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domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] falácia do perder o semestre

Bora lá que a gente AMA números, certo? Números é que são legais para enfeitar as coisas, estatísticas e dados e índices e a vida acadêmica segue sem o devido pensamento crítico sobre isso...

43 anos de Biblioteconomia na UFSC são:

Semestres = 86
Meses = 516
Semanas = 2.244
Dias = 15.706
Horas = 376.938

A gente gasta 8 semestres para se formar no curso (Uns a mais, mas hey!). 8 semestres em 86 semestres de história da Biblioteconomia na Universidade.

E estamos preocupados com o final do semestre. Com ESSE final de semestre em específico. Se não vai ter aula ou vai, se vai ter greve ou vai. ESSE semestre. De 86 semestres já de curso! 8 semestres de graduação! É justamente ESSE semestre que é mais importante - e obviamente não podemos perder ESSE semestre. Os outros não.

Não é sobre perder semestre, entrar em greve ou não, ocupar ou não, ser aprovado ou não: É o se posicionar ou não.

É por perceber em 8 semestres que passamos aqui, contribuindo para a produção científica da Universidade, formando bibliotecários, professores e pesquisadores que temos uma cultura muito familiar do profundo silêncio constrangedor.

Não é pelo semestre, ESSE em específico. É por 86 semestres que a classe e o corpo estudantil não se posicionou ou teve voz suficiente para ter maturidade (ou vontade?) política para discutir coisas como: Cidadania, Direitos básicos, Sociedade, Educação, Direitos da Classe, Respeito, Ética e Solidariedade.

(Contem os semestres em que foram abordados esses assuntos durante os 8 semestres - contei! 2 semestres, 2 aulas em específico mais meia aula interrompida, pois docente quis falar sobre as manifestações de setembro)

86 semestres, pra mim, é muito tempo para acordar de uma neutralidade. Não é 1 semestre, é pela aparente passividade de 86 semestres.

Se pronunciem.
Se posicionem.
Se organizem.
Se mobilizem.
Discordem.
Concordem.
Tenham argumentos em seus posicionamentos.
Questionem.
Sejam protagonistas de suas vidas acadêmicas nesses 8 semestres.

(Não deixem a história do curso afetar seus sonhos, suas expectativas, suas chances de fazer um mundo melhor, mas não ignorem o fato de que por anos ninguém aqui dentro se manifesta sobre coisa alguma. Por medo, por juízo, por interesses, por motivos escusos, não sei, mas 43 anos é muito tempo pra continuar em silêncio)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[bibliotequices] sobre a apatia biblioteconômica

Esse é uma postagem que fiz para o Grupo do Facebook: "Liga de Bibliotecários Bolivarianos", sobre a posição dos profissionais da Informação sobre o que está acontecendo ao nosso redor.

O comecinho irei riscar, pois é uma apresentação de quem sou. O conteúdo principal está logo após.

Boa noite pessoal,


Sou Bruna Morgado, estudante de Biblioteconomia na UFSC, atualmente no Centro Acadêmico tentando levantar uma questão que aparentemente o pessoal da Biblioteconomia gosta de se esquivar por falta de argumentos (Ou como estou vendo, o simancol ainda não fez efeito): a apatia na nossa profissão.



O estado apático é tão impregnado nas esferas de nossa área profissional que se confunde com um pré-requisito para se ingressar no curso. Estudantes que só frequentam as aulas para passar em concurso, para ganhar uma vaga em universidade pública, para não estudar coisas difíceis como cálculo, filosofia (dói pensar, né?), linguagem, e por aí vai.

Esse consenso tão absurdo - e que vem sendo repetido pelos corredores e dentro das salas de aula em que frequento há 3 anos e em sondagem dos egressos, é uma forma padrão do estudante de Biblio - parece ter fincado uma bandeira da neutralidade em nosso curriculo, na fala de nossos professores, nas posturas éticas de nossas lideranças, na referência que temos de profissionais no mercado de trabalho.

Digo isso, pois com todo o movimento de paralisação, aviso de greve geral, ocupação de universidades e espaços públicos em forma de protesto contra as medidas do governo temerário (Temer com Templário, parece que eles estão atrás de algum Santo Graal para provar ao populacho que são a salvação do mundo), nossos alunos continuam apáticos.

Desinformados.
Frouxos.
Desinteressados.
Neutros.
(E eu tenho desconfiança dessa última palavra: neutralidade do quê?)

Eu vejo um curso em que o pensamento crítico e a prática da argumentação são trocadas por processos, fluxos, diagramas de caso, metodologias falhas em atender a demanda social escancarada e desesperadora aí fora, onde vocês habitam. Sim, porque para o estudante de Biblioteconomia da UFSC, a vida no mercado de trabalho se resume a uma estabilidade financeira em carreira de servidor público ou ganhando um montante ilusório de dinheiro trabalhando em uma multinacional ou empresa de tecnologia. Essa é a propaganda deixada por nossos queridos docentes, tão preocupados com o futuro da profissão.

E aí sondando os próprios, temos essa postura arbitrária de se afastar de debates em que o exercício político é crucial para uma mudança efetiva acontecer. Enquanto nossos colegas de Centro (Pedagogia, Educação do Campo) e vizinhos (Psicologia, Serviço Social, Letras, História, Geografia e muitos outros) estão parando, dialogando, trazendo a discussão sobre a atual situação política, ofertando espaços de conscientização coletiva, a Biblioteconomia se enterra em uma ilha de apatia.

Estou repetindo essa palavra, pois é a mais aproximada que descreve os nossos docentes, estudantes e profissionais nesses tempos tão medonhos de escolhas, decisões, proposições e soluções. A Biblioteconomia - em especial, provada por A + B sem precisar de cálculos estrondosos dos engenheiros que coabitam nosso departamento - está parada, estática, sem argumentação formada ou manifestando qualquer tipo de opinião.

Está demorando demais, está protelando demais. Se alguma iniciativa está ocorrendo aí afora - Carta de Manaus, manifesto da FEBAB, cartas de repúdio de associações - isso não está atingindo a base de vocês: nós estudantes.

Após acompanhar um dia intenso de mobilização do curso de Pedagogia aqui na UFSC, percebi de fato o quanto somos parados no tempo, consolidando o estereótipo de bibliotecário atrás do balcão, carimbando livros, alheio a situação ao redor, com seu repertório cafofônico de "xiiiiiiu" e "silêncio!" que tanto tentamos extinguir em nossas ações e falas no cotidiano.

Trabalhamos com a Informação como ferramenta de cidadania e bem estar para a sociedade, mas usamos o silêncio como arma apontada indiretamente para quem deveríamos formar para serem profissionais da Informação com um pouco de discernimento sobre a gravidade do que está acontecendo.

O Centro Acadêmico está correndo atrás do prejuízo do silêncio, do comodismo, da apatia dentro e fora do curso. Resistências, há muitas, mas pergunto a vocês colegas de grupo e creio que pessoas pensantes e preocupadas com nossa formação e atuação: essa apatia é historicamente construída pela profissão (Perpetuando um ciclo vicioso maldoso) ou estamos com uma má sorte danada de ter um curso extremamente reacionário, com pessoas de perfis altamente individualistas e interessadas em observar por longas horas o próprio umbigo?

Deixo a pergunta e a reflexão.
Peço também, por gentileza, que se alguém tiver alguma indicação de leitura sobre as PECs, princípios norteadores e éticos da profissão, artigos de colegas que tenham esse cunho de "Chega de comodismo!", por favor meeeeesmo, me avisem: precisamos mesmo de mostrar por A + B que não iremos calar e consentir.

Iremos planejar e agir. Sempre em coletividade, sempre com o intuito de fazer uma sociedade melhor e mais justa para todos.
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