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quarta-feira, 29 de março de 2017

espírito cibernético do Natal passado

Tem um episódio de Aquateen com esse título, decidi catar pra ilustrar o post. Sou horrível com títulos desde 1986.

Duas desculpas esfarrapadas para esse post!
1) deixar esse link pros episódios de Aquateen Hunger Force;
2) relatar algo bem interessante que ocorreu dias atrás.

Sacam aquele conto do Charles Dickens sobre o velho sovina que recebe a visita de fantasmas que falam alguma lição de moral pra ele ser bom, gentil, generoso e socialmente aceitável?

Bem, esses dias eu me vi com 61 anos, empolgada com livros de anatomia, deixando estagiarie aqui boquiaberte com a quantidade de termos técnicos e a avidez de querer entender o sistema esquelético. Havia a parte de discutir ética sobre algumas partes da ciência (embriões e sua anatomia nos livros mais acessíveis), mas eu me vi nessa senhora de nome bacana, manézinha que só ela e dando um show de quanto estava interessada em aprender mais sobre o nosso corpo.

Ao vasculharmos um livro com fotos de células que fazem parte dos sistemas, comparamos juntas em como pareciam com sorvete, salsicha, repolho e variados. Tivemos essa viagem intelectual juntas, eu me vi daqui há 30 anos como ela.

O tempo passou absurdamente rápido, o atendimento que faço no máximo 5 minutos, foi se meia hora, nem vi. E achei incrivelmente legal de saber que ela estava empenhada em fazer o trabalho mais interessante. E iria falar lá na frente também na apresentação.

Eu observo bastante as pessoas que entram e saem, vejo algumas nuances e rotinas, adoro quando encontro esses cúmplices de rotina, flanando sobre o balcão, rolando no tapete do setor infanto-juvenil. Sendo eles mesmos nessa inversão de valores biblioteconomísticos.

Eu me vi em relance daqui há 30 anos e tou feliz, acho que todo mundo deveria ter esse momento na vida pra começar a questionar algumas prioridades da vida.
Espero que tenham.

quarta-feira, 8 de março de 2017

[bibliotequices] o que, pra quem e porquê?

[Disclaimer: não uso o nome da Federal em que curso, porque já sofri uns backlashs lindos do próprio curso ao ter perfil de Facebook exposto em sala de aula por pessoinhas super bem intencionadas. Uso alusões a saga Star Wars para direcionar minha linda jornada na universidade mais tradicional de todo país. Também uso de sarcasmo e ironia pra poder escrever sem que ninguém em particular se sinta ofendido]

Uma piada recorrente entre os anos de 2004 a 2008 na PUC Betinópolis era sobre como nosso dinheiro da mensalidade ia para o Vaticano para construção da nova Estrela da Morte¹.

Because, razões tinham de sobra...

Uma coisa também que era zoeira na época - por conta de não perceber exatamente o que estudar com os Sith poderia criar - era como nossos professores eram extremamente avaliativos e rigorosos com nossa formação humana. Não era pegar a powha da Gramática e fazer pomposidade no idioma nem falado pela maioria da população, era usar aquele trambolho como instrumento de cidadania e destrinchar cada preconceito linguístico, cada inadequação temporal, cada vício elitista de "falar certo e falar errado" e mandar pro espaço sideral.

Estudar com os Sith me tornou, pasmem, Jedi. O lado iluminado da Força até pode ser feito de escuridão também (hello, bora estudar um pouco de física e refração da luz e espectros de cores), mas o que ficou na PUC dentro de mim foi esse bichinho miserável da avaliação contínua do que raios tou fazendo, pra quem tou fazendo e porque tou fazendo.

As tias fessoras mais didáticas é que adoravam repetir a romaria, quando você escreve um texto é pensando nesses três fatores - o que, pra quem, porque - e isso não mudava né um pouco na prática docente. E ser professor, caso tenha escapado do memorando, é uma das coisas mais sérias desse universo.

Se perder a noção do que tá fazendo, pra quem e porque, o trem desanda. E com consequências tão tão ferradas e sem lógica que você só vai perceber a m**** que fez daqui há 9 anos ou 12 anos, dependendo do ciclo educacional que pegar. Pra aí encontrar um colega de turma na primeira fase que não sabe interpretar uma notícia de jornal, escrever o essencial para reivindicar um direito seu, imagina só se meter com bibliotecas e livros e gente e talz?

A responsabilidade é enorme, algo que não quis abraçar a princípio por conta do olhar mais crítico que a PUC me abriu. A virginianice também tem culpa no cartório, a criação restrita com uma mãe detalhista, mas o olhar humanizado sob algo concreto, real e com consequências em longo prazo? 
Os Sith me deram.



E é com esse mesmo olhar que entrei na Biblioteconomia e é por isso que me sinto na obrigação de fazer avaliação atrás de avaliação sobre o rumo do curso, sobre tudo que aprendi até então e principalmente, ver o que isso tudo tá causando nos colegas de sala e de futura profissão. Não quero dar o pedala Robinho de imediato, mas a vida fora dos murinhos invisíveis da Universidade é bem cruel e a nossa atuação é parte fundamental em fazer alguma diferença no percurso acadêmico de uma criança cheia de sonhos, esperanças e fôlego.

Debaixo do link, avaliações, resultados, surprise, surprise modafóca, isso vai ser isso o tema do meu TCC até eu jubilar...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

[bibliotequices] voltando a programação biblioteconomística

Tenho ideias para app pra Android de controle de acervo para Bibliotecas Comunitárias, tudo otimizado pra usuário de boinhas, sem firulas, integração com Facebook, conta Google, código API pra Organização da Informação vinda da LoC, Google Books (são os únicos abertos que conheço), Amazon. Adicionar livro num clique só (código de barras do ISBN), pesquisar/adicionar por autor ou título título. Empréstimo com recibo via WhatsApp pro leitor, aviso de data limite de devolução também, serviço de disseminação de informação no mesmo esquema, super facim, sem complicação, tudo free e só pedindo uns likes no Facebook e avaliação no Google Store.

Aí lembro que não sei lhufas de programação...

Em Hackers (1994) parecia ser tão fácil #SqN

Fiz um teste com o +LibraryThing e TinyCat para um trabalho de Indexação junto com a beeeeesha leeeeenda magnânima da Beadrade Antrice (WTF?!) e até que foi, só que não é tão funcional e simples como eu tava planejando.
(aí chatonildo vai perguntar: "e a organização da Informação?! E as métricas?! E a manutenção do acervo?!" - respondo com um sonoro escrito em letras garrafais no boldinho: não leu direito que é pra biblioteca comunitária não?!)

Eru Ilúvatar não dá asas às cobras D:

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

[bibliotequices] não é educador e pronto!

[disclaimer: esse é um post velho, tava na fila e resolvi ressuscitar. Mas a discussão continua a mesma]

Adoro ouvir as argumentações nos corredores da Biblioteconomia. Mesmo quando as criaturas não são bibliotecários ou da área. A quantidade de pontos de exclamação ali extraído daria uma tese de doutorado das lindas. Pode apostar que vai, porque é de meu intento entender o motivo de uma maioria esmagadora aqui na UFSC achar que bibliotecário é coisa jurássica e deveríamos ser substituídos por cientistas da Informação ou engenheiros da produção.

(Ou mudar o termo "bibliotecário" para algo mais modernoso e chiqueroso - pessoalmente acho asqueroso, a garotada da filosofia da linguagem e antropologia sabe bem o que acontece quando você muda a nomenclatura de algo já existente, a rasura do ser ali contido - no caso a pessoa que adota aquele termo como seu - vaio ficar mais e mais complicada de se compreender quando forem buscar os princípios daquela coisa existir. Complicado? Imagine que pra entender o que é a essência da "coisa bibliotecária" tem que sair esfregando muito muito muito muuuuuuuuuuuito com alvejante, cloro, álcool 98%, tinner e depois usar um esmeril pra encontrar os fundilhos do que é ser bibliotecário. E ainda ter uma chance de uns 42% de ainda estar equivocado.)

Feedback construtivo: você está fazendo errado

Essa postagem será um daqueles exercícios de análise autocrítica sobre a impressão que nossos semelhantes deixam na quiançada com aquele discurso motivacional de que bibliotecário não deveriam praticar interdisciplinaridade entre as áreas.

O bichinho miserável vitoriano e extremamente crítico e tradicionalista que vive dentro de mim se contorceu em pleno horror ao ouvir em certa aula: "Quando você decide juntar pedagogia e Biblioteconomia, você está sujeitando o bibliotecário a uma posição inferior a que ele pertence."

Além disso houve um momento em que eu, no comando do serzinho miserável, me recusei a expressar opinião alguma após a fala, pois em minhas convicções PESSOAIS:

1) não há problema algum juntar licenciatura com Biblioteconomia já que pra estar lá na linha de frente da biblioteca escolar tem que rebolar pra suprir a demanda EDUCACIONAL PEDAGÓGICA daquele público em específico. Tipo, pelo menos se esforçar para saber o que raios a gurizada estuda?

2) posição inferior aonde, miguxis? Educação no Brasil já é uma tragédia grega com direito a 9 atos de puro sofrimento e angústia sem perspectivas de final feliz e ainda me fala que se juntar com a galera do magistério é se rebaixar na profissão?!

3) bibliotecário escolar não é educador. Como não monamu?! COMO FECKING NO?! Como podes me afirmar tal coisa quando uma criança em processo de alfabetização pega um livrinho ou gibi, leva pra casa, lê com a família ou sozinha como dá, ou mesmo faz isso ali na biblioteca e devolve o livro e diz que vai voltar porque quer pegar mais?

Só o fato de disponibilizar o acervo pro toquim de gente em formação já não é um ato EDUCATIVO?! O que raios tou fazendo então?! Qual foi a parte do processo de letramento e aquisição da linguagem que perdi nas aulas da Letras que dizia que ensinar alguém a ler e escrever era SEM PRATICAR A LEITURA E ESCRITA? É via osmose ?! Transmissão de saberes via córtex cerebral que nem na Matrix?!

Não, não ensinamos caligrafia, ortografia, morfologia, sintaxe, Gramática e esses trem da linguística pros pequeno, mas será que dá pra entender que esse montoeiro de livros empilhados aqui na estante de uma sala qualquer não faz sentido algum pra quiançada se não tem alguém ali pra organizar, recuperar informações para uso na sala de aula e o melhor dessa profissão: mostrar que o amontoado de livros é um passaporte grátis pra criança ser incluída socialmente no sistema escolar e na sociedade? Que ela tem TODO O DIREITO de se apropriar desse espaço? Que eu que estou trabalhando ali tenho o DEVER de prover que ela tenha esse direito garantido da melhor maneira possível?

Então bibliotecário escolar É SIM educador, querendo você e todo esse preconceito dizendo que não.

Não com o mesmo alcance do professor que se dispõe de outras ferramentas cognitivas e mecânicas para fazer o mesmo processo, mas conseguimos auxiliar em parte isso.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

[bibliotequices] promessa pra crush é dívida

Dia 02/12 foi a última prova de Sistemas de Classificação, uma disciplina bem técnica e de assimilação bizarra na cabeça de alguém que não segue uma ordem faz um bom tempo.

Sempre falando bem de Dewey, acabei descobrindo que o yankee fdp além de ser uma pessoa  altamente preconceituosa, também teve a ideia de fazer um sistema de classificação mundial em um sermão de igreja protestante.

Se há algo que vai contra meus códigos internos de boa conduta é fazer algo nada a ver em locais nada apropriados. Como o tabu de fazer sexo em bibliotecas, não me desce. Biblioteca é um lugar sagrado, e empoeirado, e cheio de acidentes prontos para acontecerem, só precisa de um empurrãozinho (Ou fricção, levem como quiser). Logo se você tem o incrível plano de classificar TUDO existente no mundo, não tem que ser vendo pastor falando.
Sério.

Discurso e ideologia, lembram?
E o que isso tem a ver com a prova?! 

Bem, eu saí bem otimista da sala, e com um entendimento sobre o assunto (CDU) com uma euforia adolescente. Sim, o orgulho próprio foi lá em cima. 

Aí como a perfeita babaca que sou (blame the fucking Aquarius) postei no Facebook que se tirasse um 10 nessa prova - e vamos relevar aqui, nunca tirei 10 em prova alguma na Biblioteconomia - Eu me declararia para meu crush2k16.

Urrum, isso aí.
Cá estou eu, indo me declarar pro crush2k16 então.

Querid@ crush2k16,

Você foi parte essencial desse semestre em todos os aspectos, me orientou de diversas maneiras em como continuar apreciando essa powha de curso que tá comendo minhas convicções e minha vontade megalomaniaca de mudar o mundo. Suas palavras ficaram bem nítidas em meu pensamento, às vezes ecoando em meus sonhos e daydreams ocasionais dentro do busão. Sem a tua presença - encontros muito especiais por assim dizer, internamente eu esperava ansiosa para te tocar, roçar meus dedos em ti e desvendar todos seus mínimos detalhes - eu mal chegaria a esse final de semestre.

Mesmo com a maioria discordando se o nosso relacionamento iria dar certo. 
Mesmo se essa nossa afeição mútua seja motivo de escárnio, decepção e estranhamente para muitos. 
Mesmo se o simples pensamento que algum dia poderei deitar minha cabeça no travesseiro e ter certeza que você está por perto e comigo me deixe com o coração na garganta e minhas mãos trêmulas. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

[bibliotequices] - leitor proficiente e literatura de qualidade

Cês lembram do Rangs, né? E que ele escreveu umas coisa bem bacaninha pra gente poder usar na nossa vida loka de bibliotequêro/bibliotectomista/biblioteconomista.

"Cada livro seu leitor" e "Cada leitor seu livro" resumem um conceito bem legal do pessoal da Pedagogia e da letras que afirma que a maturidade de um leitor proficiente pode ser mensurada com a quantidade de leitura que faz e o quão criticamente se posiciona sobre o que leu.

Não mexe com esses trem de "qualidade de leitura", porque esse conceito é abstrato pra caramba para se colocar na rodinha.

Num resumo bem tosco, o leitor proficiente - aquele que lê e interpreta bem o que lê e faz indagações com o que lê e consegue comparar e/ou associar com outra coisa que lê - é tipo a meta mais importante dos professores desde a alfabetização até Ensino Médio. Encontrar uma criança que passe por todos os estágios de aquisição de leitura (E leitura é tudo tá? O saber identificar os signos/alfabeto, juntar as palavras, formar frases, construir falas coerentes, realizar contas de matemática e tudo mais e coisa e tal) e saber como usar isso socialmente para se posicionar como cidadão no mundo.

Pra chegar a esse estágio tem muito trabalho, muito empenho, muita prática e muita, mas MUITA persistência de quem está querendo ter esse tipo de leitura do mundo.

Aí eu vejo uns comentários sobre como pessoas depreciam a Literatura atual com a quantidade de YouTubers, celebridades globais escrevendo livros e como a garotada vem consumindo esse gênero que nem água. Algumas dessas pessoas estão ou serão internamente ligadas ao processo de aquisição de leitura e escrita da garotada mencionada. Essas mesmas pessoas também não respeitam quadrinhos, graphic novels, coleção Sabrina, auto ajuda como "literatura de verdade".

Seguinte, galeris: sabe os canônicos que enfiam pela nossa goela desde o ensino fundamental para acharmos que aquilo ali é "literatura de qualidade"? Então, esquece. Cada um faz a sua tabelinha de o que é bom o que é ruim pra ler, tem dessa de desmerecer e desestimular a leitura de jovens que procuram justamente nesses tipos de literatura (Os YouTubers por exemplo) pra ter a experiência awesome de se ler um livro, qual seja o que for. Se o conteúdo é fraco, médio, valioso, quem vai julgar é o leitor, não você regulando porque se acha no direito de afirmar que "literatura de qualidade" é Machadão, Alencar, Shakespeare, os canônicos e os dado aguado. Maturidade de leitor proficiente DEMORA pra desenvolver, ajuda mais você incentivar a garotada ler esses YouTubers e ir aos poucos dando outras opções - e vendo como eles desenvolvem a curiosidade de querer mais para ler e mais para pesquisar - do que simplesmente sacanear com o jovem por estar lendo a Kéfera.
Se o objetivo maior aqui é dar oportunidades pra criaturinha chegar ao ponto de leitor proficiente e autônomo, então joga esses preconceitos pra debaixo do tapete e se foca no que o usuário tem vontade e maturidade para ler.

Pessoalmente eu acho literatura brasileira cânone um porre (os antigos, não adianta que não me desce), passei a minha fase escolar toda lendo crônicas de Sabino, Stanislaw Ponte Preta, Veríssimo e Millôr, rindo a beça com as Revistas MAD, me aventurando em gibis de diversas temáticas, folheando a Ilustrada da Folha de São Paulo só pelos quadrinhos do quarteto fantástico (Angeli, Glauco, Laerte e Adão), tia Agatha Christie na cabeceira e pelo hábito de ler tudo que tinha na frente - e ter pessoas perto de mim que gostavam de me incentivar a ler - cheguei ao ponto de leitor proficiente. Não quer dizer que o processo para por aí, ainda tenho dificuldade em ler textos muito técnicos ou que não estão de acordo com a bagagem sócio-histórica que carrego comigo desde criança.

Não foi lendo Machadão, fazendo análise crítica de Hamlet, ou entendendo as rasuras da tradução da Ilíada ou Odisseia pra saber que tinha chegado ao ponto em que é ideal para isso. Não foi entendendo Camões ou louvando as fases da literatura "brasileira" (vamos colocar em aspas aqui, porque é discutível quando se imita intensamente um estilo de fora para incorporar na nossa cultura e achar que aquilo é lindo, maravilhoso e o certo, wowowowow me deixa ser burra 5 minutinhos #AlineDurel), foi lendo jornaleco de quinta categoria, folheto de supermercado, manual de instruções, lendo placas e cartazes na rua, fazendo essas coisas que seres humanos fazem para sobreviver ao usar a linguagem, sabe?

Então entre recomendar a Kéfera no balcão ou empurrar um Cruz e Sousa pra uma criança ler, eu sei o que fazer: "Cada leitor o seu livro", "Cada livro o seu leitor". Eu sei que algum dia ela vai se interessar pelo Simbolismo e o papel do Broquéis na Literatura Brasileira. Tenho certeza que a fase dela ler essa "literatura fraca" vai passar e ela procurará algo mais adequado a visão de mundo *dela*. Vai que numa dessas lê um Asimov, Leminsky, o ferrado do Joyce? Nunca se sabe, mas não custa tentar incentivar ao invés de apontar dedo na cara e dizer que YouTubers só escrevem porcaria.
Eles escrevem, e a garotada lê, e isso já é meio caminho andado pra eles quererem ler mais seja lá o que for.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

o peso da beca, do canudo, do capelo

Ontem foi a formatura da primeira turma em que me enfiei de vez na Biblio. Era a 3ª fase com um bando de gente bacana e de diversas vertentes de unidades de informação. Ter aulas com eles foi extremamente importante para eu sentir que o curso era firmeza, a carreira era promissora, as pessoas eram simpáticas.

Vendo eles recebendo os engessados ritos de colação de grau - Então é preciso alguém com título maior, cargo político, um objeto estranho encostado na caixa cranial pra ser finalmente bibliotecárix? Na Letras eu já me sentia professora desde o momento em que fui obrigadx a fazer um plano de aula na correria - meio que apertou um parafuso que tava aqui virando pra lá e pra cá: o parafuso da Ética.

Aí a fessora cutch-cutch que discursa muito nessa linha da Biblioteconomia fez o discurso como patrona da turma. E a coisinha linda citou Aristóteles, Kant e a diferença do Ethos com épsilon e Ethos com eta. O meu coração que já tá ferrado meio que deu um compasso trincado, desses de muitos goles de bebida forte, mas que não está completamente bêbado. Tocar nessa parte da terminologia de palavras que são terrivelmente empregadas em nosso curso, mas que ninguém tá nem aí par asaber pra que servem, é como um refresco nesse mar bisonho em que ando navegando.

Ela resgatou o Código de Ética do Bibliotecário (esse aí embaixo e que tenho diversas considerações a fazer que são contraditórias com o fazer bibliotecário de agora) e disse da importância do quanto é importante verificar a terminologia de nossos conceitos. Não obedecemos um código de ética para estamos na linha, fazer conforme a cartilha, não questionar nossa posição no mundo e a do Outro - seguimos um padrão alinhado de conjunto de regras para nossa profissão por termos a noção de que o bem maior, o bem estar social, a dignidade e a cidadania tá nas nossas mãos também.

sábado, 6 de agosto de 2016

pequena reflexão acerca de Tim Burton

Ontem tive o prazer de visitar a Confraria Literária do Colégio de Aplicação na UFSC pela primeira vez. Apesar de compartilhar a divulgação dos eventos, me atrevi a faltar quando a oportunidade vinha, tanto por conta das aulas da sexta-feira, quanto por não conseguir deslocar esse corpo até lá.

O tema de hoje foi as obras de Tim Burton e como é sua marca registrada no cinema estadunidense. Óbvio que quando citaram Eva Green como Miss Peregrine, meu coração de fangirl falou mais alto e devo ter soltado um gritinho com pompons acompanhando.

É bom demais para ser verdade.

O questionamento sobre o tabu do Corpo e o paradigma do Outro também vieram a minha cabeça ao fazer as filosofações sobre o renomado diretor. A maioria dos filmes dele tratam de algo mórbido ou tremendamente fora da tradição Hollywoodiana de se acrescentar comédia na tragédia (BTW: isso os gregos faziam com maestria, ok?), de tratar a morte como parte da vida e também saber levar essa ótica para as crianças entenderem o recado.

O tio Burton consegue tratar disso muito bem nas suas obras, tirando pela animação "A Noiva Cadáver" que literalmente é mostrar de um jeito lúdico e caricato que a Morte que tanto idealizamos no mundo dos Vivos pode ser mais divertida que o cinzento e trivial círculo de aparências.

Esse documentário do National Geographic Channel mostra 3 situações em que a Morte está na rotina de certos profissionais, mas que não deixa de ser algo que faz parte da nossa. Uma perita criminal, um maquiador funerário e um coveiro dão suas impressões sobre como é conviver com a Ceifeira à espreita todos os dias, sinceramente acho que isso magnífico - tanto pela abordagem de Vida que essas pessoas no documentário tem e como elas enxergam esse tabu.


A Nayra, a projeto de biblioteconomista mais descolada do curso, escreveu sobre a experiência, achei super awesome pela reação dela hehehehehehehe

sábado, 16 de julho de 2016

o trem da união dentro da classe

Amiguinhxs,

Quando forem se posicionar sobre a desunião da categoria bibliotecária em algum futuro distante pensem e lembrem de 3 coisas :
1) quem foram seus professores e como eles incentivaram o diálogo e união entre os estudantes e entre eles, docentes
2) quem foram seus exemplos de profissional da Informação atuante na área e qual contribuição a pessoa deu sobre o caso
3) se você repetiu o erro de 1, questionou o exemplo de 2, lutou pelo que você acreditava na época

Aí sim num futuro próximo você entenderá porque esse povo da Biblioteconomia fabrica uma guerra civil sem necessitar de muita coisa, só precisa fazer nada, cruzar os braços e quando acontece uma mobilização de importância na área, diz que já tá cansadx de lutar, que Conselho só serve pra cobrar, associações e coletivos só servem pra dar curso, que os mais novos que devem agora reivindicar nossos direitos (hello, não quero sustentar vosmicê não, queridx!) e o melhor que resume esse ranting aqui: "Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de fecho-ecler"

Por favor né profissa?
Toma vergonha na cara, vai passar óleo de perobinha e se posiciona como BIBLIOTECÁRIX pelamoooooor?

Sim, reclamo e resmungo pra baraleo quando é comodismo besta se manifestando no curso e não terem um pingo de respeito para arcar com responsabilidade de quem será diretamente atingido pela omissão.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

[bibliotequices] o caso daquele gerenciador de acervos que não-deve-ser-nomeado

Apresento à vocês o meu companheirinho imaginário: Dewey Potter.
Ele e a Dona Elza estarão fazendo participações especiais aqui pelo blog ou lá no canal do YouTube com coisas absurdas da Biblioteconomia - vulgo Bibliotequices.



Dewey Potter gosta de atazanar a vida das pessoas e coisas que não acompanham a organização reacionária dele. Dewey Potter também é um bruxo e vai para a Hogwarts da Biblioteconomia - aquela escola misteriosa e ideal que todo graduando acha que algum dia vai conseguir cursar/ter/ser professor, mas que até agora nada - e o "Menino que Classificou" também irá botar defeito nas coisas.

Porque é pra isso que ele serve.
Criticismo do baraleo.

Então...
O programa que "Não-deve-ser-nomeado" não me é inteira novidade. Quando estava na Letras em MG, ele era usado na Intranet da biblioteca do campus em fase de teste e tudo mais. Pensa que eu não sei que nos faziam de cobaias? Mas bem, a interface me é familiar e infelizmente dominar as artimanhas desse fiodazunha vem sendo um desafio nada estimulante aqui no claustro do Processamento Técnico.

Yep, escola estava em greve e é pra isso que estagiário serve.

Antes que eu puxe a varinha e me dê um Avada Kedrava na própria testa, Dewey Potter me mostrou alguns caminhos para fazer as gambiarras básicas para que o programa recuperasse informação com mais seguridade e menos bla-bla-bla.

Uma coisa que me irrita profundamente são livros com mais de 50 edições em anos diferentes. Isso quer dizer automaticamente para qualquer gerenciador de acervos que haverá 50 tipos diferentes de se recuperar a informação de um livro que poderia ser colocado como único no sistema e pormenorizado nos detalhes da interface.

Mas não, com Dewey Potter não funfa assim.

E for realzies, o trem custa caro. Tipo MUITO caro!
Se eu tivesse 10% do orçamento desse tréco que não funciona direito por problemas estruturais, continuaria um projeto de app para facilitar a vida dos bibliotecários escolares. Gente não custa nada, só pegar galera do Sistemas de Informação que amam programar e sentar junto à eles e falar das necessidades e ir vendo no que dá. Não jogando a organização do acervo em um programa (que não-será-nomeado) que não faz metade do trabalho que deveria ser feito.

Entendam uma coisa chamada contexto, povo de PR! Vocês vendem um programa que é perfeito para bibliotecas de médio e grande porte, com todas as funcionalidades escabrosas que esses centros precisam, mas entenda que se não tiver algo auxiliar, uma versão lite ou adaptada para o ambiente escolar, o trem não anda. Simplesmente empaca.
(Gente tem biblioteca na rede municipal que nem acervo direito tem... Sem PC, sem bibliotecário, sem infra-estrutura mínima para operar... Cuma que fica?!)

Porque não temos bibliotecários capacitados para isso - nem se fizerem trocentas oficinas pra ensinar - a galera mais velha não se impressiona com essas coisas, a galera nova tenta entender, mas se confuso pela complexidade, usuário/interagente não tá nem aí pra isso. Então o que fazer?

Pra quê complicar se é bom facilitar?
Pra quê?!

Nota para posteridade: se chegar a visitar certa capital onde se encontra certo programa-de-gerenciamento-de-acervo-que-não-deve-ser-nomeado, dar um pulo na T.I., descobrir quem fez essa bagaça e dar um tapa na nuca dos indivíduos. Obrigada por não facilitarem a vida!!

sexta-feira, 11 de março de 2016

bibliotequices - descartes (não é o filósofo iluminista)

Oi, eu sou Ranganathan e gostaria de 5 minutinhos para falar das minhas 5 leis...

This guy de óclinhos e todo roxo nesse desenho básico de uma das fotos deles tirada nos anos 50 é o Patrono da Biblioteconomia (O da Letras é David Bowie e isso ninguém me tira).

Ele fez muita coisa bacana durante sua vida bibliotequista lá na Índia, escrevendo livros sobre procedimentos técnicos, classificação, organização e um tiquinho sobre a ética e código de conduta des bibliotecárixs. Ranganathan NÃO ERA engenheiro, mas era matemático, o véinho foi na raça estudar Biblioteconomia na College University e desbravou muitas descobertas e teorias até o seu tempinho na estante da Vida acabar.
(Porque assim como os livros nossos, tudo ao nosso redor tem prazo de validade.)

Uma das coisas bacanas do Ranganathan é de ter criado 5 princípios norteadores para o curso de Biblioteconomia, seus aprendizes, para a área e para aqueles que estão chegando sem saber o que raios fazer. Essas 5 Leis (descritas aí em cima e repetidas aleatoriamente nesse blog para motivos de mensagem subliminar devidamente programada) literalmente cobrem QUALQUER situação em que podemos nos encontrar nesse caminho.

É óbvio que algumas áreas que interagem com a gente não sabem dessas regrinhas - olááááá pessoas da T.I.? A nº 4 é feita especialmente para vocês com seus softwares meia-boca de gestão de centros de informação... - e aos poucos a nossa categoria também esquece de algumas coisinhas, tipo a regra nº 5: a biblioteca é um organismo em crescimento.

Sendo um organismo, é de se presumir que esteja vivo, instável, dinâmico, em pleno movimento mesmo que a 2ª Lei do Newton seja bem leeeeenta. Mas aí vocês pensam: OMFG LIVROS ESTÃO VIVOS?! - e eu digo: urrum, eles estão. As bibliotecas estão em constante movimento, e não são lugares estanques. O trem não é um lugar, entende, é tipo um espaço-tempo (Vai estudar Física poxa! Altas coisa bacana pra pirar o cabeção). E se um espaço-tempo precisa de eterna constância devido as leis do Universo, é óbvio que se você deixa uma biblioteca estática, ela vira museu. Ou depósito de livros. Só o movimento constante de fazer empréstimo, devoluções, consultas nas estantes já é motivo suficiente para dizer que a biblioteca é dinâmica, tem vida e constantemente está em crescimento.

E aí vamos lá falar de descartes.
(A ação de descartar coisas, não o filósofo do "Penso, logo existo.")

Enquanto tem gente sapateando com sapatinhos de estalinho sobre descarte - ai meldeozo não pode fazer que é pecado! - já dou logo a ideia de que se não vai ser vir pra unidade de informação, serve pra gente maluca fazer uns trem bem legal. Sempre tem. Ou vender pro reciclável e ganhar uma graninha pra comprar acervo novo pras bibliotecas que não tem recursos financeiros próprios - como as escolares e as comunitárias.
Vai sem dó e piedade! A lei do MEC bunitosa ESQUECE que tem lugar aí por Brasil afora que está com uma biblioteca minúscula abarrotada de livros velhos, que professor algum tem paciência de olhar se é bom ou não, aluno nem quer saber e bibliotecário? Hello? Desde quando temos bibliotecários suficientes nessa equação?!

Pense em um livro como uma árvore mastigada, cuspida e prensada para servir de suporte para seja lá o que você escrever. Mesmo sendo uma árvore morta, o livro ainda possui qualidades da árvore de onde foi cortada. As páginas tem fibras entrelaçadas, essas fibras vão se quebrando, emaranhando desordenadamente, queimadas pelo sol, molhadas pela chuva, vento, ar condicionado, tempo, manuseadas de forma agressiva pelos usuários, pelas máquinas, pelos carimbos e cola branca e tudo mais. Isso vai desgastando o bichinho até ele ficar quebradiço ou rasgar ao meio. Ou pior! Ser vítima de hospedeiros muito muito chatos!

Traças, piolhos de livro, baratas, roedores, são alguns exemplos de coisas que não podemos tolerar dentro de nossas bibliotecas. Sem falar nos lindos seres invisíveis como ácaros, micróbios, bactérias, micro-organismos e tudo mais que se alojam nos belos encadernados empoeirados. Urrum, estou falando sim daquelas enciclopédias antigas que ficam fazendo peso e volume em uma biblioteca que já possui outros recursos atualizados para pesquisa e consulta (internet, edições atualizadas, livros didáticos, acervo especializado, etc). Sim é aquela maldita prateleira ali de obras de referência que está em destaque, mas NINGUÉM toca porque é onde estão os livros MAIS caros do acervo.

Méh.

Foi-se o tempo de enciclopédias, okay? Foi-se. Aqueles trambolhos de mais de 20 volumes eram considerados símbolos de status e pouca informação continham para quem realmente precisava fazer uma pesquisa apurada. Eu dou mais respeito para atlas desatualizados do que enciclopédias. No atlas pelo menos eu posso fazer a comparação antes e depois, na enciclopédia? Posso abrir uma de 1987 e outra de 2007 e ver o mesmo conteúdo lá, apenas mudando algumas palavras ou verbetes.
(Sim, eu fiz isso para uma disciplina no semestre passado e fiquei chocada ao ver que a tão linda e notória Barsa mantinha as MESMAS informações sobre verbetes históricos, só acrescentando mais acontecimentos quando era necessário)

Isso não me parece uma gestão democrática da informação.

As 2 grandes empresas de enciclopédia aqui no Brasil são donas de conglomerados que cuidam de dicionários, compêndios, portais online e editoras de livros didáticos. Quem garante que as informações e não estejam viciadas em um ponto-de-vista unilateral e arbitrário? Já encontrei em um dicionário de 1983 do MEC (olha só a importância) em que a definição da palavra "ÉTICA" tinha em um dos seus verbetes a explicação: "ser patriota." - pode?!

O que fazer com esses trambolhos então? Já havia falado sobre o assunto das enciclopédias - e as dores no coração de dó de certo apresentador/comentarista de programa globístico ao meio dia - e como podemos fazer o melhor para as bibliotecas.

UPCYCLE - ou reciclagem para cima (???) de livros \o/
É minha obsessão favorita desde então.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

bibliotequices: dando tchau, tchau, tchau

Assim como a musiquinha grudenta da Vovó Mafalda, estou dando tchau para essa biblioteca linda onde me firmei como pessoa biblioteconômica (???). Não, não irei viajar porque isso é coisa de bibliotecárix ryyyyyyycxxxxh e famozxxxxx, então resolvi gravar um vídeo sobre a despedida.

Para aqueles que estão tentando entender o que quero dizer, é porque faz cerca de 2 dias que não durmo direito, logo o discurso tá meio fuén-fuén balão furado: 


Ano que vem estarei em outra escola da Rede Municipal, por mais 6 meses e a notícia não me deixou muito bem durante esses dias. Sim, eu sei, a oportunidade é ótima, novos ares, coisas novas, mas mesmo assim eu e mudanças? Não nos adaptamos bem de cara.

Agradecendo à escola que me acolheu tão lindamente desde o começo, por entenderem que dar voz aos alunos é bem mais importante que seguir o status quo, que tudo se resolve no diálogo, que as peculiaridades são preciosidades e que colocar um violão com cordas na hora do recreio faz milagres com alunos bagunceiros. 

No resumão? Sei lá o que tou sentindo, mas aqui vai ser o meu marco inicial de toda a bagagem que vou levar pro resto da minha vida nessa carreira.

Há o problema do workaholismo também. Fiquei parada por muito tempo no começo do ano por conta da perna, meu ritmo de trabalhar foi quebrado justamente quando tava começando a produzir bem e aí houve o trem da dedetização que parou por quase 2 semanas e bem... Eis o motivo de não conseguir dormir direito!

Final do ano sei que estarei uma pilha básica de produção e vou ter que direcionar pra algum lugar - e não vai ser para o acadêmico pelo jeito.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

docência de(s)cente - aquele lugarzinho especial


Resolvi separar um tópico para o BIBLIOTEQUICES para falar especialmente da carreira docente que estou me preparando para me enfiar. O DOCÊNCIA DE(S)CENTE vai estar tagueado para quando esse assunto for abordado.

Como primeiro post, bora ranting about uma coisa que já está incomodando faz tempo no curso.

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Nesse percurso acadêmico cheio de absurdos, há de imaginar que em algum ponto da linha cronológica de acontecimentos da minha vida de escriba do porquê eu ter recusado terminantemente a não seguir a docência na PUC. 
Até porque não construíram a Estrela da Morte com as centenas de milhões de denheros coletados dos pobres estudantes ferrados. 

A licenciatura vem me ensinando muitas coisas, inclusive o de não subestimar as pessoas, por qualquer motivo que seja. O indivíduo pode ser o mais estúpido possível lá fora das quebrada, isso não me dá razão para desabonar sua personalidade e caráter (Até porque não pago suas contas e não me interessa tua vida). Mas se a didática for ruim, meu camarada, cê tá condenado com carteira há VIP para Minos para passar a eternidade no Tártaro no pior castigo possível formulado para sua conduta profissional dentro e fora de sala de aula. 

Na minha sincera opinião, professor que não dá a mínima para as suas aulas e só está preenchendo lugar merece ter uma chance de assistir as próprias aulas no repeat, em uma cadeira velha de dentista sem ergonomia alguma, preso por linha de pipa coberta com cerol. 

Porque é essa a sensação que tenho após sair de aulas assim, em que se percebe claramente que o caboclo não quer nada, está ali ocupando o tempo e prejudicando os estudantes (e se não o sistema educacional funcionar). Esse tipo de profissional está na minha lista de "erros que não cometerei quando estiver na docência". Entendo que para muitos doutorandos o caminho para conseguir um cargo estável no ensino superior é passando pela docência, isso é magnífico, pois ensina muitas lições de humildade e alteridade, mas os mais velhos de casa parecem não entender que eles estão formando gente que vai fazer diferença lá fora. 
Os de mais de 25 anos de casa que digam. 

Como a seriedade do assunto não me permite dar nomes aos bois (fica mais interessante fingir que ninguém sabe de quem especificamente estou tratando nesse post) vou continuar a dissertar com o simples cenário:

Paredão de fuzilamento. 
Cerca de 60 estudantes a cada intervalo de 1 ano. 
O pelotão de fuzilamento está com as armas prontas, só falta alguém para dizer "Fogo". Adivinha quem é que dá a ordem?! 

A visão fatalista da educação é entendivel quando percebemos a seriedade do assunto. Somos instruídos como agentes sociais de mediação de leitura, informação e cidadania. Os professores são habilitados/especializados em nós ajudar a construir os significados de nosso percurso acadêmico, seja incentivando ações educativas para nos doutrinar (e vou usar esse verbo mesmo com o peso dele na frase) ao sistema de controle educacional vigente ou nos desafiar como indivíduos em nossa imensa elasticidade pedagógica e social. 

E tem sempre o fdp que é provável um zé mané qualquer e adora o som de sua própria voz repetindo: FOGO!! ATIRAR!! 

Então vamos lá!
(Post longo sobre como não tenho mais paciência em aturar professor que deveria estar pescando, não lecionando)

Cê que sabe se vai clicar ou não...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

bibliotequices no ritmo contagiante dos memes

Eu já sei que não presto pra muita coisa, mas hey! Pra escrever eu consigo bem! e fazer memes e paródias! E não levar à sério tanto a Realidade Estática ou eu tenho um tréco antes de chegar aos meus 40.

E já que a vida é cheia de tragédia e bodes amarrados na perna, bora lá fazer piada?
Agora é só cantar comigo, vamos lá:

"A CDD,Tabela de Pha, Otlet, CDD e CDU,
tem a AACRDox,o BibLivre,Vixi..."
(Repete 2x)


Debaixo do link, mais memes do Ranganathan. Surpresinha para o Mistah Melvil aqui:


[DISCLAIMER: pode usar à vontade, nem precisa creditar, sem medo de ser feliz, porque esses caras estão mortos, eram super felizes na Biblioteconomia e com certeza gostariam que as gerações futuras soubessem do bem que eles fizeram para o mundo.]

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Bibliotequices - como fazer uma estagiária noobie entrar em pânico


Então ocorreu esse peleja de dimensões astronômicas no lugar onde estagio e se tenho uma vaga idéia do que seja um pandemônio armado, este seria o perfeito exemplo. 

Às vezes esqueço que sou estagiária. Muitas vezes esqueço que minha função se limita a poucas responsabilidades já  pré-estabelecidas, o problema é que não há alguém para fazer as decisões da biblioteca novamente e sinto aquele aperto ao deixar como está porque assim foi ordenado. 

Tenho uma preocupação imensa pelo que a garotada vai precisar durante esse tempo de recesso/talvez mudança de prédio. Eles estão na reta final do bimestre e não é legal ser jogado em qualquer lugar sem o mínimo de amparo pedagógico. Pelo jeito parece tudo bem, mas como é que faço como pseudo-bibliotecária? 

O prédio da escola foi dedetizado dezenas de vezes desde a quinta passada impossibilitando as aulas e qualquer outra atividade escolar/administrativa. Para a coleção de enfartos pedagógicos, veio o pessoal da dedetização com borrifadores, eu no encalço pedindo pelamoooooor não aponta pras estantes. NÃO APONTA PRAS MÓDAFÓCA ESTANTES!!

A mistura de veneno + poeira + livros não é legal, ainda mais quando você tem um público que costuma ser muito tátil (e senão às vezes palatal) com o acervo. Uma questão urgente de saúde pública, mas que realmente não deu tempo de fazer absolutamente nada devido o tempo que me foi dado para tomar alguma decisão. Não deu tempo de guardar os livros em sacolas, não deu para cobrir as estantes, apenas observei em terror como uma simples decisão sem o discernimento preciso da gravidade do ato poderia causar tempos depois.

A.k.a. eu tava apavorada. 
Pode entrar em pânico, produção?

Créditos para: Shokly Digital Art
Não tou sendo drástica, cês não me viram sendo drástica.

Mas como sou babaca - e quando digo isso é pelo senso comum, já que ser "babaca" é fazer aquilo que não precisa se fazer porque a responsabilidade não é minha, logo, eu deveria ficar calada, quieta, sentada de braços cruzados e jogando angry birds no meu celular enquanto vejo o circo pegar fogo - tentei pensar no que faria caso a escola fosse para outro lugar, o que levaria de emergência para tapear um pouco a falta que o lugar físico do acervo faria diferença na vida dos alunos.

FYI: secretamente gosto de ver o circo pegando fogo, mas é porque meu cérebro já tá maquinando para apagar o fogo, seja lá onde ele tenha surgido.

Aí barramos com a problemática desse post: a responsabilidade NÃO É minha.

O que mais escutei esses dias é que eu não posso fazer nada. Não devo fazer nada. Não tem como fazer nada. E não dá pra virar pro camarada e dizer: I DO WHAT I WANT CAUSE I AM A PIRATE!!! Ou Bibliotecária, ou algo aproximado a isso. Sim, eu posso fazer. Eu preciso fazer, não é justo não fazer e deixar outros que não fazem a MÍNIMA IDÉIA fazerem e não entenderem o quanto isso é importante para a comunidade escolar.

E também porque entrei em estado de choque na sexta passada.

Fui ver a situação e meu estômago deve ter feito contorcionismo de tanto nervoso. A coisa tá feia. Nem vou dizer que a minha cabeça explodiu, minhas pernas falharam e deu vontade de sentar ali mesmo, no meio da biblioteca e chorar.
(Mas não, preferi ser mais idiota ainda e bater boca com a administração da escola sobre o que levar ou não para o novo espaço)

Acho que os bibliotecários de Alexandria devem estar patting minha cabeça e falando: "Oh dó, oh coitada...". Se essa foi a minha reação ao ver uma dedetização sem cuidados prévios, não quero nem ver alguma biblioteca pegando fogo.

Talvez esse tenha sido o Wake Up Call de me desapegar do local. De saber que daqui alguns dias não estarei mais com eles e que o processo de chamar por mais 6 meses vá demorar. Talvez seja uma daquelas pegadinhas do Universo em sua sábia ironia me dizendo: "Hey, cê fez o que tinha pra fazer, bora ganhar mais XP pra próxima fase..." - ou talvez seja o resultado de um acidental giro na ignição do Gerador Improbabilidade Infinita.
(Que nenhuma pulga tenha dito "Ai de novo não..." e me volte como um jarro de tupilas)

Enquanto a situação não se resolve, vou perdendo meu sono com ideias malucas de como resolver a situação, ou de já me prontificar a entrar no ambiente inóspito e limpar o acervo, um a um, livro por livro, até ter a consciência limpa de que a responsabilidade não é minha, mas pelo menos fiz alguma coisa. Ou posso ficar aqui em casa, desejando ávidamente a minha rotina de volta e ser distraída por dois gatos do barulho que aprontam muitas confusões.

Venimim Enfarto-pedagógico!!


Se você entendeu as referências para Guia do Mochileiro das Galáxias, vai saber o quão desesperador a situação está sendo para minha pessoa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

bibliotequices - combo duplo do 5º semestre

Estou na 5ª fase, mas não estou.
Retorno de graduado é meio que nem consórcio de carro.
Pego o número, espero minha vez depois de um tanto de gente, levanto a mão quando quero dar o lance, para aquele carro bacaninha que estava planejando ter, vai pra outrém, levanto de novo para pegar sei lá, um carrinho menos possante, mas hey! Também tem suas vantagens... Nope, não dessa vez. Aí exausta de levantar a mão pra conseguir um lance, vem aqueles modelos de carros que quase ninguém quis ou geral quis e desistiu no último minuto.
(Apenas um aviso, quiançada: tem uma parte do Tártaro exclusivo para vocês que pegam as disciplinas obrigatórias e desistem na 1ª semana)

E por aí eu vou.

Empurrando as gestões gestionadoras para beeeeeem lá na frente, aproveito as má-deixas de disciplinas que aparecem no curso. Todo semestre eu tenho que calcular a quantidade de enrascada que vou me meter por pular fases e praticamente ler o plano de ensino de cada professor para poder me nortear. Já me arrependi algumas vezes de não ler e ver que a matéria era pesada demais para mim (Vide semestre passado!), então ser razoável com a quantidade de informação filtrada na minha cachola é saudável para minha linda e desesperada sanidade.
(Abençoa Cthulhu...)

Como eu me sinto quando acerto na escolha de disciplinas...
Aí às vezes eu acerto no levantar da mão e ganho um combo duplo de Fontes de Informação e Serviços de Informação com duas professoras super dedicadas ao que ensinam.

E é um milagre, porque as duas disciplinas se entrelaçam bem par a parte prática de qualquer estagiárix/projeto de bibliotecárix que não faz a MÍNIMA idéia de como manter o barco navegando mesmo quando o capitão está seilá... servindo ao Davy Jones.
(Referências, nenê. Referências.)

O barco que eu tou navegando tá indo bem - apesar da infestação de insetóide maledeto que ocorreu durante a semana passada - e me sinto à vontade para dizer o quanto tenho orgulho de participar dessa comunidade escolar. A escola me toruxe grandes experiências, me fez ter perspectivas melhores para minha profissão e minha carreira e também me deixou uma lição boa de humildade com aqueles que fazem a Roda girar. Estar entre a galerinha de estudantes, ali na linha de frente no balcão, auxiliando como dá, ajudando como é possível chega a ser a melhor forma de fazer algum papel de cidadã que já tive oportunidade. 

Estar na biblioteca escolar me ensinou que a teoria do curso tem que estar mais do que em sintonia com a prática lá fora, tem que acompanhar os setores com mais carência de bibliotecários e profissionais da informação. A gente (acadêmico, corintiano, sofredor...) PRECISA saber como é lá fora enquanto estamos DENTRO da Universidade, nem que seja por 1 mês. Não precisa ir muito longe, não necessita estar no meio dos engravatados ou os cheios de firulinhas, dá uma olhadinha ali na vizinhança e verifica como é a biblioteca escolar da unidade mais próxima.

O combo do 5º semestre me ajudou a rever meus conceitos mais práticos, como perder o medo de improvisar quando é necessário fazê-lo. O de encarar a demanda como parte essencial do meu trabalho, as mudanças repentinas como rotina e a maluquice geral como o usual. E olha, o que a gente escuta em balcão de biblioteca não tá no gibi...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

bibliotequices - paródia let's dewey it




O que fazer dentro do busão quando há engarrafamento na 403 saída Ingleses? Acabo escrevendo paródia...

LET'S DEWEY IT
Ou a paródia pro pessoal do processamento técnico. (Pois nós sabemos o valor precioso que vocês têm em nossas vidas!)
Música incidental? Claro que tinha que ser Professor Elemental.

--------------------------------
Eu passo parte da minha vida sempre atrás das estantes
O que pode ser bom, mas pra você parece irrelevante
Vamos começar desde o início
Antes que você ache que eu deva me jogar de um precipício

Let's Dewey it
Sou eu, aquele não aparece!
Não dá as caras no balcão, mas minha decisão prevalece
Eu catalogo e classifico,
Não é nenhum robô, sou eu mesmo que indexico
Se os livros estão em ordem nas prateleiras
Você devia agradecer minhas detalhadas maneiras
Eu uso os melhores gerenciadores de acervo
Mas é a minha cachola que recorro no aperto

Let's Dewey it
Nada tema, não precisa memorizar
Temos um manual enorme pra só bibliotecário decorar
Nossa ordem é diferente, nosso código parece incoerente
Mas pra você achar um livro é mais rápido e eficiente

Let's Dewey it
Antes que eu perca um parafuso
Meus manuais estão sempre aqui, são eles que eu uso
Let's Dewey it
Ostentando é pouco, tenho a CDU sim
Gastei todo o orçamento de 12 anos e mesmo assim
Let's Dewey it
E quando não tem ficha catalografica no bendito livro
Me encolho no lugar, pra eles eu suplico:
"Por favor Ranganathan-Dewey-Otlet me ajude,
Será que esse vai na Economia ou pra area de Saúde?"

Let's Dewey it
Na graduação você já pode me reconhecer
Sou justamente aquele que tira nota máxima em LD
Vou até fazer um rap com termos de um tesauro
(Com o que posso rimar? Posso usar um dinossauro?)

Let's Dewey it
O que posso dizer? Sou bibliotecário catalogador
Meu paraíso é a Library of Congress, mas também uso buscador
Porque quando não tem jeito, sem registro no acervo
A gente reza pra Santo Ranganathá e espera um acerto

Let's Dewey it
Pensa que é tão fácil assim?
É só olhar no manual e o número faz plimplin?
Vamos lá, pessoal, me dêem um pouco de crédito
Minha vida sem o processamento técnico seria um puro tédio

Let's Dewey it
Apenas peço aos meus caros miguxos da Biblioteconomia
Catalogar não é luxo, é necessidade de todo dia
Ajudem uma pobre alma, aquele usuário perdido
Não precisa decorar os números, esse é meu serviço
Fiquem à vontade, o acervo é pra usar
Eu catalogo, classifico, indexico pra facilitar

Bibliotequices no 33º Painel de Biblioteconomia


[suspeito que esse post será editado várias e várias vezes na esquina com as macas da Varig, então...]

DISCLAIMER LINDO QUE PRECISO FAZER: Sou graduanda de Biblioteconomia na UFSC, na fase do só Ranganathan sabe, loooooogo minhas opiniões acerca do evento são inteiramente minhas, da minha cachola meio amalucada nutrida com café e comida do RU. Creio que terei que introduzir um tesauro nesse blog para os novos leitores entenderem as piadas internas e as referências nerds (Gente, referência é tudo nessa vida!).

Para quem quiser dialogar sobre esse post e outras questões (Inclusive motores de avião, estou disposta a discutir sobre engenharia aeronáutica, tá?), só deixar um comentário ali na caixinha abaixo. Não custa nada, sério. Nem pro Google Adwords eu apelo (E não tou ganhando jabá nenhum por declarar minhas opiniões... Eita).

Bora lá que lá vem postagem longa...

O que posso dizer sobre esse evento estranho que junta um povo mais esquisito com o intuito de falar sobre a maluquice do fazer bibliotecário e bibliotecas?
(Porque cês sabem né? Conforme a nossa sociedade contemporânea, ajudar as pessoas a buscarem cidadania, dignidade e autonomia é coisa de gente biruta. Mexer com máquinas é mais seguro.)

Me senti mais animada, o low da semana passada foi substituído por essa coisinha mastigando minha bile e cuspindo formas de se abalar a estrutura do sistema vigente. Eu amo a minha profissão, amo meu curso e tudo que ele representa em minha vida nesse momento. Ter um espaço para discutir sobre a Biblioteconomia é raro dentro da Academia, mas nesse Painel a conversa foi inspiradora no modo prático. Apesar da minha cabeça estar bem bem bem cheia de idéias iludidas para se fazer no local onde trabalho (estagio em uma biblioteca escolar da rede pública de ensino), vi aqui no encontro um modo real de colocar essas coisas fora do papel.

Aprendi um bocado com colegas, mais um pouco com os docentes, descobri algumas coisas sobre mim mesma, sobre o Outro, e vi que a vontade de nossos estudantes é MUITO grande, mas como há sempre problemas no caminho, tivemos a oportunidade de ouvir e também debater sobre as dificuldades no curso. Graças a Dewey tivemos como nos expressar, porque a coisa tá feia gente...

Auditório do CEDUP cheio e muitas discussões
Palavras que surgiram como ser ousado, proativo, gestor cultural, conhecedor de leis me iluminaram bastante sobre o meu papel na sociedade. Eu tenho um orgulho enorme de ter escolhido esse caminho, mas ao mesmo tempo me sinto inibida ao ver que algumas responsabilidades são bem maiores que eu pensava.

Por exemplo: pra qualquer lugar que olho há empreendedores e a única coisa que eu gostaria mesmo de sentar e conversar era sobre "okay, estamos todos ferraxs, o que fazer com uma caixa de leite vazia, retalhos de EVA e tinta guache para trazer os leitores pra dentro das nossas bibliotecas?" - mas a maior parte do tempo era algo sempre virado para a tecnologia embutida nesses espaços. Méh.

Senti-me como um daqueles homens das cavernas ainda tentando entender o que é a pedra redonda enquanto os outros homo sapiens já faziam uso da roda. Talvez seja o nicho que decidi me enfiar, biblioteca escolar pública é um lugar primário, rústico, dah roots, sem muitos recursos tecnológicos, a improvisação é primordial e às vezes a vida não te dá mais ideias pra tirar da cartola (Ou das mangas ou atrás da orelha, cê sabe, fazer efeito de mágika perto dos não-despertos dá Paradoxo e Choque de Retorno¹!).

Outra coisa que me fez repensar meu papel:
 - A tal da caixa.
 - O pensar fora da caixa.
 - O ir além da caixa.

Véi, de Bowie...
A caixa não existe.
É que nem a colher do Matrix. Não tem essa de caixa, a sociedade que gosta de colocar paredes pra delimitar tudo, a caixa é simbólica, você se encosta no canto se quiser, mas ela não tá lá. Somos além da caixa, somos além das paredes como o evento quis colocar em sua temática.

NÃO TEM CAIXA NENHUMA.
(Get used to it! let's Dewey it!)
Agora volteeeeemos. Cês já sabem: TL;DR.
(Too long; don't read)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

sobre bibliotequices e créditos

Minha intenção ao criar o Bibliotequices foi de princípio catártico de descarrego de encargos, em outras palavras menos rebuscadas, era pra reclamar que nem uma velha coroca.

Nunca levei a minha forma de escrever esse blog à sério (e vai ver que é isso que funciona tão bem pra mim nessa vida, o não se preocupar tanto com o que escrevo) e tagarelar sobre o curso e a carreira onde pretendo me instalar até os dias finais de minha existência tem se tornado um imenso prazer pra mim. Sim, porque sou humana e os 140 caracteres do Twitter não iam aguentar as besteiras que costumo proferir em nome da Ciência (da Informação, mas hey! Ciência)

Acabou que o Bibliotequices vem sendo uma forma também de ter uma reflexão indireta do que raios eu ando fazendo da minha vida e o pior, o que faço da vida dos outros - já que estar na linha de frente em uma biblioteca escolar é praticamente apontar a porta de entrada pra diversas coisas estranhas nessa vida acadêmica para pessoinhas que não fazem a mínima idéia de como ser adulto é algo sofrido. Divertido às vezes, mas sofrido.

Já havia escrito como a informalidade nos espaços acadêmicos tem me ajudado a compreender melhor quem eu atendo, esse olhar besta e de cientista idiota (id e ota) não trazem vantagens para a  demanda que me aparece durante os dias. E chega uma hora que o beco sem saída aparece, e mesmo quem tem pouco tempo de estrada cansa subitamente devido à diferenças ideológicas entre aqueles que supostamente deveriam estar dando o exemplo e eu na ponta, tentando apreender (E aprender) tudo que posso nesse espaço curto de tempo.
(4 anos passam voando, acreditem)

Ter a oportunidade de conhecer pessoas que se dispõem a dedicarem suas vidas acadêmicas a estudar gente, ser humano de verdade, acaba me derretendo do modo mais meloso possível.
(Sim, os pompons sobem e descem no ritmo contagiante da lambada...)

Eu perco a minha frieza habitual quando vejo alguém competente fazendo um belo trabalho para a comunidade. Não só porque tenho esse fraco pela reforma interna da Educação aqui no Brasil, mas porque desejo ser esse agente volante de mudança. E quase um complexo de Messias, só que sem a parte de morrer de forma agonizante ou algo assim. Tá mais pra profeta de últimos dias com aquela placa alertando o que virá e o que a Humanidade deve fazer para ser salva.

Sim, megalomania está falando alto esses dias.

Creio que todo bibliotecário que converso tem um pouco desse "defeito", o de querer ser mais do que é para conseguir atingir seu público de maneira eficiente, mesmo com os poucos recursos, a falta de apoio das instituições, colegas de trabalho, de profissão e dos usuários, a briga eterna entre "Fazer porque dá dinheiro" versus "Fazer porque quer". O fazer bibliotecário se torna um estilo de vida, incorporado no sujeito e tudo que a gente faz é porque faz parte de nós mesmos.

É uma viagem mó lôca essas coisas se for parar pra pensar.

A Biblioteconomia ufscquiniana tem me proporcionado feelings de profundo desgosto e admiração em espaços de poucos segundos. É como apreciar um prato perfeito e perceber no paladar que o gosto está horrível. Às vezes a vontade de levantar da cama é zero, de chegar ao balcão, de abrir o sorriso, de se empolgar com o que faz. A academia come muito do nosso eu lírico, da nossa inspiração querendo ou não, a docência (in)descente arruína com muitas idéias, muitos sonhos, muitas ações. Aquela vontadezinha de mudar o mundo murcha a cada pelavra ou atitude absurda vinda da hierarquia maior. O gosto de se querer fazer algo para mudar a vida das pessoas não se torna fardo (Antes fosse!), mas sim daqueles cafézinhos adoçados com o pior tipo de aspartame do mercado. Cê sabe que não vai ter problemas de saúde com poucas calorias, mas por Odin de saias! Com oé horrendo aquele gosto que sobe.

Aí saio de uma palestra incrível com apresentações de trabalhos maravilhosos que tentam desvendar as nossas incertezas como profissionais. Gente que se importa com o que fazemos, como fazemos, porque fazemos. Gente que vê nas dificuldades de cada um de nós atrás do balcão, ou entre as estantes, ou no processamento técnico ou até mesmo em lugares inusitados de atendimento e dizer no tom mais amigável possível: "Eu, você importa. Sua voz também tem importância. Você gostaria de falar comigo?"

Isso é extremamente válido. Essa escuta produz profissionais e estagiários mais aptos a aguentarem o tranco mesmo com tantos problemas. Esse esforço de nos colocar como protagonistas de algo maior (e é gente, como é!), faz todo sentido pra gentinha sem noção, tagarela, com imaginação fértil como eu se sentir bem com o que faz. De ver futuro para o que tá fazendo, de não parar mesmo com as adversidades.

Eu me sinto honrada por conhece essas pessoas mais de perto, além dos muros invisíveis da universidade, além dos referenciais teóricos, as cátedras imaginárias, os títulos pomposos, os discursos furados querendo nos convencer que somos invencíveis. Não somos, somos invisíveis e é isso que a Academia deveria estar tentando reverter enquanto é tempo.

(E há pessoas fazendo esse trabalho lindo de nos colocar no protagonismo, isso é ótimo!)

Aos trancos e barrancos, a esses profissionais queridos, docentes, amigos, futuros orientadores de uma galerinha do barulho qu evai aprontar mil e uma confusões, vão meus créditos para essa coluna que comecei do nada por uma demanda interna (Pseudo-bibliotecária de referência é fogo viu?). O Bibliotequices tá começando ainda, mas já vislumbro vários posts sobre a área que possivelmente possam fazer alguma diferença na vida de alguém.
(Nem que seja para traduzir em palavras a reclamação de alguém, nem que seja por isso!)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

bibliotecárixs das quebrada, morô?


Yo mano! Yeah ax mina! Os esquema aqui nax quebrada das biblioteca é tenso, duuuuuuude. A v1d4 L0k4 me escolheu, tou fazendo o possível pra dar iniciativa pros chegado mandar a ver nas leituras e coisa e tal.


Pá-pum, sacas?

L0k1 me abençoa, cê já conhece o refrão. Peço pro deus da Trapaça e do Lolz segurar a minha mão. Quando camarada folga comigo, a coisa chia que nem bule no fogão.

Cerrrrrto mano?! Cerrrrrto.

Só que tem alguns que acham que sou macaquinha novinha de galho verdinho, neaw? O que se deve fazer na hora? Improvisation.

Postagem básica sobre a vida de projeto de bibliotecária que às vezes precisa ter o famoso jogo de cintura (All the nation, do the rebolation!) para lidar com as diferenças sócio-históricas, culturais e de visão da sociedade que os nossos queridos estudantes têm.

A.k.a. o que fazer quando um usuário de biblioteca escolar informa de forma ativa que é membro de uma gangue.

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