Pesquisando

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

[conto com angie] - alantakun (trecho)

Título: Alantakun (poBRMorgan)
Cenário: Original - Projeto Feéricos.
Classificação: PG-13 (Algumas palavras ofensivas).
Tamanho: 1840 palavras.
Status: Incompleta.
Disclaimer: Esse conto faz parte de algum rascunho perdido meu do Projeto Feéricos que vocês podem ver os pedaços sendo costurados aqui nesse post [x]
Personagens: Angela, Quentin, OC: prodígio.


A minha cabeça dói.
Não chegou a explodir, porque isso é lá do outro lado. Tá difícil compreender os esquemas desse Principado.
(Ops, rimou.)

Oh ótimo, estou fazendo versinhos enquanto soterrada numa montoeira de rolos de fita cassete. Pra que mexer com prodígios afinal?! Deixa os cabras quietos e finge que nunca viu. Bem fácil assim, ninguém se machuca, ninguém se atrasa. E eu tou mais que atrasada.

Atrasada duas horas se deixar, mas hey! Rolos de fita cassete, é quase irônico ver em como estou até o pescoço enrolada nessas coisas. Esse mago deve ter um senso de humor ótimo pra planejar essa antes de bater as botas. Queria ter conversado mais com ele, mas já que Quentin levou a porrada maior, tou tranquila. Aquele ogro precisa aprender que há sempre espaço para a linda diplomacia em casos assim. Não necessitava chutar o traseiro do velho enquanto fazia as perguntas.

Quentin é um bundão. E eu sou covarde. Que dupla dinâmica.
(Quede nossos uniformes? Exijo um collant lotado de paetê e purpurina! Sambar na cara da sociedade feérica!)

Uma coisa que aprendi com aquele maluco foi que ter paciência é tudo na vida, tou praticando isso agora, literalmente soterrada por material nostálgico dos anos 80 manjando dos entrelaçamentos. Paciência é uma virtude, monamu, paciência te leva a lugares inesperados.
(Meu traseirinho machucado que leva sim.)

O maluco não disse pro Q que ele deveria se manter calmo o tempo todo, a consequência é essa agora, nesse exato instante, em que no canto do olho vejo o aprendiz original de Stardancer sendo chutado, bem certeiro no rosto.

Yep, botas com bico de metal frio.
Yep, ele deve estar vendo estrelinhas agora. Ou patinhos de borracha.
Depende do nível de delírio que aquilo deve causar.
E yep, eu devo ser a próxima a sentir aquele treco gelado sendo pressionado na minha cútis de neném. (Não quero estragar a maquiagem, estava tão linda quando saí!)

O som da bota fazendo outro baque, dessa vez nas costelas do Q.
Velhote burro, todo mundo sabe que um ogro aguenta ser sovado até virar mingau.

O que muitos não sabem que o ogro do Q é uma versão melhorada e mais cheirosinha que aquele dos desenhos animados (Sim, aquele do pântano em lugar nenhum e que casa com uma princesa que vira ogra também e são felizes para sempre com um quadrúpede tagarela? É bem legal essa história, morro de rir com as piadas internas, sinceramente acho que vou ver o filme de novo quando sair daqui. Quando eu sair daqui. Se é que dá pra sair.).

Diferente dos contos-de-fada que o mainstream adora colocar na rodinha, Q continua sendo canibal (Nunca deixou de ser!). E com uma leve obsessão por cabeças. Tipo, para penduricalhos. Ou para encolher. Acho engraçadinho cabeças encolhidas e colocadas em garrafas, elas ficam com essa expressão risonha e imagino se falam fino e talz... 


Onde eu estava? Oh sim. Aqui, presa em rolos gigantes e quilométricos de fita cassete. Ironia: nem peguei a época, mas amava ouvir The Smiths nesses trécos. A velha do Posto 2 deixou umas pra mim, altas músicas bacanas. Dava pra chorar umas pitangas e umas mágoas, e pra dançar ia pro Largo e aproveitava a noitada até o dia nascer. Depeche Mode, urrum, urrum, com certeza. E os germânicos malucos de Berlim, adoro. Opa, minha mão enroscou em alguma coisa que não deveria.

Tento me desencalhar enquanto o mago velhaco começa o monólogo de vencedor... Blablablá "ganhei essa batalha, yeck yeck yeck irei usar suas peles para cobrir minha cadeira" - será que não tem alguém na escolinha deles para explicar que discursos de vencedores está fora de moda ou coisa assim? Toda vez que a gente topa com um prodígio dá nisso. Os cabra são um bando de narcisista do baraleo que ficam tirando vantagem quando estão com a faca e o queijo na mão. Mó puta falta de sacanagem! E eu aqui presa, pensando comigo mesmo o porquê de estar aqui.

Podia tá robando, matanu ou cheirando gatinhos na esquina, mas não, tinha que fazer missão de "resgate anônimo para momentos de urgência" - até que gosto do eufemismo do Pomposo, ele sabe como disfarçar bem as palavras desse jeito. O que parece roubo para você, é simplesmente um empréstimo da nossa parte. A gente acaba devolvendo, nem preocupa.

Eita fita enroscada no pescoço, tá difícil de respirar agora, parece que esse rolo escuro não tem fim, se emaranhando aos poucos em mim, ao meu redor e tampando minha visão da briga maior ali dentro. Q tá levando tanto sopapo que quase sinto pena dele. Quase. Q é um babaca.

E eu gosto de babacas.

O que me faz lembrar que gostar de babacas te dá imunidade às besteiras que eles falam/fazem para conseguirem as suas coisas. Hey! Não sou idiota! O mundo é cruel pra caramba lá fora! Fazer amizade com os valentões do bairro é bem melhor que ser o saco de pancadas deles!
(Vai ver que é por isso que me encontro nessa situação. Se não tivesse vindo com o Quentin...)

 - Tudo bem aí Angie?! - o besta grita da do outro lado, chamando atenção do velho mago. Oh ótimo...
 - Seu tapado, ele não sabia que eu tava aqui!!
 - Na verdade, eu sabia... - a voz rasgada da criatura abençoada por Danu não me surpreende. Tem que deixar ele falando um pouco mais pra magia fazer efeito.

Helloooo? Amizades com os valentões do parquinho?! Vocês parecem que colocam um tampão de cinismo e hipocrisia nos 5 sentidos que dá uma raiva, viu?

 - O que 2 duendes intrometidos querem com o meu carregamento.
 - Opa, peraê caceta, duende é a tua avózinha de vestido amarelinho tão pequenininho que chamaríamos ela de Ana Maria...! - eu exclamo quase engasgando com a rolagem de fita entrando na boca. Isso tá ficando chato.
 - Mas hein? - diz Quentin. O idiota não entende as minhas referências.
 - Irei dar cabo de você em um instante, menina atrevida. Mas deixe-me pisar no seu namoradinho antes até arrancar alguns ingredientes para as minhas poções...
 - Namoradinho?! - Quentin consegue levar a piadinha como ofensa. Nisso que dá juntar com um ogro para fazer as missões. Eu tava bem sozinha! Tava ótima! Nem precisava seguir as ordens de ninguém!
(A fofuxa da Raine sempre me pediu delicadamente.)

 - Seu destino está selado, mostrengo maldito!
 - Quentin, apenas esmaga a cabeça dele, por favor...? - eu resmungo me desvencilhando como posso do mar de rolos de cor marrom reluzente. Há outras ocres emaranhadas nessa teia, e hey... Oh crabs... Eu disse teia...?

Sons de luta se prolongam, a minha bexiga começa a revirar. Não é vontade de ir ao banheiro, é o medo. Tá se deslocando do meu baço, percorrendo minhas veias e se alojando bem ali onde dizem que é nosso cérebro primitivo. Eu digo que é a casinha da Dona Joana, minha lombriga de estimação. Ela é uma ótima companheira de comilança.

 - Fique quieto, seu humanozinho porco!! - grita meu companheiro de viagem. Para um ogro, ele tá aprendendo bem a insultar as pessoas antes de esmigalha-las. Sinceramente eu sentiria orgulho do mentecapto, mas a vida não tá bonita aqui, minha visão turvou e acho que essa falta de ar é a causa de um dos eventos mais estranhinhos da vida de um feérico quando está mais do que apavorado.
 - Vou fazer um belo troféu com as suas presas, seu imundo!! - tento me debater, mas o apavoramento vai subindo. Da barriga para a traquéia, passando por cima do coração e pulsando na minha garganta. Será que eu senti mesmo essa sensação louca roçando as minhas costas...?

A fala do mago se torna inteligível, deve estar carregando a pilha pra jogar magia, isso não é nada bom. Não mesmo. Não quando faz na frente de um cara como o Quentin. Ele tem pré-disposição a trazer muita coisa ruim quando alguém usa mágica no recinto.

Yep, é canalização de magia.
Yep, o velho tá ferrado.
Yep, eu acho que vou desmaiar.

Não sem antes alguém muito especial dar um olá para os espectadores! Maaaaaaaaaaahoooooiêêêêê você aí! Vai escolher qual Porta dos Desesperados?!

 - Mas que diabos...?
 - Porra Angie, que merda é essa?! - não é minha culpa. É culpa do homem de uma perna só.
 - Me largue!! Me largue sua criatura!! Gaaaaaaaaaaaaah!! - silêncio total do outro lado do mundo. Aqui até que parece confortável, se não estivesse perdendo a consciência lentamente. Juro que senti uma coisa serrilhada passando pelo meu braço. Deve ser maluquice minha, só pode... Sons meio abafados, algo caindo ao chão, o grito de guerra de Quentin (Sério, ele tem que ser menos dramático e mais compreensível quando luta. Ninguém ensinou nada sobre honra e manter a compostura não?! Oh não, ele não aprendeu isso com o maluco do Gaimer. Oh ótimo. Pelo jeito vou ter que ensinar à ele.).

Volto a respirar, devagar, com um arfar tão longo que minhas narinas se contraem e minha garganta solta um suspiro rouco de apreciação. A mão nodosa de Quentin me alcança, quase me puxa pelo corpo inteiro (Vantagens de ser ogro - você consegue pegar menininhas de 1,60 sem precisar de muito), livre do claustro de fitas K7. Depois dessa darei preferência a arquivos digitais sem fio.

 - Tá tudo bem com você?! - a voz de Quentin se esganiça quando ele volta ao "normal" em aparência humana. O velhaco tá de cara pro chão, costas furadas por sei lá o quê e teias... Urrum, finas e sedosas teias de aranha. Posso pedir arrego agora?! - Mas que raios foi aquilo? - eu tento explicar (Como se pudesse!) da maneira mais didática possível.
 - Alantakun...
 - Cê tá de brincadeira! - os olhos deles se esbulhagam rapidamente. Nem era pra eu dizer o nome, mas fazer o quê? - E-el-ela estava ali?! - ele aponta para os rolos de fita cassete que vão se encolhendo aos poucos.
 - O velhote era hermético dos paranauê. - Quentin olha em volta alarmado. Para quem tava levando uma surra de um velho caquético, ele tá bem apavorado.
 - O que a Devoradora faz aqui? - uma voz diferente nos assusta. A Cavalaria chegou só agora? - Quentin se mostra extremamente cauteloso, me coloca atrás dele, sem deixar de tocar meus braços para ter certeza se estou ainda ali. Uma experiência linda com rolos de fita entrando pelos seus orifícios não parece ser uma boa para o curriculo de maluquices que já fui capaz de fazer. - Expliquem-se!
 - Milorde, nós...
 - Nóix quem, cara pálida?! Eu não dou a mínima pra esse fubango de colarinho branco... - já percebo que a hierarquia chegou bem a tempo para nada. 
 - Você tem uma aranha gigante de estimação dentro do bolso...?! - Quentin se alarma e algo nojento acontece atrás da gente. O velhote tem o abdômen aberto por milhares de mini aranhinhas ansiosas para descobrirem o novo mundo. Que legal...
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