Pesquisando

terça-feira, 15 de novembro de 2016

[os escorregadios] apegos e afetos

Título: Apegos e afetos (por BRMorgan)
Cenário: Original - Projeto Feéricos.
Classificação: PG-13.
Tamanho: 2.985 palavras.
Status: Completa.
Disclaimer: Esse conto faz parte de algum rascunho perdido meu do Projeto Feéricos que vocês podem ver os pedaços sendo costurados aqui nesse post [x]
Personagens: Raine (aqui chamada de Myrna Reyners), Kristevá Todd



O afeto não era de agora, o conforto de ter um corpo tão perto do seu era familiar, como se aquele momento ali já houvesse disso escrito em algum lugar. Acariciou de leve os cabelos revoltos da pessoa a sua frente, esparramada no sofá maior, ressonando a respiração calma e pausada de sempre. Se acostumara a ouvir esse ritmo desde muito tempo, quando a vira pela primeira vez, dormindo como pedra dentro do vagão de metrô do Arges. O rosto havia mudado muito, a aura tão caótica e confusa também, uma criança domesticada com remédios, tratamentos psiquiátricos, rasurada e esquecida em algum quarto daquele maldito lugar que sugava os sonhos de quem entrava.

Como deixara isso acontecer?

Ela, ou ele, não sabia como denominar mais com quem lidava ali a sua frente, não parecia ser daquela época, alguém deslocado do tempo-espaço, colocado em um corpo que às vezes mostrava que não encaixava na normalidade. Muito confuso para a lógica tradicional de Raine.

Em seus lindos anos em Hibernia, Raine achava que sua vida fútil e cheia de caprichos na Corte a deixariam anestesiada quanto as frivolidades emotivas das donzelas medievais. Acostumada a fugir de qualquer aspecto romântico de sua vida - coisa essa inventada por malvados deuses desordeiros para atrapalhar a vida dos seres vivos - se refugiava solitária nas florestas densas de sua terra Natal ou em incursões nas cavernas de gelo abaixo da grande costa congelada no litoral das terras afastadas do Clã do Profundo Inverno. Estar sozinha era a opção mais acertada em sua vida milenar, e também a mais divertida. Trocar essa sensação de liberdade - o espírito livre de uma folha que se solta da árvore mais frondosa e segue um rumo sem destino - era uma heresia em sua conduta pessoal de viver no mundo dos humanos. Não trocaria isso por nada e nem ninguém.

Até ver que não era necessário trocar sua ética a favor de algo ou alguém. Era apenas se deixar sentir.

Os companheiros de caçada entendiam seu lado aventureiro, sua veia estratégica, sua liderança nata, mas não compreendiam que debaixo das camadas que acobertara pra si residia aquela menininha feérica que adorava ouvir música dos menestréis e apreciar o nascer do sol. O de respirar fundo a atmosfera em uma lua cheia, corpo aquecido por uma fogueira tímida e um jarro de vinho. O dançar sozinha debaixo da torrencial que assolava as divisões entre os reinos sei e o deles.

Kittie sorriu rápido em seu sonho pesado, isso distraiu seu pensamento dos tempos de outrora. Às vezes isso acontecia quando Raine estava por perto, mesmo quando acordada. Prince havia advertido como Kittie a observava quando ninguém prestava atenção, como isso era corriqueiro, pois ninguém se importava com pessoa esquisita que acordava todos os dias em um banco dos fundos do hotel sem saber como chegara ali. Depois foi Angie, explicando que a vida era uma imensa balança de pesos diferentes. E que a paz no sono de Kittie era o pior dos pesadelos no mundo real. Óbvio que entender o que a menina eshu falava era perda de tempo: Angie nunca entregava informações sem haver uma negociação de valores (No caso dela: comida).

Seus dedos caminharam cautelosos pelos cabelos revoltosos, impregnados com grãos de areia da última aventura, rosto não mais transparecendo a dor interna. Kittie parecia ser mais feliz dormindo e sonhando. E isso deixava Raine particularmente infeliz.

Pois se era nos sonhos que Kittie encontrava paz, era exatamente lá que Raine não queria mais habitar. Estar no Sonhar era se sujeitar as regras esquisitas da Corte, das ordens dos elderes, de ter que fazer seu papel odioso de futura monarca mais importante de todo mundo feérico. De ser quem as pessoas queriam que ela fosse, não quem ela realmente era.

Mas Kittie era feliz dormindo. Único lugar de paz e segurança. Com o que ela sonhava, Raine já sabia de cor, mas viver uma ilusão permanente é mais doloroso que acordar para uma vida de sofrimento.

- Eu gostaria de te livrar dessa dor...


Créditos: Art Renewal Center

Encostou-se aos tropeços na mureta da ponte, deixou seu corpo escorregar devagar na pedra sólida e um pouco porosa até ter metade de seu tronco apoiado na parede e o resto esparramado ao chão, sentindo toda letargia possível de um dia cheio nas docas.

Ser criança naquele tempo era um pesadelo.

Se tivesse sorte, ao amanhecer ganharia um pouco de pão dormido e algo para beber além de água suja do rio. Com as calças ainda úmidas de ficar debaixo das docas, limpando cascos e tirando alguma recompensa ou outra em objetos perdidos na beira da praia, afrouxou os suspensórios remendados e tombou a cabeça em um dos ombros doloridos. Queria mesmo poder brincar com as crianças da praça quando terminasse sua jornada (Mas tinha que conseguir barganhar pelo pão dormido, oh droga!).

Gostava de cantorias e ciranda. Não gostava de pique-pega, porque suas pernas não eram boas pra correr. As meninas gostavam de lhe obrigar a brincar de casinha, diziam que era pelo seu jeito mais delicado, seria o filho mais velho, o noivo tímido, aceitava. Gostava de estar entre as meninas, elas eram menos ruidosas e brutas como os garotos podem ser em suas brincadeiras hostis, mas mesmo assim... Não encontrava um lugar para se reconhecer.

Respirou fundo e tossiu o ar frio da noite em alguma ponte de vigília das docas. Logo adormeceria e iria para seu lugar favorito: a ilha verdejante.

Sonhava com isso desde criança, ainda sem saber falar, nitidamente em sua memória, uma ilha de vasto gramado verde vivo, o leve sussurrar das ondas batendo na praia cheia de conchinhas circulares, o cheiro da maresia e da grama, a promessa de tranquilidade em seus pensamentos e do trabalho forçado na cidade. às vezes encontrava com uma visitante esporádica da ilha: a moça bonita que cheirava uma fruta muito boa, mas que nunca provara na vida real. Ela brincava por muitas horas, em cantigas antigas, jogos de adivinhas e ensinamentos sobre a natureza singular da ilha. Às vezes ela aparecia silenciosa, apenas a observar, distante, sem participar de sua tranquilidade. E quando os pesadelos não vinham, ter essa companhia era o mínimo de felicidade que conseguia ter enquanto dormia.

O sonho se configurava aos poucos em frente aos seus olhos cansados, um esmaecer de cores mortas para logo dar o realce de um verde contrastando com o azul límpido do céu. Sua cabeça pousada ao chão, ouvidos aguçados a ouvir a movimentação da grama ao sabor da brisa, pequenos espasmos em seu corpo que anunciavam: estava novamente em seu lugar de felicidade. Abria os olhos devagar, experimentando cada sensação aos poucos, mesmo sabendo o quanto ainda se surpreenderia pelo visual a sua frente, sorriu para si e levantou-se lentamente com cuidado. Seu corpo ainda doía com o trabalho nas docas, o puxar de cordas, a amarração de âncoras, o esfregar de cascos, os calos na mão. Espreguiçou-se e bocejou, planejando o que faria primeiro na expedição tão bem conhecida em seus sonhos.

Hoje iria pegar água no riacho e colher frutas bem doces da árvore maior da clareira. Ficaria por lá para aproveitar a sombra de inúmeras árvores que nem sabia o nome, e terminar de fazer uma rede de pesca que já colocara muitas horas de esforço. Aprendera os primeiros nós com os pescadores mais velhos, depois ganhou um kit de instrumentos de uma rendeira curandeira, ela havia tirado o peso e o muco de seus pulmões no inverno do ano passado, até rezara pela sua alma, mas já sabia que estava perdida: para o Paraíso só iam as crianças limpinhas, educadas e sem maldade alguma.

Caminhou arrastando os pés descalços, em passos lentos, apreciando o frescor da grama debaixo da sola dos pés. Tirou a camisa enorme de dentro das calças apertadas com um cinto de corda e andou livremente, suspirando de tempos em tempos por estar finalmente em seu cantinho de paz.

Riacho, água, fruta doce, sombra, descanso, rede de pesca. Essa era a tarefa do dia.

Depois de alguns minutos de caminhada em direção alguma, encontrou o riacho, aparecido do nada após um certo trecho, abrindo-se com a clareira de grandes árvores de diversas formas. A maior destoava das outras, uma frutífera, enorme, frondosa, de tronco largo e muitos galhos retorcidos para se aconchegar e se encolher e dormir sem preocupações. Debaixo dela a rede pela metade esperava a próxima feitura. O riacho aceitou seus pés imundos de terra e lavou seu cansaço. As dores esquecidas em um simples gole de mãos trêmulas. O roçar do vento não incomodava a temperatura, na verdade dava um toque especial. Cada sensação ali trazia conforto e segurança para alguém que jamais tinha sossego na vida real.

Como desejara jamais acordar!

Mas a moça bonita de cheiro muito bom, voz suave e pés cobertos de areia fininha insistia em dizer que acordar era necessário. Muitos de nossos sonhos eram conquistados com os olhos abertos, ela havia dito uma vez, mas discordou imediatamente: a vida no mundo real era cruel, insana e fria. deixara de ser criança há muito tempo e sentia isso nas costas, nos olhares, nas mudanças de seu corpo que não sentia que era seu, nos comentários, nas outras crianças.

Abaixou-se novamente para pegar outro gole de água e sentiu um arrepio subir pela espinha, algo como se jogassem metal frio por sua garganta à força! Virou-se bruscamente e encontrou uma ponta de flecha apontada diretamente em seu nariz pequeno. O pavor tomou suas pernas, seu estômago virou internamente. Seu lugar seguro e confortável não era mais confiável.

 - Diga sua casa e qual senhor és servo. - disse a voz firmemente, o sol a pino atrapalhava identificar o agressor, uma imensa sombra era o que aparecia no rosto desconhecido, a voz grave e forte. - Serei paciente e não abrir seu olho com uma flecha minha. Responda minha pergunta! - a flecha foi espetada na ponta de seu nariz, causando desconforto e uma sensação de perigo muito alarmante. Não sabia como responder essa questão. Gaguejou por alguns segundos e soltou o que sabia de si:
 - S-sou Cristóvão e... e... trabalho nas docas! Juro que não roubei nada! - a flecha abaixou bruscamente e um bufo impaciente deixou o ar mais pesado.
 - Você aqui de novo, guri?! Não tem coisa melhor a fazer não? - reclamou a pessoa coberta pelo brilho intenso de um sol de verão. - Aqui é um território neutro e de caça! Você sequer deveria estar aqui! O que raios veio fazer aqui? Cadê o seu senhor?! - as perguntas estavam ficando muito muito difíceis de acompanhar, a língua estrangeira que a pessoa falava (E que em sonho se autotraduzia) era rápida.
 - Deixa eu ir, por favor...? Prometo não vir mais aqui. - pediu cautelosamente, se aproximando da grande árvore e pegando sua rede inacabada.
 - Você é um daqueles doidos varridos né? Seu lugar não é aqui! - ralhou a pessoa mais alta, pegando em seu braço. Todas as dores do mundo vieram ao seu encontro, esquivou-se como dava e guinchou de dor para se afastar da pessoa. Não gostava quando tocavam seu corpo, não se sentia bem com ele mesmo, então pessoas tocando não lhe davam legitimidade, mas sim desespero.
 - E-eu apenas cheguei! Eu gosto daqui! - tentou se explicar, mas as palavras certas não saíam, novamente a pessoa se aproximou para segurar seu braço, estapeou a mão intrusa e correu para atrás da árvore maior, levando consigo a rede inacabada.
 - Volte aqui, sua pestinha!! - ouviu a pessoa gritar. Suas pernas funcionavam bem quando estava sonhando, às vezes, quando tinha mais espaço experimentava voar com um leve impulso dos calcanhares e em direção ao céu. Na correria entre pulos e voos rasantes, rede bem presa nos braços, alcançou o seu segundo lugar favorito: a gruta entre o caminho para a praia e o penhasco. Gostava dali nos dias de inverno, pois era quentinho e sempre surgia surpresas agradáveis como comida quente, brinquedos de madeira, uma vez uma vitrola com uma música bonita. Desta vez seguiria para lá e a pessoa de lá não a incomodaria.

Não queria perder mais o seu lugar seguro por culpa de pesadelos.

Ao chegar a trilha perto da gruta, foi puxada com força para dentro e teve sua boca tapada gentilmente. O hálito quente de alguém chegou aos seus ouvidos, olhos arregalados pelo susto.
 - Está tudo bem. Sou eu, Kittie... - soltou a respiração que guardava por um bom tempo e virou-se rapidamente para abraçar a outra pessoa. Essa não falava para ninguém, nem para a moça bonita de cheiro bom nas brincadeiras no gramado verdejante. Abraçou-a na cintura (Era onde seu tamanho chegava) e enterrou seus cabelos longos e desgrenhados no colo dela. O choro logo veio, como se não pudesse conter mais o sofrimento de ter sua expulsão do lugar que mais gostava. - Hey, está tudo bem agora, sou eu, sim? Você está comigo, não há o que temer, okay? - a pessoa se abaixou para amparar a criança em um abraço apertado. - Pelos deuses, você está tremendo... - riu-se a pessoa. O seu choro não cessou, não queria que ninguém visse sua vulnerabilidade, seu temor, sua mágoa por ser novamente excluída de um lugar que amava tanto. O abraço da pessoa ali não a confortava muito, mas ajudava a não se sentir completamente sem amparo. Teve o rosto de lágrimas grossas limpo com mãos delicadas e de dedos finos. - Olhe para mim, sim? - a pessoa disse firmemente e assim fez, seus olhos encontrando pela primeira vez quem a defendia sempre quando algo ruim acontecia em seus sonhos. Nunca via o rosto, apenas reconhecia a voz grave e baixa, quase um sussurro.
 - N-não quero mais ir lá! E-eu não sei quem sou! - respondeu rapidamente sem saber as palavras que saíam de sua boca, a lingua era agora parecida com a do agressor desconhecido.
 - Você sabe quem é, Kittie! Não diga isso! Não deixe ninguém estragar sua diversão, não é justo! - sentiu as bochechas corarem de muita vergonha por ver que a pessoa era totalmente diferente de outros visitantes que já encontrara.

A pessoa não tinha olhos comuns como os outros. Eram liláses pálidos, não havia aquele pontinho preto no meio. Os cabelos bem presos em um coque atrás da nuca em um grisalho e o rosto jovial de uma mulher de aproximadamente 30 anos. Usava corselete de couro com muitos detalhes, as braçadeiras chamando atenção rapidamente de sua mente infantil. Tocou as mãos da pessoa e a encarando ficou por um tempo até acreditar que ela estava ali. Com um aceno de cabeça positivo e um beijo na testa, percebeu que o sonho estava voltando ao normal.

 - Ninguém vai te machucar. Isso eu prometo, Kittie.
 - Q-quem é a-a-quela pessoa-a? - perguntou gaguejando, a timidez se encontrando com o medo. A mão da pessoa puxou a sua para dentro da gruta e se ajeitar perto de uma pequena fogueira mágica. Os brinquedos de madeira, a vitrola e a refeição quente estava ali.
 - É apenas um intruso, já foi expulso. Ninguém entra em meu território sem permissão. - e oferecendo uma caneca de cerâmica com liquido cristalino, agradeceu com um som trancado na garganta. Bebeu devagar, sem saber o que era, a música da vitrola agora acalmava o ambiente e o calor da fogueira mágica (chamas bruxuleavam em uma dança entre cores diferentes, entre azul, verde e vermelho para amarelo), estalou a língua ao perceber que era água, água mesmo. A mais pura e cristalina água, melhor que a do riacho que tinha gosto de terra ou orvalho. - Foi um susto e tanto. Não gostaria de ver você assim quando vem aqui. Não é muito gentil de minha parte deixar uma das crianças de Danuu assustada.
 - Q-quem é Danuu? - perguntou sem saber o porquê de ter a impressão de já saber a resposta.
 - Oras, esqueceu tudo que te contei ontem...? - riu-se a pessoa estranhamente familiar. Mexeu-se no lugar e baixou o olhar, não conseguia ficar muito tempo encarando aqueles olhos liláses.
 - E-eu não lembro... desculpa... - se encolhei em seu lugar e mexeu com um dos brinquedos de madeira, era um cachorro com orelhas bem pontudas e com um colar no lugar de uma coleira.
 - Oh tudo bem, temos bastante tempo ainda, não? Venha... chegue mais perto para eu te contra outra história dos antigos! - com o cenho franzido e mais envergonhada pela familiaridade daquilo tudo, foi até perto da moça diferente, ela a puxou bruscamente e fez cócegas em sua barriga, imediatamente caiu na risada, tão alta e libertadora que achou que o eco da gruta ia soar por mais tempo.

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Acordou repentinamente com sua própria risada.

Pigarreou ao ver na gafe e olhou ao redor, não estava mais no sofá do Hall dos Caçadores de Quimera, estava na cama enorme de Myrna, a dona do Hotel esquisito. tentou se levantar o mais rápido possível e sair de fininho antes que alguém percebesse que estava ali, no quarto da chefe dos esquisitos e não saber como explicar como chegara ali. Ao tocar a maçaneta de porcelana da grossa porta de madeira sólida o som da vitrola veio aos seus ouvidos, a mesma música de seu sonho há pouco. Aos seus pés, perto de um malão de couro havia um conjunto de brinquedos de madeira gastos pelo tempo.

Abriu a porta sem pestanejar, pés descalços, cheiro de grama verde e brisa do mar ainda nas narinas, desceu as escadas e trombou na menina que se vestia como um acidente de carro.
 - Eita nóis, a pressa é inimiga da diversão, sabia? - não deu atenção, queria se livrar desse sonho repetitivo novamente.

Apenas não sabia que não estava mais sonhando.












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