Pesquisando

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

[conto] defiance - o grupo sem nome

[o grupo sem nome] por: @_brmorgan.
Cenário: Defiance - jogo e parcialmente alusão ao seriado.
Classificação: 16 anos (morte, distorção de convenções morais, violência)
Capítulos: 1/?
Resumo: Na nova Terra de 2046, um grupo distinto e sem nome vaga pela Paradise (Antes território de San Francisco, EUA) combatendo o Exército Mundial de Coalisão - EMC - por motivos não tão nobres assim.

N/A: Era pra ser um one-shot direto, só com diálogos, acabou sendo transformado nessa contextualização chata aí. Mas sempre é bom, entendo que muitas pessoas jamais viram ou jogaram o game e conhecem pouco do seriado. Então não sejam bobinhooooooos, tira o atraso e vão ver Defiance!

Capítulos: [1] - [2] - [3] - [?]

===xxx===
A dinâmica de línguas não era comum a todos na pequena comunidade nômade em que viviam. As pessoas de fora os chamavam de outcasters, favelados, madrugueiros, ladrões, sequestradores de crianças, roovers, e outras palavras em diversos idiomas que talvez eles não tivessem nunca ouvido na vida. Eram poucos, de algumas raças, votanis e humanos, de idades variadas e especialidades múltiplas, todos com o mesmo objetivo: proteger as pessoas do EMC - Exército Mundial de Coalisão.



Antes um exército unificado pelas autoridades mundiais para proteger a Humanidade da colonização Votanis que ocorreu em meados de 2013, o EMC tomara proporções estrondosas dentro das Forças Armadas de muitos países e recrutava soldados com facilidade. Dotados de maior poder de fogo, astúcia científica e estratégica, o exército foi se aperfeiçoando na pesquisa genética da tecnologia Votan - que chegava aos montes em todas as bases militares ao redor do mundo - e o DNA humano. Como todo grande exército que se sustenta através de líderes inescrupulosos, o EMC foi se deteriorando em experimentos insensatos, ocupações proibidas e trazendo o pior em seus soldados. Quando a Pale War findou, os poucos que sobreviveram estavam longe de serem reconhecidos como humanos, enlouquecidos pelos seus ideais distorcidos e forçados a vagarem pela Terra sem o reconhecimento de sua importância.

O passado do grupo era diretamente ligado ao EMC, todos ali eram vítimas do final da Pale War, quando os espólios eram poucos para os vencedores - a E-Republic jamais explicou o porquê de explodir todo bendito poço de gás natural, jogar produtos químicos suspeitos em fontes de água potável do outro lado das trincheiras que encontravam na sua frente. Poucos sabiam que os inimigos não eram tão diferentes quando os amigos. Amigos ou Inimigos, seja lá o que fosse essa expressão, não fazia muita diferença para o grupo de renegados que vagava pela Costa Leste atrás de trabalho, cultivando comida precariamente e mantendo a honra dos sobreviventes. Odiar o EMC era ter uma razão de viver, mesmo que essa razão trouxesse morte e destruição para os mutantes enlouquecidos.

O líder do grupo era um senhor de pele lisa e anormalmente pálida, um Castithan chamado Gin (E que ninguém soubera ou ousara perguntar o nome real), um engenheiro falido, de mãos trêmulas, cenho franzido e costas curvadas. Ele parecia estar bêbado quase o tempo todo, entre um delírio e outro no meio da noite (Era quando o grupo preferia continuar caminhando para se assentar em outro local), mas todos os respeitavam. Todos ali no grupo sabiam que o Votan de casta alta entre os seus - mas desgraçado pelo seu miserável destino ao se filiar ao exército perdedor - tinha experiência de sobra e às vezes, muitas vezes conseguia prever a movimentação dos inimigos no meio da escuridão. Bêbado, maluco, incapaz de exercer sua profissão ou não, Gin era o coração do pequeno grupo que nem nome tinha. O velho Castithan achava que colocar palavras para denominar alguma coisa consequentemente trazia um peso tão insuportável quanto as ações.

Ao seu lado na chefia era um humano de porte admirável, nativo americano, um dos poucos que sobreviveram as mudanças climáticas e da Terraformação quando as Arcas caíram impiedosamente sobre a superfície. Chamavam-no de Apache, outros chamavam de Vermelho, alguns que o conheciam de fora gritavam seu nome como "Yeddish", mas poucos sabiam que seu nome era Yosef Tallin, um descendente de uma família de judeus ortodoxos e que só fora agraciado com a aparência dos nativos americanos daquela região antes chamada de San Francisco. Ele era o chefe de armas, o cara que todo mundo deveria consultar antes de sair em uma caçada noturna, explorar alguma região boa em potencial para se instalarem, ou simplesmente pedir permissão para fazer suas tarefas. As aparências enganavam, as palavras, mais ainda.

A tarefa maior (E mais suja) era a de conter os ataques eminentes do EMC contra qualquer vilarejo, estrada e aglomerados. O mais importante era não deixar rastros de suas ações, apenas uma pilha de carcaças carbonizadas e o local "limpo" da ameaça mutante. Roubar os pertences dos inimigos e adaptar para si mesmos era uma questão de sobrevivência, até um dos carros-forte que os mutantes usavam era um artigo de primeira necessidade para o grupo, quando o combustível acabava, partiam para mais outra caçada como catadores de sucatas. Tirar vidas de quem não possuía vida alguma ao se mirar bem em seus olhos era mais fácil do que roubar fazendas da região. O EMC continha um estoque limitado de suprimentos (Muitos deles descartados por serem parte de uma dieta de "adrenalina liquida" que todos evitavam de entrar em contato), mas com o passar do tempo, o grupo sabia bem selecionar os mantimentos e os armamentos.

Como muitos ali já haviam presenciado, os soldados do EMC não eram regidos pelas mesmas regras que os demais cidadãos daquele novo mundo. Meio humanos, meio mutantes, criados por um horror de final de guerra e pelas mentes sádicas que se deixaram levar pelo desvario da derrota, os soldados não sentiam dor, não tinham pena e muito menos poupavam qualquer criatura viva de uma morte lenta e dolorosa. Mesmo com as disparidades entre religião, ciência, deuses e crenças, todos do grupo concordavam com apenas uma coisa: O EMC deveria ser extinta. Custe o que custasse. Mesmo que a vida de um do grupo, mesmo que fosse uma criança sacrificada em um ataque mal planejado, mesmo se fosse um elder servindo de homem-bomba, o que fosse possível, tudo era uma oportunidade para erradicar o inimigo da face da Terra.

Essa devoção ao serviço era alimentada naturalmente, sem pressão em discursos dos líderes (Na verdade o silêncio era a regra de ouro do grupo), muito menos por promessas de um futuro melhor. Todos do grupo sofreram algo trágico em suas vidas por culpa do EMC, logo a vingança era uma qualidade apreciada para se afiliar. A raiva, o ódio, a mágoa e o rancor eram os líderes, na verdade. Cada pessoa tinha sua tarefa específica dentro da comunidade, mas todos sabiam de antemão que a vingança prevaleceria nos piores momentos. E infelizmente, ela nunca os decepcionava em nenhum momento.

Certas vezes o grupo topava com os tais "Arkhunters", moleques desmiolados que achavam que se aventurar no mundo era uma forma de ganhar a vida. Muitos deles não tinham convicção alguma do que faziam, e o pior: a maioria trabalhava para a Von Bach Industries. Pessoalmente Gin odiava a exploração da VBI nos últimos anos, ele sabia bem dos centros de pesquisas precários na área de Great Bay e como cientistas, assim como ele, eram pressionados a desenvolver "produtos" que muniam a E-Rep de modo substancial. Trabalhar para Von Bach era o mesmo que se alistar ao EMC, só que pelo menos conservava um pouco da sanidade (Menos os escrúpulos).

Qualquer um do grupo que se interessasse em ser um arkhunter era deixado para trás. Decisões eram decisões, e colocar um emprego com VBI antes da vingança contra o EMC era impossível para se conviver. Alguns jovens mais acertados desistiam da empreitada contra o exército e iam para as fileiras das indústrias que renasciam das cinzas para esse novo mundo. Poucos voltavam a travar diálogo com o grupo sem nome, mas um em especial enviava todos os meses scripts via modo convencional do grupo - em alguma parte de Tranquility, os pilares da ponte principal, entre as fissuras entre um pilar de concreto e outro - para ser coletado e dividido para as despesas alimentares. Gin jamais disse quem era o jovem que enviava as doações, mas toda vez que voltava da coleta exibia algo parecido com um sorriso no rosto cansado e velho de olhos lilases. Como o silêncio era a regra de ouro, ninguém perguntava.

Na última mensagem descrevia que havia um cemitério de Volges em Badlands, precisamente no desfiladeiro perto da cidade de Defiance. Mesmo que algumas tribos de Irathiens estivessem por ali, eles não se interessavam pelas carcaças de metal frio e durável dos monstros Votanis. A notícia deixou o grupo empolgado com a perspectiva de acharem um local bom para se armarem devidamente e terem uma cidade perto para comprar seus suprimentos. Irathians eram amigáveis quando não provocados, mas como alguns do grupo eram dessa origem, a diplomacia às vezes era precisa para troca de mercadorias. Prepararam a viagem, acertaram os GPS e os escoteiros de reconhecimento. Viajariam de noite para aproveitar as oportunidades da escuridão.

Gin sorriu para a mensagem grafada na linguagem Casti em um pedaço de papel de uma lata de conserva: "Eu te amo." - um dos pontos para entonação vocal estava grafado no local errado e isso só significava uma coisa: encontrariam encrenca pelo caminho convencional. Queimando a mensagem com seu isqueiro velho e enferrujado, o Castithan encarou o horizonte e o grupo que o fizera manter as garras no presente e não remoendo o passado.

 - Hora de ir, Apache? - perguntou o velho Castithan, o homenzarrão ajeitou as correias que puxavam o carrinho de suprimentos em suas costas e olhou para trás. O grupo estava armado e pronto.
 - Tem certeza que é uma boa?
 - Tenho minhas dúvidas.
 - Vai demorar muito para chegarmos lá.
 - Temos alguma outra alternativa? - o grande homem deu de ombros, puxando lentamente a carroça de mantimentos.
 - Defiance, então.
 - Que seja.

Continua...
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