que inovar que nem os yankees. Que pensa que estar no mesmo patamar deles vai ser a revolução no cenário da Ciência da Informação, no avanço das bibliotecas e unidades de informação. Gente que segue tão cegamente aos gurus americanos do marketing, gestão e empreendimento pra tentar enfiar a forma na prática brasileira ou latino-americana e servir um bolo pronto recheado de incríveis cenários de modernidade, infraestrutura e consolidação ideológica globalizada. É bem lindo isso.

Eu leio esses trem e a única coisa que me vem na cabeça é: venda descarada de discurso de ódio.
E o modo mais fácil de se conseguir isso é injetando em lugares que já se estabeleceram como referência para a sociedade. Bibliotecas são importantes na Educação dos norte-americanos, isso é um fato desde muito tempo.

O que o terrorismo ideológico causa nos EUA é o que a gente aqui no Brasil tem de menos. Bibliotecas não tem importância, não fazem parte do pilar educativo de nossa nação.

E aí vai a questão: mesmo com recursos, visibilidade, profissionais qualificados, universidades cooperativas, informatização de acervos, cultura do "Informação é para todos!!", será que aqui no Brasil estaríamos nesse caos paranoico como lá fora?

Isso dá pra se repensar bastante no pra que servimos aqui nesse cenário de bibliotecas decadentes, qual nossa função primária na sociedade, pra quem estamos servindo, pra onde queremos ir.

Entre deixar uma biblioteca nos trinques, qualidade de primeiro mundo, pra cair nessa paranoia f***** ou manter nesse ritmo em que estamos, fico com o atraso tecnológico primitivo.

Evoluir, pra mim, tá parecendo custar muito caro na consciência ética de uma nação.

sábado, 10 de dezembro de 2016

[bibliotequices] o tal do parnasianismo acadêmico


[Esse é o começo de um ensaio maior sobre o tema. Nos próximos capítulos da novela mexicana acadêmica, irei voltar com mais argumentos]
A expressão me veio em alguma hora estranha da madrugada, entre o escrever algum parágrafo de trabalho que não levaria a lugar algum, e o deliberar wtf ainda estou fazendo na Biblioteconomia da UFSC.

Ainda na crise de identidade com a Museologia, vou seguindo.

Lembro em que na Literatura Brasileira, com um professor uber crítico a la Mick Jagger, havia esse clima de anarquia no olhar científico do nosso objeto de estudo (a própria literatura), os sonetos de Camões foram destroçados, o hino nacional desconstruído e não sobrou muitos tijolos de fundamento na literatura nacional do período colonial para o final do século 19.

Realmente era uma aula de ouro, ainda bem que estava lá absorvendo cada lição.

O romantismo brasileiro me deixou com vontade de chutar os escritores fracassados, entre um autor e outro, o que mais me fez querer pegar uma máquina do tempo e chutar um traseirinho foi a galera do Parnasianismo. Eles sim mereciam ser esquecidos nesse Hall de "estilos de época".

Até Simbolismo eu suporto. Realismo-naturalismo também (menos Machadão. TUDO menos Machadão), aí as figurinhas carimbadas do "Arte pela Arte" que me chamaram atenção por um detalhe: a vida imita a Arte.

Hoje, inserida na Biblioteconomia vejo alguns padrões. E é uma pena que seja dessa forma.
O Parnasianismo se constituía como o novo Classicismo, aquele quê que os artistas perderam lá na Antiguidade, o apelo ao belo, simétrico, puro, limpo, esteticamente impecável com suas firulas de linguagem. A pouca audácia do poeta/eu-lírico fazer algo realmente edificante. Falar por falar.

É aí transpondo para o mundo acadêmico, parnasianistas everywhere.

Princess Kylie Aussie Sauce demonstra como funciona o papinho de parnasianista acadêmico
Começa com as coisas que lemos desde a primeira fase e vai evoluindo para uma cultura já enraizada na cientificidade acadêmica: pra ser alguém que presta, tem que publicar em uma Revista A1. Ou morra no ostracismo, ou fazendo palestra de Biblioteconomia Social (termo que igualmente desprezo pela sua implicação de que tem uma Biblioteconomia que NÃO SEJA social, uai modafóca?!). 

Produzir é algo sagrado e ali fica, ali se mantém, não se expande em nenhum momento e não atinge a sociedade em sua essência. Exemplos? Here we go:

1) você passa 4 anos em uma graduação para produzir trabalhos acadêmicos e um projeto de TCC, uma monografia e também um artigo para ser defendido para poucos verem e não haver aplicabilidade alguma. 
2) descarte e esquecimento dessas produções acadêmicas em algum lugar entre Repositório Institucional ou na gaveta da mesinha (os meus vão pro fogo quando termino o semestre)
3) a falsa impressão de que ao fazer isso, está efetivamente colaborando com a Ciência. Mas se é Teoria por teoria, então pra quê aplicar?

Essa guilhotina academifóbica produz pessoas muito muito estranhas e infelizmente altamente relevantes no nosso campo de trabalho e... Tchanananan docentes. 

O Parnasianismo acadêmico se acentua de uma forma bem sutil, esculpindo um ideal tão absurdo na cabeça dos graduandos de que só se pode crescer como profissional se não obedecer certas regras de convívio passivo em comunhão com a cumplicidade de produtividade nonstop

Biblioteconomia e a Graduação é algo além disso, gente.
Vamos ser mais conscientes de nosso papel nessa bagaça.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

[bibliotequices] promessa pra crush é dívida

Dia 02/12 foi a última prova de Sistemas de Classificação, uma disciplina bem técnica e de assimilação bizarra na cabeça de alguém que não segue uma ordem faz um bom tempo.

Sempre falando bem de Dewey, acabei descobrindo que o yankee fdp além de ser uma pessoa  altamente preconceituosa, também teve a ideia de fazer um sistema de classificação mundial em um sermão de igreja protestante.

Se há algo que vai contra meus códigos internos de boa conduta é fazer algo nada a ver em locais nada apropriados. Como o tabu de fazer sexo em bibliotecas, não me desce. Biblioteca é um lugar sagrado, e empoeirado, e cheio de acidentes prontos para acontecerem, só precisa de um empurrãozinho (Ou fricção, levem como quiser). Logo se você tem o incrível plano de classificar TUDO existente no mundo, não tem que ser vendo pastor falando.
Sério.

Discurso e ideologia, lembram?
E o que isso tem a ver com a prova?! 

Bem, eu saí bem otimista da sala, e com um entendimento sobre o assunto (CDU) com uma euforia adolescente. Sim, o orgulho próprio foi lá em cima. 

Aí como a perfeita babaca que sou (blame the fucking Aquarius) postei no Facebook que se tirasse um 10 nessa prova - e vamos relevar aqui, nunca tirei 10 em prova alguma na Biblioteconomia - Eu me declararia para meu crush2k16.

Urrum, isso aí.
Cá estou eu, indo me declarar pro crush2k16 então.

Querid@ crush2k16,

Você foi parte essencial desse semestre em todos os aspectos, me orientou de diversas maneiras em como continuar apreciando essa powha de curso que tá comendo minhas convicções e minha vontade megalomaniaca de mudar o mundo. Suas palavras ficaram bem nítidas em meu pensamento, às vezes ecoando em meus sonhos e daydreams ocasionais dentro do busão. Sem a tua presença - encontros muito especiais por assim dizer, internamente eu esperava ansiosa para te tocar, roçar meus dedos em ti e desvendar todos seus mínimos detalhes - eu mal chegaria a esse final de semestre.

Mesmo com a maioria discordando se o nosso relacionamento iria dar certo. 
Mesmo se essa nossa afeição mútua seja motivo de escárnio, decepção e estranhamente para muitos. 
Mesmo se o simples pensamento que algum dia poderei deitar minha cabeça no travesseiro e ter certeza que você está por perto e comigo me deixe com o coração na garganta e minhas mãos trêmulas. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[bibliotequices] sobre linguagem e desconstrução

[originalmente postado no Facebook e Medium

Uma das coisas que me levaram a cogitar voltar a uma graduação (sofrer mais 4 anos, isso é algo que ainda tou entendendo aqui na minha cabeça, ninguém é tão louco de querer ficar preso no sistema acadêmico por muito tempo) era sobre como a Letras me abrira os olhos pra uma coisa bem legal e simples: o poder da linguagem.

Esse pequeno detalhinho na nossa vida é literalmente a arma mais letal e também revolucionária que carregamos individualmente desde que nascemos. A forma como construímos essa linguagem e como expressamos para o mundo afora faz toda a diferença entre o que somos, o que parecemos e onde somos classificados.

Na PUC aprendi que forma padrão e informal da linguagem devem estar sempre em questionamento, assim como os discursos que são propagados por essas formas de linguagem "aceitas" na sociedade. Em miúdos: nem tudo que reluz é ouro. A academia mostra bem isso com seus floreios e firulas.
Me deixa extremamente incomodada que na Biblioteconomia não se toque na parte da Filosofia da Linguagem em algum ponto do curso - ou mesmo ter gente botando isso com mais frequência na roda científica - porque é uma parte essencial de COMO nós bibliotecários nos constituímos como profissionais.

(Véi, de Bowie: cê mexe com informação, ponto final.)

Aí duas conversas apareceram hoje sobre quase o mesmo ponto crucial que eu tava enchendo o saco do Parnasianismo Acadêmico, uma era sobre a desconstrução da linguagem (e de todo resto que vem com esse movimento) do Deleuze e a outra conversa era sobre a banalização do discurso médico nas patologias de doenças mentais.

(Olha só que legal, gente, gente não-binárie não tem número de classificação na CDD e CDU, nem mesmo lá na parte de doenças mentais - isso me alivia de uma forma nada confortável)

Essas 2 premissas aí me levam de novo ao papel do bibliotecário numa sociedade em que estamos inseridos. A gente não discute sobre linguagem no curso de Biblioteconomia, sequer faz ponte com as áreas onde estão essas teorias (Letras/Linguística, Sociologia, Filosofia) e aí vem sabichão querendo dizer que o futuro da profissão está nos números, nas estatísticas, na produção científica (estrelinha, estrelinha, na Scopus é só minha) e nas inovações da mercadologia (mercado de trabalho com ideologia? Alguém?).

Sabichões (aaaaah vocês sabem quem são), cês podem até estar parcialmente certos, faz parte, mas cadê o discernimento para entender (E provocar) que se a matéria-prima do seu trabalho é informação (seja lá como ela vier), por que não se preocupar em estudar pelo menos um pouco sobre a linguagem ali contida? E não tou falando de programação, e essas coisas de computadores! Até onde estou atenta, não ocorreu a Revolução das Máquinas e não estamos conectados na Matrix (Mas é algo questionável...), não estou fazendo meu trabalho pra satisfazer máquinas ou títulos acadêmicos, ou deixar departamentos bem na fita ou dar visibilidade pra status de universidade: tou aqui pra mexer com gente. E creio que a Biblioteconomia lá fora já esteja com isso se encaminhando bem.

E gente usa a linguagem desde que se entende como gente. Por que não estudar então? Toda oportunidade que tenho, falo com os amigos de curso para saírem um pouco da bolha/redoma e irem para o CCE passear pelas salas da Letras. ou até mesmo ali na nossa colega Pedagogia no CED. Não é porque eles lidam com Educação que eles são a coisa mais linda dos céus de Ranganathan: é porque eles têm uma coisa que a gente não conseguiu incorporar ainda no nosso curriculo - eles mexem com gente. Tá bem marcadinho, quase entranhado em cada disciplina que bato o olho quando vejo o curriculo.

(E não tou falando de disciplina de "Produção de Texto Acadêmico", tou falando de entender wtf se constitui a língua portuguesa, porque usamos gramática, fazemos dicionários, como se estrutura a nossa fala e como podemos usar isso em favor de nossa profissão - se a galera do Direito faz com maestria, por que a gente não?!)

Aí uma coisa me veio como uma bigorna de desenho animado: a nossa história profissional caminha muito no sentido de EVITAR mexer com gente, desde os primórdios, com aquela de guardar livros a 7 chaves, botar tranca em encadernação, bola e corrente em compêndio, atirar em barquinho de fulano se ele não entregar o manuscrito em pergaminho, o "xiiiiiiiiu!", a leitura silenciosa, o clima inviolável do sagrado das estantes, o classificar por organização de acervo não de recuperar informações rápidas, o mais do mesmo nas produções científicas, a falta de incentivo para inovar com releituras de realidades, o não se aproximar do nosso público (leitor/usuário/consulente/interagente/lalalala e esses termos vão se multiplicar sem ter uma ponte entre a Filosofia da Linguagem/Linguística e a Biblioteconomia).

Então, talvez, o que eu esteja querendo fazer não é Biblioteconomia, mas alguma outra coisa aí. Talvez o provocar sobre falar mais da linguagem e como é o poder nela na nossa sociedade não seja algo pra um curso/profissão que ainda não se atentou que desconstruir o status quo (Ou romper com paradigmas, escolhe aí um termo! Tem vários!) é algo natural e deve ser incentivado em nossas bibliotecas, nossas escolas, nossas salas de aulas, nossas conversas com amigos de profissão. Se a gente não questiona a nossa matéria-prima de produção, cumé que quer formar gente apta para abrir esse diálogo lá na frente?

Como é que vamos lidar com a "Ciência pela Ciência" se metade dos TCCs de um repositório de universidade só enaltece a forma como "fazer produtividade", mas não "fazer algo para a sociedade"? Nem sempre produtividade é algo legal pra sociedade tá garotada, vide a bagunça da Revolução Industrial, acho que já deveríamos ter aprendido a lição. Bicar com a linguagem é extremamente necessária no nosso curriculo atual, pra dar uma ideia pros colegas graduandos que mexer com gente é importante sim e mais ainda, só se consegue fazer isso com sucesso quando se tem noção básica de como mexer com a linguagem.

Mas por quêêêêê ficar falando isso aqui no Facebook? Por quê? Desperdício de tempo e escrita! Bem, algum babaca tem que começar a questionar, né?
(Se aparecer um Agente Smith aqui daqui a pouco, já sabem: a babaca fui eu.)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

[bibliotequices] higieniza mi amor higieniza


Vassoura = estudantes / Mickey = Universidade
[os gifs postados tem a ver com a temática da postagem: Aprendiz de Feiticeiro foi a minha primeira experiência entre manipulação e transformação a força do Equilíbrio natural do universo. Se Mickey Mouse era um ratinho legal para mim, naquele momento em que ele deu "vida" a uma vassoura foi a porrada no sonho infantil de usar magia para beneficiar o mundo. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Oras! Informação é poder!]

Observando alguns momentos de crise cáusticos e movimentação nula ou quase silenciosa ninja nas imediações biblioteconomísticas, percebe-se uma coisinha muito muito violenta e sutil: quando o silêncio se instala em uma área das ciências, ela automaticamente higieniza seus semelhantes.

Higienizar é algo positivo quando você faz no seu banheiro ou na cozinha antes de cozinhar alimentos, limpeza é bom quando precisa botar ordem em algo que está atraindo coisinhas ruins tipo germes e moscas e insetos indesejáveis, mas quando se olha por um ponto de vista afastado do circo diário acadêmico: higienização na Biblioteconomia tá acontecendo.

Aliás, vem sempre ocorrendo, pois não temos tantas referências da "sujeira" por assim dizer. Nossa profissão já nasceu com glamour de status de elite, com bibliotecários da Casa Real fugida aqui pro Brasil, entulhando seus badulaques e livros roubados da Corte Portuguesa ali onde seria conhecida como Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Intocáveis em seus uniformes quase militaristas de requinte e pomposidade. Longe do populacho, apenas atendendo a família Real, os de título mais abastados, os letrados. Os poucos.

Temos os exemplos do que é limpo, claríssimo (Sim, vou usar essa palavra por um motivo bem bem alarmante dentro do curso), cientificamente desinfetado com muita técnica, legislação e burocracia. Tudo pode ser revertido a este estado tão límpido de aceitabilidade que o que se dá para perceber aqui de fora da bolha:

  • relações abusivas de dominação e submissão (emocional, hierárquica, acadêmica, sistêmica, etc);
  • apagamento de sujeitos que se tornam um mero rascunho dentro da Academia;
  • uma alteração no status quo que NÃO CONDIZ com a realidade aqui fora.

É para ser mais direte? Okay, vamos lá então.

Vassoura = estudantes / balde de água = discurso acadêmico

Comecemos com perguntas, tudo na vida sempre começa com a dúvida:

1) quantos professores negros você vê dando aulas na Biblioteconomia?
2) quantos estudantes negros estão ingressando ou se formando na Biblioteconomia?
3) quanto a voz da comunidade LGBT está sendo ouvida na Biblioteconomia?
4) há discussões sobre gênero, racismo, evasão de grupos em vulnerabilidade social na Biblioteconomia?
5) quantos de nós estamos enquadrados em algum tipo de perturbação psicológica que afeta diretamente nossos estudos, nossa visão do todo, nossa atuação?
6) estamos REALMENTE representando esses grupos ali descritos com o devido respeito e igualdade?
7) a gente se importa?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

[bibliotequices] biblioteconomia ufsc ocupa ced

BIBLIOTECONOMIA UFSC OCUPA!

Em uma atitude inédita e histórica dentro da Biblioteconomia, uma Assembleia legítima chamada de estudante para estudante finalmente decidiu os passos do movimento estudantil no curso. 
SIM para apoio, respeito e adesão a Ocupação do CED mobilizada pelo @OcupaCed.
NÃO para paralisação das aulas e atividades acadêmicas.

E é assim que o curso onde escolhi com consciência e orgulho se posicionou.

É oficial agora, entrará para História desse Centro negligenciado pelas instâncias, pelo poder público, pela sociedade, que nos posicionamos, nós abrimos a boca, nós saímos de nossa desvalorização mesquinha de categoria, resolvemos em coletividade FAZER ALGUMA COISA.

E tenho certeza que haverá muito trabalho a fazer, muito a planejar, muita paciência, sabedoria nas atitudes e palavras, muito a se resgatar como pessoa constituinte de um coletivo em prol de uma causa que inegavelmente irá nos afetar como estudantes, trabalhadores, docentes e como cidadãos.

O curso de Biblioteconomia tem cerca de 43 anos instalado na UFSC, um curso que percorreu caminhos tortuosos, com diferentes formas de se abordar a tecnologia, a informação, a integração com outros cursos, o elitismo intelectual de status, para um esvaziamento de significado na luta por direitos da categoria e por tudo que ela representa DENTRO E PARA a Universidade. 
(Arts et Scientia - Artes e Ciências é nosso lema, pesquisa, extensão e ação é o mote atualmente usado)

Os estudantes decidiram ser solidários a causa da Ocupação, acordando em Assembleia legítima que o respeito pelo movimento também não ficaria no papel, mas o de nos ajudarmos mutuamente para conseguir a garantia de nossos direitos.

É mobilizando e enviando emails aos professores e coordenações para realocação das aulas? Sim, deve. 
É cobrando através de abaixo-assinados, petições, notas de repúdio enviadas as nossas lideranças do Departamento e na Direção por condições MÍNIMAS de infraestrutura para a realização das aulas? Sim, devemos.
É informando ao colega de classe o quão importante somos quando unidos, como classe estudantil, como classe bibliotecária, como comunidade que compõe uma rede científica DENTRO E QUE TRABALHA PARA essa Universidade? Sim, devemos ter consciência disso.

Respeito, conhecimento, solidariedade, alteridade e cidadania: é para isso que estamos ocupando esse lugar como futuros bacharéis em Biblioteconomia na UFSC, futuros profissionais da Informação no Brasil. Entendam bem isso.

A Assembleia de hoje é histórica e está registrada em cada palavra, levantar de mão, opinião proferida e voto que demos. Votamos democraticamente por um rumo de luta e não omissão em nosso curso. Cansamos de ficar calados, de dizerem que já ingressado domesticados, doutrinados a sermos neutros, omissos, ocultos, apolíticos. A Assembleia de hoje provou o contrário, manteremos nossa firmeza nas propostas e ações.

Não falo como Bruna, não falo pelo Centro Acadêmico de Biblioteconomia da UFSC, não falo pelo Grupo de Acadêmicos de Biblioteconomia da Associação Catarinense de Bibliotecários - falo como estudante de graduação, um reles número nas estatísticas, 6 dígitos de matrícula, portadora de título eleitoral descartável, base da produção científica DENTRO E PARA a Universidade, um indivíduo qualquer que a sociedade insiste de me chamar como cidadã, mas que os interesses não contemplam o bem estar comum.

Os estudantes de graduação em Biblioteconomia apoiam a Ocupação, dizem não a paralisação de aulas, vamos resgatar nossos direitos e não sermos obrigados a ouvir: "Eu não sabia", "ninguém me disse nada", "Isso não é da alçada de vocês" - temos voz sim, estamos em passos cuidadosos sim, sabemos com quem e o que estamos lidando. Nós sabemos e não compactuamos com o silêncio do restante dos cursos, dos departamentos e setores que ainda não se pronunciaram no CED.

Nós, estudantes. 
Respeito, alteridade, conhecimento, cidadania. 
É pra isso que tô aqui e ninguém mais me tira. 
(E retiro o que disse sobre ir pra Museologia, vocês, todos vocês, cada colega que foi na Assembleia me deu a plena certeza: é aqui que devo estar)

Pronto, acabou, agora ajuda aí a galera a pensar em uma forma bacana de apresentar nosso curso na Ocupação, como somos, quem somos, quem pretendemos ser, Biblioteconomia é bacaninha? Como ela pode ajudar a a Pedagogia e a Educação do Campo florescer? Quais contribuições podemos dar?

Estamos pela primeira vez em história de curso tomando as rédeas do nosso processo pedagógico, mas isso exige muito trabalho, muita paciência e mais cautela ainda.
Tem gente querendo voltar com a ditadura, para esse povo, comam batatas. 

Faz bem e faz mudar de ideia.
 




http://www.dpu.def.br/images/stories/arquivos/PDF/cartilha_ocupacoes.pdf

domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] falácia do perder o semestre

Bora lá que a gente AMA números, certo? Números é que são legais para enfeitar as coisas, estatísticas e dados e índices e a vida acadêmica segue sem o devido pensamento crítico sobre isso...

43 anos de Biblioteconomia na UFSC são:

Semestres = 86
Meses = 516
Semanas = 2.244
Dias = 15.706
Horas = 376.938

A gente gasta 8 semestres para se formar no curso (Uns a mais, mas hey!). 8 semestres em 86 semestres de história da Biblioteconomia na Universidade.

E estamos preocupados com o final do semestre. Com ESSE final de semestre em específico. Se não vai ter aula ou vai, se vai ter greve ou vai. ESSE semestre. De 86 semestres já de curso! 8 semestres de graduação! É justamente ESSE semestre que é mais importante - e obviamente não podemos perder ESSE semestre. Os outros não.

Não é sobre perder semestre, entrar em greve ou não, ocupar ou não, ser aprovado ou não: É o se posicionar ou não.

É por perceber em 8 semestres que passamos aqui, contribuindo para a produção científica da Universidade, formando bibliotecários, professores e pesquisadores que temos uma cultura muito familiar do profundo silêncio constrangedor.

Não é pelo semestre, ESSE em específico. É por 86 semestres que a classe e o corpo estudantil não se posicionou ou teve voz suficiente para ter maturidade (ou vontade?) política para discutir coisas como: Cidadania, Direitos básicos, Sociedade, Educação, Direitos da Classe, Respeito, Ética e Solidariedade.

(Contem os semestres em que foram abordados esses assuntos durante os 8 semestres - contei! 2 semestres, 2 aulas em específico mais meia aula interrompida, pois docente quis falar sobre as manifestações de setembro)

86 semestres, pra mim, é muito tempo para acordar de uma neutralidade. Não é 1 semestre, é pela aparente passividade de 86 semestres.

Se pronunciem.
Se posicionem.
Se organizem.
Se mobilizem.
Discordem.
Concordem.
Tenham argumentos em seus posicionamentos.
Questionem.
Sejam protagonistas de suas vidas acadêmicas nesses 8 semestres.

(Não deixem a história do curso afetar seus sonhos, suas expectativas, suas chances de fazer um mundo melhor, mas não ignorem o fato de que por anos ninguém aqui dentro se manifesta sobre coisa alguma. Por medo, por juízo, por interesses, por motivos escusos, não sei, mas 43 anos é muito tempo pra continuar em silêncio)

[bibliotequices] mobilização estudantil - sentido literal

Existe uma lei bem legal da Física que diz quando uma corpo se mantém em inércia ou em movimento retilíneo uniforme, ele permanecerá ad infinitum desse jeito. Óbvio que isso acontece no vácuo, se desconsidera a gravidade, as forças de atrito, as outras leis do tio Newton, a de Murphy, aí sim forévis parado ou no movimento. 

Então quando os estudantes não fazem nenhum movimento na inércia em que se encontram, nada andam, porque Newton, né? Não é tão difícil de decifrar o que tá acontecendo no campus, na cidade, no estado, no país. 

Mais cortes e medidas drásticas do golpinho temerístico e a inércia tá aí. 
Primeira Lei de Newton seguida com fervor! 

Ato falho meu, porque... engenharia \o/

Aí cortam subsídios de permanência pros estudantes, prejudicam a progressão de carreira dos TAEs (Técnicos Administrativos em Educação), dão ultimato pros professores que pra aposentar só quando eles estiverem com pé na cova. Concurso público? Esquece, governo não vai gastar com isso mais. Chama terceirizado que a coleira é mais curta e dá pra manipular a cordinha com mais facilidade. Congelamento de gastos com um teto tão absurdo de baixo que o jeito vai ser alocar recursos de um lado pro outro. 

Então, você, coleguxe fofuxe que acha que não vai ser atingido porque o curso de Biblioteconomia é imune as mudanças da sociedade, péssima notícia: um técnico ou alguém com notório saber vai tomar o seu lugar. 

E vai ser mais cruel, porque quando você estiver na metade do curso e tiver uma crise existencial individual do porquê raios tá fucking fazendo ali, servindo de panaca e cobaia pra um corpo universitário estagnado, a pergunta primordial será!? 

Vão me empregar com esse preparo que tive? 
Sou suficiente para o mercado de trabalho lá fora? 
Tenho certeza absoluta de minhas habilidades para levar minha carreira adiante? 
Como assim vou aposentar com 75 anos e sem direito a nada?! 

E aí tá todo mundo na inércia. 

No caso, a inércia fez esse lolcat continuar
 a girar, girar, girar, girar e girar

Pelo menos é lindo ver isso na Biblioteconomia da UFSC, onde há uma contrariedade de forças que sequer deveria existir em primeiro lugar. Um Departamento que não assegura os próprios interesses acima dos demais nem deveria estar constituído. 
(Sim, não é papo de coxinha reaça não, a lógica nas Federais é unir uma panelinha, defender o próprio curso/Departamento com os dentes e que se ferrem os estudantes. Eles conseguem direitos pra gente de acordo com o que as lideranças desses lugares acham mais vantajosas) 

E os estudantes? Inércia. 
E Happy Hour. Porque tem que ter.
Pão e circo e "me passa de semestre". 
$(function(){$.fn.scrollToTop=function(){$(this).hide().removeAttr("href");if($(window).scrollTop()!="0"){$(this).fadeIn("slow")}var scrollDiv=$(this);$(window).scroll(function(){if($(window).scrollTop()=="0"){$(scrollDiv).fadeOut("slow")}else{$(scrollDiv).fadeIn("slow")}});$(this).click(function(){$("html, body").animate({scrollTop:0},"slow")})}}); $(function() { $("#toTop").scrollToTop(); });