Pesquisando

quarta-feira, 5 de julho de 2017

[conto com angie] o esquecimento

Título: O Esquecimento (por BRMorgan)
Cenário: Projeto Feérico.
Classificação: PG-13.
Tamanho: 1.654 palavras.
Status: Completa.
Disclaimer: Esse conto faz parte de algum rascunho perdido meu do Projeto Feérico que vocês podem ver os pedaços sendo costurados aqui nesse post [x]. Esse plot me foi narrado há 5 anos atrás. Resolvi fechar um ciclo que estava precisando ser terminado.
Personagens: Gaimer Jones (Stardancer), Angie.
Resumo: O Tempo passa diferente para os feéricos, os mais velhos sentem isso diferente. Para aqueles que se esquecem do Sonhar, as consequências são muitas. O Esquecimento é um dos mais tenebrosos acontecimentos que um feérico pode sofrer em sua longa vida. Angie sabe muito bem disso. 
N/A: ouvindo In Every Sunflower do Bell X1 no repeat?


A porta de madeira, a tela da varanda meio comida no chão pelos cães de anos atrás, enterrados por padecerem de velhice no quintal dos fundos. O clima da primavera de um sol tórrido lá fora no asfalto e o mormaço habitual do começo da tarde. O som baixo da vitrola localizada em cima da geladeira, a rádio local dando informações da tempestade que caíra dia atrás na cidadezinha. 

Seu telhado sobrevivera por pouco com a ventania e os galhos quebrados espalhados pelo quintal da frente. Dentro de casa era como uma muralha de sentimentos medidos e calculados. Ali entre a tela da varanda para proteger de mosquitos e moscas, ruminava com sua miopia:
Quem bateria a sua porta essa hora da tarde quente?

Na poltrona deixou seu objeto de trabalho, a talha para madeira, o objeto esculpido em uma das mãos, os passos lentos causados pelo avanço da idade. 

Chave menor.
Chave maior .
Uma virada no trinco sem óleo.
Trinco com corrente de correr.
Porta de madeira primeiro .
Tela da varanda depois. 
Estava esquecendo de algo? 
(Sim, perguntar antes de tudo quem estava na porta) 

A cozinha era menor que lembrava, tantos anos atrás.
Cada coisa em seu lugar.
A mesinha farta de lanchinhos da tarde, ocupada por livros velhos, encerados, encadernados. Pequenas peças de madeira, gatos em miniaturas bem detalhadas, pintados a mão, alguns com detalhes tão vivos em pedrinhas coladas, outros em poses esquisitas esperando uma crítica menor. 

O barulho do microondas chamou atenção dos dois ocupantes daquela cozinha minúscula.
Um bipe mecânico que anunciava a saída de algo a se sorver amargamente.
Café requentado.
Para a visitante com leite tipo C para ficar ralinho.
Açúcar.
Muito.
Ainda perguntaria para essa visita regular o porquê de tanto açúcar. 
O médico dissera que açúcar fazia mal. E ovo e queijo e carne e manteiga. Comia pão molhado no café para satisfazer o gosto. Era melhor assim, o médico disse. 

- Você parece bem... - a menina disse trêmula. Ela sempre tentava esconder o medo na voz. Pigarreou para responder, era o começo de conversa afinal. Ser educado com a juventude era algo que aprendera no centro comunitário. 
- Ando fazendo exercícios... Ajuda a manter o pique. 
- Bacana, tranquilinho... 
- E você, como está? - ela deu de ombros, ela sempre fazia isso quando queria enrolar. - Não tá aprontando lá naquele hotel, né? 
- Oh não! Tou dando aula pros grandões agora... Cê lembra do Quentin? Ele tá dando futebol pra criançada...
- Isso é bom...! A verdadeira felicidade no caminho da sabedoria é aquilo que passamos para os mais novos... 
- Oi? - falaram quase ao mesmo tempo.
- Sim? - cada um em seu tom de voz surpreso.
- Isso que você falou agora. 
- O que eu disse? - ele coçou a cabeça com a parte achatada da escultura que tinha começado ainda não mão. A menina foi até ao microondas, tirou o pote de tampa rosa do compartimento. Não lembrava de ter colocado aquele pote ali, muito menos de ter um pote assim. Hermético, com furinho a vácuo. Hmmmmm, prático. - Oh sopa! Legumes? 
- Como cê gosta... - ela disse com um sorriso trêmulo, servindo a mesa para dois, na companhia dos gatos de madeira, pratos fundos, colheres um pouco tortas pelo uso. Não estava frio ali, o termostato do dia era de tarde quente lá fora. Perguntaria a ela o porque de estar sempre tremendo. - Emílio mandou lembranças e caprichou no temperinho... 
- Oh sim, sim... - uma colherada se multiplicou em várias. Logo seu prato esvaziou, a colher torta deixada no fundo. Barriga cheia, gostava dessa sensação. Assim como pegar o sol da manhã quando caminhava pela vizinhança. Gostava das visitas da menina também, mas não lhe agradava o jeito como ela usava roupas.

Chamariam ele de velho rabugento, mas ela costumava aparecer como se tivesse saído de uma briga. Ou acidente de carro. 
Era essa a expressão que lembrava para descrever ela.

- Bem, bem, bem... - ele anunciou acariciando a pança avantajada da idade.
- Gostei dos gatinhos com pedrinhas... São muito bonitos. - ela comentou timidamente.
- Oh sim, levei alguns para o centro comunitário! Esses aqui são os que mais deixam as pessoas felizes... - apontando para os enfeitados com tinta especial, pedrinhas cintilantes e traços longos nas pernas. 
- São muito lindos mesmo... - lembrou se de repente que havia feito algo especial para a jovenzinha, levantou-se com dificuldade do banquinho da mesa cheia de coisas e estalando a língua, gesticulou para chamar atenção da menina que observava o seu prato de sopa ainda pela metade, frio, e uma colher torta segurada por uma mão trêmula.

Será que ela tinha tanta fome para tremer daquele jeito?
Alguns colegas do centro comunitário tinham problemas de locomoção, equilíbrio, coordenação. Faziam fisioterapia, tomavam remédios, visitavam seus médicos.
Conseguiam ter uma vida boa. 
- Espere aí, sim? Tenho algo para você... - Ele começou sua empreitada frustrada de lembrar onde tinha colocado o presente para... Para... Qual era o nome da mocinha...? Estava na ponta da língua. 

Gavetas. 
Armários. 
Debaixo da cama. 
Atrás da cortina.
Entre as almofadas do sofá.

Ela falava algo lá da cozinha minúscula, não conseguia ouvir direito pela surdez parcial em um dos ouvidos, mas a idade também prejudicava o seu entendimento. 
- Seja lá o que esteja procurando... Queria que soubesse que... 
- Calminha que vou encontrar, sim, sim... - retirando livros grossos de capas de couro e decoradas com fina caligrafia em seus títulos. 
- Eu não trocaria por nada do mundo por ter te... 
- Será que deixei na garagem? Sempre deixo coisinhas na garagem, parece coisa de velho gagá ... - Ele caminhava para lá e para cá, tentando agora lembrar do que procurava. - Oh sim! O seu presente! 
- N-não precisa, Sr. Gaimer... 
- Claro que precisa! Fiz para você, quero que fique com ele... Pra guardar de lembrança. 
- Vai valer a pena ter essa lembrança... - o sorriso dela não tremeu, foi de orelha a orelha, tristonho, quebrado, como uma despedida.

Ele parou no meio da sala, camiseta de fundo azul com uma estampa de girassóis por todos os lados, de botões amarelos, calças seguradas com um cinto novo (De quem ganhara, não lembrava), cabelos grisalhos ralos e longos bem presos no cocuruto com um elástico sem cor. Mocassins sem meias. Ele usava um relógio enorme no pulso agora.
Os dois se olharam em silêncio.
Como em uma despedida.

 - Eu não trocaria por nada nesse mundo... Por ter te conhecido...
 - Menina, você não terminou essa sopa, hein? - ele disse quase automaticamente. Não entendia porque ela ter se encolhido no lugar, como um bichinho enjaulado.
 - E-eu... - a voz vacilante, o sorriso trêmulo, tudo estava ali, mas o que era não sabia. Uma fungada profunda com um suspiro - Eu não trocaria essa dor horrível que sinto aqui dentro por nunca ter te conhecido... Você sempre foi o melhor pra mim... Sempre vai ser o melhor de mim...
 - Mas o que você está falando, hein? - o sotaque dele estava diferente da última vez que se lembrava. - Vamos, termine a sopa aí e venha me ajudar a... O que eu tava procurando mesmo?
 - Olha pra mim, por favorzinho?
 - Oi?
 - Stardancer...? - ela pediu com lágrimas nos olhos. - Olha só um pouquinho pra mim? Eu não quero esquecer disso.
 - Disso o quê? - ele deu de ombros como ela fazia quando não sabia como responder uma pergunta. Ela puxara isso dele. Em algum segundo entre respirar fundo e piscar, ele teve uma pequena fagulha de memória antiga: um caminho iluminado pelas estrelas, uma música muito bonita, uma dança, um teto cheio de pedrinhas coloridas, gatos de verdade, uma vida que não se lembrava mais de ter tido. - Menina, você tá bem?
 - Eu vou ficar. E você também. Quero muito que você fique bem.
 - Oras, não precisa chorar, hein? - ele disse se aproximando dela em passos cuidadosos, não sabia o que estava acontecendo para ela ficar tão emotiva. Ela deu um passo para frente, como se quisesse dizer algo, assim de repente, se retraiu ao mesmo tempo, segurando o corpo em um abraço em si mesma.
 - Eu te a... - a batida na porta interrompeu o momento. Gaimer Jones arrastou os pés até a porta para ver quem era a visitar.
 - Deixe-me ver quem é que está na porta, sim? - ele disse com um sorriso ameno. A jovenzinha devolveu com um aceno de mão.

Primeiro a chave menor, depois a chave maior.
Uma virada no trinco sem graxa, trinco com corrente de correr.
Porta de madeira primeiro e tela da varanda depois.
Estava esquecendo de algo? 
Perguntar antes de tudo quem era, Gaimer.
Como esquecia de uma coisa dessas?
Abriu a porta.
Era a cuidadora com as compras.
Legumes, frutas, farinha e fubá.

 - Sr. Gaimer, já em pé? - ele olhou ao redor na sala de tantos móveis e quinquilharias suas.
 - Sim, sim... Me senti disposto essa manhã... - ele disse coçando a cabeça com a parte achatada da escultura em que trabalhava algumas horas.
 - Bem, isso é bom! - a cuidadora de idosos do condomínio residencial em que Gaimer Jones, renomado fotógrafo, explorador de savanas, lugares exóticos e países fora do mapa. Ela tirou as compras das sacolas e com uma voz calma e monótona puxou conversa. - O que acha de sopa? Capricho no temperinho que você tanto gosta... - ela disse com uma voz mais instigante. Era como ela ganhava as discussões.
 - Sopa é ótimo! - ele coçou a cabeça novamente e encarou seus mocassins. Será que esquecera de alguma coisa e não conseguia lembrar o quê? Olhou o seu relógio de pulso, parara de funcionar há 13 minutos atrás.

 - Está procurando por alguma coisa, Sr. Gaimer?
 - Não, não... Acho que acabei me confundindo de novo com o que fazer... Meu relógio pifou. - mostrando o pulso para ela.
 - Está tudo bem mesmo? - a cuidadora perguntou com mais ênfase. Ela fazia perguntas demais quando achava que ele estava ficando gagá.
 - Sim, jovenzinha... Não precisa se preocupar, hein? Vou voltar ao trabalho, tenho 2 gatos para terminar antes do almoço...
 - Oh e para quem será esses presentes tão adoráveis...?
 - E-eu não sei... - ele respondeu para si mesmo, testa franzida, um pote de tampa rosa que não era seu ali na mesinha da cozinha minúscula. Estava esquecendo de algo que não...?

...

(Alguns ciclos precisavam ser completados. Outros caíam no esquecimento)

terça-feira, 4 de julho de 2017

[conto com angie] humanidade é carvão

Título: Humanidade é carvão (por BRMorgan)
Cenário: Projeto Feérico.
Classificação: PG-13.
Tamanho: 1.150 palavras.
Status: Completa.
Disclaimer: Esse conto faz parte de algum rascunho perdido meu do Projeto Feérico que vocês podem ver os pedaços sendo costurados aqui nesse post [x]
Personagens: O Devorador de Sonhos, Angie.
Resumo: Quando uma criatura primordial do Sonhar decide sair da Neutralidade, é isso que acontece.
N/A: Trilha sonora? Vai ver o post anterior, sim? ;)

Piscar os olhos.
Piscar.
Umedecer esse órgão novo.
Dois órgãos novos.
Muitos novos de muitos como os outros.

Quando o Vazio era o único sentido, agora o emaranhado de órgãos amontoados em um fluxo quase perfeito. O universo inteiro engendrado dentro de si, de si, como um ser vivente.
“Só eu sei...
Só eu sei...”
Dizia a velha canção...

E doía.

Em uma manhã chuvosa em algum lugar de algum lugar. Diferente do que estava acostumada em outras vidas. Ser vivente agora. Poderia categorizar as suas experiências em outros tempos como “vidas”. Era dessa forma que os Filhos mais novos entendiam o Tempo, a Sina, a Morte, o Destino.

E nessa chuva desgraçada que molhava os ossos.
(Ossos, ossos, nervos, músculos, sangue, fluidos, ritmos)
Nessa chuva que entrava em cada poro, orifício, encharcando alma, espírito, película fina de essência de glamour puro despedaçado para abrigar esse corpo frágil, real. Ser vivente real. Vivo.
Ritmo de tambores, barulho do mar, quebra das ondas, ritmo, canção, Vida.

E doía.

Os órgãos que piscavam focalizaram a sombra ali, bem perto, ao lado da comoção no beco sujo e cinzento da Metrópole. Fazendo as últimas anotações em seu livro anterior. Aquele maldito livro que carregava acorrentado em seu corpo como um mártir da própria existência. 
Juiz, carrasco, júri, advogado, vítima, acusado.
Julgamento. Neutralidade. 
Era isso que se lembrava de outros mundos.
Não lembrava do porquê estar doendo.
De qual crime que cometera para sua Sombra estar ali, tão perto e tão longe, observando corpos vivos em uma roda irregular, exclamações altas, gritos de agonia. 

Neutralidade. 
Deve ter sido isso.
Quebrara com a regra que não se quebrava: Neutralidade.
Juiz, carrasco, júri, advogado, vítima, acusado.
Julgamento. 
Neutralidade. 
Era isso que era no Mundo Além dos olhos dos Filhos mais novos.

A Neutralidade que nutria em seu ser vazio era o horror dos Filhos de Danuu. Temerosos por estarem sendo julgados sem perceberem (Como se fosse possível), horrorizados por existir personificações da Sorte, da Sina, da Morte, do Destino. E isso os abusados Feéricos morriam de medo: pregados eternamente em um Destino diferente dos Filhos mais Novos, Destino desconhecido, silencioso, cruel, devastador. 

Banalidade.
O mundo preto e cinza.
A perda do Glamour.
O fim da Magia.
O insuportável vício pelo Tédio.
A destruição completa de uma alma tão antiga e carregada de Sonhos.

O Fim.
(Fora isso que questionara? O Fim?)

Em outro piscar lembrou de vozes, muitas vozes, vociferando acusações, uma jaula, um palanque, uma forca, um espetáculo, uma multidão. Cabelos de fogo, diferentes dos seus. Um antigo, primitivo, antes deles mesmos, renascido, selvagem em seu estado catatônico de nascer. A Vida foi devolvida antes do esperado. Sentia isso se tivesse órgãos para sentir, coração, emoções. Julgamento sem seguir a Lei Maior.

Sem Neutralidade.
(Fora isso que questionara?)

A execução pelas mãos de outrem. Mesmo suas palavras sendo proferidas. 
Profetizadas. 
Algo sobre o castigo de um crime maior. 
A Traição na Casa de Fiona.
(Fora isso que questionara?!)

O que seria real?
Por esses olhos recém-abertos via que aquele mundo de antes não agradaria seus Ensinamentos, sua Lei Maior, seu Caminho Prateado. 
Não desistiu, escolheu.  
Por que não escolher? 
Em definir quem deveria acolher.
“Só eu sei o que será
De nossos sonhos
Só eu sei o que virá
De outros mundos
Pra dizer...”
A velha cantiga ia e voltava, como um eco em um precipício sem fim, repetia com os tambores, as ondas do mar, os ritmos de um corpo vivo então: “A Humanidade é carvão em meu suor, então saí da minha cela...”

Cinza era o céu, a manhã chuvosa no beco de algum lugar da Metrópole.
Nada mais era como antes achava. Acordou no chão sem entender a confusão ao seu redor.
(Por que doía tanto? Por que não reconhecia mais sua Sombra, acorrentada no imenso livro da Neutralidade?)

Acordou no chão, despido, minúsculo, dolorido e sem razão, e percebeu que foi desconstruído de seu vazio, castigado para a renovação. Da boca de um estranho vivo, imundo, maltrapilho, vagabundo, sem teto ouviu as primeiras palavras em seus ouvidos agora atentos ao mundo:
“Óia só esse tiquim de gente! Vestida que nem acidente de carro!”

Risos.
Choro.
Agonia.
Saiu da cela.
A jaula do vazio da Neutralidade.

O que era real?
“Só eu sei o que será
De nossos sonhos
Só eu sei o que virá
De outros mundos
Pra dizer...”

A música retumbava em seus ouvidos vivos. Os olhos pequeninos em uma cabecinha de recém-nascido, parto sofrido e acidental debaixo de um viaduto em uma manhã chuvosa. O cheiro veio aos poucos. O tato, dedos trêmulos sem coordenação. O paladar amargo, as nuances de uma existência que jamais tocou comida ou bebida.

E doía.

A sua Sombra se afastou lentamente, sem dar Adeus, dar explicação. Apenas uma lembrança que não mais ficaria ali, entre a vaga impressão de uma ilusão e uma alucinação. Tentou se movimentar naquele corpo gelatinoso sem sustentação. Frágil, sem orientação. A memória definhava, desintegrava como areia em um deserto infinito. O ritmo dos tambores codificado para o seu coração pequeno, no peito descoberto, a comoção urrava.

Sirenes.
Gritos.
Agonia.
E doía.

“ – Todo mundo pra parede! Todo mundo pra parede! Agora!”
“ – Afasta aí vagabundo! Tira a mão!”
“ – Não força a barra senão leva chumbo nas fuça!”
“ – Ajuda aí, seu puliça! Ajuda!”
“ – Falei pra ficar de cara pra parede, porra! Mãos na cabeça, abre as perna!”

A Fome.
Com tudo no mundo dos Filhos mais novos iria se acostumar, com uma habilidade invejável de transformar Sorte, Sina, Morte, Destino em ferramentas para ajudar as pessoas. Mas a Fome?
Essa permaneceria.

“- Bota essa coisa aí no camburão! Levar pro Hospital, porra!”
“ – Leva nossa anjinha, não, seu puliça!”
“ – Cala essa boca, vagabundo. Tá vendo a merda que deu aqui?”
“ – Chama o rabecão, véi... Tem jeito não...”
“ – Deixa a nossa anjinha aqui, seu dotô puliça... A gente cuida dela...”

Estampido, alto, forte, cheiro de pólvora.
A Humanidade é carvão em seu suor, vestida como um acidente de carro.

Piscou os olhos.
A maldição dos antigos em seu corpo renovado.
Esquecimento.

Era uma manhã chuvosa de 1969.
E a Humanidade deslumbrava a ida à Lua no mesmo dia.
Não se lembraria de quem era até segurar a mão de Stardancer em um beco imundo como aquele em alguma parte de alguma cidadezinha ao redor da Metrópole.
Não se lembraria do que era capaz de fazer ao entrar naquele ônibus-quimera em 2013 quando o meteoro caiu lá do outro lado do mundo.
Quando conseguiu enganar um de seus antigos associados.
Quando voltou a entrar no Caminho Prateado sozinha.
Quando voltou ao Vazio e se lembrou de que Neutralidade fora seu pior pecado.
Vagueava nessa realidade para não voltar mais àquela ilusão.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

[videos] a luz e a sombra/branco por scalene



Ainda vou ter forças para escrever algo sobre a Angie inspirada nessa música. Porque, olha só, pqp gente! Essa guriazinha eshu changeling não sai do meu campo gravitacional de escrita (tentei, tentei, não deu!) e volta e meia tem algum rascunho não processado aqui na fileira, no celular, nos cantos de páginas de textos acadêmicos.

O que para alguém que escreve deve ser uma maravilha, para alguém que NÃO QUER escrever sobre ela nesse exato momento da vida tá se tornando insuportável. Não no sentido da palavra que me aborrece, mas o de não caber mais nos feelings. Há muita coisa para se falar da Ângela Filha dos Ventos, há trocentas estórias para narrar, estruturar, redigir, editar, desgastar, vociferar, desmantelar em lágrimas, porque é isso que essa chuchuzinha faz comigo quando vem aquela inspiração das Musas.

Essa letra em especial me chamou atenção mais pela parte final da primeira música (A luz e a sombra), que é basicamente o dilema da vida da Angie no mundo Feérico. E eu levo à sério demais a concepção de personagem da mocinha, ela se estruturou de emoções que eu mesma estava experimentando na época, para então haver aquele elemento inexorável de "coincidência" (Chamem do que quiser, magia, feitiço, ligação entre dois pontos, telepatia, lalalalala i can't hear you...) e depois plim! Surge essa coisinha bizarra vestida como um acidente de carro para me atormentar de tempos em tempos.

Também tenho minhas limitações quanto ao escrever sobre ela, porque por um lado não quero dar muito spoiler e ao mesmo tempo nem apresentei ela para o mundo como queria. Talvez deva ser isso mesmo, o limiar entre o escrever apenas para mim mesme e/ou não escrever coisa alguma, ter uma contraparte fictícia me cutucando continuamente para me lembrar sobre um projeto que mais me faz querer gritar de agonia por não saber mais como escrever do que me dar boas risadas como antes.

É a fucking vida de escriba.
Alguma coisa sempre vai ser deixada para trás entre a papelada.

Acordei no chão
Despido e sem razão, e percebi

Desconstruí, nos renova
Só eu sei o que será de nossos sonhos

Só eu sei o que virá de outros mundos
Pra dizer:
Pelas ruas eu procurei
Só preto e cinza encontrei
Como irei reinventar minha sombra
O que será real?
Dessa janela eu via que o mundo atual
Não me agradaria
Por que não escolher?
Eu mesmo definir qual devo eu acolher
Só eu sei

Assim como o maldito coelho da Alice, sinto que com a Angie, estou sempre atrasade.

domingo, 2 de julho de 2017

eu escrevendo textões

https://brdramallama.tumblr.com/post/161873162996/mewhen-im-all-about-library-information-science


Tradução:
"Eu não sei como ficar  emocionalmente neutra quanto estou escrevendo sobre algo que sou apaixonada. Eu tenho paixão, Winn. Um tanto disso."

Assim como a herdeira de Krypton, me acomete de tempos em tempos essa imparcialidade nos julgamentos quando vou escrever algo que está aparelhado ao conjunto coração/alma. Biblioteconomia vai bem nessa estradinha sem retorno.

Aliás, as postagens estão meio raras esses dias, culpem a volta da dor nas costas e o meu cérebro sendo ocupado por trabalhos acadêmicos (que não vou aproveitar tão cedo em qualquer coisa na vida de estagiárie).

sábado, 24 de junho de 2017

[bibliotequices] teoria e prática drástica

A gente faz uns paralelos na vida para poder ter uma noção do que deve fazer ou não enquanto se atua profissionalmente. Por exemplo: volta e meia questiono o que raios tou aprendendo nas aulas que vá de certa forma contribuir para 3 pilares da minha atuação:
  1. o que tou aprendendo vai ajudar a pessoa que atendo mais rápido, com eficácia e satisfação?
  2. o que tou aprendendo tá facilitando o meu trabalho para o item 1?
  3. o que tou aprendendo é RELEVANTE para aquela situação e não só uma sofisticação besta que será usada 1 vez só e pronto, acabou?
O que pesa mais aí: o que tou aprendendo vou conseguir repassar para outra pessoa - leiga ou não - em um futuro próximo para ela poder aplicar as mesmas teorias na prática?

Porque bibliotecário tem dessas coisas de guardar os pulos dos gatos para si, de não compartilhar informação uns com os outros porque acham que vão puxar o tapete deles (E vão, acreditem), ou sei lá, medo de se tornar obsoleto por inovar em alguma coisa e não ser significativo no final das contas (E acontece). Por isso a gente apela em buscar identidades e funcionalidades em outras áreas, porque a nossa essencialmente não é para se tornar especializada NELA MESMA (Parnasianismo Biblioteconomístico?), mas sim o integrar sempre as áreas em que estamos nos dispondo a trabalhar, atuar e auxiliar.

Então quando saio de um semestre que aprendi cerca de 5 ou 6 ferramentas vindas de áreas diferentes da minha (Administração principalmente), não estou negando a minha fidelidade aos preceitos de Ranganathan (Até porque o patrono da Biblio era matemático), estou aplicando um conhecimento fora da minha esfera para solucionar um problema da minha alçada. Não há vergonha nisso.

O trem começa a ficar confuso quando a gente se esquece do porquê tá fazendo aquilo. O motivo, o objetivo, o que se espera alcançar. vejo muito essas ferramentas serem aplicadas para processos de alguma coisa, e não para "no final é pra ajudar todo mundo e conseguir paz mundial". Aí que começa o parnasianismo biblioteconomístico, uma coisa que ~ahem~ certo outro curso¹ que sempre se infiltra em nossa área gosta de fazer ad nauseam.

Por isso não entendo o que raios eles fazem da vida.
Por isso pergunto sempre o que eles querem no nosso curso, porque não tá explícito.

É pra ganhar dinheiro?
É pra render mais capitalmente?
É para produzir mais e ter estrelinha bunitinha de órgãos de regulamentação científica?
É para ajudar em processos intrínsecos de nossa profissão, mas ao mesmo tempo fazendo ponte com teorias de outros cursos/áreas para melhorias dos meus processos?
Tudo bem, gente, não precisa ser a paz mundial, a democracia do conhecimento científico ou a vontade de mudar o mundo, pode ser dinheiro mesmo, pode ser status, pode ser o que vocês quiserem, só preciso entender o que raios fazem para ficarem num looping eterno no processo e não resolverem nada.

Debaixo do link, mais considerações.

[bibliotequices] óticas sobre ética profissional

As aulas de História levantam alguns momentos épicos de verificar a estabilidade ética d@s graduand@s desse curso tão aclamado. Já avisando que são deliberações sem qualquer objetivo de estabelecer opiniões e todo o jazz de discurso já feito. Essa postagem é feita justamente para levantar questionamentos, favorecer reflexões, essas coisa chata de gente que filosofa.

Afinal de contas, onde vamos buscar os ditames éticos de nossa profissão? Temos nosso Código lá do CFB - entidade maior de representação de nossa categoria - com as seguintes palavras.

SEÇÃO II – DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia compreendem, além do exercício de suas atividades:
e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país 
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a coletividade
SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
Nota para essa citação: Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Para o Ensino de Ética nos cursos de Biblioteconomia, temos:
 - Considerando que a educação do bibliotecário deve ter como uma de suas finalidades o colocar-se a serviço da sociedade;
 - Considerando que é responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia a formação de profissionais conscientes de responsabilidades para com a comunidade;
 - Considerando, ainda, que só assim os estudantes de Biblioteconomia poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à profissão a que se dedicarão;
Nota para ambas as citações acima: negrito são grifos meus pra gente não perder o fio da meada.
Aí quando falamos de pessoas em situação de risco como os sem-teto ou situação de rua, como o eufemismo gosta de quantificar nas pesquisas, temos essas nuances passando entre moralidade, valores pessoais e ética profissional.

Quando você apela para uma dessas na tríade, vai haver consequências a se responsabilizar e arcar. O Código Ético da profissão diz isso aí, cumprir é imprescindível de acordo com a Lei e da teórica ufanista romântica noção de que se respeitando as leis, o mundo se torna lindo e maravilhoso. Então se eu colocar o Código de Ética ACIMA de qualquer outra instância que codifica e formaliza a minha vida particular e sim a minha vida pública e profissional, haverá treta.

E NÃO TEM COMO FUGIR!
Então você, bibliotecári@, estagiári@ em uma unidade de informação, que se depara com pessoas em situação de rua e vai fazer o seu trabalho conforme seus preceitos morais ou valores pessoais, automaticamente estará saindo do Código Ético Profissional, lei promulgada por uma categoria em que você pertence, outorgada por autoridades da sua área, logo o que isso cheira?

Subversivo né?
Infringindo lei é?
Marginal?
Desrespeitando todo um conjunto de leis explícitas que todo mundo tem acesso e pode julgar como irregular passível de punição profissional e por que não criminal?

Então voltando a pessoa em situação de rua que frequenta a unidade de informação em que você atua. Ela está ali, ela existe, ela cheira diferente do que você está acostumado em sua posição de privilégio e normatividade, ela se comporta de forma fora do seu entendimento discursivo, ela utiliza aquele espaço pretenciosamente democrático para ações que estão fora da sua ideia de percepção em uma biblioteca (tipo realizar higiene pessoal no banheiro da biblioteca, porque guess what? Ela não tem onde tomar banho, lavar o rosto, ficar água potável - usa drogas naquele espaço íntimo e privativo por X razões que NÃO ESTÃO na sua alçada de compreensão da psique humana e vivência na realidade em que você habita), o mundo lindo e maravilhoso da ética profissional rui em um segundo.

O que fazer? Opções mais óbvias?
  1. chama a Polícia
  2. chama a segurança da instituição (que com certeza vai pro item 1)
  3. se apavora e deixa seja lá que o cara tá fazendo e reza pra todos os santos/deuses pra ele não voltar mais
  4. chama a Polícia
  5. respira fundo e vai encarar a pessoa e saber o que raios ela tá fazendo ali
  6. entende que sua função como bibliotecário não é pra ser babá de morador de rua
  7. já disse sobre chamar a Polícia?
  8. revê seu papel no mundo naquela situação, calça (???) as calças da alteridade e vai ajudar o camarada a entender que há lugares e lugares. Tomar banho no lavabo do banheiro de uma Biblioteca ou usar drogas ali não é adequado. dar essa informação, por mais idiota e óbvia que seja pode causar alguma aproximação ou hostilidade.

A treta vai sendo ampliada com as definições mais generalizadas sobre essas 3 coisinhas ali que vou citar daqui a pouco - isso dá uma briga ferrada no campo das Ciências que você não faz ideia. As reações da lista acima são possíveis em cenários diversos, mas o que pega é o embate entre:
  1. valores pessoais (essa porcariada toda de bagagem que você construiu durante sua vida como caráter e personalidade)
  2. preceitos morais (outro bagulho entulhado na sua mente, corpo e coração que a sociedade e cultura em que você está inserido enfiou por goela abaixo)
  3. ética (o conjunto de 1 e 2, MAIS a ruminação do que é o mais acertado a se fazer na hora)

E acertado é garantir que o indivíduo citado esteja resguardado de seus direitos de cidadão AND amparado por um Código de Ética Profissional que fucking assegura os direitos dele e os seus de agir conforme uma normativa blá-blá-blá chancelada pelas autoridades e blá-blá-blá.

Essa violação de conduta profissional por não entendermos onde 1 e 2 estão sendo usados ACIMA de 3, já que por teoria 3 deveria ser a prioridade. 3 é a regra geral, 3 por mais falha e nonsense que possa parecer em situações como essas descritas ali em cima (do sujeito fazendo coisa que não deve em lugares que não correspondem aquele tipo de comportamento), prevalece. Por quê?

Porque ter um Código Ético Profissional é um norte de qualquer  dúvida que você tenha sobre sua atuação profissional. Ética, nesse caso, traz a noção de interpretação e reconhecimento que você, como bibliotecário ou estagiário ESTÁ ENQUADRADO a assumir que vai se comprometer a obedecer o que o Código diz. A pessoa em situação de rua fumando crack no banheiro ou outro lugar da biblioteca está ali por uma razão, uma razão que não está sob seu controle ou ter o poder transformador de fazer um milagre.

Esse não é o ponto.
Você não vai salvar a vida do camarada, não é essa a intenção, não é a garantia que o Código dá para você atuar sobre o problema. É como você vai usar esse problema para conscientizar a pessoa que ali, naquela biblioteca, tem opções de uso de seus serviços para ficar informada que o que ela tá fazendo não condiz com a função real de uma biblioteca.

Você tem opções de como fazer isso de forma adequada ou de não.
Chamar a Polícia ou qualquer outro órgão com essência repreensiva não será a solução mais legal do mundo, acredite. Ter o telefone de um albergue de passagem, órgãos de defesa aos direitos de pessoas em risco (CRAS, CREA, SEMAS do seu município) é uma opção ambígua - pois não há garantia se o milagre pro camarada vai acontecer assim lindo e maravilhoso como a gente quer.

A opção que o Código nos dá é respeitar e informar. E apenas isso. Fazer com sensibilidade ou não vai dos preceitos morais e valores pessoais de cada um. Ou não. Posso ser uma babaca há 200 metros fora do meu local de trabalho, mas continuar o meu trabalho eticamente perfeito de acordo com uma legislação que me prediz a fazer isso.

Exemplo pessoal: o meu valor pessoal é questionar até o cansaço qualquer pessoa que vier falar de religião no balcão. Essa é a minha ótica de encarar o assunto religião. Cristão, budista, umbandista, wiccan, maçom, eu vou questionar, está intrínseco a minha pessoa, a curiosidade e a petulância de querer fazer a pessoa pensar duas vezes antes de querer dar lição de moral através do uso do discurso religioso me é tentador, querer saber mais sobre essas opiniões tão diferentes da minha também terrivelmente tentador. Mas essa curiosidade mórbida pode não ser uma boa coisa para o sucesso de atendimento com acesso a informação imparcial e condizer com meu dever como bibliotecári@ ou estagiári@ ali naquele momento.

Meu preceito moral é respeitar qualquer um que professe sua crença no balcão ao querer pesquisar sobre algo nesse assunto. Isso não só está no meu valor pessoal, mas também de visão da religião como o religare, a conexão de pessoas e um sentido plausível e aceitável pra pessoa viver em harmonia com o universo. Mesmo que você acredite que um alien chamado Xenu forçou milhares de almas a serem jogados em um vulcão e essas "almas" foram transmigradas para corpos dos primeiros ancestrais dos homo sapiens¹.

Minha ética profissional é esquecer as duas coisas ali e dar informações pra pessoa sem distinguir sexo, gênero, religião, cor da pele, se ele é fã de gatos ou cachorros ou se ele é capelão militar questionando severamente o porquê haver só 2 bíblias na unidade de informação. A Ética Profissional que eu JUREI ao pegar aquele canudo roxo simbólico de tudo que estudei e prometi em proteger, preservar e tudo mais, isso eu DEVO cumprir. Lembram do Juramento da Profissão?

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana"

E serei bem honesta: a 200 metros da biblioteca eu sou e estou na minha visão de mundo dos 2 itens de valores pessoais e preceitos morais. E a minha ética no reinterpretar esses dois itens em outro espaço de convivência é outra. Dentro da biblioteca, essa instituição fluída e subjetiva, não construto cheio de estantes e livros, sou eticamente responsável por um tipo de reação/ação sobre situações como essa. Lá fora, na rua, em minha casa, entre amigos, dançando ula-ula dentro do busão 221 de Canas, a ética muda. A forma de se enxergar a Ética Profissional muda.
Eu encheria o capelão de perguntas ou ficaria em silêncio?
(Militar, com carteirada do Exército, porte intimidador e já largando que não viu Bíblias suficientes na biblioteca? Óbvio que seria silêncio, isso se chama autopreservação, algo que a Ética Profissional não vai conseguir ter condições de me dar instruções sobre o que fazer quando sinto que estou sendo repreendide por algo que está fora do meu alcance)

Diferenciar o público do privado. Estabelecer limites, linhas imaginárias, por mais aproximadas que estejam, traçar fronteiras do quem eu sou e o que estou fazendo.

Aí chega numa parte do artigo sobre Ética na Wikipedia e essa passagem quebra os raio da bicicreta:
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos.
Será que tou conseguindo ser coerente no que estou escrevendo?

Se a Ética Profissional é a lei maior em uma categoria profissional, por que ainda insistimos a ir primeiro pelos valores pessoais e preceitos morais?

Será que o Código de Ética está mesmo abraçando todo entendimento de Humanidade que devo conservar ao atuar como bibliotecário em situações como essas?

Vou mais além, será que a atuação profissional deve ser pautada em valores pessoais (e a linha tênue entre confundir cada item com outro é tão perigosa, gente) e preceitos morais para DEPOIS haver uma construção coletiva sobre a Ética Profissional do bibliotecário?

Será que a gente risca isso tudo é só obedece o Código de Ética?

Não risca nada e continua a atuar conforme a própria consciência?
(Ou essa noção ilusiva do que é a própria consciência)

Para mais informações, pelamoooooor parem de ser passivones da vida e leiam:
RESOLUÇÃO No 153, DE 06 DE MARÇO DE 1976 - Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária

~Le Legislação Básica de nosso trabalho - Conselho Federal de Biblioteconomia.

~Le juramento da Profissão - RESOLUÇÃO Nº 6, DE 13 DE JULHO DE 1966

RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002 - Dispõe sobre Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

[bibliotequices] ainda não entendi!

7 semestres.
3 anos e meio.
2 crises existenciais.
1 crise de querer mudar de curso.
E até agora não descobri o que fazem os engenheiros da produção, gente.


Ainda não saquei o que eles querem da vida.
Ainda não entendi o que eles acham que tem que se enfiar na Biblioteconomia.

Ainda não compreendi que quando se metem é para fins nada felizes dentro do curso.
Ainda tou ruminando o porquê deles não terem achado algum outro lugar melhor (Sei lá, curso que dá dinheiro e prestígio, sabe?) para se alocarem.

A única coisa que encontrei de informação relevante é que eles são igualmente evitados nas outras engenharias. O que não ajuda em nada na melhoria da percepção desses incautos transeuntes da Biblio.

Botando Moz pra ilustrar, porque a situação pede

domingo, 18 de junho de 2017

[bibliotequices] esquete #1 - DR na biblioteca


O roteiro tá pronto, só falta aquela vontadinha linda de botar em execução, achar gente pra atuar, pagar mico, ter um cenário, fazer cenografia, ter financiamento, eeeeeeeeh eita trem:

cenário: balcão da biblioteca
Silêncio constrangedor 
Bibliotecári@ olha ao redor e pigarreia


 - Barcelos, a gente precisa conversar...
 - Iiiiiiih...

Alguém vestido como uma Enciclopédia Barsa
(Papelão talvez? Muita cola e cartolina?)

 - Eu sei que a gente tem um relacionamento de anos e muita coisa mudou entre a gente...
 - É aquele papo de que sou velho demais pra sua coleção?
 - Não, não é isso... É que...
 - Que minha versão tá desatualizada desde 1985? É isso?
 - Entende que pra aqui, onde a gente se encontra, não posso ficar com você... As pessoas vão falar...

Barcelos levanta a voz

 - Falar o quê? Falar o quê? Que não sirvo mais pra consulta? Que não tenho verbete coloridinho com essas firulas de adolescente clicando em link?
 - Não, Barça, a gente não tá dando mais certo...
 - É isso, cê vai desistir de mim...
 - As pessoas, elas tão falando... Não posso mais ficar contigo desse jeito...

Bibliotecári@ olhando ao redor com certo constrangimento
Barcelos levanta no supetão e sai do salto

 - Vai se livrar de mim, mas não fica assim não!! Vou entortar essas prateleiras até você fazer reciclagem!! Vou falar pros dicionários defasados que tenho mofo até no miolo!! A nossa traça de estimação, fica comigo!!

Barcelos agarrando com carinho uma traça em tamanho gigante
Bibliotecári@ levanta indignad@

 - Não, a Adelaide não!! Não bota a Adelaide nisso, pelo amor de Ranganathan!!
 - Você vai me ver no tribunal!! Vou botar a boca no jornal do almoço!! Jornalista famoso vai reclamar do teu descaso por mim!!

Barcelos sai batendo pé e xingando coisas inteligíveis


Bibliotecári@ desesperad@


 - Não, pera Barcelos Mirador Britânico!! Volta aqui, vamos conversar direito!!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[bibliotequices] sobre burnouts


Here I go, here I go...

Mente vazia, oficina da queridona Lady Ansiedade, do meu coração <3
Como mãe de todos os pavores, fico no aguardo pelo próximo momento lindo de dorzinha localizada. Os neurônios estão trabalhando em outras áreas pelo jeito. O legal de ter uma mente hiperativa é que mesmo quando tou lesada pela dor, vai vir coisa, sei lá, alguma coisa, tipo ontem foi ideia rápida e improvisada na apresentação do trabalho, até que deu certo - no susto, mas deu. O ruim de ter mente hiperativa enquanto se está com dor é que não dá pra executar as coisas que quer fazer. 

É um belo círculo vicioso dos Inferos pra enfrentar. E a Ira costuma vir junto.

A dor nas costas anda me fazendo relevar muitas questões na vida de escriba, até o ato de escrever já está se tornando um exercício difícil - a escrita entra como solução paliativa, um band-aid para uma fratura exposta, um "Calma, vai melhorar" - já que não posso ficar muito tempo sob meus quadris. Hips don't lie, o meu pelo jeito deve estar com uma ficha criminal bem extensa ou é fã do Pinóquio.

E aí escrevi um post angst ontem voltando no busão - porque a menininha mágica da Clamp caótica no meu sistema nervoso me lembrou assim que senti aquela fisgadinha delicinha no ciático - mas fui deletando as coisas mais blergh e coloquei piadinhas toscas e humor dos anos 90.

E uma história bem legal que ouvi/presenciei durante o estágio há uns 2 anos atrás.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ao Dia do Consórcio, com carinho

Hoje foi dia de chá de cadeira, atrasos, máquina de ressonância magnética com altos ritmo de rave (tundz-tundz-tundz) e nem estou medicada. Sério, juro.

Aí para melhorar o final do dia tão especial, gravei um vídeo. Yep. Isso mesmo.


Para esse Dia do Consórcio, ops dos Namorados, aquela seleção de músicas bregas vai especialmente para vocês, amigolhes enfurnadinhes nas bibliotecas do Brasil-baranil, esperando por aquele encadernado perfeitinho que encaixa na prateleira sem sobrar borda, com cheirinho de papel novo e classificado corretamente.
Entre uma estante e outra, tamos aí, fazendo o seu dia romântico e tosco, mais tosco s2

Não pretendo quebrar nenhum copyright como s trechos das músicas, tou só promovendo um momento de nostalgia dos anos 80 trash com as baladinhas mais melosas do mundo.

Aliás, vocês sabiam que o 12 de junho, Dia dos Namorados (aka Dia de Santo Antônio) só é comemorado no Brasil e que no resto do mundo é dia 14 de fevereiro?! Já usaram o Google hoje para descobrirem o porquê disso?! Ah vai né, clica cá: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Namorados
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