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quarta-feira, 8 de março de 2017

[bibliotequices] o que, pra quem e porquê?

[Disclaimer: não uso o nome da Federal em que curso, porque já sofri uns backlashs lindos do próprio curso ao ter perfil de Facebook exposto em sala de aula por pessoinhas super bem intencionadas. Uso alusões a saga Star Wars para direcionar minha linda jornada na universidade mais tradicional de todo país. Também uso de sarcasmo e ironia pra poder escrever sem que ninguém em particular se sinta ofendido]

Uma piada recorrente entre os anos de 2004 a 2008 na PUC Betinópolis era sobre como nosso dinheiro da mensalidade ia para o Vaticano para construção da nova Estrela da Morte¹.

Because, razões tinham de sobra...

Uma coisa também que era zoeira na época - por conta de não perceber exatamente o que estudar com os Sith poderia criar - era como nossos professores eram extremamente avaliativos e rigorosos com nossa formação humana. Não era pegar a powha da Gramática e fazer pomposidade no idioma nem falado pela maioria da população, era usar aquele trambolho como instrumento de cidadania e destrinchar cada preconceito linguístico, cada inadequação temporal, cada vício elitista de "falar certo e falar errado" e mandar pro espaço sideral.

Estudar com os Sith me tornou, pasmem, Jedi. O lado iluminado da Força até pode ser feito de escuridão também (hello, bora estudar um pouco de física e refração da luz e espectros de cores), mas o que ficou na PUC dentro de mim foi esse bichinho miserável da avaliação contínua do que raios tou fazendo, pra quem tou fazendo e porque tou fazendo.

As tias fessoras mais didáticas é que adoravam repetir a romaria, quando você escreve um texto é pensando nesses três fatores - o que, pra quem, porque - e isso não mudava né um pouco na prática docente. E ser professor, caso tenha escapado do memorando, é uma das coisas mais sérias desse universo.

Se perder a noção do que tá fazendo, pra quem e porque, o trem desanda. E com consequências tão tão ferradas e sem lógica que você só vai perceber a m**** que fez daqui há 9 anos ou 12 anos, dependendo do ciclo educacional que pegar. Pra aí encontrar um colega de turma na primeira fase que não sabe interpretar uma notícia de jornal, escrever o essencial para reivindicar um direito seu, imagina só se meter com bibliotecas e livros e gente e talz?

A responsabilidade é enorme, algo que não quis abraçar a princípio por conta do olhar mais crítico que a PUC me abriu. A virginianice também tem culpa no cartório, a criação restrita com uma mãe detalhista, mas o olhar humanizado sob algo concreto, real e com consequências em longo prazo? 
Os Sith me deram.



E é com esse mesmo olhar que entrei na Biblioteconomia e é por isso que me sinto na obrigação de fazer avaliação atrás de avaliação sobre o rumo do curso, sobre tudo que aprendi até então e principalmente, ver o que isso tudo tá causando nos colegas de sala e de futura profissão. Não quero dar o pedala Robinho de imediato, mas a vida fora dos murinhos invisíveis da Universidade é bem cruel e a nossa atuação é parte fundamental em fazer alguma diferença no percurso acadêmico de uma criança cheia de sonhos, esperanças e fôlego.

Debaixo do link, avaliações, resultados, surprise, surprise modafóca, isso vai ser isso o tema do meu TCC até eu jubilar...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] Bibliotendicites

Esse post será um breve lembrete de como devo me encaminhar logo para umas aulinhas de gestão de pessoas.

Are you there, Loki?
Porque a vida tá estroooooooonha meu deus lindo! 
(Até botei Lionel Richie na rodinha, não adianta deixar a chamada em espera)

Em todos os anos nessa indústria biblioteconômica vital, nunca ouvi um profissional da informação não dizer que sentia dor. Tipo dor mesmo, do pior tipo, daquele que te manda pro hospital conforme uma abaixadinha ou uma virada errada. Aquela dor que tira sono e maltrata o humor pro resto da semana. Aquele tipo de dor que só passa com tarja vermelha com retenção de receita e CPF anotado pelo farmacêutico. Aquela dor que só passa quando vemos o trabalho danado ser finalizado e para algo bom.

Se vocês já descobriram qual é o tópico de hoje, eu vos saúdo. Mas não tanto, não consigo mais me curvar com a quantidade de dor que ando sentindo ultimamente.

Vamos falar de...
BIBLIOTENDICITES!!

Bibliotendicites:
                          do vulgo bibliotequês [biblios]

Você que está se enveredando nas estantes da vida, procurando sentido nas prateleiras (042, pelamooooor) precisa entender uma coisinha antes de qualquer coisa: Bibliotecárixs pegam peso. Muito. Demais.

Não, é uma lenda urbana aquele negócio de ficarmos atrás do balcão só dizendo "Xiiiiiiu!" ou repreendendo gente com olhares fulminantes. Até porque dá pra fazer isso em pé, ao lado do frequentador e carregando trocentos quilos de livros para lá e para cá.

A tortura é mais prolongada nesse vídeo do Tears for Fears

Desde que entrei na Biblio venho fazendo uma pergunta impertinente para tode bibliotecárie que conheço: "Você tem dor aonde?" e a resposta é batata (Não o tubérculo, mas!!): todos dizem algum tipo de dor corporal por conta do ofício.


O desgaste físico de muitos bibliotecários é tema de poucas pesquisas na nossa área, mas é extremamente importante ser discutido em algum ponto de nossas vidas. Afinal de contas já que não vamos aposentar tão cedo, temos que resguardar essa máquina que nos mantém vivos, né?

Para mais informações detalhadas de pesquisas, tem uns trem aí embaixo:





Ergonomia tá bem nesses esquemas e em qualquer profissão em que haja certos tipos rotinas como a nossa (o de ficar muito tempo sentado ou em pé, por exemplo), estudar um bocado disso seria excelente na graduação. Brinco que algumas optativas deveriam incluir disciplinas da Fisioterapia, Ed. Física ou Psicologia devido a essa estatística boba que faço sem intenção científica, mas faça o teste você mesmo: próximo bibliotecário que aparecer na sua frente, pergunte sem medos "Tem algum tipo de dor, quiridu?" - as respostas são bem similares.

Talvez ser projeto de bibliotecária deva ter me dado mais pontos de sabedoria, mas tirou as minha de destreza e física. Então recado para posteridade: quando chegar aos 35 fazer um plano de saúde que cubra ortopedia e fisioterapia, seguro de vida em nome de Ranganathan, beleza?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] intervalinho sobre a tal da caridade no estágio obrigatório

Gente, uma coisinha que esquecem de plantar nos nossos coraçõezinhos biblioteconomisticos quando estamos na graduação, se for fazer estágio obrigatório, dê preferência pela biblioteca escolar ou comunitária da sua comunidade. Mesmo que não seja tua área, mesmo que você não goste de mexer com gente, se deixe ter essa experiência, preste mais atenção em como nossa profissão faz a total diferença onde a gente mora.

Não cai nas ideias que isso é "caridade", você tá ajudando quem algum dia vai pagar teu salário seja lá onde você estiver empregado, cê tá ajudando quem passou o mesmo aperto com falta de investimento em educação e cultura quando você era criança. Você tá fortalecendo um link tão forte que é provável gerar muita coisa bacana a partir da iniciativa. 

Faz por onde.

Biblioteconomia sem vivência em comunidade, sem conhecer gente, sem ajudar a galera se empoderar com a informação e cidadania, isso não é o que estamos lutando todo santo dia dentro de sala de aula.

Caridade biblioteconomistica é bambambam com 5 ou mais dígitos de salário no mês "doando" tempo pra descer do salto e subindo morro pra atender comunidade carente (o que é raro, sabe?).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] vida de estágio

As condições financeiras costumeiras são sempre na beirada da falência e pedir arrego, nada de novo aqui, mas esse post queria compartilhar com vocês faz uns 3 anos. Como eu decidi sobreviver só de estágio.

As perspectivas para uma nova graduação ampliaram minha expectativas quanto a vivência na carreira que escolhi e as pendengas eternas de nunca ter dinheiro pra nada. Porque na verdade quase minha vida toda foi sem dinheiro pra coisa alguma, contando moedinha pra comprar as coisas que precisava e pagando contas.

Só que no Mario a gente consegue mais moedas que o costumeiro aqui na vida real.
Debaixo do link, vivências em estágio e algumas dicas. Essa postagem será editada em breve com mais coisa, tem muito assunto pra esse tópico!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

[bibliotequices] voltando a programação biblioteconomística

Tenho ideias para app pra Android de controle de acervo para Bibliotecas Comunitárias, tudo otimizado pra usuário de boinhas, sem firulas, integração com Facebook, conta Google, código API pra Organização da Informação vinda da LoC, Google Books (são os únicos abertos que conheço), Amazon. Adicionar livro num clique só (código de barras do ISBN), pesquisar/adicionar por autor ou título título. Empréstimo com recibo via WhatsApp pro leitor, aviso de data limite de devolução também, serviço de disseminação de informação no mesmo esquema, super facim, sem complicação, tudo free e só pedindo uns likes no Facebook e avaliação no Google Store.

Aí lembro que não sei lhufas de programação...

Em Hackers (1994) parecia ser tão fácil #SqN

Fiz um teste com o +LibraryThing e TinyCat para um trabalho de Indexação junto com a beeeeesha leeeeenda magnânima da Beadrade Antrice (WTF?!) e até que foi, só que não é tão funcional e simples como eu tava planejando.
(aí chatonildo vai perguntar: "e a organização da Informação?! E as métricas?! E a manutenção do acervo?!" - respondo com um sonoro escrito em letras garrafais no boldinho: não leu direito que é pra biblioteca comunitária não?!)

Eru Ilúvatar não dá asas às cobras D:

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

[bibliotequices] não é educador e pronto!

[disclaimer: esse é um post velho, tava na fila e resolvi ressuscitar. Mas a discussão continua a mesma]

Adoro ouvir as argumentações nos corredores da Biblioteconomia. Mesmo quando as criaturas não são bibliotecários ou da área. A quantidade de pontos de exclamação ali extraído daria uma tese de doutorado das lindas. Pode apostar que vai, porque é de meu intento entender o motivo de uma maioria esmagadora aqui na UFSC achar que bibliotecário é coisa jurássica e deveríamos ser substituídos por cientistas da Informação ou engenheiros da produção.

(Ou mudar o termo "bibliotecário" para algo mais modernoso e chiqueroso - pessoalmente acho asqueroso, a garotada da filosofia da linguagem e antropologia sabe bem o que acontece quando você muda a nomenclatura de algo já existente, a rasura do ser ali contido - no caso a pessoa que adota aquele termo como seu - vaio ficar mais e mais complicada de se compreender quando forem buscar os princípios daquela coisa existir. Complicado? Imagine que pra entender o que é a essência da "coisa bibliotecária" tem que sair esfregando muito muito muito muuuuuuuuuuuito com alvejante, cloro, álcool 98%, tinner e depois usar um esmeril pra encontrar os fundilhos do que é ser bibliotecário. E ainda ter uma chance de uns 42% de ainda estar equivocado.)

Feedback construtivo: você está fazendo errado

Essa postagem será um daqueles exercícios de análise autocrítica sobre a impressão que nossos semelhantes deixam na quiançada com aquele discurso motivacional de que bibliotecário não deveriam praticar interdisciplinaridade entre as áreas.

O bichinho miserável vitoriano e extremamente crítico e tradicionalista que vive dentro de mim se contorceu em pleno horror ao ouvir em certa aula: "Quando você decide juntar pedagogia e Biblioteconomia, você está sujeitando o bibliotecário a uma posição inferior a que ele pertence."

Além disso houve um momento em que eu, no comando do serzinho miserável, me recusei a expressar opinião alguma após a fala, pois em minhas convicções PESSOAIS:

1) não há problema algum juntar licenciatura com Biblioteconomia já que pra estar lá na linha de frente da biblioteca escolar tem que rebolar pra suprir a demanda EDUCACIONAL PEDAGÓGICA daquele público em específico. Tipo, pelo menos se esforçar para saber o que raios a gurizada estuda?

2) posição inferior aonde, miguxis? Educação no Brasil já é uma tragédia grega com direito a 9 atos de puro sofrimento e angústia sem perspectivas de final feliz e ainda me fala que se juntar com a galera do magistério é se rebaixar na profissão?!

3) bibliotecário escolar não é educador. Como não monamu?! COMO FECKING NO?! Como podes me afirmar tal coisa quando uma criança em processo de alfabetização pega um livrinho ou gibi, leva pra casa, lê com a família ou sozinha como dá, ou mesmo faz isso ali na biblioteca e devolve o livro e diz que vai voltar porque quer pegar mais?

Só o fato de disponibilizar o acervo pro toquim de gente em formação já não é um ato EDUCATIVO?! O que raios tou fazendo então?! Qual foi a parte do processo de letramento e aquisição da linguagem que perdi nas aulas da Letras que dizia que ensinar alguém a ler e escrever era SEM PRATICAR A LEITURA E ESCRITA? É via osmose ?! Transmissão de saberes via córtex cerebral que nem na Matrix?!

Não, não ensinamos caligrafia, ortografia, morfologia, sintaxe, Gramática e esses trem da linguística pros pequeno, mas será que dá pra entender que esse montoeiro de livros empilhados aqui na estante de uma sala qualquer não faz sentido algum pra quiançada se não tem alguém ali pra organizar, recuperar informações para uso na sala de aula e o melhor dessa profissão: mostrar que o amontoado de livros é um passaporte grátis pra criança ser incluída socialmente no sistema escolar e na sociedade? Que ela tem TODO O DIREITO de se apropriar desse espaço? Que eu que estou trabalhando ali tenho o DEVER de prover que ela tenha esse direito garantido da melhor maneira possível?

Então bibliotecário escolar É SIM educador, querendo você e todo esse preconceito dizendo que não.

Não com o mesmo alcance do professor que se dispõe de outras ferramentas cognitivas e mecânicas para fazer o mesmo processo, mas conseguimos auxiliar em parte isso.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

[bibliotequices] paranoia de primeiro mundo

Enquanto aqui nas terras tupiniquins estamos lutando bravamente pelo direito de ter bibliotecas escolares em todas as escolas com profissional bibliotecário em seu lugar (Lei federal 12.244 garante isso até 2020) e levantando forças pra manter as Bibliotecas Parque abertas para atender as comunidades mais carentes de nosso país, na terra do tio Sam a preocupação são outras:

1) FBI dando guidelines (Ou manual de instruções) para escolas de ensino fundamental sobre conter potenciais terroristas/extremistas juniores (tem lista de idades dos últimos atiradores em lugares públicos e guess what? Adolescência efervescente!) - podem estar infiltrados nas bibliotecas, lendo alguma literatura considerada subversiva ou de cunho nada feliz (imagino o quê deve estar nessa lista)

2) paranoia imensa da administração Trump tocar um f***-se na sagrada liberdade de expressão e sair catando tudo quanto é dado de usuários da rede de bibliotecas para uso indevido (literalmente uma caça as bruxas) - tão chamando isso de #Trumpageddon, algo como Armageddon do Trump. Medidas drásticas de bibliotecas de renome? Transferir toda a database pra outros países, como o Canadá. Ou apagar os registros, tudinho, pronto, benza Maria.

3) como as corporações e suas doações podem estar (Hahahahahahahahahahahahahahahaha) manipulando bibliotecas e bibliotecários a entrarem em um ciclo vicioso de contenção de informação ao decidirem o que vai pro acervo ou não. (insira mais risadas aqui)

E gente achando que temos que inovar que nem os yankees. Que pensa que estar no mesmo patamar deles vai ser a revolução no cenário da Ciência da Informação, no avanço das bibliotecas e unidades de informação. Gente que segue tão cegamente aos gurus americanos do marketing, gestão e empreendimento pra tentar enfiar a forma na prática brasileira ou latino-americana e servir um bolo pronto recheado de incríveis cenários de modernidade, infraestrutura e consolidação ideológica globalizada. É bem lindo isso.

Eu leio esses trem e a única coisa que me vem na cabeça é: venda descarada de discurso de ódio.
E o modo mais fácil de se conseguir isso é injetando em lugares que já se estabeleceram como referência para a sociedade. Bibliotecas são importantes na Educação dos norte-americanos, isso é um fato desde muito tempo.

O que o terrorismo ideológico causa nos EUA é o que a gente aqui no Brasil tem de menos. Bibliotecas não tem importância, não fazem parte do pilar educativo de nossa nação.

E aí vai a questão: mesmo com recursos, visibilidade, profissionais qualificados, universidades cooperativas, informatização de acervos, cultura do "Informação é para todos!!", será que aqui no Brasil estaríamos nesse caos paranoico como lá fora?

Isso dá pra se repensar bastante no pra que servimos aqui nesse cenário de bibliotecas decadentes, qual nossa função primária na sociedade, pra quem estamos servindo, pra onde queremos ir.

Entre deixar uma biblioteca nos trinques, qualidade de primeiro mundo, pra cair nessa paranoia f***** ou manter nesse ritmo em que estamos, fico com o atraso tecnológico primitivo.

Evoluir, pra mim, tá parecendo custar muito caro na consciência ética de uma nação.

sábado, 10 de dezembro de 2016

[bibliotequices] o tal do parnasianismo acadêmico


[Esse é o começo de um ensaio maior sobre o tema. Nos próximos capítulos da novela mexicana acadêmica, irei voltar com mais argumentos]
A expressão me veio em alguma hora estranha da madrugada, entre o escrever algum parágrafo de trabalho que não levaria a lugar algum, e o deliberar wtf ainda estou fazendo na Biblioteconomia da UFSC.

Ainda na crise de identidade com a Museologia, vou seguindo.

Lembro em que na Literatura Brasileira, com um professor uber crítico a la Mick Jagger, havia esse clima de anarquia no olhar científico do nosso objeto de estudo (a própria literatura), os sonetos de Camões foram destroçados, o hino nacional desconstruído e não sobrou muitos tijolos de fundamento na literatura nacional do período colonial para o final do século 19.

Realmente era uma aula de ouro, ainda bem que estava lá absorvendo cada lição.

O romantismo brasileiro me deixou com vontade de chutar os escritores fracassados, entre um autor e outro, o que mais me fez querer pegar uma máquina do tempo e chutar um traseirinho foi a galera do Parnasianismo. Eles sim mereciam ser esquecidos nesse Hall de "estilos de época".

Até Simbolismo eu suporto. Realismo-naturalismo também (menos Machadão. TUDO menos Machadão), aí as figurinhas carimbadas do "Arte pela Arte" que me chamaram atenção por um detalhe: a vida imita a Arte.

Hoje, inserida na Biblioteconomia vejo alguns padrões. E é uma pena que seja dessa forma.
O Parnasianismo se constituía como o novo Classicismo, aquele quê que os artistas perderam lá na Antiguidade, o apelo ao belo, simétrico, puro, limpo, esteticamente impecável com suas firulas de linguagem. A pouca audácia do poeta/eu-lírico fazer algo realmente edificante. Falar por falar.

É aí transpondo para o mundo acadêmico, parnasianistas everywhere.

Princess Kylie Aussie Sauce demonstra como funciona o papinho de parnasianista acadêmico
Começa com as coisas que lemos desde a primeira fase e vai evoluindo para uma cultura já enraizada na cientificidade acadêmica: pra ser alguém que presta, tem que publicar em uma Revista A1. Ou morra no ostracismo, ou fazendo palestra de Biblioteconomia Social (termo que igualmente desprezo pela sua implicação de que tem uma Biblioteconomia que NÃO SEJA social, uai modafóca?!). 

Produzir é algo sagrado e ali fica, ali se mantém, não se expande em nenhum momento e não atinge a sociedade em sua essência. Exemplos? Here we go:

1) você passa 4 anos em uma graduação para produzir trabalhos acadêmicos e um projeto de TCC, uma monografia e também um artigo para ser defendido para poucos verem e não haver aplicabilidade alguma. 
2) descarte e esquecimento dessas produções acadêmicas em algum lugar entre Repositório Institucional ou na gaveta da mesinha (os meus vão pro fogo quando termino o semestre)
3) a falsa impressão de que ao fazer isso, está efetivamente colaborando com a Ciência. Mas se é Teoria por teoria, então pra quê aplicar?

Essa guilhotina academifóbica produz pessoas muito muito estranhas e infelizmente altamente relevantes no nosso campo de trabalho e... Tchanananan docentes. 

O Parnasianismo acadêmico se acentua de uma forma bem sutil, esculpindo um ideal tão absurdo na cabeça dos graduandos de que só se pode crescer como profissional se não obedecer certas regras de convívio passivo em comunhão com a cumplicidade de produtividade nonstop

Biblioteconomia e a Graduação é algo além disso, gente.
Vamos ser mais conscientes de nosso papel nessa bagaça.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

[bibliotequices] promessa pra crush é dívida

Dia 02/12 foi a última prova de Sistemas de Classificação, uma disciplina bem técnica e de assimilação bizarra na cabeça de alguém que não segue uma ordem faz um bom tempo.

Sempre falando bem de Dewey, acabei descobrindo que o yankee fdp além de ser uma pessoa  altamente preconceituosa, também teve a ideia de fazer um sistema de classificação mundial em um sermão de igreja protestante.

Se há algo que vai contra meus códigos internos de boa conduta é fazer algo nada a ver em locais nada apropriados. Como o tabu de fazer sexo em bibliotecas, não me desce. Biblioteca é um lugar sagrado, e empoeirado, e cheio de acidentes prontos para acontecerem, só precisa de um empurrãozinho (Ou fricção, levem como quiser). Logo se você tem o incrível plano de classificar TUDO existente no mundo, não tem que ser vendo pastor falando.
Sério.

Discurso e ideologia, lembram?
E o que isso tem a ver com a prova?! 

Bem, eu saí bem otimista da sala, e com um entendimento sobre o assunto (CDU) com uma euforia adolescente. Sim, o orgulho próprio foi lá em cima. 

Aí como a perfeita babaca que sou (blame the fucking Aquarius) postei no Facebook que se tirasse um 10 nessa prova - e vamos relevar aqui, nunca tirei 10 em prova alguma na Biblioteconomia - Eu me declararia para meu crush2k16.

Urrum, isso aí.
Cá estou eu, indo me declarar pro crush2k16 então.

Querid@ crush2k16,

Você foi parte essencial desse semestre em todos os aspectos, me orientou de diversas maneiras em como continuar apreciando essa powha de curso que tá comendo minhas convicções e minha vontade megalomaniaca de mudar o mundo. Suas palavras ficaram bem nítidas em meu pensamento, às vezes ecoando em meus sonhos e daydreams ocasionais dentro do busão. Sem a tua presença - encontros muito especiais por assim dizer, internamente eu esperava ansiosa para te tocar, roçar meus dedos em ti e desvendar todos seus mínimos detalhes - eu mal chegaria a esse final de semestre.

Mesmo com a maioria discordando se o nosso relacionamento iria dar certo. 
Mesmo se essa nossa afeição mútua seja motivo de escárnio, decepção e estranhamente para muitos. 
Mesmo se o simples pensamento que algum dia poderei deitar minha cabeça no travesseiro e ter certeza que você está por perto e comigo me deixe com o coração na garganta e minhas mãos trêmulas. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[bibliotequices] sobre linguagem e desconstrução

[originalmente postado no Facebook e Medium

Uma das coisas que me levaram a cogitar voltar a uma graduação (sofrer mais 4 anos, isso é algo que ainda tou entendendo aqui na minha cabeça, ninguém é tão louco de querer ficar preso no sistema acadêmico por muito tempo) era sobre como a Letras me abrira os olhos pra uma coisa bem legal e simples: o poder da linguagem.

Esse pequeno detalhinho na nossa vida é literalmente a arma mais letal e também revolucionária que carregamos individualmente desde que nascemos. A forma como construímos essa linguagem e como expressamos para o mundo afora faz toda a diferença entre o que somos, o que parecemos e onde somos classificados.

Na PUC aprendi que forma padrão e informal da linguagem devem estar sempre em questionamento, assim como os discursos que são propagados por essas formas de linguagem "aceitas" na sociedade. Em miúdos: nem tudo que reluz é ouro. A academia mostra bem isso com seus floreios e firulas.
Me deixa extremamente incomodada que na Biblioteconomia não se toque na parte da Filosofia da Linguagem em algum ponto do curso - ou mesmo ter gente botando isso com mais frequência na roda científica - porque é uma parte essencial de COMO nós bibliotecários nos constituímos como profissionais.

(Véi, de Bowie: cê mexe com informação, ponto final.)

Aí duas conversas apareceram hoje sobre quase o mesmo ponto crucial que eu tava enchendo o saco do Parnasianismo Acadêmico, uma era sobre a desconstrução da linguagem (e de todo resto que vem com esse movimento) do Deleuze e a outra conversa era sobre a banalização do discurso médico nas patologias de doenças mentais.

(Olha só que legal, gente, gente não-binárie não tem número de classificação na CDD e CDU, nem mesmo lá na parte de doenças mentais - isso me alivia de uma forma nada confortável)

Essas 2 premissas aí me levam de novo ao papel do bibliotecário numa sociedade em que estamos inseridos. A gente não discute sobre linguagem no curso de Biblioteconomia, sequer faz ponte com as áreas onde estão essas teorias (Letras/Linguística, Sociologia, Filosofia) e aí vem sabichão querendo dizer que o futuro da profissão está nos números, nas estatísticas, na produção científica (estrelinha, estrelinha, na Scopus é só minha) e nas inovações da mercadologia (mercado de trabalho com ideologia? Alguém?).

Sabichões (aaaaah vocês sabem quem são), cês podem até estar parcialmente certos, faz parte, mas cadê o discernimento para entender (E provocar) que se a matéria-prima do seu trabalho é informação (seja lá como ela vier), por que não se preocupar em estudar pelo menos um pouco sobre a linguagem ali contida? E não tou falando de programação, e essas coisas de computadores! Até onde estou atenta, não ocorreu a Revolução das Máquinas e não estamos conectados na Matrix (Mas é algo questionável...), não estou fazendo meu trabalho pra satisfazer máquinas ou títulos acadêmicos, ou deixar departamentos bem na fita ou dar visibilidade pra status de universidade: tou aqui pra mexer com gente. E creio que a Biblioteconomia lá fora já esteja com isso se encaminhando bem.

E gente usa a linguagem desde que se entende como gente. Por que não estudar então? Toda oportunidade que tenho, falo com os amigos de curso para saírem um pouco da bolha/redoma e irem para o CCE passear pelas salas da Letras. ou até mesmo ali na nossa colega Pedagogia no CED. Não é porque eles lidam com Educação que eles são a coisa mais linda dos céus de Ranganathan: é porque eles têm uma coisa que a gente não conseguiu incorporar ainda no nosso curriculo - eles mexem com gente. Tá bem marcadinho, quase entranhado em cada disciplina que bato o olho quando vejo o curriculo.

(E não tou falando de disciplina de "Produção de Texto Acadêmico", tou falando de entender wtf se constitui a língua portuguesa, porque usamos gramática, fazemos dicionários, como se estrutura a nossa fala e como podemos usar isso em favor de nossa profissão - se a galera do Direito faz com maestria, por que a gente não?!)

Aí uma coisa me veio como uma bigorna de desenho animado: a nossa história profissional caminha muito no sentido de EVITAR mexer com gente, desde os primórdios, com aquela de guardar livros a 7 chaves, botar tranca em encadernação, bola e corrente em compêndio, atirar em barquinho de fulano se ele não entregar o manuscrito em pergaminho, o "xiiiiiiiiu!", a leitura silenciosa, o clima inviolável do sagrado das estantes, o classificar por organização de acervo não de recuperar informações rápidas, o mais do mesmo nas produções científicas, a falta de incentivo para inovar com releituras de realidades, o não se aproximar do nosso público (leitor/usuário/consulente/interagente/lalalala e esses termos vão se multiplicar sem ter uma ponte entre a Filosofia da Linguagem/Linguística e a Biblioteconomia).

Então, talvez, o que eu esteja querendo fazer não é Biblioteconomia, mas alguma outra coisa aí. Talvez o provocar sobre falar mais da linguagem e como é o poder nela na nossa sociedade não seja algo pra um curso/profissão que ainda não se atentou que desconstruir o status quo (Ou romper com paradigmas, escolhe aí um termo! Tem vários!) é algo natural e deve ser incentivado em nossas bibliotecas, nossas escolas, nossas salas de aulas, nossas conversas com amigos de profissão. Se a gente não questiona a nossa matéria-prima de produção, cumé que quer formar gente apta para abrir esse diálogo lá na frente?

Como é que vamos lidar com a "Ciência pela Ciência" se metade dos TCCs de um repositório de universidade só enaltece a forma como "fazer produtividade", mas não "fazer algo para a sociedade"? Nem sempre produtividade é algo legal pra sociedade tá garotada, vide a bagunça da Revolução Industrial, acho que já deveríamos ter aprendido a lição. Bicar com a linguagem é extremamente necessária no nosso curriculo atual, pra dar uma ideia pros colegas graduandos que mexer com gente é importante sim e mais ainda, só se consegue fazer isso com sucesso quando se tem noção básica de como mexer com a linguagem.

Mas por quêêêêê ficar falando isso aqui no Facebook? Por quê? Desperdício de tempo e escrita! Bem, algum babaca tem que começar a questionar, né?
(Se aparecer um Agente Smith aqui daqui a pouco, já sabem: a babaca fui eu.)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

[bibliotequices] higieniza mi amor higieniza


Vassoura = estudantes / Mickey = Universidade
[os gifs postados tem a ver com a temática da postagem: Aprendiz de Feiticeiro foi a minha primeira experiência entre manipulação e transformação a força do Equilíbrio natural do universo. Se Mickey Mouse era um ratinho legal para mim, naquele momento em que ele deu "vida" a uma vassoura foi a porrada no sonho infantil de usar magia para beneficiar o mundo. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Oras! Informação é poder!]

Observando alguns momentos de crise cáusticos e movimentação nula ou quase silenciosa ninja nas imediações biblioteconomísticas, percebe-se uma coisinha muito muito violenta e sutil: quando o silêncio se instala em uma área das ciências, ela automaticamente higieniza seus semelhantes.

Higienizar é algo positivo quando você faz no seu banheiro ou na cozinha antes de cozinhar alimentos, limpeza é bom quando precisa botar ordem em algo que está atraindo coisinhas ruins tipo germes e moscas e insetos indesejáveis, mas quando se olha por um ponto de vista afastado do circo diário acadêmico: higienização na Biblioteconomia tá acontecendo.

Aliás, vem sempre ocorrendo, pois não temos tantas referências da "sujeira" por assim dizer. Nossa profissão já nasceu com glamour de status de elite, com bibliotecários da Casa Real fugida aqui pro Brasil, entulhando seus badulaques e livros roubados da Corte Portuguesa ali onde seria conhecida como Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Intocáveis em seus uniformes quase militaristas de requinte e pomposidade. Longe do populacho, apenas atendendo a família Real, os de título mais abastados, os letrados. Os poucos.

Temos os exemplos do que é limpo, claríssimo (Sim, vou usar essa palavra por um motivo bem bem alarmante dentro do curso), cientificamente desinfetado com muita técnica, legislação e burocracia. Tudo pode ser revertido a este estado tão límpido de aceitabilidade que o que se dá para perceber aqui de fora da bolha:

  • relações abusivas de dominação e submissão (emocional, hierárquica, acadêmica, sistêmica, etc);
  • apagamento de sujeitos que se tornam um mero rascunho dentro da Academia;
  • uma alteração no status quo que NÃO CONDIZ com a realidade aqui fora.

É para ser mais direte? Okay, vamos lá então.

Vassoura = estudantes / balde de água = discurso acadêmico

Comecemos com perguntas, tudo na vida sempre começa com a dúvida:

1) quantos professores negros você vê dando aulas na Biblioteconomia?
2) quantos estudantes negros estão ingressando ou se formando na Biblioteconomia?
3) quanto a voz da comunidade LGBT está sendo ouvida na Biblioteconomia?
4) há discussões sobre gênero, racismo, evasão de grupos em vulnerabilidade social na Biblioteconomia?
5) quantos de nós estamos enquadrados em algum tipo de perturbação psicológica que afeta diretamente nossos estudos, nossa visão do todo, nossa atuação?
6) estamos REALMENTE representando esses grupos ali descritos com o devido respeito e igualdade?
7) a gente se importa?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

[bibliotequices] biblioteconomia ufsc ocupa ced

BIBLIOTECONOMIA UFSC OCUPA!

Em uma atitude inédita e histórica dentro da Biblioteconomia, uma Assembleia legítima chamada de estudante para estudante finalmente decidiu os passos do movimento estudantil no curso. 
SIM para apoio, respeito e adesão a Ocupação do CED mobilizada pelo @OcupaCed.
NÃO para paralisação das aulas e atividades acadêmicas.

E é assim que o curso onde escolhi com consciência e orgulho se posicionou.

É oficial agora, entrará para História desse Centro negligenciado pelas instâncias, pelo poder público, pela sociedade, que nos posicionamos, nós abrimos a boca, nós saímos de nossa desvalorização mesquinha de categoria, resolvemos em coletividade FAZER ALGUMA COISA.

E tenho certeza que haverá muito trabalho a fazer, muito a planejar, muita paciência, sabedoria nas atitudes e palavras, muito a se resgatar como pessoa constituinte de um coletivo em prol de uma causa que inegavelmente irá nos afetar como estudantes, trabalhadores, docentes e como cidadãos.

O curso de Biblioteconomia tem cerca de 43 anos instalado na UFSC, um curso que percorreu caminhos tortuosos, com diferentes formas de se abordar a tecnologia, a informação, a integração com outros cursos, o elitismo intelectual de status, para um esvaziamento de significado na luta por direitos da categoria e por tudo que ela representa DENTRO E PARA a Universidade. 
(Arts et Scientia - Artes e Ciências é nosso lema, pesquisa, extensão e ação é o mote atualmente usado)

Os estudantes decidiram ser solidários a causa da Ocupação, acordando em Assembleia legítima que o respeito pelo movimento também não ficaria no papel, mas o de nos ajudarmos mutuamente para conseguir a garantia de nossos direitos.

É mobilizando e enviando emails aos professores e coordenações para realocação das aulas? Sim, deve. 
É cobrando através de abaixo-assinados, petições, notas de repúdio enviadas as nossas lideranças do Departamento e na Direção por condições MÍNIMAS de infraestrutura para a realização das aulas? Sim, devemos.
É informando ao colega de classe o quão importante somos quando unidos, como classe estudantil, como classe bibliotecária, como comunidade que compõe uma rede científica DENTRO E QUE TRABALHA PARA essa Universidade? Sim, devemos ter consciência disso.

Respeito, conhecimento, solidariedade, alteridade e cidadania: é para isso que estamos ocupando esse lugar como futuros bacharéis em Biblioteconomia na UFSC, futuros profissionais da Informação no Brasil. Entendam bem isso.

A Assembleia de hoje é histórica e está registrada em cada palavra, levantar de mão, opinião proferida e voto que demos. Votamos democraticamente por um rumo de luta e não omissão em nosso curso. Cansamos de ficar calados, de dizerem que já ingressado domesticados, doutrinados a sermos neutros, omissos, ocultos, apolíticos. A Assembleia de hoje provou o contrário, manteremos nossa firmeza nas propostas e ações.

Não falo como Bruna, não falo pelo Centro Acadêmico de Biblioteconomia da UFSC, não falo pelo Grupo de Acadêmicos de Biblioteconomia da Associação Catarinense de Bibliotecários - falo como estudante de graduação, um reles número nas estatísticas, 6 dígitos de matrícula, portadora de título eleitoral descartável, base da produção científica DENTRO E PARA a Universidade, um indivíduo qualquer que a sociedade insiste de me chamar como cidadã, mas que os interesses não contemplam o bem estar comum.

Os estudantes de graduação em Biblioteconomia apoiam a Ocupação, dizem não a paralisação de aulas, vamos resgatar nossos direitos e não sermos obrigados a ouvir: "Eu não sabia", "ninguém me disse nada", "Isso não é da alçada de vocês" - temos voz sim, estamos em passos cuidadosos sim, sabemos com quem e o que estamos lidando. Nós sabemos e não compactuamos com o silêncio do restante dos cursos, dos departamentos e setores que ainda não se pronunciaram no CED.

Nós, estudantes. 
Respeito, alteridade, conhecimento, cidadania. 
É pra isso que tô aqui e ninguém mais me tira. 
(E retiro o que disse sobre ir pra Museologia, vocês, todos vocês, cada colega que foi na Assembleia me deu a plena certeza: é aqui que devo estar)

Pronto, acabou, agora ajuda aí a galera a pensar em uma forma bacana de apresentar nosso curso na Ocupação, como somos, quem somos, quem pretendemos ser, Biblioteconomia é bacaninha? Como ela pode ajudar a a Pedagogia e a Educação do Campo florescer? Quais contribuições podemos dar?

Estamos pela primeira vez em história de curso tomando as rédeas do nosso processo pedagógico, mas isso exige muito trabalho, muita paciência e mais cautela ainda.
Tem gente querendo voltar com a ditadura, para esse povo, comam batatas. 

Faz bem e faz mudar de ideia.
 




http://www.dpu.def.br/images/stories/arquivos/PDF/cartilha_ocupacoes.pdf

domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] falácia do perder o semestre

Bora lá que a gente AMA números, certo? Números é que são legais para enfeitar as coisas, estatísticas e dados e índices e a vida acadêmica segue sem o devido pensamento crítico sobre isso...

43 anos de Biblioteconomia na UFSC são:

Semestres = 86
Meses = 516
Semanas = 2.244
Dias = 15.706
Horas = 376.938

A gente gasta 8 semestres para se formar no curso (Uns a mais, mas hey!). 8 semestres em 86 semestres de história da Biblioteconomia na Universidade.

E estamos preocupados com o final do semestre. Com ESSE final de semestre em específico. Se não vai ter aula ou vai, se vai ter greve ou vai. ESSE semestre. De 86 semestres já de curso! 8 semestres de graduação! É justamente ESSE semestre que é mais importante - e obviamente não podemos perder ESSE semestre. Os outros não.

Não é sobre perder semestre, entrar em greve ou não, ocupar ou não, ser aprovado ou não: É o se posicionar ou não.

É por perceber em 8 semestres que passamos aqui, contribuindo para a produção científica da Universidade, formando bibliotecários, professores e pesquisadores que temos uma cultura muito familiar do profundo silêncio constrangedor.

Não é pelo semestre, ESSE em específico. É por 86 semestres que a classe e o corpo estudantil não se posicionou ou teve voz suficiente para ter maturidade (ou vontade?) política para discutir coisas como: Cidadania, Direitos básicos, Sociedade, Educação, Direitos da Classe, Respeito, Ética e Solidariedade.

(Contem os semestres em que foram abordados esses assuntos durante os 8 semestres - contei! 2 semestres, 2 aulas em específico mais meia aula interrompida, pois docente quis falar sobre as manifestações de setembro)

86 semestres, pra mim, é muito tempo para acordar de uma neutralidade. Não é 1 semestre, é pela aparente passividade de 86 semestres.

Se pronunciem.
Se posicionem.
Se organizem.
Se mobilizem.
Discordem.
Concordem.
Tenham argumentos em seus posicionamentos.
Questionem.
Sejam protagonistas de suas vidas acadêmicas nesses 8 semestres.

(Não deixem a história do curso afetar seus sonhos, suas expectativas, suas chances de fazer um mundo melhor, mas não ignorem o fato de que por anos ninguém aqui dentro se manifesta sobre coisa alguma. Por medo, por juízo, por interesses, por motivos escusos, não sei, mas 43 anos é muito tempo pra continuar em silêncio)

[bibliotequices] mobilização estudantil - sentido literal

Existe uma lei bem legal da Física que diz quando uma corpo se mantém em inércia ou em movimento retilíneo uniforme, ele permanecerá ad infinitum desse jeito. Óbvio que isso acontece no vácuo, se desconsidera a gravidade, as forças de atrito, as outras leis do tio Newton, a de Murphy, aí sim forévis parado ou no movimento. 

Então quando os estudantes não fazem nenhum movimento na inércia em que se encontram, nada andam, porque Newton, né? Não é tão difícil de decifrar o que tá acontecendo no campus, na cidade, no estado, no país. 

Mais cortes e medidas drásticas do golpinho temerístico e a inércia tá aí. 
Primeira Lei de Newton seguida com fervor! 

Ato falho meu, porque... engenharia \o/

Aí cortam subsídios de permanência pros estudantes, prejudicam a progressão de carreira dos TAEs (Técnicos Administrativos em Educação), dão ultimato pros professores que pra aposentar só quando eles estiverem com pé na cova. Concurso público? Esquece, governo não vai gastar com isso mais. Chama terceirizado que a coleira é mais curta e dá pra manipular a cordinha com mais facilidade. Congelamento de gastos com um teto tão absurdo de baixo que o jeito vai ser alocar recursos de um lado pro outro. 

Então, você, coleguxe fofuxe que acha que não vai ser atingido porque o curso de Biblioteconomia é imune as mudanças da sociedade, péssima notícia: um técnico ou alguém com notório saber vai tomar o seu lugar. 

E vai ser mais cruel, porque quando você estiver na metade do curso e tiver uma crise existencial individual do porquê raios tá fucking fazendo ali, servindo de panaca e cobaia pra um corpo universitário estagnado, a pergunta primordial será!? 

Vão me empregar com esse preparo que tive? 
Sou suficiente para o mercado de trabalho lá fora? 
Tenho certeza absoluta de minhas habilidades para levar minha carreira adiante? 
Como assim vou aposentar com 75 anos e sem direito a nada?! 

E aí tá todo mundo na inércia. 

No caso, a inércia fez esse lolcat continuar
 a girar, girar, girar, girar e girar

Pelo menos é lindo ver isso na Biblioteconomia da UFSC, onde há uma contrariedade de forças que sequer deveria existir em primeiro lugar. Um Departamento que não assegura os próprios interesses acima dos demais nem deveria estar constituído. 
(Sim, não é papo de coxinha reaça não, a lógica nas Federais é unir uma panelinha, defender o próprio curso/Departamento com os dentes e que se ferrem os estudantes. Eles conseguem direitos pra gente de acordo com o que as lideranças desses lugares acham mais vantajosas) 

E os estudantes? Inércia. 
E Happy Hour. Porque tem que ter.
Pão e circo e "me passa de semestre". 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[bibliotequices] sobre a apatia biblioteconômica

Esse é uma postagem que fiz para o Grupo do Facebook: "Liga de Bibliotecários Bolivarianos", sobre a posição dos profissionais da Informação sobre o que está acontecendo ao nosso redor.

O comecinho irei riscar, pois é uma apresentação de quem sou. O conteúdo principal está logo após.

Boa noite pessoal,


Sou Bruna Morgado, estudante de Biblioteconomia na UFSC, atualmente no Centro Acadêmico tentando levantar uma questão que aparentemente o pessoal da Biblioteconomia gosta de se esquivar por falta de argumentos (Ou como estou vendo, o simancol ainda não fez efeito): a apatia na nossa profissão.



O estado apático é tão impregnado nas esferas de nossa área profissional que se confunde com um pré-requisito para se ingressar no curso. Estudantes que só frequentam as aulas para passar em concurso, para ganhar uma vaga em universidade pública, para não estudar coisas difíceis como cálculo, filosofia (dói pensar, né?), linguagem, e por aí vai.

Esse consenso tão absurdo - e que vem sendo repetido pelos corredores e dentro das salas de aula em que frequento há 3 anos e em sondagem dos egressos, é uma forma padrão do estudante de Biblio - parece ter fincado uma bandeira da neutralidade em nosso curriculo, na fala de nossos professores, nas posturas éticas de nossas lideranças, na referência que temos de profissionais no mercado de trabalho.

Digo isso, pois com todo o movimento de paralisação, aviso de greve geral, ocupação de universidades e espaços públicos em forma de protesto contra as medidas do governo temerário (Temer com Templário, parece que eles estão atrás de algum Santo Graal para provar ao populacho que são a salvação do mundo), nossos alunos continuam apáticos.

Desinformados.
Frouxos.
Desinteressados.
Neutros.
(E eu tenho desconfiança dessa última palavra: neutralidade do quê?)

Eu vejo um curso em que o pensamento crítico e a prática da argumentação são trocadas por processos, fluxos, diagramas de caso, metodologias falhas em atender a demanda social escancarada e desesperadora aí fora, onde vocês habitam. Sim, porque para o estudante de Biblioteconomia da UFSC, a vida no mercado de trabalho se resume a uma estabilidade financeira em carreira de servidor público ou ganhando um montante ilusório de dinheiro trabalhando em uma multinacional ou empresa de tecnologia. Essa é a propaganda deixada por nossos queridos docentes, tão preocupados com o futuro da profissão.

E aí sondando os próprios, temos essa postura arbitrária de se afastar de debates em que o exercício político é crucial para uma mudança efetiva acontecer. Enquanto nossos colegas de Centro (Pedagogia, Educação do Campo) e vizinhos (Psicologia, Serviço Social, Letras, História, Geografia e muitos outros) estão parando, dialogando, trazendo a discussão sobre a atual situação política, ofertando espaços de conscientização coletiva, a Biblioteconomia se enterra em uma ilha de apatia.

Estou repetindo essa palavra, pois é a mais aproximada que descreve os nossos docentes, estudantes e profissionais nesses tempos tão medonhos de escolhas, decisões, proposições e soluções. A Biblioteconomia - em especial, provada por A + B sem precisar de cálculos estrondosos dos engenheiros que coabitam nosso departamento - está parada, estática, sem argumentação formada ou manifestando qualquer tipo de opinião.

Está demorando demais, está protelando demais. Se alguma iniciativa está ocorrendo aí afora - Carta de Manaus, manifesto da FEBAB, cartas de repúdio de associações - isso não está atingindo a base de vocês: nós estudantes.

Após acompanhar um dia intenso de mobilização do curso de Pedagogia aqui na UFSC, percebi de fato o quanto somos parados no tempo, consolidando o estereótipo de bibliotecário atrás do balcão, carimbando livros, alheio a situação ao redor, com seu repertório cafofônico de "xiiiiiiu" e "silêncio!" que tanto tentamos extinguir em nossas ações e falas no cotidiano.

Trabalhamos com a Informação como ferramenta de cidadania e bem estar para a sociedade, mas usamos o silêncio como arma apontada indiretamente para quem deveríamos formar para serem profissionais da Informação com um pouco de discernimento sobre a gravidade do que está acontecendo.

O Centro Acadêmico está correndo atrás do prejuízo do silêncio, do comodismo, da apatia dentro e fora do curso. Resistências, há muitas, mas pergunto a vocês colegas de grupo e creio que pessoas pensantes e preocupadas com nossa formação e atuação: essa apatia é historicamente construída pela profissão (Perpetuando um ciclo vicioso maldoso) ou estamos com uma má sorte danada de ter um curso extremamente reacionário, com pessoas de perfis altamente individualistas e interessadas em observar por longas horas o próprio umbigo?

Deixo a pergunta e a reflexão.
Peço também, por gentileza, que se alguém tiver alguma indicação de leitura sobre as PECs, princípios norteadores e éticos da profissão, artigos de colegas que tenham esse cunho de "Chega de comodismo!", por favor meeeeesmo, me avisem: precisamos mesmo de mostrar por A + B que não iremos calar e consentir.

Iremos planejar e agir. Sempre em coletividade, sempre com o intuito de fazer uma sociedade melhor e mais justa para todos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

[bibliotequices] eleições de direção do centro de educação

Essa merece uma repostagem aqui no #minhaVidaDeEscriba porque não posso deixar de registrar a revolta imensa que certo episódio ocorrido ontem no curso de Biblioteconomia trouxe à tona.

Sobre eleições no Centro da Educação (CED):
(Disclaimer: texto meu, apenas meu, de minha autoria, vou colocar um selinho de copyright/whatever, nada de creative commons, porque a tendência atualmente é dizer que o que 1 pessoa fala quer dizer a palavra final sobre o lugar/entidade/instituição que ela pertence. Ah! o texto é cheio de sarcasmo tá? Se ofender, continua a passar o scroll na timeline e a vida segue, não faz diferença)

Aquele textão lindo que ninguém vai ler, mas aaaaaaah eu sei que vai chegar a algum lugar, nem que seja para instigar a curiosidade do colega.

Vamos entender umas coisinhas, de uma forma bem lógica e linear para não haver desentendimentos, más interpretações ou deslizes discursivos dentro de salas de aulas devido a falta de aperfeiçoamento na Ética Profissional.

Quando se há uma eleição, nós estudantes de graduação esperamos que haja... ahn, como se chama? Divulgação de chapas. Sabe esse carnaval épico de cartazes, carro de som, conversas amigáveis nos corredores, jingles, fotos segurando criança no colo e tals? É, é como a nossa alegoria de "espírito democrático" foi estabelecida. Adoramos festas! Pão e circo!

Só que ainda não finalizou o período de inscrições de chapas para a próxima eleição do CED - que aliás a data de votação acontece possivelmente ANTES da greve geral nacional instituída por diversos coletivos, sindicatos de grevistas em todo Brasil. Muito espertinhos, adoro! - logo eu, como estudante de graduação inserida no CED não necessito de ter as aulas interrompidas com o carnavalesco eleitoral com promessas de 10/15 anos atrás que não foram cumpridas e pasmem! Não serão, porque olhem só! Prioridades tão esmurrando na porta como algo chamado: PEC 241 e greve Geral na Educação. Alguém chegou a receber o memorando? Não?

Vamos lá então. O que é a PEC 241 resumidamente? Um pacote de ações que visa cortar gastos na Educação, Saúde e afins (Coisas que políticos não se interessam muito em manter bem estruturadas no nosso país desde... ahn... lembra dum cara chamado Pedro Álvares Cabral? pois é...), que já está atingindo a gente desde 2014, com cortes de verbas para Ensino Superior, Médio e Fundamental. o mais legal dessa PEC é que se for aprovada e colocada como Lei, os próximos 20 anos tão fadados a um sucateamento dessas áreas que citei ali acima.

O que afeta nós aqui na graduação? Com licença, mas vocês tão percebendo bem no ensino de qualidade que estamos recebendo? Estão percebendo que no Departamento os bibliotecários estão minguando? Que o nosso curriculo mesmo tendo sido mudado para abrigar egressos mais competentes para o mercado de trabalho, na verdade não está sendo suficiente para a demanda da sociedade? Já perceberam que a gente não vai se formar bem nesses 4 anos, com noções básicas de como é o mundo lá fora por conta de:
1) falta de estrutura nas salas de aula
2) falta de quadro docente preparado e estruturado para nos dar aula
3) sem verbas para projetos de extensão, estágios na área, sem vivência sobre a nossa profissão

Já perceberam que ao entrar dentro de uma aula, passar 4 horas ouvindo um discurso de repetição de cerca de 11 anos atrás, porque hey! Bibliotecário em produção aqui, neném! É óbvio que vou atrás dos egressos para saber como eram as aulas deles anos atrás. O ruim mesmo, o amargor que sobe na garganta é descobrir que nada mudou, a aula continua a mesma, o ensino de qualidade prometido no curriculo novo só foi enfeitado com mais tecnologia e tá tudo bem. Tá tudo muito bem.

Sorrie e acene que vocês só querem pegar canudo, certo? Que só entraram no curso pra passar pra uma Federal. Que só estão aqui de paraquédas e nem sabem o que querem da vida. Só estão aqui por um tempinho e não fazem diferença pro Departamento. Só começam a ter alguma importância quando passam na pós-graduação, aí sim estrelinha na Scopus, status acadêmico e curriculo Lattes impecável é que vale na maratona de subir. É aí que a ciranda dança. E é nesse detalhe que a gente, que está na ponta/base deveria prestar atenção.

Agora imagina isso que já está agora congelado por mais vários anos, com a mesma política café-com-leite (olha ensino de História aí gente!) que anda ocorrendo e cadê as prioridades? Oh sim, elas estão no umbigo. É aquele tréco, cicatriz hedionda sinalizadora do parto que a gente tem abaixo dos peitos e acima da pélvis. O umbigo é uma parte do corpo perigosíssima!

Se a gente cavucar as leis que regem a nossa profissão - Código de Ética, manifestos da IFLA/UNESCO, leis federais, estaduais, municipais - tem um negócio esquisito lá dizendo sobre "hey você, bibliotecário mixuruca, cê deveria fazer inter/trans/multidisciplinaridade. É tipo, pré-requisito pra você ser alguém que cuida e organiza informação" - às vezes me pego pensando se precisamos chamar a galera do Design pra fazer gráficos bem explícitos pra gente entender essa parte. Pra ser bibliotecário a gente precisa saber dos outros. Sim, os Outros que o Sartre adorava dizer que eram um Inferno! Esses mesmos! Que droga! Como é que vou lidar com os Outros se só quero ficar aqui alisando o meu Umbigo?

Se estamos num Centro de Educação e há cursos como Pedagogia, Educação do Campo, Arquivologia, Ciência da Informação, Biblioteconomia, NDI e Colégio de Aplicação, o umbigo deveria ser esse grupo não? A lógica não tá cartesiana não? Tem que ser umbigo unilateral, tipo só umbigo Ciência da Informação? Umbigo só Pedagogia? Por que não Umbigo CED? Faz tanto sentido né? Já que temos que lidar com 5 cursos diferentes e mais 2 espaços de Educação importantes aqui na Universidade. Por que não Integração?! Por que essa palavra parece reza braba de benzedeira em cima do povo do CIN?!

Véi, a gente ganha dinheiro lá fora no mercado de trabalho às custas dos cursos dos Outros! Procurando, organizando, tratando, mediando informações Deles, é como se o Umbigo além de querer ser uma panelinha de "como iremos favorecer melhor os nossos interesses em detrimento dos outros cursos aqui alojados, porque por favor né? Já tiveram regalia demais esses anos!" - tão esquecendo da sacada mais legal da nossa área: a gente tem a Informação como ferramenta de trabalho.

Integração, gente. Lembrem dessa palavra.
É possível de durante as eleições ouvirmos sinônimos dela como "união" (mas atentos se é de uma via só, nunca compartilhada), ou uma máxima linda de "porque o Departamento sempre foi esquecido aqui no CED." - seguinte, com a apatia, burocracia e castração acadêmica que ronda esse curso desde muito tempo, não é surpresa que alguém da Biblio vai se manifestar ativamente sobre algo.

O que nos leva ao próximo tópico da incrível eleição de direção no CED: atividade e passividade! E eu não simpatizo com coisas binárias, pois elas me trazem um ranço não muito legal de padronização de comportamentos que devemos associar as pessoas sem antes conhecê-las. Mas hey, relações de poder! Foucault escrevia isso, assim como aquele carinha super bacanudo Maquiavel: livro de cabeceira de alguns amiguinhos por assim dizer.

Cês tão sabendo que a Pedagogia está com um ano todo embaralhado por conta de uma greve GERAL que houve em 2014/2015? Que afetou os estudantes, entrou os professores e os Técnicos-administrativos? Não sabiam? Pois então recapitulando: no primeiro pacote de medidas daquele final de ano 2014 com o corte de verbas nas Universidade Federais e retirando apoio principalmente dos estudantes de graduação como Auxílio-moradia, bolsa-auxílio em estágios, moradia estudantil, acessibilidade ao serviços e/ou ingresso à Universidade e pasmem! Afetou os salários e progressão de carreira dos fessores e TAEs também! *insira emoticon assustadíssimo aqui*

O que a Pedagogia fez? GREVE GERAL.
Se é pra parar, é pra parar. É ensino de qualidade com perspectiva do aluno se formar com alguma coisa válida e contribuir pro mundo ou não. Foi greve, foi aulas públicas na Reitoria, foi palestra no meio do Hall, foi mobilização dos alunos para deixar todos sabendo o que ocorria.

E o que aconteceu no CIN?
Não sei. Realmente não sei. Se aconteceu não chegou até a base de graduantes. O Centro Acadêmico que tava morto por 2 anos - a mesma apatia, a mesma inércia, a mesma passividade - foi dissolvido e uma Assembleia foi chamada para ver o que os alunos da Graduação de Biblioteconomia queriam para o curso.

Assembleia
De
Estudantes
De 
Biblioteconomia 


O HORROR!! MEU RANGANATHAN, O HORROR!! VALEI-ME DEWEY DOS ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA SE MEXEREM EM PROL DE UM DIREITO DELES!!

Estudante só reclama, estudante não sabe o que quer, estudante não vale muita coisa no grande esquema das coisas (Começa a valer se passar pra pós, lembram?), estudante com cartazinho, protestando timidamente por um posicionamento do Centro, do Departamento, da Coordenação não vai fazer diferença. Nunca fez, por que vai fazer agora?

E fez.

Aquela Greve Geral da Pedagogia abriu os olhos de muitos dos nossos colegas, aqueles que passavam ali no Hall do lanche do CED e viam os estudantes mais fora de sala de aula discutindo política e permanência estudantil do que estudando. Os muitos (E foram muitos, ok? A passividade aparente que o curso impregna na gente ao entrar não surtiu muito efeito naquela época) entenderam que a coisa tava ficando feia, que o curso ia ser depredado mais ainda, que não iríamos ter uma melhora, a Assembleia foi feita.

E o Centro Acadêmico voltou. 
E tá aí ainda. Aos trancos e barrancos, ouvindo, escutando, agindo quando pode, mantendo os estudantes informados, abrindo espaço para diálogo, questionamentos e o fazer Política (Olha a Linguistica na Etimologia da palavra aí gente!) dentro do curso, dentro do Departamento, dentro do Centro. Integração. Sem umbigos. Umbigo sozinho não faz acontecer. Esquece o Umbigo. Umbigo é coisa feia. Uma cicatriz de uma dor que a gente esquece quando nasce. Umbigo não é a solução, é antiquado.

E nosso curso tá aí, com curriculo novo, em que os alunos estão participando no que dá para ajudar uns aos outros, a Integração com os outros estudantes está indo bem, temos colegas e amigos da Arquivologia conosco, galera da Ciência da Informação também, volta e meia os estudantes de Pedagogia trocam umas ideias, está caminhando, está indo, estamos nos esforçando, porque não foi isso ensinado pra gente fazer desde pequenos, sermos integrados, sermos colaborativos, sermos um só. A gente foi criado pra ser Umbigueiro.

Mas Umbigueiro não resolve as parada, gente. Cês tão vendo o que tá acontecendo aí fora? Tão contentes com os rumos do país e como a nossa Educação está sendo levada à sério no circo politiqueiro? E a atividade? por que a passividade?

PEC 241, Lei da mordaça, Leis contra minorias étnicas, comunidade LGBTT, Leis contra as mulheres, Leis contra acesso à cultura, lazer e esportes, Leis contra a Integração. Leis ditam as regras do jogo, assim como nossos manuais CDD, CDU, AACR², mas quem está manuseando os códigos é a gente, sempre foi, sempre será. Atividade, não passividade.

E o que vemos no nosso CED?
O que vemos? Alguém vê?

Desde agosto temos manifestações gerais contra os absurdos políticos, setembro foi o estopim de tudo com passeata, fechando ponte, discutindo política na rua enquanto esperava a mobilização chegar e irmos pedindo por Democracia, Justiça e Igualdade.

E o que nosso Centro fez?
O que o Centro está fazendo agora que a coisa está martelando na porta da Universidade?
O que você tá fazendo sobre isso?

Passividade. Inércia. Méh. Sem envolvimento.
Eleições de Centro não é desculpa para não se posicionar.
Se é pra queimar filme sendo reaça, seja. Se posicione. Diga que não vai se envolver. Diga que está pouco se lixando, que lava as mãos, que vai resolver isso quando tiver tempo. Mas se posicione.

Não deixa os estudantes, a base, o populacho, o 1/3 de voto nessas eleições (Mais do que os TAEs por número, olha só que legal, Umbigo!) sem saber a sua posição. O teu também tá na reta. Teu feijão pra tua família, tuas contas, teus títulos no Lattes, tuas estrelinhas na Scopus, tua imagem perante a comunidade universitária.

Eu não preciso de promessas de 10/15 anos atrás. Preciso de Posicionamento das Instâncias que nos regem aqui dentro do CED. 

E galera da Biblio, por favor fiquem ligados a qualquer informação que vocês recebem dentro da sala de aula sobre as Eleições. se sentirem assustados, ofendidos, intimidados pelas manifestações de Atividade durante a campanha eleitoral, se expressem, falem, sejam protagonistas de si mesmos. É a gente que paga o feijão desses camaradas, é a gente da base que sustenta essa balança acadêmica aqui dentro (apesar de particularmente eu me sentir cobaia desse povo), a gente não é o Umbigo, não precisamos ser.

Prestem bem atenção nas propostas das chapas, perguntem dúvidas para os candidatos, peguem os contatos, sigam cada ação feita por eles nessa época de eleição, porque chuchus, quem seja que entre na Direção vai comandar o que fazemos ou não por 4 anos. E se for pra favorecer só um lado, se for para olhar só para o nosso Umbigo, tenho uma triste notícia pra te dar: você tá no curso errado. dá a volta que a Engenharia te abraça feliz por essa forma de olhar o mundo.

Biblioteconomia nasceu da Integração da Informação e do Conhecimento. Vamos fazer uma História diferente, né? Chega de Umbigos. Estamos no mesmo barco e se ele tá afundando, o mínimo que espero é que o capitão honre o compromisso de ficar na embarcação até atingir o fundo do oceano.
(Em palavras diretas: se não lutar por uma Graduação melhor e em prol dos estudantes, esquece.)

Chega né?
Beleza. Ótimo fim de semana.

Ah! Se você verem esse texto circular em algum lugar dizendo que foi o CAB ou GAB que escreveu, pode falar na cara dura que foi tudo culpa daquela pessoa Bruna Morgado, tá? Que CAB ou GAB ou pessoa jurídica alguma tem a ver com isso, ok?

Tem gente demais nesse meio acadêmico que adora usar o nome de entidades para demarcar território e confundir as pessoas. Especialmente nessas eleições.

domingo, 23 de outubro de 2016

epifania (in)docentes


Na vida tem uns cliques. 

É aquele momento em que você consegue ver uma parte do plano geral que antes o seu olhar não tava preparado pra enxergar bem. Pode ser durante o chuveiro, olhando pela janela do busão voltando pra casa, ou conversando com alguém que você gosta muito. 

Os meus cliques acontecem sempre em horas em que não posso fazer a dancinha da vitória assim do nada. Dentro da minha cabeça eu tou dando duplo twist carpado.


Quando criança tive a brilhante ideia de perturbar meus colegas após terminar de fazer meus deveres, não porque a pentelhice me segue desde o berço, mas porque eu sabia que poderia ajudar de alguma forma. E se era pra sentar na outra carteira e ficar tagarelando sobre o porquê de 2 + 2 = 4, ou porque a escolha de giz de cera ao invés de lápis colorido, então que fosse.

Essa mania feia de atazanar me rendeu um adiantamento de idade escolar, yey 2 anos na frente de todos! Me formaria mais cedo! Mas me f*** lindamente no social. Ser a pessoa mais nova desde a antiga 2a série até o terceirão me rendeu mais lições de silenciamento e contenção do que de compartilhamento.

A epifania da PUC na Letras foi de conectar o atazanamento da infância com algo que poderia efetivamente trazer algum benefício pra mim e pra quem estivesse disposto a entender que a minha maior paixão nesse mundo era de compartilhar coisas. Qualquer coisa, informação de preferência, saberes, experiências, histórias, o que fosse.

Não levei a epifania adiante porque o horror (oh o horror!) de ser contida num espaço confinado extremamente tóxico de uma sala de aula poderia me levar a ser aquilo que eu não queria ser: os professores cansados, maltratados e ferrados que preferiam arruinar com a vida estudantil de seus alunos com a ladainha perversa do pessimismo-fatalista.

A epifania da Biblio UFSC foi estar num show do mestre Tom Zé e ao ouvir aquele serumaninho saltitante de quase 80 declamando rimas e rimando declamações pelo palco me fez pensar no atazanamento do jardim de infância. "Eu tô te explicando pra te confundir, tô te confundindo pra te esclarecer, tô iluminado pra poder cegar e ficando cego pra poder guiar" era o que ele cantava e nessa hora sei que aquela criança insatisfeita resolveu dar banana pro medo da caixinha educacional sistemática. Essa po*** de caixa nem existe!! Gimme moar!!



Resolvi então me empenhar em tudo quanto era jeito a ser a criança que absorve conhecimento, compartilha esse trem e atazana quem estiver disposto a ser incomodado. Daqui pra frente é docência na cuca e fazer o melhor pra levantar mais questionamentos do que dar respostas. Isso o sistema dá sempre, isso pra que servem as desculpas esfarrapadas.

A Biblio tava me castrando nisso, a técnica, a burocracia, a compreensão fechada de sistema produtivo, a contenção de informações, o silenciamento de vozes estava acabando comigo. Está acabando comigo nesse exato momento.

E aí o Museu me deu outra epifania (eu já tava convencide que não ia mais acontecer, que a inércia já tava instalada), de estar no meio da exposição de uma figura emblemática aqui da Ilha, com mais de 30 pessoas de diversas idades, cores, credos, vidas, sentadas ao chão, ouvindo atentamente sobre Franklin Cascaes. Nesse exato instante entre a mão levantada para uma pergunta e a curiosidade infantil de querer saber como nossos ancestrais faziam xixi (Ah as perguntas da galerinha que fazem meu dia!) veio a constatação: todos os caminhos que trilhei foram pra parar ali, nesse local de conhecimento, pesquisa e cidadania que quase ninguém aproveita como deveria.

Não é pra eu estar atrás de um balcão de biblioteca, é pra estar onde for necessário estar para construir conhecimento com as pessoas, qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mediador de informações? Produtor científico? Educador? Organizador de Informação? Esses rótulos que pregam nas nossas costas e imprimem nos nossos diplomas não está sendo o suficiente, foi mal.

A Biblioteconomia é minha paixão, mas o atazanar pessoas para que elas questionem o mundo ao redor é mais forte. O que a Academia não está conscientizando seus futuros docentes/bibliotecários esses lugares inusitados de troca de informações estão. Demorou 25 anos pra criança pentelha e sem noção perceber isso, que não há lugar para se fazer o meu trabalho.

E foi no Museu que tive o último clique. E é isso. Pelo jeito é aqui que vou ficar por um bom tempo, seja na experiência de estágio, na acadêmica ao pesquisar sobre, ou quem sabe futuramente profissionalmente...?












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