Pesquisando

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

mais um semestre a começar

Hey céleblo feladapoooota, como vai?
Pois eu vou bem.
Não consigo ver beleza em nada ainda, mas tamos aí pra entender o que raios vai ser desse semestre.

Ataques de ansiedade são bem-vindos, até porque eles sempre estão por aqui rodeando um estômago cheio de suco gástrico sem ser afetado por cafeína há 2 meses e um fator de não ter algo substancial como distraimento.

Ando lendo livros.
A Divina Comédia tá encaixando direitinho com a vida, principalmente aquele trem de ficar se apoiando em poeta morto, dando uns rolê em círculos e a única possibilidade de ter alguma redenção é conferindo na íntegra o que o mal-mal como pica-pau tem reservado para o coração fraco e pecador de um cristão relapso, logo consigo me identificar com a narrativa.

Fonte: Comics by R.E. Parrish


Não que eu seja cristão.
Mas o rolêzim tá bem parecido com a vida real.

Voltar para faculdade cada semestre tem um misto de apropriações emocionais - porque negar é o princípio para a aceitação né? Bora - em que a ansiedade tá ali, maratonando junto, dando tchauzinho a cada 3 minutos e voltando pra dar aquele abraço só pra garantir que estará ao seu lado, no que der e vier.

É bom personificar os medos, já meio caminho andado para querer chutá-los em sonhos ou devaneios mesmo. Sinceramente? Colocar massa corpórea nessas quimeras é mais fácil de lidar do que tentar pegar com a mão uma cortina de fumaça.

Então o misto vem com todo o repertório da frustração, em quase todos os sentidos, em quando uma situação que não sei se saiu do controle vai me atingir com mais força por eu não ter controle nenhum. Pra ter uma ideia, quis ficar grudade no busão na hora de ir pra aula, ficar na cadeira e voltar de onde eu vim. Lá é seguro, é calmo, nada acontece, é um depósito de poucas lembranças.

Graças.

Mas ser adulto é encarar a realidade, e para percepções que me são salientes, a realidade não é nada legal.

A realidade nos faz pensar que durante uma aula qualquer sobre assunto diverso vai abrir uma porta de (im)possibilidades incríveis de se explorar, para um segundo depois ter a bigorna esmagadora de que não, ali não é lugar para se abstrair para isso. Aliás, esse sufocamento primário de pensamentos é que me fez chegar a esse ponto no começo da conversa.

É a vida.
Ela é nada feliz.

É um espetáculo bonito isso de ser visitante em seu próprio corpo, analisando cada molécula arrasada por culpa daquilo que não fez e daquilo que deveria ter feito (na maior parte das vezes é ter coragem pra fazer as coisas, tá difícil), se chega à conclusão que se cuidar é a melhor maneira de não surtar. E não surtar no sentido romântico, explícito, altamente catártico da palavra, é o fermentar pequenas porções de ansiedade e torções de realidade e angústia e medo de não ser suficiente em um bolo imaginário que estaciona nas dependências do abdômen. E subir pela garganta. E trancar a respiração. E ter que fingir que tá tudo bem, porque hey tá tudo bem! Não tá bem? Por que não deveria estar? 

O surtar aos poucos e com doses homeopáticas é uma das habilidades que vem de berço, eu sei. Engolir o bolo até ele se digerir em algo diferente foi o que aprendi até então.
(Dá pra mudar? Dá. Se eu quero? Nem sei mais.)

Por que não tentar de novo, seu disgramento? Penso eu com meu músculo que não sente dor. Porque tentar de novo vai ser a mesma coisa que expor a tudo que não é necessário se absorver. 

Até onde investiguei, não sou uma esponja.

Então até essas miudezas não serem extraídas do sistema neural e principalmente do estomacal (a fermentação dos sucos é acessível com um olhar, faz parte) não partir, essa é a minha vida de escriba nesse bendito curso que continua sendo minha paixão, mas assim como o moleque estrábico rancoroso, minha Psique não está muito a fim de ficar casada com uma entidade que é invisível.

Mas prossegue a rotina, tem um diploma pra pegar, mais outra epopeia estomacal para cultivar e rever prioridades novamente pra não surtar. 

Muito poético isso, né?
Tava achando que tinha perdido essa veia de disfarçar meus problemas emocionais com metáforas e referências e afins. Faz parte.