Pesquisando

domingo, 18 de junho de 2017

[bibliotequices] esquete #1 - DR na biblioteca


O roteiro tá pronto, só falta aquela vontadinha linda de botar em execução, achar gente pra atuar, pagar mico, ter um cenário, fazer cenografia, ter financiamento, eeeeeeeeh eita trem:

cenário: balcão da biblioteca
Silêncio constrangedor 
Bibliotecári@ olha ao redor e pigarreia


 - Barcelos, a gente precisa conversar...
 - Iiiiiiih...

Alguém vestido como uma Enciclopédia Barsa
(Papelão talvez? Muita cola e cartolina?)

 - Eu sei que a gente tem um relacionamento de anos e muita coisa mudou entre a gente...
 - É aquele papo de que sou velho demais pra sua coleção?
 - Não, não é isso... É que...
 - Que minha versão tá desatualizada desde 1985? É isso?
 - Entende que pra aqui, onde a gente se encontra, não posso ficar com você... As pessoas vão falar...

Barcelos levanta a voz

 - Falar o quê? Falar o quê? Que não sirvo mais pra consulta? Que não tenho verbete coloridinho com essas firulas de adolescente clicando em link?
 - Não, Barça, a gente não tá dando mais certo...
 - É isso, cê vai desistir de mim...
 - As pessoas, elas tão falando... Não posso mais ficar contigo desse jeito...

Bibliotecári@ olhando ao redor com certo constrangimento
Barcelos levanta no supetão e sai do salto

 - Vai se livrar de mim, mas não fica assim não!! Vou entortar essas prateleiras até você fazer reciclagem!! Vou falar pros dicionários defasados que tenho mofo até no miolo!! A nossa traça de estimação, fica comigo!!

Barcelos agarrando com carinho uma traça em tamanho gigante
Bibliotecári@ levanta indignad@

 - Não, a Adelaide não!! Não bota a Adelaide nisso, pelo amor de Ranganathan!!
 - Você vai me ver no tribunal!! Vou botar a boca no jornal do almoço!! Jornalista famoso vai reclamar do teu descaso por mim!!

Barcelos sai batendo pé e xingando coisas inteligíveis


Bibliotecári@ desesperad@


 - Não, pera Barcelos Mirador Britânico!! Volta aqui, vamos conversar direito!!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[bibliotequices] sobre burnouts


Here I go, here I go...

Mente vazia, oficina da queridona Lady Ansiedade, do meu coração <3
Como mãe de todos os pavores, fico no aguardo pelo próximo momento lindo de dorzinha localizada. Os neurônios estão trabalhando em outras áreas pelo jeito. O legal de ter uma mente hiperativa é que mesmo quando tou lesada pela dor, vai vir coisa, sei lá, alguma coisa, tipo ontem foi ideia rápida e improvisada na apresentação do trabalho, até que deu certo - no susto, mas deu. O ruim de ter mente hiperativa enquanto se está com dor é que não dá pra executar as coisas que quer fazer. 

É um belo círculo vicioso dos Inferos pra enfrentar. E a Ira costuma vir junto.

A dor nas costas anda me fazendo relevar muitas questões na vida de escriba, até o ato de escrever já está se tornando um exercício difícil - a escrita entra como solução paliativa, um band-aid para uma fratura exposta, um "Calma, vai melhorar" - já que não posso ficar muito tempo sob meus quadris. Hips don't lie, o meu pelo jeito deve estar com uma ficha criminal bem extensa ou é fã do Pinóquio.

E aí escrevi um post angst ontem voltando no busão - porque a menininha mágica da Clamp caótica no meu sistema nervoso me lembrou assim que senti aquela fisgadinha delicinha no ciático - mas fui deletando as coisas mais blergh e coloquei piadinhas toscas e humor dos anos 90.

E uma história bem legal que ouvi/presenciei durante o estágio há uns 2 anos atrás.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ao Dia do Consórcio, com carinho

Hoje foi dia de chá de cadeira, atrasos, máquina de ressonância magnética com altos ritmo de rave (tundz-tundz-tundz) e nem estou medicada. Sério, juro.

Aí para melhorar o final do dia tão especial, gravei um vídeo. Yep. Isso mesmo.


Para esse Dia do Consórcio, ops dos Namorados, aquela seleção de músicas bregas vai especialmente para vocês, amigolhes enfurnadinhes nas bibliotecas do Brasil-baranil, esperando por aquele encadernado perfeitinho que encaixa na prateleira sem sobrar borda, com cheirinho de papel novo e classificado corretamente.
Entre uma estante e outra, tamos aí, fazendo o seu dia romântico e tosco, mais tosco s2

Não pretendo quebrar nenhum copyright como s trechos das músicas, tou só promovendo um momento de nostalgia dos anos 80 trash com as baladinhas mais melosas do mundo.

Aliás, vocês sabiam que o 12 de junho, Dia dos Namorados (aka Dia de Santo Antônio) só é comemorado no Brasil e que no resto do mundo é dia 14 de fevereiro?! Já usaram o Google hoje para descobrirem o porquê disso?! Ah vai né, clica cá: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Namorados

sexta-feira, 9 de junho de 2017

[bibliotequices] ao centro acadêmico de biblioteconomia UFSC com amor

Vamos lá pro textão?
Vamos sim, porque tem que ter!!

Quando uma pessoinha querida me chamou pra participar de uma reunião do CAB - UFSC, eu não sabia que iria integrar um grupo de gente mais doida e ativista que já conheci na vida.
Eu não sabia no que tava me metendo, mas sabia o que queria: um curso melhor, um ensino melhor, mais respeito entre discentes e docentes, menos porrada estudantil na nossa cabeça todo semestre com falta de estágio, bolsa-auxílio, moradia, desrespeito com a nossa condição, queria que estudante fosse valorizado e também tivesse voz.

Foi aí que vi a enrascada em que havia me metido.
Movimento Estudantil é algo muito muito muito sério e difícil de explicar direito. Uma pequena vitória quer dizer um montão pra gente. Um sorriso novo na cara do colega que conseguiu passar pela dificuldade que tinha, dá vontade de crescer junto, de permanecer junto. É isso que o CAB me fez perceber durante 2 anos e meio no grupo.

Estar no CAB também me deu um tanto de dor de cabeça, muita cara feia, muito puxa pro cantinho no corredor pra ouvir asneira, muito aviso de "Cuidado com que tá mexendo" pela simples razão de querer fazer algo que ajudasse os estudantes, contrariando sei lá o quê a ordem cósmica da hierarquia universitária. Até onde entendo é a gente que faz esse trem funcionar, sem estudante em universidade, o trem não anda, cursos fecham, docentes são dispensados, programas vão pro limbo cósmico. Então não seria o mais lógico ter um pouco mais de respeito, cordialidade e atenção com quem tá ali pra aprender e fazer uma sociedade melhor? Parece lógico? Pretencioso demais? Otimismo?

Quem me conhece, sou fatalista do baraleo, penso em plano A, B e C antes de qualquer coisa e tento o máximo que posso pensar primeiro nos estudantes, na condição de ser estudante (O que sempre fui) antes de relevar esse tipo de coisa. Cada um do grupo em que estive durante esse tempo contribuiu de uma forma incrível e meio caótica para tudo funcionar não conforme a gente planejava (Nunca dá, né?!), mas de fazer o que dá quando a situação aperta, quando a vida nos dá limões e quer suflê de morango, quando tentam enfiar pelas nossas goelas que temos que ser pastelões de frango (Sem azeitona, porque a azeitona é "muito do social, é mexer com gente") quando na verdade tá todo mundo aqui querendo fazer o que pode e o melhor para ser bibliotecári@.

BIBLIOTECÁRI@, sacas?

Tá difícil.
Mas a gente tenta e tentar junt@s, no CAB, em entidades de representatividade da categoria, em grupos mais unidos, a gente alcança coisas inimagináveis (Menos a reforma do Bloco A porque é lenda urbana, virou mitologia, logo sendo enaltecida pra milagre, mas quem saaaaabe).

2 anos e meio de CAB me ensinou a respeitar mais do que as diferenças, foi procurar bem bem bem as similaridades entre os colegas para termos união quando o bicho pegava (E gente, o bicho pegava todo santo mês em reunião, desgastante!), quando a situação parecia pisar em nossas convicções como meros humanos, quando alguém caía e não conseguia levantar. Era na união, nos papos de corredor, nas conversas nas redes sociais, nos posts engraçados na página, nas chamadas para reuniões, assembleias e rodas de conversa: isso tudo tinha um sentido, manter eu, você, nós estudantes cientes que não somos babacas só querendo diploma e virar marionete do mercado (Todo o tipo de mercado, afinal "produtos nós já semus").

A gente tem voz, a gente tem força, a gente faz.
2 anos e meio de CAB me ensinou que dá sim.

Ensinou também que posso confiar em poucas pessoas, acreditar em algumas, observar muitas.  Observar pra não fazer os mesmos erros, observar para não cometer os mesmos insultos, observar pra me servir de lembrete, quando eu tiver em dúvida do que raios escolhi entrar nesse curso, seguir essa carreira, fazer o bem como bibliotecári@ lá fora. Tudo isso, até os pequeninos deslizes dentro e fora da sala de aula, tá tudo aqui registrado.
(Maldita memória imagética que não deixa escapar nada.)

Ensinou que união não faz só açúcar, faz pressão. Que união aumenta o volume da nossa voz pra quem quer nos deixar em um lugar de mediocridade e ignorância. União faz a gente estufar o peito mesmo tossindo que nem cachorro louco com esse clima doido aqui de Floripa e encarar seja lá o que venha na pedrada semanal de discursos desconexos. União faz a gente se sentir mais coerente e correto com o mundo ao redor. União faz a gente entrar numa sala pequena toda semana e nos sentirmos bem em falar o que quiser para ajudar o coletivo. União vai além de protocolo, camaradagem do tapinha nas costas com uma palavra ferina, da não-inclusão no que concerne a todos, no xarope amargo diário de palavras que nos descontentam em querer continuar o curso. União faz greve, faz #OcupaCED, faz aluno estar em pé igual a bambambam de hierarquia "maior". Todo mundo aqui no mesmo barco, não tem dessa não.

O CAB me ensinou a ser mais focada nuns trem que eu nem sabia que devia me focar. Me ensinou a militar de uma forma que só eu consigo fazer e também vivenciar colegas militarem por boas condições de estudo de uma maneira que nunca pensei que iriam fazer. Me ensinou a entender que nem tudo que eu quero pro curso, pros colegas, pro futuro da carreira, eu vou conseguir, mas me ensinou muito bem onde, como, quem, pra quê e porquê ir atrás disso tudo e com argumento lógico e decente o possível para que todo mundo se beneficie das parada. O tal do Ethos, saca? A gente esquece de lembrar das aulas de Ética e coisas relacionada a cidadania, social, humanidades - até porque elas minguaram, né? - esquece de dar uma olhada na nossa Legislação, esquece de ser cidadão.

O CAB me ensinou isso: ser cidadão.

O CAB me ensinou também que tem umas pessoinhas muito fodásticas que aparecem na nossa vida que a gente não sabe da onde brotou, e elas, hermanes, essas pessoinhas vão fazer toda a diferença na sua vida acadêmica e profissional. Se a powha ficou séria, sei que posso contar, se tou triste, sei com quem posso contar, se vou me ferrar na prova final do semestre, sei com quem posso contar, se tou feliz, se tou sem um $$$ pro café, se tou com frio, se tou com sono, se tou dormindo na sala de aula, sei com quem posso contar. E em 2 anos e meio foram essas pessoinhas lindas do CAB que me acolheram, me encheram de orgulho, me deram muitas emoções e aturaram muita coisa nessa vida de universitário consciente do seu papel.

A vocês, bando de arruaceiros, malandros, mandriões, que não querem nada da faculdade, só mamando nas tetas do governo - e outras alcunhas super fofinhas como já nos chamaram diversas vezes durante esse período caótico - a vocês, amigolhes, toda a glória, esplendor, glitter, purpurina, paetê e pluma pra sambar na cara da sociedade que quer (E não vai conseguir) manter a gente adestrado, amordaçado, ignorante, passivo e alienado.

A vocês que estiveram a frente do CAB e que tive o prazer de estar junto, meus parabéns. A gente fez barulho e fomos ouvidos. Que continuemos assim. Eu, pelo menos, estarei em outro front, com os dedos coçando e a língua afiada para contra-argumentar quem acha que lugar de estudante é sentado, calado e ouvindo. A gente fala, a gente ouve, a gente fica de pé e reclama quando tá tudo errado. É nosso direito. E a gente tem o dever de mostrar aos colegas que temos direitos sim.

Aos meus chuchuzinhos das últimas gestões, meu coraçãozinho rude e caótico estará sempre com vocês. Cada um de vocês. E que continuemos assim.

Vida longa e próspera e barulhenta ao Centro Acadêmico de Biblioteconomia.
Movimenta Biblio e Unificar para Fortalecer, nosso trabalho não acabou não.
(Não, não mesmo, porque aí a gente se forma e vai começar a causar f***** lá fora também, porque nós somos bibliotecários e somos a maioria, bora botar pra ferver esse trem aí!)

E como célebre pessoa sábia diria: 
"Basium in umero ad notionem fugientem
Basium in umero ad invidiosas sperantes
Basium in umero ad sociasque amicas
Basium in umero ad quas voluntantes."


there's a hole here - it's gone now


Créditos: Helen Green

Essa postagem era para ter saído no dia 09/01/2016, mas por forças maiores e óbvias só consegui voltar a ela hoje. E tá incompleta, porque dói. Dói demais.

A minha breve história de adoração por David Bowie.

Fui conhecer o dito cidadão de Marte disfarçado de Duque quando era pequenine. Tinha esse VHS do Queen (Greatest Hits volume II) que começava com "Kinda of magic" e o segundo vídeo era todo agitado com um robô com a cara do Mercury. A música era "Under Pressure" e eu adorava ouvir o baixo dessa música. A voz que cantava com o Freddie não sabia quem era, mas hey! Aquele VHS furou de tanto eu rebobinar.

Cresci, a escola com seu intuito de instruir jovens como eu, resolveu passar Diário de um Adolescente e Christiane F. pras turmas. Óbvio que foi sem debate e nem escrever aquela redação com frases como "Não use dorgas, mmmmmkay?". Eu não tava nem aí pro enredo do filme (que aos meus 12 anos era pavoroso), o que me chamou atenção foi esse cara finérrimo, ali no fundo da cena, cantando Helden e Station to Station e na hora reconheci a voz: era o tio junto do Freddie!!

Em 1998 Internet sequer existia na cidade onde eu morava e pra descobrir quem era o bendito foi um sufoco. Saber dele mesmo só em 2001-2002 através de uma fanfiction muito fofa de uma escritora com email bem weird (garotadaserraeletrica yey!), ela havia começado a fic citando Bowie e depois finalizou com festa de arromba com Rebel, Rebel.

Meu coraçãozinho foi tomado pelo alien ruivo canhoto com as duas aranhas de Marte naquele instante.

2004 fui pras playlist dark e Trentonildo fez uma parceria boa com Bowie, I'm afraid of Americans me rendeu muita risada e piada interna com a Ella Dee, assim como a interpretação de Hurt mais doída possível.

Quando entreguei minha alma pro Vaticano a prestação (PUC) o Patrono ecoava em meus ouvidos por questões de sobrevivência, eu sabia que não ia aguentar o tranco da adultice e toda parafernália teórica sendo entulhada dentro do meu cérebro antes de completar 19 anos. Me refugiado no conforto da voz tão diferente de um cara que se reinventava a cada década, ria um bocado com a fase dos anos 80 (China Girl e Dancing in the street, gente!), entendi o angst em Christiane F., a trilogia de Berlim, as parcerias com Lou Reed, Iggy Pop, Placebo, Tina Turner e Cher. Fiz a viagem ao contrário, vamos dizer assim. 

Até encontrar uma admiração profunda pelo seu alterego Ziggy Stardust.
Ziggy é o Starman, provavelmente bateu altos papos com Major Tom sentado em sua latinha de alumínio. Ziggy cantou Space Oddity e jamais esquecerei de como isso significou pra mim.

Ali na fase EBM dos anos 2000 achei que não ia largar da minha crendice em ficar no Bowie dos anos 70, me surpreendi com Heathen e a Reality Tour. Heroes tocava no repeat no final de 2007, precisava acreditar naquelas palavras.

Dali pra frente meu amor incondicional a um cara britânico que eu sabia que jamais iria ver um show seguiu e continua até hoje. David Bowie foi um dos poucos artistas que me representa como pessoa, desde sua camaleonice com fluidez, ao modo de tratar a realidade com aquele sarcasmo lírico que tanto preciso. Forévis no meu coração, Duque. Rei dos Goblins. Nicholas Tesla. Clone da Tilda Swinton. Forévis.

Obrigade por existir nesse espaço-tempo em que habito ainda. Você sempre será meu ídolo, meu pai que nunca tive, o cara dos meus sonhos, minha terceira avó.




quarta-feira, 7 de junho de 2017

sumiço

Não era Amor.
Não era.
Não era Amor era
Um número na CID que começa com M54. uns quebrado. No caso a minha lombar.

Traduzindo: de cama, sem movimentos bruscos, nada de PC até domingo,nqda de pegar busão.

Isso porque tenho 1 prova, 2 projetos de pesquisa, 1 relatório e 3 apresentações de seminário para preparar.
(sem contar estágio, revisão de revista AND minha sanidade)

Era cilada!
Cilada, pampampampampanananan.

Ps: médico receitou Tramadon. Voltei pra fila e fiz ele refazer a ficha de medicação. Tava lá no meu effing prontuário o que exatamente Tramadol e qualquer medicamento do tipo fez comigo da última vez. Tou num outro que não é narcótico, mas não sei não. Assim como bibliotecários, médicos não leem os prontuários pelo jeito.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

coisas produzidas pelos sonhos

Quando se é uma criança com uma imaginação fértil em uma época onde a tecnologia afetava timidamente o que poderia ser produzido depois, tive sorte de ter sido criade numa casa onde tinha quintal enorme.
Dreams, inconsistent angel things...

Já comentei das peripécias de viver na Tiago da Fonseca durante os anos 90, como isso me afetou na escrita e na produção de sentidos para as realidades em que estive inseride. Sonhos estão comigo tão vívidos desde pequene, felizmente muitos me dando inspiração para escrever e narrar histórias - nem que seja só para mim mesme, todo mundo precisa de um pouco de ficção pra não ficar insano - outros, os pesadelos, tem estado comigo também desde que mudei de estado ali na metade de 1994.

Coincidentemente meu contato com bibliotecas foram nessa mesma época. Perceber o mundo de um jeito mais crítico também. Mas os pesadelos estavam ali por algum motivo que não se dá para tocar quando criança, às vezes nem é bom, pois para digerir isso quando novinhe se faz um esforço tão grande que acaba ferrando com a cabeça depois.

Pra quem tem muitos pesadelos desde criança, até que tou bem quanto a eles. Não afetam mais como antes. Comecei a escrever o que lembrava deles após acordar em uma antiga sessão do primeiro Blog que tive (DelusionalWounded, geocities disse bye-bye, weblogger do Terra também, depois domínio próprio e aqui no Blogger pra virar esse que você lê agora), a tal da "Sonhos estranhos com detalhes"


My beautiful grief
Your dreams are my torture

Your dreams my relief



Depois de descobrir como se faz para manipular sonhos - o que chamam de sonho lúcido - durante meus 20 e poucos anos e entender que sonhos, sejam eles bons ou ruins, fazem parte da nossa criatividade querendo dar as caras para algo a ser produzido, transformei muitos sonhos/pesadelos em contos. Das melhores experiências no mundo onírico, consegui tirar um projeto de cenário para fadas - Projeto Feéricos tá devagar, mas tá indo - e mesclando com cultura popular, cinema, música e performance. Dos pesadelos intricados, dolorosos e traumatizantes, consegui compreender como a vida no mundo real, sólido e tátil pode ser uma dádiva a ser aproveitada a cada segundo. Deles também tirei inspirações para muitas histórias, questionamentos, pesquisas, realizações. Sonhar com a própria morte dezenas de vezes numa mesma noite não é saudável para ninguém, mas acabei percebendo que cada batida de cartão ao patrão Morfeu, uma lição era aprendida: nunca subestime o poder do ID, do subconsciente.

No Projeto Feéricos comecei a delinear algumas histórias que tomassem a narrativa desses sonhos, afinal tudo começou com uma menininha mendiga com um mochilão maior que ela, no meio de uma chuva torrencial, debaixo de um prédio cheio de escombros, me ajudando a lutar contra um monstro feito de vigas de ferro retorcido e pedaços de reboco e concreto. A Angie nasceu ali, de um sonho escabroso em uma noite de verão após chegada ao Rio de Janeiro, perto de um local onde uma tragédia aconteceu décadas atrás e que só vim saber depois quando contei o sonho pra uma pessoa da família que mora na cidade.
(Links para as notícias [x] [x] [x])

Com esse template de narrativa feita, e devorando o Manual Básico de Changeling the Dreaming, veio a confecção de um mundinho muito aproximado do nosso, com muita mistureba da nossa cultura com os diversos lugares que já estive/passei/morei. A Metrópole que é citada nos contos é uma mescla entre centro do Rio de Janeiro, centro histórico de Florianópolis e um pouco de Belo Horizonte. Cada pedaço ali descrito é meio que revisitar esses lugares que passei tanto tempo admirando ou correndo. O Posto 2 do Zé Ferreira, Dona Alcidez e Angie criança é total Avenida Rio Branco, desde a frente da Rodoviária com os hangares portuários, até lá o final chegando na praça dos Bombeiros, passando pelo antigo Hospital Psiquiátrico Pinel.

Mas pra quê isso tudo? porque acabei trombando com esse cara.

Zdzisław Beksiński era um pintor polonês que passou a vida toda pintando sobre seus sonhos. e o que ele via lá eram coisas beeeeeem estranhas por assim dizer. Muito da arte dele é grotesca, vívida e surrealista, então para ter um pouco mais de atenção nas pinturas tem que ter um estômago mais ajeitadinho, uma cabeça mais acertada com certas temáticas. o surrealismo dele, onírico por assim dizer ultrapassa muito das nuances que a gente, meros mortais, consegue produzir com a imaginação.
Nem nos meus piores pesadelos eu tenho lembranças de material como esse.

Duas pinturas que me impressionaram pelo detalhismo e a semelhança tão f*** com o que eu imaginava para o cenário de Projeto Feéricos são essas aí abaixo:

'Dolina Śmierci do artista polonês Zdzisław Beksiński -  (Fonte: Carajaggio)

Essa pintura já havia colocado no conto que escrevi semana passada "Como pesadelos são construídos" ilustrando o feeling das andanças da Angie. Em termos de jogo - Changeling the Dreaming - a Angie tem as skills de passear entre Trods, é como se fossem passagens secretas entre tempo-espaço, poucas fadas conseguem fazer isso com segurança, e como a Angie tá enquadrada como Eshu no RPG, ganha uns pontinhos a mais... Tem todo um background de como ela consegue passear entre mundos, isso vai sendo explicado depois. Há esse rascunho mal processado que escrevi na época em que o cenário tava tomando forma, problemas de bloqueio vieram depois, aí não produzi tanto quanto queria.




A imagem do ônibus abandonado é perfeita para a quimera-ônibus que surgiu depois de um sonho esquisito com caçadores de pokémon que eram fadas (?!) e eu participava do grupo com o sarcasmo e o lolz. Até hoje esse sonho norteia qualquer mudança que eu vá face no cenário de Feéricos, por conta de ser como visualizei primeiro como seria a dinâmica entre os personagens. Tudo bem que Angie não tava lá, mas a forma dos personagens estavam, a motivação também.

O ônibus-quimera é uma daquelas alegorias de pesadelos estáticos que volta e meia visitamos de tempos em tempos, arruinado, enferrujado, pichado e trazendo ferro frio em sua constituição traz todo o pavor possível para qualquer feérico que seja obrigado a estar perto dele. A quimera se manifesta silenciosa, na forma do ônibus e levando seus passageiros para um lugar onde os sonhos estão paralisados.

Vi um ensaio de fotografias de exploração urbana na cidade de Pripyat, onde fica a usina nuclear desativada de Chernobyl, Ucrânia e não sei se vocês sabem, mas lá é inabitável pelos altos níveis de radioatividade no solo, na água, e até no ar respirável em alguns pontos. Tem uns malucos que fazem turismo por lá com todas as precauções feitas pelo governo para não haver contaminação radioativa, aí nas fotos, uma me chamou atenção: o parque de diversões da cidade.

O parque foi para Engel, o ginásio foi a ponte para introduzir a Angie no grupo, já que a menina é ligada ao caos e ao vazio. A desolação de Pripyat mais essa peça do polonês dão um tom para a trama da Angie que me fez questionar algumas coisas na personalidade da personagem eternamente adolescente:
- Como ela chegou ali? 
- Por que ela está ali? 
- Paradas de tempo são possíveis em sonhos? 

O ônibus-quimera respondeu a tudo isso, além de dar um adicional pra Angie, ela sabe o que é ficar entre o Sonhar e o Limbo, ela compreende o que é perder o Glamour para algo tão banal quanto ao tempo.

Ou a minha primeira reação ao ver um quadro dele: "That's the real stuff made by nightmares." e saiu em inglês mesmo dentro da minha cabeça, porque não consegui traduzir isso direito pro português: "Coisas bisonhas produzidas por pesadelos" e aí bati o olho no Manual de Changeling e pimba! Tá lá os Pesadelares como descrição disso mesmo que tive a primeira impressão.

Escrever com algo que está posto na realidade é gostoso, gosto de moldar mundos como se brincasse novamente de Lego - só que com as palavras né? - o que é mais intricado em fazer é adicionar os elementos dos sonhos nisso tudo. E é aí que comecei a escrever esse texto: encontrei o artista perfeito para ilustrar algumas passagens das minhas escrivinhações.

domingo, 4 de junho de 2017

como aumentar sua produtividade científica com playlist trash anos 90

Sério.
Tentei 6 playlists diferentes, a única que funfou para botar a cabeça para trabalhar a favor da Ciência foi a famosa Pop Nostalgia.

Viva o Trash dos anos 90!!



Oh Brian, Brian, e eu achando que ia casar contigo...

como desqualificar sua ansiedade


Ferramentas de gestão da qualidade estão elucidando uma velha estratégia minha de escape (Ou como meu corpo reage a situação desastrosa): transformar a ansiedade em números ajuda horrores em lidar com isso. 

Então é um movimento de repulsa e de desmoralização da ansiedade que está sendo a terapia alternativa da vez (violão quebrou, ukulele não dá, minhas mãos estão sempre tremendo, então...) - aí bora lá fazer matriz de prioridades ou sacanear o feeling de esmagamento estomacal com conceitos que não compreendo bem, mas que precisa saber pra poder ir pra frente nessa vida... 

Então esquematizando um fluxograma da minha ansiedade dentro da minha cabeça (Porque tá sendo impossível fazer isso no mundo concreto) temos:

Estou ansiose? 
Sim - uma situação que não costumo enfrentar me pegou em cheio e fiquei sem ação 
Não - Então curte esse tempinho sem neurar

Ficou sem ação (apatia)? 
Sim - se concentra em algo, urgente, nada de ficar moscando
Não - euforia, não consigo parar no lugar

Euforia e está demorando passar a empolgação? 
Sim - se concentra em algo, urgente, nada de deixar a adrenalina subir. 

É suportável?
Sim - sem momentos de angústia
Não - para tudo que tá fazendo, peça ajuda

Seu corpo está sentindo a ansiedade vir? 
Sim - respiração rápida, estômago virando, dor nas costas, perdendo foco dos olhos. 
Não - apenas estou com pensamentos funcionando a mil por hora. 

A Mente está a mil por hora? 
Sim - Não consigo me concentrar em nada
Não - continua respirar fundo e procurar pontos de sustentação - teste de realidade 

Teste de realidade funcionou? 
Sim - agora procura um lugar pra descarga energética e dormir 
Não - tenta outro teste e começa respirando fundo

Cataplexia e sono profundo? 
Sim - arranja um lugar seguro para dormir por uns minutos
Não - arranja um lugar seguro mesmo assim

Dá pra resolver sozinhe? 
Sim - respirar profundamente ajuda, ouvir música, ler também, ter uma parada em tudo que tou fazendo e botar a cuca pra descansar 
Não - para tudo que tá fazendo, peça ajuda

Tem alguém pra ajudar na hora? 
Sim - Não precisa sair expelindo tudo, apenas informe pra pessoa que não tá bem
Não - escreva sem parar, pegue o busão pra casa, tome um banho e durma

A ajuda foi boa, acalmou? 
Sim - Ciclo PDCA pra fazer manutenção da calmaria
Não - para tudo que tá fazendo, peça ajuda

Posso incluir um 5 porquês aí no meio, porque fazer um Shikaua não vai rolar, fica explícito demais e a sutileza da minha pessoa prefere usar a linguagem como escudo pra mais trauma. 

Por que tanta ansiedade? 
Porque sou uma bolinha de emoções reprimidas 
Por que emoções reprimidas? 
Porque me expressar corporalmente nunca fez parte da minha disciplina quando criança. 
Por que a disciplina infantil não contemplou o se expressar maia facilmente? 
Porque minha vida girava em torno de não cometer os mesmos erros dos outros da família. 
Por que não cometer os mesmos erros familiares? 
... Porque não era legal fazer as mesmas besteiras...? 
(Pode responder com uma pergunta?) 

Se estou melhor após escrever essa postagem? 
... 

Bora voltar pro fluxograma...

sábado, 3 de junho de 2017

como uma palavrinha muda tudo

A primeira vez que ouvi a palavra "dyke" (sapatão) em inglês foi nesse filme aí embaixo, nessa exata cena:


O ano era 1999, Garota Interrompida era um filme cotado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante com Angelina Jolie (Lisa Rowe, a lorona mercenária) e na cidadezinha vilarejo brejeiro onde eu morava apenas uma locadora de vídeo cassete (Urrum VHS, isso mesmo) disponibilizava o filme para alugar.

Detalhe, o filme ficava perto do balcão, aos olhos da atendente, porque a classificação etária do filme era de 14 anos pra cima, o que numa cidadezinha brejeira católica tradicional mineira quer dizer 18 anos.

Para locar o filme foi um custo, tive que esperar todo mundo que era cinéfilo naquele buraco pegar para então colocar entre tantos outros títulos que eu gostaria de ver, o filme que a Winona Ryder conquistou meu coração, mas cometeu uma gafe incrível em romantizar o livro (Fui saber disso anos depois, tá?). Filme locado, hora de esperar o momento certo para assistir, não poderia ser com a presença de minha mãe ou junto da melhor amiga de infância, haveria de ser um filme para se assistir solo, porque muita coisa tava me levando a entender que aquele roteiro ali serviria para alguma coisa na minha vida.

E serviu. Garota Interrompida mudou a minha vida aos meus 13 anos e meio.
$(function(){$.fn.scrollToTop=function(){$(this).hide().removeAttr("href");if($(window).scrollTop()!="0"){$(this).fadeIn("slow")}var scrollDiv=$(this);$(window).scroll(function(){if($(window).scrollTop()=="0"){$(scrollDiv).fadeOut("slow")}else{$(scrollDiv).fadeIn("slow")}});$(this).click(function(){$("html, body").animate({scrollTop:0},"slow")})}}); $(function() { $("#toTop").scrollToTop(); });