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sábado, 19 de agosto de 2017

[bibliotequices] sejemos frangos maix otra veiz

Sejemos frangos: biblioteconomista não é mágico, muito menos onipotente. Então quando houver dúvidas, consulte um profissional da área.

Estava a se discutir sobre o ambiente sistêmico de pluralidade em que um bibliotecário pode atuar e o martírio de entender que não somos obrigados a saber de tudo um pouco (Hello?! Neurociência explica?! Freud não? Para de recalque que você não é enciclopédia humana.), mas somos obrigados a saber quem sabe.

Ou ter um uma pista sobre como conseguir tal informação.
É pra isso que a gente serve socialmente.

Então se eu viro a chefia imediata de uma unidade de informação, é provável que seja obrigada a entender que as decisões são de minha alçada e com o meu aval, mas não tenho obrigação alguma em executá-las eu mesma. É isso que a galera não tá sacando e acaba que é isso que tanto bibliotecário quase dá piripaco de tanta função acumulada.


No sentido prático da carreira, se eu não sei fazer um planejamento estratégico que valha a pena gastar meu tempo e dinheiro da organização, vou pelo menos indicar alguém que saiba. Colaborarei com o indivíduo, aprenderei algumas coisas se isso for relevante e essencial pro meu trabalho, mas não preciso ganhar título de mestre Jedi na coisa.

Assim como vocês não precisam saber WTF são aqueles números de chamada nas etiquetas, ou que operadores booleanos são coisa linda de Ranganathan e muito menos decorarem relação estante/prateleira/livro. Amiguinho, você não é obrigado a nada, muito menos eu.

Pra entender o universo é preciso doutorado em Física Quântica?! Pra saber que estou amando alguém, preciso ser cardiologista pra entender como o bombeamento de sangue no meu corpo está diferente do normal? 

A cisma que tenho com gerenciadores de acervo é por conta disso. Não preciso entender programação, engenharia reversa (apesar de ser um awesome assunto), as teorias mais profundas e escabrosas da área da tecnologia da informação, eu sei quem pode fazer isso por mim, não preciso tirar o emprego dele, o mínimo é entender a linguagem que ele usa para se comunicar com e ver se aquilo que ele tá produzindo é bom o suficiente para minha demanda.

Se por acaso eu tiver talentos extras em outras áreas (goddess bless), ótimo!!! Vai na boa, usa e abusa das mad skills, mas pelamoooooor não se mete em compreender que bibliotecário pode e deve ser tal coisa quando não é.

Nóis não semu.
Num mexe com quem tá quieto, sô.

Essa confusão de identidades fragmentadas é que arruína muito em nossa atuação, é preciso ser muito para se conseguir resultados razoáveis. Não precisa ser assim, até porque se você se cobrar demais, sua cabeça explode. A minha já foi com a fucking Letras ao entender como a organização da linguagem pode ferrar com toda a construção/destruição de realidade de um indivíduo.

Então não fucking cisma com essas coisas.
Tem gente pra isso.
Tem povo pra te ajudar nessa.
Nossa tarefa é construir/constituir a rede, criar elos, integrar saberes, ensinar as pessoas a não entrarem em pânico.
Eu não tou em pânico.
Tá todo mundo calmo aqui.

Interdisciplinaridade.
Transdisciplinaridade.
Multidisciplinaridade.
Essas palavras tem mais sentido na prática do que colocadas à toa em artigos científicos, planos de ensino, aulas expositivas.
(A gente sabe quando essas palavrinhas mágicas tão ali só pra enganar, ok?)

Bibliotecário não é educador?
Todo mundo é culpado até se provar o contrário?
Até onde sei não sou contador.
Não sou psicólogo.
Não sou administrador.
Não sou cientista da informação.
Não sou técnico de alguma coisa.

Já viu médico operando com pá de pedreiro? Engenheiro botando prédio de pé com palito de sorvete? Advogado citando livro de culinária em processo criminal? Não?
Pois então, não vou organizar a sua informação fingindo que o Outro não existe. Isso se chama Parnasianismo Acadêmico e deixamos de lado nas carteiras da faculdade por uma razão: a gente tá servindo ao Outro, é ele nosso norte.

E acredite: tem uma porção de gente que pode fazer aquele maldito gerenciador de acervo funcionar do modo que seja mais fácil de mexer. Mais rápido pra atender o público. Dá sim. Existe open source pra quê? Existe os chuchus da TI pra quê?! É com eles que precisamos conversar, não nos apropriar de seu universo.

Assim como não precisamos ser encharcados até os ossos pelas outras áreas como se a nossa fosse insuficiente. Aqui nóis colabora, não explora, não rasura, não rasga, não apaga com corretivo da supremacia mercadológica pra satisfazer uma parcela de poucos. Nóis é paz e amor e compartilhamento de vivências pra um bem maior e comum.

Sejemos frangos.
Admitemos nossas franguesas e fraquezas. Reconhecemos nossas falhas, e perdoai-nos de nossos pecados, livrai-nos do mal, amém?

Chuchu beleza?
Ah, mais outra coisinha pra não esquecer da problematização: Bibliotecário não é educador, tá?

Pó-pará com o pó-pó-pó...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

[bibliotequices] se é amarelo...

Algo me pegou de surpresa esses dias na biblioteca.
Um pequeno leitor se aproximou com almofada nas mãos, perguntando: isso aqui é amarelo?

Olhei para a criança e tive aqueles insights-flashback quando eu tinha idade dele, amarelo era amarelo mesmo? Quem botou o nome dessa cor afinal?

Eu, no desarme, perguntei de volta:
"Pra você é amarelo?" - ele concordou com aquela certeza infantil que nós é roubada ao crescermos.
"É amarelo sim."

Então que seja amarelo, uai.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

[bibliotequices] sobrevivência em estágios


Situações que já me ocorreram e estágios que podem contar para experiência em um Apocalipse zumbi próximo (ou quando for trabalhar for realzies):

  • Burocracia departamentalizada em forma de papelada e assinaturas. 
  • Estante rolante de mais de 1 toneladas com trava de segurança com defeito. 
  • Aranha colaboradora do tamanho do meu punho. 
  • Acidente pedestrial.
  • Infestação de pulgas. 
  • 2 crises de identidade e 1 crise de desistência do curso (Várias de choro, pânico e em silêncio) 
  • Biblioteca em reforma completa. 
  • Corporativo matador de criatividade. 
  • Um princípio de quase hérnia em vias de. 
Para cada uma das citadas, até que me recuperei bem - tirando a aranha colaboradora que ainda tenho pesadelos e quase-hérnia que precisa ser resolvida antes de outubro - sem muitas perdas de pontos de Sanidade, tudo conforme a tabelinha imaginária de "até quando você aguenta sem surtar por não estar fazendo algo que ama". 

Porque eu tou fazendo algo que amo, tenho plena certeza disso, o problema é chegar nesse estado de apatia atualizada que evoca um feeling que por muito tempo não entendia - e até sentiria vergonha e revolta - que alguns colegas de profissão tem. 

Depois da bagunça ferrada feita por impossibilidade de se mexer direito por dias por conta de dor aguda, refletindo pra perna esquerda - coisa linda ver que o ciático deu sinal de vida - as decisões ficaram cada vez mais centradas no "Que Mandos me leve, Barqueiro me dê carona, mas nunca mais quero sentir dor assim". Nada substitui a nossa saúde mental e física quando se está em risco de um colapso. Então ser fdp está sendo um fator importante para manter certo controle da situação dolorida. Me dói por não estar mais fazendo as estripulias de antes (e me negando a fazer), e me dói por deixar alguém tão gente boa na mão. 


Mas ao invés de me afundar nos feels sobre sentir culpa por não estar atendendo as expectativas esperadas - essa expressão me persegue em tantas esferas - a apatia 3.0 me ensinou algumas coisinhas bem básicas pra viver por mais tempo e de forma saudável. 

Entrar em paz consigo mesme é uma tarefa quase impossível pra mim quando começo a fazer a lista de coisas que são necessárias pra sobreviver: manter a calma e a saúde mental estão no topo. Estímulo externo com planos de pequeno e médio prazo também, outubro tenho que estar 100% para realizar um sonho que é prioritário em todas as listas que já fiz nessa vida, em todos os campos da minha vida de escriba. E não dar a mínima para isso até o momento está surtindo efeito, não preciso recorrer a ansiedade pra colocar ordem no caos. 

Porque o caos gente, o caos somos nozes

O que isso tem a ver com estágios? 

Trabalho é meu nome do meio (Reis é uma ironia bem legal de nascer em família tradicional mineira) e desconstruir essa premissa na vida tá sendo interessante no ponto de vista científico. Porque o tempo todo tou avaliando se o que tou fazendo da vida é relevante pro meu bem-estar ou para encher o bolso de alguém ou dando status pra outrem. Se esses três pontos estivessem gerando ideias e formas de se trabalhar com certo senso de dever cumprido, estaria mais feliz, ou fingindo que estava tudo bem. 

Dividir a sala com a aranha colaboradora e o perigo da estante com a trava quebrada foi uma lição de como corporações não dão a mínima para seus manentedores do status quo (se você bibliotequero não vestiu a carapuça, amigolhe deixa eu te contar uma coisa...), mas foi edificante para não me meter mais com lugares assim. 

As crises me ensinaram que jamais devo envolver a minha vida pessoal com a vida profissional. Por mais cutch-cutch que seja as relações de trabalho ou emocionais: atrás do balcão, entre as estantes sou uma pessoa totalmente diferente do que vão me encontrar sábado de manhã em casa. Esse afastamento é necessário pra termos a noção entre ética profissional e valores pessoais. 

E se a powha da ética profissional de determinado local tá distorcida e não batendo com os valores pessoais, paciência. Paciência e perseverança. E reza pros orixás, deuses, santos e outros relacionados pra não misturar os dois. 

A apatia entra justamente nessa hora, e favor não confundir com indiferença, pois são conceitos opostos em vivência: indiferença é aquele trem do video meliora, proboque. Deteriora sequor já a apatia é um não-movimento para autopreservação automática. 

Aquela porcariada de "neutralidade biblioteconomística" entra nessas duas situações, e a confusão pode ser esplêndida. Porque tem gente que vê a ética profissional sendo massacrada e resolve fazer vista grossa, e tem gente que vê o trem indo pro brejo e não reage por puro medo. 

Aí sim voltamos ao assunto principal de ser estagiário. 

Burocracia e corporativismo são venenos de rápido efeito. Pras pessoas que tem como lema viver no improvisation e demanda imediata, estar contido em lugares como esses é pedir pra dar um tiro certeiro no chacra do terceiro olho. Porque iluminação alguma vai vir disso e evolução estagna em ambientes que tem prioridade maior em puxar o tapete alheio do que beneficiar a comunidade. A ética profissional entra nisso também, pois se o alinhamento do local for totalmente contrário ao que postula o bendito documento instrucional, vai ter que readequar toda a atuação e adivinha qual o que vale mais? 
(Não, não é a resolução de número cabalístico do CFB) 

Dizer nãos e nãos tá travando minha vida. 
Na Biblioteconomia há a possibilidade de estar sempre a dizer sim, sim, sim, o não vem inesperado na medida em que alguma conduta imoral (I não a) é praticada e prejudica o bem estar da comunidade. Dizer não demais enfraquece o que acredito como sendo o único lugar que encontrei entre muitos outros como libertador. 

Aviso aos navegantes, antes que o estágio te mate realmente - de corpo, de alma, de crenças - mate ele de você. Não deixa nenhum lugar, por mais rentável que seja ou referência de sei lá o que naquilo que você algum dia vai representar, tirar sua vontade de levantar da cama, muito menos sua criatividade. Você não é o lugar onde trabalha, você que faz o lugar onde trabalha. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

[bibliotequices] canção de escárnio


Fiz uma canção de escárnio pra quem mais amo.

E para momento literário fofuxo, deixo a definição de canção de escárnio, ok?
(Sim, vai ler na Wikipedia, tou aqui pra repassar a informação, não pra dr aula de Literatura.)

A gente vive numa caixinha, povo.
Não vamos negar.
O mundo lá fora é tão vasto e cru que é óbvio que irei ficar confortável em um lugar só e não cuidar de selvagens dentro das escolas,
Selvagens atrás das grades
Selvagens enfiados no mato nos confins do Brasil.

Não sou assistente social.
Não sou explorador aventureiro
Não sou babá de ninguém
Não sou como esse povinho aí

Nasci da elite mais refinada da erudição europeia,
Vim fugido pra essa terrinha abençoada em que tudo nos dá
A falta de culhão de monarquia atrasada culturalmente
Filho de herdeiro, de fubá, de sinhá
Achando que ser doutor é o topo da cadeia alimentar

Claro que na cadeia alimentar, toda espécie tem sua evolução.

Se ontem eu digeria burocracia pra escovar os dentes com os dicionários,
Hoje sou obrigado a virar jurássico,
Empoeirado com essa moçada que adora desconstruir paradigma com bisturi tecnológico.
Mas meu amigo, paradigma é temporário,
Sempre se eu fui paradoxo
Até que prove ao contrário
Ou "seje menas" nessa canção de escárnio

Faço parte de uma "profissão em extinção"
Computadores chegaram revolucionando a forma de obter informação?
Continuo aqui.
No mundo a Internet mudou a configuração?
Continuo aqui.
Inventaram outra nomenclatura pra designar o que faço (só que com mais bytes, mais outros termos científicos que você quiser adotar).
Continuo aqui.

Sobrevivo.
Tenho lei e tudo.
Escolas de louros espalhadas no país,
Escola que limpa mouros, esses não entram aqui
Escolas que higienizam ensinando algo que dizem que ninguém mais precisa
(tem a Wikipedia e Doutor Google agora)

Formo uma minoria de elite, branca, especialista em qualquer coisa que sirva no momento.
Conhecimento de tudo para servir de nada
Gratuito? É de graça, com a minha salvaguarda
Educo neutralidade em cada passo que ajudo o pupilo dar.
A lei me garante.
Os decretos também.
Minha imparcialidade se confunde com apatia que é só um reflexo do meu comodismo.
E ainda assim, continuo.

Desde Alexandria.
Desde a primeira dinastia.
Desde a primeira vez em que a escrita esteve presente na sua vida.
Continuo.

Sabe por que não faço mais que deveria?
Por que alguém vai fazer por mim,
Essa molecada com as fuças grudadas em tecnologia.
Esse é o desejo deles, não meu.
E eu continuo.

A quem sirvo não é pra todo mundo,
Não é pra ser,
Que meus teóricos preconceituosos, sexistas, machistas,
Crias de um sistema de manutenção permanente do patriarcado,
Estejam mais certos que qualquer outro de outra área.
Perpetuo os manuais sem averiguar as pistas
De uma violência muda, surda e cega

Conhecimento é poder.
Informação é a única realidade.
Eu tenho a chave.
E eu continuo.

Mude os termos, as nomenclaturas, as ementas, as leis, os decretos, os códigos, os anseios, os afetos, o chão a lamber, mude, se mude, faça upgrade.
Eu continuo.

Um monumento em homenagem a inércia.
Eu continuo
Te encarando como esfinge, dando a charada e penalizando seu mínimo erro.
Eu continuo
Devorando seu fígado, e você acorrentado
Eu continuo
Sendo a pedra que se precipita no alto do penhasco infinitas vezes
Eu continuo
Um diploma, um canudo, um juramento me habilita
Eu continuo mesmo assim.

Você, você faz reformulações, reedições, renovações.
Como todo organismo deve ser reinventado para se legitimar nessa sociedade desigual.
Eu continuo, não permaneço, óbvio!
Mas aqui, continuo.

Eu continuo! (tá me vendo aqui?)
A profissão que será "extinta" daqui alguns anos
O profissional que "não serve pra nada"
O "trabalhador encostado" que reclama demais
Ninguém pediu sua opinião, eu existo
(você também, caro amigo, você também)
Eu existo desde que homo sapiens começou a fazer conexão com as sinapses do sistema nervoso
Talha, cunha , argila e arconte
Pergaminho, papiro, hierofante
Continuo, tou aqui, tá me vendo?

Tudo na ordem? Tudo no progresso ?
Identidade, CPF, comprovante de residência e 2 contatos por favor?


sábado, 24 de junho de 2017

[bibliotequices] teoria e prática drástica

A gente faz uns paralelos na vida para poder ter uma noção do que deve fazer ou não enquanto se atua profissionalmente. Por exemplo: volta e meia questiono o que raios tou aprendendo nas aulas que vá de certa forma contribuir para 3 pilares da minha atuação:
  1. o que tou aprendendo vai ajudar a pessoa que atendo mais rápido, com eficácia e satisfação?
  2. o que tou aprendendo tá facilitando o meu trabalho para o item 1?
  3. o que tou aprendendo é RELEVANTE para aquela situação e não só uma sofisticação besta que será usada 1 vez só e pronto, acabou?
O que pesa mais aí: o que tou aprendendo vou conseguir repassar para outra pessoa - leiga ou não - em um futuro próximo para ela poder aplicar as mesmas teorias na prática?

Porque bibliotecário tem dessas coisas de guardar os pulos dos gatos para si, de não compartilhar informação uns com os outros porque acham que vão puxar o tapete deles (E vão, acreditem), ou sei lá, medo de se tornar obsoleto por inovar em alguma coisa e não ser significativo no final das contas (E acontece). Por isso a gente apela em buscar identidades e funcionalidades em outras áreas, porque a nossa essencialmente não é para se tornar especializada NELA MESMA (Parnasianismo Biblioteconomístico?), mas sim o integrar sempre as áreas em que estamos nos dispondo a trabalhar, atuar e auxiliar.

Então quando saio de um semestre que aprendi cerca de 5 ou 6 ferramentas vindas de áreas diferentes da minha (Administração principalmente), não estou negando a minha fidelidade aos preceitos de Ranganathan (Até porque o patrono da Biblio era matemático), estou aplicando um conhecimento fora da minha esfera para solucionar um problema da minha alçada. Não há vergonha nisso.

O trem começa a ficar confuso quando a gente se esquece do porquê tá fazendo aquilo. O motivo, o objetivo, o que se espera alcançar. vejo muito essas ferramentas serem aplicadas para processos de alguma coisa, e não para "no final é pra ajudar todo mundo e conseguir paz mundial". Aí que começa o parnasianismo biblioteconomístico, uma coisa que ~ahem~ certo outro curso¹ que sempre se infiltra em nossa área gosta de fazer ad nauseam.

Por isso não entendo o que raios eles fazem da vida.
Por isso pergunto sempre o que eles querem no nosso curso, porque não tá explícito.

É pra ganhar dinheiro?
É pra render mais capitalmente?
É para produzir mais e ter estrelinha bunitinha de órgãos de regulamentação científica?
É para ajudar em processos intrínsecos de nossa profissão, mas ao mesmo tempo fazendo ponte com teorias de outros cursos/áreas para melhorias dos meus processos?
Tudo bem, gente, não precisa ser a paz mundial, a democracia do conhecimento científico ou a vontade de mudar o mundo, pode ser dinheiro mesmo, pode ser status, pode ser o que vocês quiserem, só preciso entender o que raios fazem para ficarem num looping eterno no processo e não resolverem nada.

Debaixo do link, mais considerações.

[bibliotequices] óticas sobre ética profissional

As aulas de História levantam alguns momentos épicos de verificar a estabilidade ética d@s graduand@s desse curso tão aclamado. Já avisando que são deliberações sem qualquer objetivo de estabelecer opiniões e todo o jazz de discurso já feito. Essa postagem é feita justamente para levantar questionamentos, favorecer reflexões, essas coisa chata de gente que filosofa.

Afinal de contas, onde vamos buscar os ditames éticos de nossa profissão? Temos nosso Código lá do CFB - entidade maior de representação de nossa categoria - com as seguintes palavras.

SEÇÃO II – DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia compreendem, além do exercício de suas atividades:
e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país 
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a coletividade
SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
Nota para essa citação: Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Para o Ensino de Ética nos cursos de Biblioteconomia, temos:
 - Considerando que a educação do bibliotecário deve ter como uma de suas finalidades o colocar-se a serviço da sociedade;
 - Considerando que é responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia a formação de profissionais conscientes de responsabilidades para com a comunidade;
 - Considerando, ainda, que só assim os estudantes de Biblioteconomia poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à profissão a que se dedicarão;
Nota para ambas as citações acima: negrito são grifos meus pra gente não perder o fio da meada.
Aí quando falamos de pessoas em situação de risco como os sem-teto ou situação de rua, como o eufemismo gosta de quantificar nas pesquisas, temos essas nuances passando entre moralidade, valores pessoais e ética profissional.

Quando você apela para uma dessas na tríade, vai haver consequências a se responsabilizar e arcar. O Código Ético da profissão diz isso aí, cumprir é imprescindível de acordo com a Lei e da teórica ufanista romântica noção de que se respeitando as leis, o mundo se torna lindo e maravilhoso. Então se eu colocar o Código de Ética ACIMA de qualquer outra instância que codifica e formaliza a minha vida particular e sim a minha vida pública e profissional, haverá treta.

E NÃO TEM COMO FUGIR!
Então você, bibliotecári@, estagiári@ em uma unidade de informação, que se depara com pessoas em situação de rua e vai fazer o seu trabalho conforme seus preceitos morais ou valores pessoais, automaticamente estará saindo do Código Ético Profissional, lei promulgada por uma categoria em que você pertence, outorgada por autoridades da sua área, logo o que isso cheira?

Subversivo né?
Infringindo lei é?
Marginal?
Desrespeitando todo um conjunto de leis explícitas que todo mundo tem acesso e pode julgar como irregular passível de punição profissional e por que não criminal?

Então voltando a pessoa em situação de rua que frequenta a unidade de informação em que você atua. Ela está ali, ela existe, ela cheira diferente do que você está acostumado em sua posição de privilégio e normatividade, ela se comporta de forma fora do seu entendimento discursivo, ela utiliza aquele espaço pretenciosamente democrático para ações que estão fora da sua ideia de percepção em uma biblioteca (tipo realizar higiene pessoal no banheiro da biblioteca, porque guess what? Ela não tem onde tomar banho, lavar o rosto, ficar água potável - usa drogas naquele espaço íntimo e privativo por X razões que NÃO ESTÃO na sua alçada de compreensão da psique humana e vivência na realidade em que você habita), o mundo lindo e maravilhoso da ética profissional rui em um segundo.

O que fazer? Opções mais óbvias?
  1. chama a Polícia
  2. chama a segurança da instituição (que com certeza vai pro item 1)
  3. se apavora e deixa seja lá que o cara tá fazendo e reza pra todos os santos/deuses pra ele não voltar mais
  4. chama a Polícia
  5. respira fundo e vai encarar a pessoa e saber o que raios ela tá fazendo ali
  6. entende que sua função como bibliotecário não é pra ser babá de morador de rua
  7. já disse sobre chamar a Polícia?
  8. revê seu papel no mundo naquela situação, calça (???) as calças da alteridade e vai ajudar o camarada a entender que há lugares e lugares. Tomar banho no lavabo do banheiro de uma Biblioteca ou usar drogas ali não é adequado. dar essa informação, por mais idiota e óbvia que seja pode causar alguma aproximação ou hostilidade.

A treta vai sendo ampliada com as definições mais generalizadas sobre essas 3 coisinhas ali que vou citar daqui a pouco - isso dá uma briga ferrada no campo das Ciências que você não faz ideia. As reações da lista acima são possíveis em cenários diversos, mas o que pega é o embate entre:
  1. valores pessoais (essa porcariada toda de bagagem que você construiu durante sua vida como caráter e personalidade)
  2. preceitos morais (outro bagulho entulhado na sua mente, corpo e coração que a sociedade e cultura em que você está inserido enfiou por goela abaixo)
  3. ética (o conjunto de 1 e 2, MAIS a ruminação do que é o mais acertado a se fazer na hora)

E acertado é garantir que o indivíduo citado esteja resguardado de seus direitos de cidadão AND amparado por um Código de Ética Profissional que fucking assegura os direitos dele e os seus de agir conforme uma normativa blá-blá-blá chancelada pelas autoridades e blá-blá-blá.

Essa violação de conduta profissional por não entendermos onde 1 e 2 estão sendo usados ACIMA de 3, já que por teoria 3 deveria ser a prioridade. 3 é a regra geral, 3 por mais falha e nonsense que possa parecer em situações como essas descritas ali em cima (do sujeito fazendo coisa que não deve em lugares que não correspondem aquele tipo de comportamento), prevalece. Por quê?

Porque ter um Código Ético Profissional é um norte de qualquer  dúvida que você tenha sobre sua atuação profissional. Ética, nesse caso, traz a noção de interpretação e reconhecimento que você, como bibliotecário ou estagiário ESTÁ ENQUADRADO a assumir que vai se comprometer a obedecer o que o Código diz. A pessoa em situação de rua fumando crack no banheiro ou outro lugar da biblioteca está ali por uma razão, uma razão que não está sob seu controle ou ter o poder transformador de fazer um milagre.

Esse não é o ponto.
Você não vai salvar a vida do camarada, não é essa a intenção, não é a garantia que o Código dá para você atuar sobre o problema. É como você vai usar esse problema para conscientizar a pessoa que ali, naquela biblioteca, tem opções de uso de seus serviços para ficar informada que o que ela tá fazendo não condiz com a função real de uma biblioteca.

Você tem opções de como fazer isso de forma adequada ou de não.
Chamar a Polícia ou qualquer outro órgão com essência repreensiva não será a solução mais legal do mundo, acredite. Ter o telefone de um albergue de passagem, órgãos de defesa aos direitos de pessoas em risco (CRAS, CREA, SEMAS do seu município) é uma opção ambígua - pois não há garantia se o milagre pro camarada vai acontecer assim lindo e maravilhoso como a gente quer.

A opção que o Código nos dá é respeitar e informar. E apenas isso. Fazer com sensibilidade ou não vai dos preceitos morais e valores pessoais de cada um. Ou não. Posso ser uma babaca há 200 metros fora do meu local de trabalho, mas continuar o meu trabalho eticamente perfeito de acordo com uma legislação que me prediz a fazer isso.

Exemplo pessoal: o meu valor pessoal é questionar até o cansaço qualquer pessoa que vier falar de religião no balcão. Essa é a minha ótica de encarar o assunto religião. Cristão, budista, umbandista, wiccan, maçom, eu vou questionar, está intrínseco a minha pessoa, a curiosidade e a petulância de querer fazer a pessoa pensar duas vezes antes de querer dar lição de moral através do uso do discurso religioso me é tentador, querer saber mais sobre essas opiniões tão diferentes da minha também terrivelmente tentador. Mas essa curiosidade mórbida pode não ser uma boa coisa para o sucesso de atendimento com acesso a informação imparcial e condizer com meu dever como bibliotecári@ ou estagiári@ ali naquele momento.

Meu preceito moral é respeitar qualquer um que professe sua crença no balcão ao querer pesquisar sobre algo nesse assunto. Isso não só está no meu valor pessoal, mas também de visão da religião como o religare, a conexão de pessoas e um sentido plausível e aceitável pra pessoa viver em harmonia com o universo. Mesmo que você acredite que um alien chamado Xenu forçou milhares de almas a serem jogados em um vulcão e essas "almas" foram transmigradas para corpos dos primeiros ancestrais dos homo sapiens¹.

Minha ética profissional é esquecer as duas coisas ali e dar informações pra pessoa sem distinguir sexo, gênero, religião, cor da pele, se ele é fã de gatos ou cachorros ou se ele é capelão militar questionando severamente o porquê haver só 2 bíblias na unidade de informação. A Ética Profissional que eu JUREI ao pegar aquele canudo roxo simbólico de tudo que estudei e prometi em proteger, preservar e tudo mais, isso eu DEVO cumprir. Lembram do Juramento da Profissão?

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana"

E serei bem honesta: a 200 metros da biblioteca eu sou e estou na minha visão de mundo dos 2 itens de valores pessoais e preceitos morais. E a minha ética no reinterpretar esses dois itens em outro espaço de convivência é outra. Dentro da biblioteca, essa instituição fluída e subjetiva, não construto cheio de estantes e livros, sou eticamente responsável por um tipo de reação/ação sobre situações como essa. Lá fora, na rua, em minha casa, entre amigos, dançando ula-ula dentro do busão 221 de Canas, a ética muda. A forma de se enxergar a Ética Profissional muda.
Eu encheria o capelão de perguntas ou ficaria em silêncio?
(Militar, com carteirada do Exército, porte intimidador e já largando que não viu Bíblias suficientes na biblioteca? Óbvio que seria silêncio, isso se chama autopreservação, algo que a Ética Profissional não vai conseguir ter condições de me dar instruções sobre o que fazer quando sinto que estou sendo repreendide por algo que está fora do meu alcance)

Diferenciar o público do privado. Estabelecer limites, linhas imaginárias, por mais aproximadas que estejam, traçar fronteiras do quem eu sou e o que estou fazendo.

Aí chega numa parte do artigo sobre Ética na Wikipedia e essa passagem quebra os raio da bicicreta:
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos.
Será que tou conseguindo ser coerente no que estou escrevendo?

Se a Ética Profissional é a lei maior em uma categoria profissional, por que ainda insistimos a ir primeiro pelos valores pessoais e preceitos morais?

Será que o Código de Ética está mesmo abraçando todo entendimento de Humanidade que devo conservar ao atuar como bibliotecário em situações como essas?

Vou mais além, será que a atuação profissional deve ser pautada em valores pessoais (e a linha tênue entre confundir cada item com outro é tão perigosa, gente) e preceitos morais para DEPOIS haver uma construção coletiva sobre a Ética Profissional do bibliotecário?

Será que a gente risca isso tudo é só obedece o Código de Ética?

Não risca nada e continua a atuar conforme a própria consciência?
(Ou essa noção ilusiva do que é a própria consciência)

Para mais informações, pelamoooooor parem de ser passivones da vida e leiam:
RESOLUÇÃO No 153, DE 06 DE MARÇO DE 1976 - Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária

~Le Legislação Básica de nosso trabalho - Conselho Federal de Biblioteconomia.

~Le juramento da Profissão - RESOLUÇÃO Nº 6, DE 13 DE JULHO DE 1966

RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002 - Dispõe sobre Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

[bibliotequices] ainda não entendi!

7 semestres.
3 anos e meio.
2 crises existenciais.
1 crise de querer mudar de curso.
E até agora não descobri o que fazem os engenheiros da produção, gente.


Ainda não saquei o que eles querem da vida.
Ainda não entendi o que eles acham que tem que se enfiar na Biblioteconomia.

Ainda não compreendi que quando se metem é para fins nada felizes dentro do curso.
Ainda tou ruminando o porquê deles não terem achado algum outro lugar melhor (Sei lá, curso que dá dinheiro e prestígio, sabe?) para se alocarem.

A única coisa que encontrei de informação relevante é que eles são igualmente evitados nas outras engenharias. O que não ajuda em nada na melhoria da percepção desses incautos transeuntes da Biblio.

Botando Moz pra ilustrar, porque a situação pede

domingo, 18 de junho de 2017

[bibliotequices] esquete #1 - DR na biblioteca


O roteiro tá pronto, só falta aquela vontadinha linda de botar em execução, achar gente pra atuar, pagar mico, ter um cenário, fazer cenografia, ter financiamento, eeeeeeeeh eita trem:

cenário: balcão da biblioteca
Silêncio constrangedor 
Bibliotecári@ olha ao redor e pigarreia


 - Barcelos, a gente precisa conversar...
 - Iiiiiiih...

Alguém vestido como uma Enciclopédia Barsa
(Papelão talvez? Muita cola e cartolina?)

 - Eu sei que a gente tem um relacionamento de anos e muita coisa mudou entre a gente...
 - É aquele papo de que sou velho demais pra sua coleção?
 - Não, não é isso... É que...
 - Que minha versão tá desatualizada desde 1985? É isso?
 - Entende que pra aqui, onde a gente se encontra, não posso ficar com você... As pessoas vão falar...

Barcelos levanta a voz

 - Falar o quê? Falar o quê? Que não sirvo mais pra consulta? Que não tenho verbete coloridinho com essas firulas de adolescente clicando em link?
 - Não, Barça, a gente não tá dando mais certo...
 - É isso, cê vai desistir de mim...
 - As pessoas, elas tão falando... Não posso mais ficar contigo desse jeito...

Bibliotecári@ olhando ao redor com certo constrangimento
Barcelos levanta no supetão e sai do salto

 - Vai se livrar de mim, mas não fica assim não!! Vou entortar essas prateleiras até você fazer reciclagem!! Vou falar pros dicionários defasados que tenho mofo até no miolo!! A nossa traça de estimação, fica comigo!!

Barcelos agarrando com carinho uma traça em tamanho gigante
Bibliotecári@ levanta indignad@

 - Não, a Adelaide não!! Não bota a Adelaide nisso, pelo amor de Ranganathan!!
 - Você vai me ver no tribunal!! Vou botar a boca no jornal do almoço!! Jornalista famoso vai reclamar do teu descaso por mim!!

Barcelos sai batendo pé e xingando coisas inteligíveis


Bibliotecári@ desesperad@


 - Não, pera Barcelos Mirador Britânico!! Volta aqui, vamos conversar direito!!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[bibliotequices] sobre burnouts


Here I go, here I go...

Mente vazia, oficina da queridona Lady Ansiedade, do meu coração <3
Como mãe de todos os pavores, fico no aguardo pelo próximo momento lindo de dorzinha localizada. Os neurônios estão trabalhando em outras áreas pelo jeito. O legal de ter uma mente hiperativa é que mesmo quando tou lesada pela dor, vai vir coisa, sei lá, alguma coisa, tipo ontem foi ideia rápida e improvisada na apresentação do trabalho, até que deu certo - no susto, mas deu. O ruim de ter mente hiperativa enquanto se está com dor é que não dá pra executar as coisas que quer fazer. 

É um belo círculo vicioso dos Inferos pra enfrentar. E a Ira costuma vir junto.

A dor nas costas anda me fazendo relevar muitas questões na vida de escriba, até o ato de escrever já está se tornando um exercício difícil - a escrita entra como solução paliativa, um band-aid para uma fratura exposta, um "Calma, vai melhorar" - já que não posso ficar muito tempo sob meus quadris. Hips don't lie, o meu pelo jeito deve estar com uma ficha criminal bem extensa ou é fã do Pinóquio.

E aí escrevi um post angst ontem voltando no busão - porque a menininha mágica da Clamp caótica no meu sistema nervoso me lembrou assim que senti aquela fisgadinha delicinha no ciático - mas fui deletando as coisas mais blergh e coloquei piadinhas toscas e humor dos anos 90.

E uma história bem legal que ouvi/presenciei durante o estágio há uns 2 anos atrás.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

[bibliotequices] essa tal representação de categoria

Vamos lá falar de representação de classe/categoria, amorzinhos? 
Vamos, porque em tempos como agora tá precisando.

Taxas de anuidade de registro profissional (sendo cobradas em parcela única) com suas variações:
(Usa o Google e digita taxa anuidade *insira sigla do conselho regional aqui* - faz bem pra sua vida biblioteconomística)

OAB (Advogados e lalala): R$ 963,90
CFM (Médicos): R$ 712,00
CREA (Engenheiros e lalalala): R$ 639,33
CRF (Farmacêuticos): R$ 512,81
CRECI (Corretores de Imóveis): R$ 591,00
CRP (Psicólogos): R$ 479,14
CORECON (Economistas): R$ 464,00
CRB - (Esse é o NOSSO!!): R$ 425,96 
CRA (Administradores): R$ 401,00
COREN (Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares e Obstetrizes): Varia entre R$ 173,50 e R$ 300,13

* Até onde eu sei, professor/docente não tem Conselho Regional, pagar o Sindicato é o que vale, é isso produção? 

E eu poderia ficar a noite toda aqui listando as anuidades, maaaas decidi colocar essas pra gente comparar com o que algum dia pagaremos (Do tipo: "nossa como o tempo passa rápido, amanhã me formo, como assim?!"). Percebam que os listados são todos profissionais que a CLT chama de "liberais", gente como a gente. Sabe, os de cunho humanístico e talz? Bem isso.

Aí existe um órgão que cuida dos profissionais liberais (OMG não diga?!), o CNPL que abrange sindicatos, e outras entidades de representação de categoria. A FEBAB não tá, não há Sindicato de Bibliotecários em Santa Catarina, muito menos uma entidade intersindical para dar conta das demandas (Urgentes, btw, tem uma lei pra ser cumprida em menos de 3 anos, sabe?).

Então antes de ficar de mimimi que entidade de base só sabe levar teu dinheiro embora, não faz nada por você e lalala, notícias lindas e super atualizadas: quando você tiver pagando sua anuidade de registro profissional em qualquer lugar que seja, não é pra dar dinheiro pro bolso de alguém, é pra uma galera toda garantir que seus direitos vão ser respeitados - e sim, quiriduns, vocês tem TOOOOODO direito de cobrar esses direitos de quem deveria garantir seus direitos.

Aí tem uns panaquinhas dizendo que tem que acabar com essa de pagar sindicato. 
Ok. 
Vai lá falar com teu chefe que a poeira do acervo no arquivo onde você trabalha fez você contrair uma doença respiratória, pois não te ofereceram nenhum tipo de EPI, nem treinamento. Ou negociar com a chefia a contratação de estagiários, porque você não aguenta mais fazer além e muito mais das 6/8 horas de serviço, porque bem, a biblioteca tem que ficar aberta o dia todo, né? 
Oferta e demanda. 
Tenta então discutir com a prefeitura municipal de sua cidade que receber 2 salários mínimos com condições de trabalho que beiram ao impossível não é uma opção viável para trabalhar com dignidade.

Vai lá, fera! A Força está com você! #SqN

Bibliotecário sofre disso todo fucking dia ou pior, porque não tem ou não sabe querer/ter representação. E não venham dizer que "não gosta de política", amigolhes, cês tão na Biblioteconomia: tudo aqui é política, querendo você ou não.

Por que a gente precisa de representação de classe?
Pra fazer valer as leis que nos garantem dignidade em trabalhar
Por que a gente precisa disso?
Pra ninguém pisar mais na gente como faziam antes e continuam cismando de fazer mesmo com as regulamentações aí afora.
Por que a gente tem que fazer VALER as leis?
Porque ninguém vai fazer isso pela gente e começa nas entidades de base, é lá que vocês precisam atuar e se inteirarem mais das discussões trabalhistas da profissão que escolheram.

(Será por que OAB e CFM como as anuidades mais caras?! Coincidentemente quando esses caras param, o país para junto, né?)

Mais coerência nas ações do que beleza nos discursos, sim?

terça-feira, 16 de maio de 2017

[bibliotequices] onde perdemos o diálogo?

Há uma década atrás na universidade dos Stormtroopers eu escrevia emails pra professores sem ter medo de ser informal, porque convivia com essas pessoas todos os dias, nos corredores, na Coordenação, na lanchonete minúscula do campus, e tudo e tal.

Tem um email de 2006 para um docente super bacana em que me explico o porquê de ter entregue o trabalho atrasado, de uma forma totalmente nada a ver, nonsense e nada convencional (Quem me conhece, sabe que quando tou empolgade, vou acabar fazendo alguma coisa que não é determinada pelo acordo tácito padrão, tipo: falar gírias, usar minerês, fazer piada interna, referência ao mundo nerd). A resposta foi na mesma intensidade de nerdice (E sim, deu pra entregar o trabalho, era latim, a vida não era legal com latim naquela época!)

E gif de péssima qualidade sim!! Porque a dancinha é clássica!

Me pergunto onde a gente perde essa sensibilidade e aproximação com quem nos dá aula todos os dias, se é por não conseguir quebrar aquela barreira invisível de um tá cá, outro tá lá, se é protocolo de Universidade Pública não deixar esse diálogo acontecer.

Talvez seja até da própria cultura acadêmica UFXQuiniana de haver uma placa de NÃO para conversar direito com os professores sem se sentir estranho. Ou intimidado. Ou violando algum código super secreto de convivência. Até o docente dizer abertamente que está de boas para dialogar.

Talvez pelo fato da Universidade dos Stormtroopers ser tradicional, particular e uber-conservadora (Olá, tou fazendo referência ao Império Intergaláctico aqui o tempo todo!) o diálogo acontecia por questões de cordialidade e por mais tempo dos professores no campus.

Talvez fosse numa cidadezinha brejeira no findemundéco de Minas Gerais, sem conexão de banda larga ainda. A tecnologia influencia nessas coisas! Vide o email citado ali em cima, totalmente informal, sem firulas acadêmicas. Hoje temos tecnologia na ponta dos dedos, mas sensibilidade e empatia? Muito difícil!

Talvez eu tenha ganhado um pouco de noção (???) e colocado o murinho invisível, é difícil dizer, mas é nítido ver como faz diferença quando o diálogo é aberto e honesto entre discentes e docentes.

Heeeeeeeeeey conversem mais discentes e docentes, ops ops ops!!

Porque aí a gente conhece o camarada, sabe? Entende o que raios ele tá fazendo ali e as motivações dele pra trabalhar, porque hey! Talvez algum dia eu queira também estar naquele ambiente, ensinando outras pessoas. O clima na Universidade - que não citarei o nome por medo de um Lorde Sith brotar do chão e me cauterizar com uma sabre de luz - era mais de parceria acadêmica (Tá, tinha gente que arrancava nosso couro, não vou omitir), até nos piores casos (Tipo aquela mudança linda de currículo em 2006, né?). Tinha picuinha, mas tinha diálogo, não backlash e desavença, silêncio e passividade. E isso fazia uma diferença danada na nossa forma de tratar o curso, de se identificar com o curso, amar o bendito curso.

Isso me chamou atenção, porque a gente passa 4 anos (Ou mais) no mesmo lugar, frequentando a mesma rotina e não sabe absolutamente nada da pessoa que tem a paciência de te dar aula, ou que vai dar aula algum dia.

É tensinho.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

[bibliotequices] estágio para Biblioteconomia no IML

[Disclaimer: era para ter postado esse texto na época em que a vaga saiu, mas a falta de iniciativa vinda de minha pessoa foi alta. Bora lá deixando o verbo e analisando a cadeia hereditária...]

No email, vaga de estágio para Biblioteconomia no IML.

Sim, isso mesmo que você leu. IML, Instituto Médico Legal. 
Onde levam os mortos para serem examinados pela última vez antes de ir pra debaixo da terra - algo desagradável para o meio ambiente, viu humanos tapados? - ou também lugar onde pessoas vivas vão para terem exame de perícia médica de diversos tipos. Agressão física, estupro, coisas assim. E o que raios um estagiário de Biblioteconomia faria num lugar assim?!

Pelo anúncio da vaga é gestão documental e atendimento ao público. 
O que nem é a ponta do iceberg, creio eu. 
Trabalhar em hospital já é difícil, agora em IML é algo que grande parcela da população nem quer saber como funciona. Pequena parte da população, incluindo eu, gostaria muito de saber como é feito esse ritual institucionalizado que tão pouco é reconhecido como importante. 

Depois de ler um artigo de duas pesquisadoras de Psicologia da UFMG que submeteram artigo pra Psicologia em Revista da PUC-MG na época em que tava em Betinopolis - coincidiu com a ida do IML para a dita cidade, que ainda mandava os cadáveres pra Belo Horizonte, arruinando muitas vezes provas de crimes por ser uma viagem demorada e com contratempos (BR parada, falta de transporte adequado, etc) ou a integridade do corpo do morto.

Porque pessoas se importam com o corpo do morto quando morre como se ele fosse ainda vivo. O que é paradoxal, devo admitir. Velar o corpo em cidadezinha do interior era um modo tradicional de integrar a comunidade, morto na mesa da sala da casa, gente em volta, tudo arrumadinho, pra onde ia depois? Não sabia, fui saber só depois de crescer e a curiosidade já alimentada pela esperança vã de querer cursar Medicina aflorou a explorar as tradições dessa fase da Vida.

E não adianta falar que a Morte é algo ruim, ela faz parte do ciclo natural de qualquer coisa nesse universo.

A vaga me fez dar um pulo na cadeira e segurar meu modo pesquisador, qual seria a forma de atuação de um bibliotecário em um local assim? Apenas um documentalista? Apenas um servidor qualquer que não faz diferença alguma no grande esquema das coisas que estão ocorrendo ali? O que a Biblioteconomia contribuiria dentro de um IML?

Já matutei isso algumas vezes, sabe?

Uma das características que mais citam para desempenharem um ótimo trabalho como bibliotecário é a tal da inteligência emocional. Algo como ter aquele sexto sentido pra entender como o Outro se sente, como reage, como se expressa. Se a análise do discurso nos dá margem pra adivinhar essas pistas de interação social através da linguagem, o que se pode fazer para sacar o que uma pessoa precisa em uma unidade de informação antes dela mesmo pedir? A tal da inteligência emocional dá conta disso, dizem. Até agora o que venho pesquisando e compreendendo com prática é de observar bem quem atendo.

O que a inteligência emocional poderia ajudar em um lugar como o IML? Não sei quanto a vocês, mas pergunto sempre que há oportunidade o que as pessoas sentem trabalhando em locais de extrema insalubridade, tipo lixeiro, gari, galera de arquivo esquecido, museu, hospital, assistência social, casa de passagem (aka albergues e não é o estudantil). O feeling é de carga pesada devido a atribuição do local, dependendo de onde for, o local que faz a identidade do trabalhador, não sua própria personalidade, muito doido isso! Locais como esses citados são frequentemente esquecidos pelas instituições onde estão alocados e dificilmente conseguem uma ascensão de privilégios ou financeiro.

Como bibliotecário poderia ajudar em um IML? 
Além da parte mais técnica chatonilda que não manjo bem (gestão de docs, arquivamento de processos, organização e recuperação de informação, etc), creio que atendimento ao público com mais ênfase na situação seria uma boa, grupos comunitários de luto, encontrar meios de comunicar eficientemente o andamento do processo todo para os que sobreviveram, poupar gente de aguentar mais morosidade, porque o serviço público não é nada lindo e ter que sobreviver a um despedida dolorosa sem saber o que fazer já é algo horrível. Fazer ponte com outros departamentos e secretarias como assistência social, conselho tutelar, universidades, laboratórios, terapias alternativas? Muito gestão de pessoas pra vocês? Não vejo por que não.

Sei que vai ser uma barra imensa pra quem aceitar esse estágio - estamos falando de um local onde tem gente que quando passa faz sinal da cruz? - mas torço que consiga fazer um trabalho bacana lá. Vou lá acompanhar o andamento da vaga e ver quem vai pegar essa, não custa nada tentar levar um pouco dos ensinamentos de Rangs pra locais incomuns nesse mundão afora.

Ps: a vaga foi preenchida, agora é ir conversar com o colega que conseguiu sem ser extremamente curiose (Isso espanta as pessoas, às vezes).

sábado, 6 de maio de 2017

[bibliotequices] sobre lasanhas, pastelão de frango e incoerência

Leis são o patamar máximo de "coisas que eu devo obedecer sem pestanejar, porque sempre vai ter um advogado de regras babaca pra contestar e interpretar do jeito dele ou literalmente. Ou vai ter punição.". Seguir a lei é fundamental para garantirmos nossos direitos/deveres, blablablá, manutenção da ordem, do progresso, sustentação de dogmas e doutrinas, aaaaah vocês entenderam!

Aí eu chego na hora de entender currículos de cursos. Ou como supostamente alguém que está cursando o curo chega a uma conclusão sobre o curso. Vou usar alusões à comida, porque é algo que gosto de tagarelar e fazer piadinhas sem ofender ninguém. E quem veste a carapuça é meu chegado \o/

Fonte: Just West of Hell - Heartbreak is a lasagna - interessante.

As Leis tal e tal dos anos tais te dizem que para você virar lasanha, você tem que preencher uns seguintes requisitos, ou modos de preparar. Tem a massa da lasanha, o molho de preferência (tem vários aí no meio, você escolhe, você vai ser a lasanha!), qual forma adequada pra colocar as camadas, qual temperatura do forninho, o tempo a ser assado, quantas porções a servir.

Essa é a Lei falando, tá? Tá lá escrito, em letras bem legíveis e de acesso gratuito pra qualquer pessoa ler. Se vai interpretar da forma certa/errada/o que for, aí outros quinhentos. E como a gente sabe o que acontece com as pessoas que não seguem as leis (viram políticos?!), aí fica mais difícil ainda de dialogar com as nuances.

Aí tem a premissa que toda universidade tem autonomia de montar seus currículos de cursos. 
Beleza, parece plausível, coerente, até bem assim... qual a palavrinha? Liberal, né? Pode pegar a mesma receita de lasanha e fazer um apanhado de diversas formas de se fazer lasanha. Lasanha de forno, de microondas, de forno à lenha, de laser alienígena, de máquina de fótons, por aí vai.
E você quer ser uma lasanha, eu quero ser uma lasanha, porque lasanhas já me provaram socialmente que são importantes para o contexto atual do momento e sempre serão. Lasanha é vida.
(Tem gente que vai achar a pizza mais importante ou até aquele talharim com molho a bolonhesa, mesmo sabendo que existem pessoas que são vegetarianas/veganas que querem ser talharins e são obrigadas a se encaixar nesse enquadramento, mas anyway: LASANHA!)

Aí o currículo do curso de ser lasanha diz um tanto de coisa que não bate com as Leis de como ser uma lasanha lá chancelada pelo Executivo/Legislativo e Judiciário. Tem um Conselho Federal e um Regional de ser uma lasanha acompanhando os desdobramentos dos molhos, das temperaturas, das formas (Essas são importantes, usem as redondas, dá mais espaço para mais coisa), tem associação de ser lasanha também nas parada. Mas a faculdade prefere seguir uma receita totalmente que não é sobre lasanha. É, sei lá... Kalzone. Ou pastelão.

A universidade quer que você que quer ser lasanha, se forme como um pastelão de frango. 
É, de frango. 
E de quebra, se sobrar tempo na carga horária, colocar azeitona no meio, vai ter que rebolar pra ter azeitona na receita. 
Pastelão de frango. Não lasanha.
(Crise de identidade? Não, imagina! porque ser lasanha tá ultrapassado! lasanha é coisa do passado!)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

[bibliotequices] 5 coisas para fazer estagiári@ feliz

Já que hoje é dia de trabalhador e meu trabalho é ser estagiárie pro resto da graduação que vou acabar jubilando (lol), compilei algumas coisinhas aqui com a experiência que já tive no ofício.

Você, amigolhe bibliotecári@, você já foi estagiári@? Lembra como era essa época absurda entre ter conhecimento teórico e ver a prática de perto e chegar a conclusão que "QUEQUI TÁ CONTESSENU?!", "Que cês tão fazenu?!" "Rangs dos céus acende vela que LIVRO DA CAPA AZUL?1" - é provavél que tenham passado por perrengues assim.


Bem, o feeling continua o mesmo, mas você que tem estagiári@ sabe que pode fazer com que seja menos penoso. 

Cinco coisas para fazer seu estagiário feliz? Urrum, porque eu tenho a impressão que quando eu for como você quando crescer, irei tratar @s querid@s assim.

1 - dialogue com ele sobre a profissão: pontos altos, pontos fortes, as surpresas, os desafios, o que rola de chato, o que é de se esperar, isso ajuda um bocado pra quiança se enturmar.
(aaaaaaand saber se está realmente interessado ou não no estágio - tem gente que só faz pelo dinheiro, vai me dizer que não?) 

2 - socialize com as instâncias superiores da biblioteca. Faça a pessoa saber quem assina cada folha de pagamento e quem dá o aval para o financeiro, quem faz a coisa funcionar . É importante fazer a pessoa entender o que é gestão e como isso funciona, a pessoa não é somente a sua responsabilidade, é também de quem te chefia.

3 - estimule criatividade e idéias inusitadas, por mais bobas que sejam. Estagiári@s estão com outro olhar sob a biblioteca onde atuam, as percepções são novas, as inovações podem ajudar a fazer o trabalho mais otimizado, você como gestor pode avaliar o que pode dar certo e o que não vai. Ps: a linguagem d@s estagiári@s podem estar mais aproximadas do público-alvo da biblioteca (vide @s estagiári@s gamers, YouTubers, músic@s, geek)
Ps: experiência própria - falar a mesma língua do usuário dá mais resultado que questionário de satisfação e enquetes. 

4 - pergunte se a criatura está se alimentando direito: muit@s estagiári@s passam algumas dificuldades com alimentação, ainda mais quando não se recebe vale-alimentação ou ajuda de custo para isso. Tirando o fato del@ passar o maior tempo do dia na unidade de informação, é possível que não possa ou não tenha condições de pagar um almoço decente ou esperar até a noite antes da aula pra comer no RU ou comer em casa antes pra poder não tomar tempo no estágio. Buscar algumas alternativas com estagiári@ é viável nessa hora (hey não precisa pagar meu almoço!) como disponibilizar acesso a copa ou cozinha da instituição (esquentar marmita) seria uma boa.
Ps: estagiári@ com fome não levanta as toneladas de livros didáticos que vocês são obrigados a carregar, foi mal gente. 

5- Comunicação. Não está gostando da contribuição d@ estagiári@ na biblioteca? Converse com a pessoa sobre suas prioridades. Está realmente gostando da ajuda que tem dado?  Fale com a pessoa. Seja honesto sempre, lembre-se que muitos de nós fomos criados para só acatar ordens e não dialogar, comunicação evita tantos maus entendidos e acerta em feedbacks para graduand@ se sentir valorizad@ onde está.

Não se preocupem amigolhes, bibliotecári@s terão também uma listinha em breve!!

sexta-feira, 31 de março de 2017

[bibliotequices] faz sentido

Tem coisas na minha vida de escriba que normalmente não fazem sentido. Tipo minha vida amorosa, a vida familiar, a vida privada que o Nelson Rodrigues fazia comédia (referência nenê?), mas estar novamente atuando em biblioteca faz total sentido.

Há uma premissa que gosto de repetir pra mim mesme: "Quanto mais insano, mais normal fica" que acaba se encaixando bem em tudo relacionado na vida de bibliotequere. A vida faz sentido aqui entre as estantes. O exercer o meu existir faz sentido aqui no balcão.

Pode parecer besteira, ver alguém enaltecendo a própria profissão como algo divino, não é, não deve ser e pelamoooooor não seja. Eu amo a Biblioteconomia utópica dentro do meu plano de ideias que entendo, compreendo e compartilho, mas tem muita coisa pra se melhorar.

Aconteceu alguns fatos nesses dias em que estou estagiando que me fizeram reavaliar muito o que me leva a ser tão apaixonade pela profissão - e aí vamos na batalha de emoção versus razão? Com esse assunto em específico, eu perco a compostura e me entrego de corpo, alma e coração. Pode levar toda minha integridade física e mental que aceito!

O motivo para tanto furor é a forma como certas cousas estão se encaixando, desde o momento do compreender o que raios faço aqui, como vou fazer, pra que/quem é porque fazer. Isso está se concretizando.

Faz sentido passar aperto no estágio por conta de situações que não dá como controlar, que se necessita de uma ética pautada até em algo superior a ciência e o academicismo pra compreender, analisar, simpatizar e resolver. Que há aulas que foram assistidas pra sr lembrar na hora do aperto e dizer "véi de Bowie, obrigade pessoa que me deu aula por existir, por ter uma consciência incrível, por estar na minha vida" - esse feeling, aliado com um pequeno papo de banheiro com velhinha simpática que exclamou "esse banheiro é feminino" em um tom escandalizado e excludente para evoluir em um diálogo de respeito e alteridade. É o puxar papo com docente decente sobre um relampejo de ideia para algo a ser produzido no futuro.

Essas pequenas coisas. 

Elas me fazem sentir vive e útil e bem comigo mesme, as pequenas vitórias. O bilhetinho para BFF com zoação, a preparação de algo improvisado que dá certo, é eficaz, as pessoas são beneficiadas. Esse feeling? Sabe esse, de fazer o coração gelado pulsar na garganta, os pulmões absorverem mais oxigênio, deixar a mente anuviada com as inúmeras possibilidades se amanhã ocorrer mais surpresas e coisinhas a se resolver com a teoria vista em sala de aula?


Eu troco todo tipo de coisa que já senti nesse mundo por esse feeling sendo habitual.

Não é take it for granted, mas é que quando se encontra a quest da sua vida, não é pra deixar ela escapar pelas mãos quando se apresenta. Ser bibliotecárie me traz muita alegria e momentos memoráveis também. Tem coisa ruim, mas entra aí nas alegrias e talz, a gente não vive suficientemente para entender o quanto pode ser feliz com pouca coisa nesse mundo, o fazer por onde está sendo constante, tá fazendo sentido.

Por mais que tenha umas criaturinhas tumulares que gostem de arranhar a superfície do quadro pra causar aquele som horrendo, elas não ganham dessa sensação. Queria que fosse permanente, tou apostando minhas fichas para manter o feeling por mais tempo.

Teve dois cliques nesses dias, um mandou o vitimismo pro fundo do poço (Sorry Samy) por saber que posso ser forte, bem mais forte que qualquer um quando preciso me posicionar como ser vivente. O outro clique foi compreender que ter um olhar mais crítico de uma situação potencialmente perigosa/vexatória pode salvar pessoas de desconfortos, inclusive o meu. E o meu desconto com o mundo se resume a um demonho bem bem beeeeeem específico: leio o mundo como se não fosse o bastante.

O mundo não é criado para ser o bastante, eu devo estar perdendo algo disso, sentir culpa faz parte (sim, eu sei, absurdo!), consertar a minha bagunça é inevitável.
E isso vai pra tudo. 

Isso também arruinou muitas oportunidades de ser feliz plenamente, mas verificar que a culpa não vai me levar a lugar algum continua sendo uma barreira a se quebrar todos os dias.


Não quando esse feeling de ser fucking awesoooooome e útil na biblioteca vem. Ele preenche tudo, transforma toda energia pesada carregada, mantém o controle e a serenidade. Pra se chegar a um level de entendimento comigo mesme foi torturante, agora o se autoflagelar não parece fazer mais sentido.

Essa é a plenitude que quero pro resto da vida. É nisso que irei focar de aqui por diante. As pequenas coisinhas, elas fazem diferença.

quarta-feira, 8 de março de 2017

[bibliotequices] o que, pra quem e porquê?

[Disclaimer: não uso o nome da Federal em que curso, porque já sofri uns backlashs lindos do próprio curso ao ter perfil de Facebook exposto em sala de aula por pessoinhas super bem intencionadas. Uso alusões a saga Star Wars para direcionar minha linda jornada na universidade mais tradicional de todo país. Também uso de sarcasmo e ironia pra poder escrever sem que ninguém em particular se sinta ofendido]

Uma piada recorrente entre os anos de 2004 a 2008 na PUC Betinópolis era sobre como nosso dinheiro da mensalidade ia para o Vaticano para construção da nova Estrela da Morte¹.

Because, razões tinham de sobra...

Uma coisa também que era zoeira na época - por conta de não perceber exatamente o que estudar com os Sith poderia criar - era como nossos professores eram extremamente avaliativos e rigorosos com nossa formação humana. Não era pegar a powha da Gramática e fazer pomposidade no idioma nem falado pela maioria da população, era usar aquele trambolho como instrumento de cidadania e destrinchar cada preconceito linguístico, cada inadequação temporal, cada vício elitista de "falar certo e falar errado" e mandar pro espaço sideral.

Estudar com os Sith me tornou, pasmem, Jedi. O lado iluminado da Força até pode ser feito de escuridão também (hello, bora estudar um pouco de física e refração da luz e espectros de cores), mas o que ficou na PUC dentro de mim foi esse bichinho miserável da avaliação contínua do que raios tou fazendo, pra quem tou fazendo e porque tou fazendo.

As tias fessoras mais didáticas é que adoravam repetir a romaria, quando você escreve um texto é pensando nesses três fatores - o que, pra quem, porque - e isso não mudava né um pouco na prática docente. E ser professor, caso tenha escapado do memorando, é uma das coisas mais sérias desse universo.

Se perder a noção do que tá fazendo, pra quem e porque, o trem desanda. E com consequências tão tão ferradas e sem lógica que você só vai perceber a m**** que fez daqui há 9 anos ou 12 anos, dependendo do ciclo educacional que pegar. Pra aí encontrar um colega de turma na primeira fase que não sabe interpretar uma notícia de jornal, escrever o essencial para reivindicar um direito seu, imagina só se meter com bibliotecas e livros e gente e talz?

A responsabilidade é enorme, algo que não quis abraçar a princípio por conta do olhar mais crítico que a PUC me abriu. A virginianice também tem culpa no cartório, a criação restrita com uma mãe detalhista, mas o olhar humanizado sob algo concreto, real e com consequências em longo prazo? 
Os Sith me deram.



E é com esse mesmo olhar que entrei na Biblioteconomia e é por isso que me sinto na obrigação de fazer avaliação atrás de avaliação sobre o rumo do curso, sobre tudo que aprendi até então e principalmente, ver o que isso tudo tá causando nos colegas de sala e de futura profissão. Não quero dar o pedala Robinho de imediato, mas a vida fora dos murinhos invisíveis da Universidade é bem cruel e a nossa atuação é parte fundamental em fazer alguma diferença no percurso acadêmico de uma criança cheia de sonhos, esperanças e fôlego.

Debaixo do link, avaliações, resultados, surprise, surprise modafóca, isso vai ser isso o tema do meu TCC até eu jubilar...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] Bibliotendicites

Esse post será um breve lembrete de como devo me encaminhar logo para umas aulinhas de gestão de pessoas.

Are you there, Loki?
Porque a vida tá estroooooooonha meu deus lindo! 
(Até botei Lionel Richie na rodinha, não adianta deixar a chamada em espera)

Em todos os anos nessa indústria biblioteconômica vital, nunca ouvi um profissional da informação não dizer que sentia dor. Tipo dor mesmo, do pior tipo, daquele que te manda pro hospital conforme uma abaixadinha ou uma virada errada. Aquela dor que tira sono e maltrata o humor pro resto da semana. Aquele tipo de dor que só passa com tarja vermelha com retenção de receita e CPF anotado pelo farmacêutico. Aquela dor que só passa quando vemos o trabalho danado ser finalizado e para algo bom.

Se vocês já descobriram qual é o tópico de hoje, eu vos saúdo. Mas não tanto, não consigo mais me curvar com a quantidade de dor que ando sentindo ultimamente.

Vamos falar de...
BIBLIOTENDICITES!!

Bibliotendicites:
                          do vulgo bibliotequês [biblios]

Você que está se enveredando nas estantes da vida, procurando sentido nas prateleiras (042, pelamooooor) precisa entender uma coisinha antes de qualquer coisa: Bibliotecárixs pegam peso. Muito. Demais.

Não, é uma lenda urbana aquele negócio de ficarmos atrás do balcão só dizendo "Xiiiiiiu!" ou repreendendo gente com olhares fulminantes. Até porque dá pra fazer isso em pé, ao lado do frequentador e carregando trocentos quilos de livros para lá e para cá.

A tortura é mais prolongada nesse vídeo do Tears for Fears

Desde que entrei na Biblio venho fazendo uma pergunta impertinente para tode bibliotecárie que conheço: "Você tem dor aonde?" e a resposta é batata (Não o tubérculo, mas!!): todos dizem algum tipo de dor corporal por conta do ofício.


O desgaste físico de muitos bibliotecários é tema de poucas pesquisas na nossa área, mas é extremamente importante ser discutido em algum ponto de nossas vidas. Afinal de contas já que não vamos aposentar tão cedo, temos que resguardar essa máquina que nos mantém vivos, né?

Para mais informações detalhadas de pesquisas, tem uns trem aí embaixo:





Ergonomia tá bem nesses esquemas e em qualquer profissão em que haja certos tipos rotinas como a nossa (o de ficar muito tempo sentado ou em pé, por exemplo), estudar um bocado disso seria excelente na graduação. Brinco que algumas optativas deveriam incluir disciplinas da Fisioterapia, Ed. Física ou Psicologia devido a essa estatística boba que faço sem intenção científica, mas faça o teste você mesmo: próximo bibliotecário que aparecer na sua frente, pergunte sem medos "Tem algum tipo de dor, quiridu?" - as respostas são bem similares.

Talvez ser projeto de bibliotecária deva ter me dado mais pontos de sabedoria, mas tirou as minha de destreza e física. Então recado para posteridade: quando chegar aos 35 fazer um plano de saúde que cubra ortopedia e fisioterapia, seguro de vida em nome de Ranganathan, beleza?

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