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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

brb que não peguei no tranco



[EDITANDO: A força começou a aparecer hoje dia 02/02, eita coisa linda!!]

2017 já começou, mas o meu metabolismo não tá andando bem pra dizer que é um novo ano de um novo dia de um novo tempo (lalalalala).

Voltando no engarrafamento da SC pra subir pra casa, contemplando pela janela do busão - modo mais interativo de se filosofar coisas - percebi que a vida de escriba em projetos de curto prazo pode até ser menos estressante, mas um bocado perigosa. Porque meus short terms estão com data já marcada e me sinto como se entre os dias não há muito o que fazer.

Aquele tesão de aprontar novas coisas e ir atrás de possibilidades estranhas pra carreira futura? Nope, parece que foi embora com a empolgação de querer mudar o sistema. Até com algumas discussões da categoria não me sinto a vontade para refletir, reprogramar, sintonizar. Tá osso.

E nem é o bode amarrado na canela, é o slow down de não sentir mais a vivacidade de enfrentar aborrecimentos. Creio que com os 30 chega a falta de paciência de ter paciência, fui pega nesse caminho.

Quanto aos projetos acadêmicos, estão de fucking molho forçado, os de representatividade estão indo devagar, minha vida social se baseia em ir pro estágio, voltar pra casa, assistir alguma coisa no PC, dormir. E gatos. Estou tendo momentos preciosos com os dois. Mesmo assim, tá faltando alguma coisa que não consigo saber de onde vem.



Talvez passar muito tempo fazendo trabalho burocrático esteja me deixando mole e sem perspectiva. Talvez a possível - torcendo que sim - volta para biblioteca ajude com a empolgação restaurada. Eu sinto falta de atender gente e ajudar no que dá, parece que ando em círculos pra mostrar validade alguma em tabelas de Excel. Isso dói o ego um cadim, o orgulho de ter escolhido essa profissão vai meio que embora quando não me vejo atuando como deveria.

Deve ser a morosidade das férias. 
Espero que não seja mácula de idade.


Tou esperando sinal de Rangs pra me levar de volta às estantes e as bagunças diárias de bibliotecas, estantes, pessoas e alunos. Tá fazendo falta. Muita. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

[bibliotequices] não é educador e pronto!

[disclaimer: esse é um post velho, tava na fila e resolvi ressuscitar. Mas a discussão continua a mesma]

Adoro ouvir as argumentações nos corredores da Biblioteconomia. Mesmo quando as criaturas não são bibliotecários ou da área. A quantidade de pontos de exclamação ali extraído daria uma tese de doutorado das lindas. Pode apostar que vai, porque é de meu intento entender o motivo de uma maioria esmagadora aqui na UFSC achar que bibliotecário é coisa jurássica e deveríamos ser substituídos por cientistas da Informação ou engenheiros da produção.

(Ou mudar o termo "bibliotecário" para algo mais modernoso e chiqueroso - pessoalmente acho asqueroso, a garotada da filosofia da linguagem e antropologia sabe bem o que acontece quando você muda a nomenclatura de algo já existente, a rasura do ser ali contido - no caso a pessoa que adota aquele termo como seu - vaio ficar mais e mais complicada de se compreender quando forem buscar os princípios daquela coisa existir. Complicado? Imagine que pra entender o que é a essência da "coisa bibliotecária" tem que sair esfregando muito muito muito muuuuuuuuuuuito com alvejante, cloro, álcool 98%, tinner e depois usar um esmeril pra encontrar os fundilhos do que é ser bibliotecário. E ainda ter uma chance de uns 42% de ainda estar equivocado.)

Feedback construtivo: você está fazendo errado

Essa postagem será um daqueles exercícios de análise autocrítica sobre a impressão que nossos semelhantes deixam na quiançada com aquele discurso motivacional de que bibliotecário não deveriam praticar interdisciplinaridade entre as áreas.

O bichinho miserável vitoriano e extremamente crítico e tradicionalista que vive dentro de mim se contorceu em pleno horror ao ouvir em certa aula: "Quando você decide juntar pedagogia e Biblioteconomia, você está sujeitando o bibliotecário a uma posição inferior a que ele pertence."

Além disso houve um momento em que eu, no comando do serzinho miserável, me recusei a expressar opinião alguma após a fala, pois em minhas convicções PESSOAIS:

1) não há problema algum juntar licenciatura com Biblioteconomia já que pra estar lá na linha de frente da biblioteca escolar tem que rebolar pra suprir a demanda EDUCACIONAL PEDAGÓGICA daquele público em específico. Tipo, pelo menos se esforçar para saber o que raios a gurizada estuda?

2) posição inferior aonde, miguxis? Educação no Brasil já é uma tragédia grega com direito a 9 atos de puro sofrimento e angústia sem perspectivas de final feliz e ainda me fala que se juntar com a galera do magistério é se rebaixar na profissão?!

3) bibliotecário escolar não é educador. Como não monamu?! COMO FECKING NO?! Como podes me afirmar tal coisa quando uma criança em processo de alfabetização pega um livrinho ou gibi, leva pra casa, lê com a família ou sozinha como dá, ou mesmo faz isso ali na biblioteca e devolve o livro e diz que vai voltar porque quer pegar mais?

Só o fato de disponibilizar o acervo pro toquim de gente em formação já não é um ato EDUCATIVO?! O que raios tou fazendo então?! Qual foi a parte do processo de letramento e aquisição da linguagem que perdi nas aulas da Letras que dizia que ensinar alguém a ler e escrever era SEM PRATICAR A LEITURA E ESCRITA? É via osmose ?! Transmissão de saberes via córtex cerebral que nem na Matrix?!

Não, não ensinamos caligrafia, ortografia, morfologia, sintaxe, Gramática e esses trem da linguística pros pequeno, mas será que dá pra entender que esse montoeiro de livros empilhados aqui na estante de uma sala qualquer não faz sentido algum pra quiançada se não tem alguém ali pra organizar, recuperar informações para uso na sala de aula e o melhor dessa profissão: mostrar que o amontoado de livros é um passaporte grátis pra criança ser incluída socialmente no sistema escolar e na sociedade? Que ela tem TODO O DIREITO de se apropriar desse espaço? Que eu que estou trabalhando ali tenho o DEVER de prover que ela tenha esse direito garantido da melhor maneira possível?

Então bibliotecário escolar É SIM educador, querendo você e todo esse preconceito dizendo que não.

Não com o mesmo alcance do professor que se dispõe de outras ferramentas cognitivas e mecânicas para fazer o mesmo processo, mas conseguimos auxiliar em parte isso.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

[bibliotequices] paranoia de primeiro mundo

Enquanto aqui nas terras tupiniquins estamos lutando bravamente pelo direito de ter bibliotecas escolares em todas as escolas com profissional bibliotecário em seu lugar (Lei federal 12.244 garante isso até 2020) e levantando forças pra manter as Bibliotecas Parque abertas para atender as comunidades mais carentes de nosso país, na terra do tio Sam a preocupação são outras:

1) FBI dando guidelines (Ou manual de instruções) para escolas de ensino fundamental sobre conter potenciais terroristas/extremistas juniores (tem lista de idades dos últimos atiradores em lugares públicos e guess what? Adolescência efervescente!) - podem estar infiltrados nas bibliotecas, lendo alguma literatura considerada subversiva ou de cunho nada feliz (imagino o quê deve estar nessa lista)

2) paranoia imensa da administração Trump tocar um f***-se na sagrada liberdade de expressão e sair catando tudo quanto é dado de usuários da rede de bibliotecas para uso indevido (literalmente uma caça as bruxas) - tão chamando isso de #Trumpageddon, algo como Armageddon do Trump. Medidas drásticas de bibliotecas de renome? Transferir toda a database pra outros países, como o Canadá. Ou apagar os registros, tudinho, pronto, benza Maria.

3) como as corporações e suas doações podem estar (Hahahahahahahahahahahahahahahaha) manipulando bibliotecas e bibliotecários a entrarem em um ciclo vicioso de contenção de informação ao decidirem o que vai pro acervo ou não. (insira mais risadas aqui)

E gente achando que temos que inovar que nem os yankees. Que pensa que estar no mesmo patamar deles vai ser a revolução no cenário da Ciência da Informação, no avanço das bibliotecas e unidades de informação. Gente que segue tão cegamente aos gurus americanos do marketing, gestão e empreendimento pra tentar enfiar a forma na prática brasileira ou latino-americana e servir um bolo pronto recheado de incríveis cenários de modernidade, infraestrutura e consolidação ideológica globalizada. É bem lindo isso.

Eu leio esses trem e a única coisa que me vem na cabeça é: venda descarada de discurso de ódio.
E o modo mais fácil de se conseguir isso é injetando em lugares que já se estabeleceram como referência para a sociedade. Bibliotecas são importantes na Educação dos norte-americanos, isso é um fato desde muito tempo.

O que o terrorismo ideológico causa nos EUA é o que a gente aqui no Brasil tem de menos. Bibliotecas não tem importância, não fazem parte do pilar educativo de nossa nação.

E aí vai a questão: mesmo com recursos, visibilidade, profissionais qualificados, universidades cooperativas, informatização de acervos, cultura do "Informação é para todos!!", será que aqui no Brasil estaríamos nesse caos paranoico como lá fora?

Isso dá pra se repensar bastante no pra que servimos aqui nesse cenário de bibliotecas decadentes, qual nossa função primária na sociedade, pra quem estamos servindo, pra onde queremos ir.

Entre deixar uma biblioteca nos trinques, qualidade de primeiro mundo, pra cair nessa paranoia f***** ou manter nesse ritmo em que estamos, fico com o atraso tecnológico primitivo.

Evoluir, pra mim, tá parecendo custar muito caro na consciência ética de uma nação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[bibliotequices] sobre a apatia biblioteconômica

Esse é uma postagem que fiz para o Grupo do Facebook: "Liga de Bibliotecários Bolivarianos", sobre a posição dos profissionais da Informação sobre o que está acontecendo ao nosso redor.

O comecinho irei riscar, pois é uma apresentação de quem sou. O conteúdo principal está logo após.

Boa noite pessoal,


Sou Bruna Morgado, estudante de Biblioteconomia na UFSC, atualmente no Centro Acadêmico tentando levantar uma questão que aparentemente o pessoal da Biblioteconomia gosta de se esquivar por falta de argumentos (Ou como estou vendo, o simancol ainda não fez efeito): a apatia na nossa profissão.



O estado apático é tão impregnado nas esferas de nossa área profissional que se confunde com um pré-requisito para se ingressar no curso. Estudantes que só frequentam as aulas para passar em concurso, para ganhar uma vaga em universidade pública, para não estudar coisas difíceis como cálculo, filosofia (dói pensar, né?), linguagem, e por aí vai.

Esse consenso tão absurdo - e que vem sendo repetido pelos corredores e dentro das salas de aula em que frequento há 3 anos e em sondagem dos egressos, é uma forma padrão do estudante de Biblio - parece ter fincado uma bandeira da neutralidade em nosso curriculo, na fala de nossos professores, nas posturas éticas de nossas lideranças, na referência que temos de profissionais no mercado de trabalho.

Digo isso, pois com todo o movimento de paralisação, aviso de greve geral, ocupação de universidades e espaços públicos em forma de protesto contra as medidas do governo temerário (Temer com Templário, parece que eles estão atrás de algum Santo Graal para provar ao populacho que são a salvação do mundo), nossos alunos continuam apáticos.

Desinformados.
Frouxos.
Desinteressados.
Neutros.
(E eu tenho desconfiança dessa última palavra: neutralidade do quê?)

Eu vejo um curso em que o pensamento crítico e a prática da argumentação são trocadas por processos, fluxos, diagramas de caso, metodologias falhas em atender a demanda social escancarada e desesperadora aí fora, onde vocês habitam. Sim, porque para o estudante de Biblioteconomia da UFSC, a vida no mercado de trabalho se resume a uma estabilidade financeira em carreira de servidor público ou ganhando um montante ilusório de dinheiro trabalhando em uma multinacional ou empresa de tecnologia. Essa é a propaganda deixada por nossos queridos docentes, tão preocupados com o futuro da profissão.

E aí sondando os próprios, temos essa postura arbitrária de se afastar de debates em que o exercício político é crucial para uma mudança efetiva acontecer. Enquanto nossos colegas de Centro (Pedagogia, Educação do Campo) e vizinhos (Psicologia, Serviço Social, Letras, História, Geografia e muitos outros) estão parando, dialogando, trazendo a discussão sobre a atual situação política, ofertando espaços de conscientização coletiva, a Biblioteconomia se enterra em uma ilha de apatia.

Estou repetindo essa palavra, pois é a mais aproximada que descreve os nossos docentes, estudantes e profissionais nesses tempos tão medonhos de escolhas, decisões, proposições e soluções. A Biblioteconomia - em especial, provada por A + B sem precisar de cálculos estrondosos dos engenheiros que coabitam nosso departamento - está parada, estática, sem argumentação formada ou manifestando qualquer tipo de opinião.

Está demorando demais, está protelando demais. Se alguma iniciativa está ocorrendo aí afora - Carta de Manaus, manifesto da FEBAB, cartas de repúdio de associações - isso não está atingindo a base de vocês: nós estudantes.

Após acompanhar um dia intenso de mobilização do curso de Pedagogia aqui na UFSC, percebi de fato o quanto somos parados no tempo, consolidando o estereótipo de bibliotecário atrás do balcão, carimbando livros, alheio a situação ao redor, com seu repertório cafofônico de "xiiiiiiu" e "silêncio!" que tanto tentamos extinguir em nossas ações e falas no cotidiano.

Trabalhamos com a Informação como ferramenta de cidadania e bem estar para a sociedade, mas usamos o silêncio como arma apontada indiretamente para quem deveríamos formar para serem profissionais da Informação com um pouco de discernimento sobre a gravidade do que está acontecendo.

O Centro Acadêmico está correndo atrás do prejuízo do silêncio, do comodismo, da apatia dentro e fora do curso. Resistências, há muitas, mas pergunto a vocês colegas de grupo e creio que pessoas pensantes e preocupadas com nossa formação e atuação: essa apatia é historicamente construída pela profissão (Perpetuando um ciclo vicioso maldoso) ou estamos com uma má sorte danada de ter um curso extremamente reacionário, com pessoas de perfis altamente individualistas e interessadas em observar por longas horas o próprio umbigo?

Deixo a pergunta e a reflexão.
Peço também, por gentileza, que se alguém tiver alguma indicação de leitura sobre as PECs, princípios norteadores e éticos da profissão, artigos de colegas que tenham esse cunho de "Chega de comodismo!", por favor meeeeesmo, me avisem: precisamos mesmo de mostrar por A + B que não iremos calar e consentir.

Iremos planejar e agir. Sempre em coletividade, sempre com o intuito de fazer uma sociedade melhor e mais justa para todos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

o peso da beca, do canudo, do capelo

Ontem foi a formatura da primeira turma em que me enfiei de vez na Biblio. Era a 3ª fase com um bando de gente bacana e de diversas vertentes de unidades de informação. Ter aulas com eles foi extremamente importante para eu sentir que o curso era firmeza, a carreira era promissora, as pessoas eram simpáticas.

Vendo eles recebendo os engessados ritos de colação de grau - Então é preciso alguém com título maior, cargo político, um objeto estranho encostado na caixa cranial pra ser finalmente bibliotecárix? Na Letras eu já me sentia professora desde o momento em que fui obrigadx a fazer um plano de aula na correria - meio que apertou um parafuso que tava aqui virando pra lá e pra cá: o parafuso da Ética.

Aí a fessora cutch-cutch que discursa muito nessa linha da Biblioteconomia fez o discurso como patrona da turma. E a coisinha linda citou Aristóteles, Kant e a diferença do Ethos com épsilon e Ethos com eta. O meu coração que já tá ferrado meio que deu um compasso trincado, desses de muitos goles de bebida forte, mas que não está completamente bêbado. Tocar nessa parte da terminologia de palavras que são terrivelmente empregadas em nosso curso, mas que ninguém tá nem aí par asaber pra que servem, é como um refresco nesse mar bisonho em que ando navegando.

Ela resgatou o Código de Ética do Bibliotecário (esse aí embaixo e que tenho diversas considerações a fazer que são contraditórias com o fazer bibliotecário de agora) e disse da importância do quanto é importante verificar a terminologia de nossos conceitos. Não obedecemos um código de ética para estamos na linha, fazer conforme a cartilha, não questionar nossa posição no mundo e a do Outro - seguimos um padrão alinhado de conjunto de regras para nossa profissão por termos a noção de que o bem maior, o bem estar social, a dignidade e a cidadania tá nas nossas mãos também.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Bibliotequices no 33º Painel de Biblioteconomia


[suspeito que esse post será editado várias e várias vezes na esquina com as macas da Varig, então...]

DISCLAIMER LINDO QUE PRECISO FAZER: Sou graduanda de Biblioteconomia na UFSC, na fase do só Ranganathan sabe, loooooogo minhas opiniões acerca do evento são inteiramente minhas, da minha cachola meio amalucada nutrida com café e comida do RU. Creio que terei que introduzir um tesauro nesse blog para os novos leitores entenderem as piadas internas e as referências nerds (Gente, referência é tudo nessa vida!).

Para quem quiser dialogar sobre esse post e outras questões (Inclusive motores de avião, estou disposta a discutir sobre engenharia aeronáutica, tá?), só deixar um comentário ali na caixinha abaixo. Não custa nada, sério. Nem pro Google Adwords eu apelo (E não tou ganhando jabá nenhum por declarar minhas opiniões... Eita).

Bora lá que lá vem postagem longa...

O que posso dizer sobre esse evento estranho que junta um povo mais esquisito com o intuito de falar sobre a maluquice do fazer bibliotecário e bibliotecas?
(Porque cês sabem né? Conforme a nossa sociedade contemporânea, ajudar as pessoas a buscarem cidadania, dignidade e autonomia é coisa de gente biruta. Mexer com máquinas é mais seguro.)

Me senti mais animada, o low da semana passada foi substituído por essa coisinha mastigando minha bile e cuspindo formas de se abalar a estrutura do sistema vigente. Eu amo a minha profissão, amo meu curso e tudo que ele representa em minha vida nesse momento. Ter um espaço para discutir sobre a Biblioteconomia é raro dentro da Academia, mas nesse Painel a conversa foi inspiradora no modo prático. Apesar da minha cabeça estar bem bem bem cheia de idéias iludidas para se fazer no local onde trabalho (estagio em uma biblioteca escolar da rede pública de ensino), vi aqui no encontro um modo real de colocar essas coisas fora do papel.

Aprendi um bocado com colegas, mais um pouco com os docentes, descobri algumas coisas sobre mim mesma, sobre o Outro, e vi que a vontade de nossos estudantes é MUITO grande, mas como há sempre problemas no caminho, tivemos a oportunidade de ouvir e também debater sobre as dificuldades no curso. Graças a Dewey tivemos como nos expressar, porque a coisa tá feia gente...

Auditório do CEDUP cheio e muitas discussões
Palavras que surgiram como ser ousado, proativo, gestor cultural, conhecedor de leis me iluminaram bastante sobre o meu papel na sociedade. Eu tenho um orgulho enorme de ter escolhido esse caminho, mas ao mesmo tempo me sinto inibida ao ver que algumas responsabilidades são bem maiores que eu pensava.

Por exemplo: pra qualquer lugar que olho há empreendedores e a única coisa que eu gostaria mesmo de sentar e conversar era sobre "okay, estamos todos ferraxs, o que fazer com uma caixa de leite vazia, retalhos de EVA e tinta guache para trazer os leitores pra dentro das nossas bibliotecas?" - mas a maior parte do tempo era algo sempre virado para a tecnologia embutida nesses espaços. Méh.

Senti-me como um daqueles homens das cavernas ainda tentando entender o que é a pedra redonda enquanto os outros homo sapiens já faziam uso da roda. Talvez seja o nicho que decidi me enfiar, biblioteca escolar pública é um lugar primário, rústico, dah roots, sem muitos recursos tecnológicos, a improvisação é primordial e às vezes a vida não te dá mais ideias pra tirar da cartola (Ou das mangas ou atrás da orelha, cê sabe, fazer efeito de mágika perto dos não-despertos dá Paradoxo e Choque de Retorno¹!).

Outra coisa que me fez repensar meu papel:
 - A tal da caixa.
 - O pensar fora da caixa.
 - O ir além da caixa.

Véi, de Bowie...
A caixa não existe.
É que nem a colher do Matrix. Não tem essa de caixa, a sociedade que gosta de colocar paredes pra delimitar tudo, a caixa é simbólica, você se encosta no canto se quiser, mas ela não tá lá. Somos além da caixa, somos além das paredes como o evento quis colocar em sua temática.

NÃO TEM CAIXA NENHUMA.
(Get used to it! let's Dewey it!)
Agora volteeeeemos. Cês já sabem: TL;DR.
(Too long; don't read)

domingo, 6 de setembro de 2015

a minha impressão do status quo da biblioteconomia

Estava a ler alguns artigos sobre inspirações para a sua vida de trabalho e como em qualquer realidade tecnológica, notei que a maioria das lições de vidas eram baseadas em gente bem sucedida, com dinheiro e pasmem, mais novas. Porque deve ser isso mesmo, né? O status quo?

No mundo da biblioteca vemos que a invesão se dá devido ao atraso dessas ideias globais de valorização ao jovem, bonito e barato terem chegado nas raízes do fazer bibliotecário. Claro que temos os engenheiros e os cientistas de sistemas de informação se comendo para tomar o nosso lugar (kek #Ironia) e eles trazem essa bandeira: bora saudar os novinhos e suas invenções.

Sempre citar Dr. Horrible quando é possível é status quo aqui.
The thing is, muita das idealizações de bibliotecários que nossa sociedade faz (E digo sociedade brasileira atual, sistema educacional importado da ditadura, espelhado em ideais americanizados e jfc até na biblioteconomia teve cisão entre modelo francês e modelo estadunidense) acabam caindo ao contrário dessa tríade do jovem, bonito e barato.

A tiazinha atrás do balcão de óculos, com coque na nuca e vestimenta comportada com algo em tricô? Yep, essa é a visualização da maioria - faz o teste, perguntem ou tentem lembrar do primeiro bibliotecário que apareceu na sua vida - o velho, o antiquado e o super caro. Porque livro custa caro, gente. E pagar gente que "cuida de livro"¹ é mais caro ainda.

#SqN

Tive sorte de ir em uma homenagem aos 50 anos da regulamentarização da profissão de Bibliotecário no Brasil² (A lei é essa aqui, assinada pelo cara apelidado de Jango) e ver como isso causou impacto na geração de bibliotecários que foram produzidos antes e depois da ditadura. Muita senhorinha como descrevi ali acima estava lá, inconfundíveis em seus charminhos e elegâncias de ladies do conhecimento, mas também aquelas franzinas humildes, com a fala tão mansa e confortante que não tem como não remeter as bibliotecárias de ambiente educacional.

Ali naquele auditório do SENAC estavam pessoas que de certa forma contribuíram durante anos e anos (e várias e várias vezes³) para que a Biblioteconomia catarinense fosse levada com integridade, respeito e sem tantos danos colaterais de uma saída de um regime ditatorial para uma democracia esquizofrênica liderada pelo liberalismo disfarçado do jovem, bonito e barato.

O velho, antiquado e caro continua vencendo as paradas, porque é esse o status quo na Biblioteconomia. E pelo jeito vem funcionando desde Alexandria, meux quiridux, quem sou eu pra discordar. Tem o lado bom e o lado ruim, assim como em qualquer coisa na nossa vida: respeitar o velho, antiquado e caro é um tiro no escuro naquela famosa briga de foice no meio do mato sem cachorro.

O bom é que se eu respeitar esse status quo, estarei valorizando a minha profissão como detentora de uma responsabilidade fodida imensa de apoiar o crescimento do meu país como uso de uma tecnologia tão matusaléica como o livro - não adianta vir com mimimi de bibliófilo, aquele trambolho feito de peças de diversos materiais que agora é o livrinho mais vendido no mundo que nem deveria ser vendido porque o filho do cara que pediu pra escrever o trem tem mais de 2 mil anos de idade, ENTÃO! - isso sim é algo que vai de encontro a Realidade de agora.

Eis um belo exemplo de um bibliotecário em seu habitat e a Realidade tentando arruiná-lo
Vejo isso claramente no ambiente onde estou atuando e quero passar o resto da minha vida, apesar de ser uma bibblioteca escolar bem servida de acervo e ter conexão com a internet, os estudantes dão preferência ao modo tradicional de pesquisa. O basicão pode ser na Wikipedia ou em outros sites de curiosidades, mas hey, se quer saber mesmo a definição sobre Dadaísmo e comparar nos livros (com gravuras, yeaaah) com o movimento Surrealista, sim, vai ser naquela enciclopédia ou naquele manual de Artes. A questão nem se eleva quanto a valorização do livro em si, mas o que o estudante tá acostumado a manusear. Powha, ele carrega um calhamaço de papel chamado livro didático (bota foooooogo nisso gezuis) durante o ano inteiro, é óbvio que o primeiro sensor de procura para pesquisa vai ser um livro, não a Wikipedia. Há também o fator financeiro, tem internet na escola, mas a maioria dos estudantes preferem fazer suas coisas em casa, porque vamos ser sinceros? Ambiente escolar é um trauma ferrado para nossas crianças, vocês querendo ou não, pensadores da educação.

A biblioteca é um lugar para amenizar isso, assim acredito e quero perpetuar pras gerações seguintes e é isso que os novinhos da Biblioteconomia vêm fazendo desde então.

Mas como então respeitar os velhinhos? É porque sem eles não seríamos nada. Sem eles com sua instrução erroneamente facetada na escola americana tecnicista de Dewey (yooooooou modafóca hate you so much) são responsáveis pelo o que somos agora. Foram eles que nos inspiraram, ainda quando criança, a querer ter o segredo das estantes, o acesso ao conhecimento, o saber fazer bibliotecário.

Mas se você for um engenheiro ou um do sistemas de informação [4] provavelmente vai preferir o jovem, bonito e barato (Oh, esqueci de mencionar o que não dura por muito tempo). As senhorinhas naquele auditório me deram perspectiva de que a profissão não ia acabar ou que estamos enterrando modelos velhos, mas sim que o modelo TÁ ERRADO desde o início, a gente é que se virou nos 30 pra adaptar aqui pro povo tupiniquim.

Agora o lado ruim do velho, antiquado e caro? Exatamente isso aí, é velho e nossa geração não aceita isso muito bem. Não temos mais aquele senso de dever em respeitar os mais velhos, em escutar a voz da experiência, em não procurar nos antigos aquilo que talvez possa fazer a diferença. O antiquado é ultrapassado, nos dá a ideia de que a inovação é perigosa, é cansativa, vai ser desastrosa em implementar.

E caro já nos diz tudo. Uma sociedade que prefere dar mais de 10 salários mínimos pra um político (Que NÃO TEM lei alguma dizendo que é uma profissão regulamentada e MUITO MENOS é um cargo com sindicato, LOGO seus trouxas, cês tão favorecendo propina para um cargo que supostamente deveria ser de serviço público de livre e espontânea vontade E VOLUNTÁRIO) e colocar o piso salarial de um bibliotecário escolar com menos de 2 salários mínimos (menos que um professor, aliás) está me dizendo tudo que preciso saber sobre a minha profissão. Porque o status quo é sobre o moneys né? E o poder. E a fama. E quanto tempo vai durar, certo?

Apoiar o jovem, bonito e barato para mim é impossível, não consigo me ver espelhada nessa visão das ciências tecnológicas como é pregada aqui no Brasil, consigo ter vislumbres de parcerias e melhorias conjuntas entre ambas as partes, mas uma substituir a outra? Jamais. Até porque banco de dados precisam ser manuseados por pessoas que saibam ler as informações ali para aqueles que não fazem ideia do que seja 01110000 01100101 01100100 01110010 01101111 00100000 01100100 01100101 00100000 01101100 01100001 01110010 01100001 00100000 01101100 01100001 01110010 01100001 00100000 01101100 01100001 01110010 01100001 00100000 01101100 01100001 01101100 01100001. A não ser que tenha tecnologia suficiente pra todo mundo virar ciborgue e ter algo implantado no cérebro pra ler código binário e descobrir que escrevi o tema do show de calouros do Silvio Santos ali atrás.

(Totalmente irrelevante, mas estou expondo o meu ponto de vista com esse exemplo)

Chegamos a valorização da profissão quando há comemorações como essa, o de lembrar aos jovens que estão vindo no curso e na profissão que temos uma Lei bem bacana para nos defender do status quo vigente (Aquele que produz a Realidade Estática e que se você tentar fazer algo fora da caixinha vai perDER PONTOS DE SANIDADE!!!1!!!1!), porque por mais que tentem dizer que a profissão vai acabar, ser substituída por outra - Cientista da Informação, no, just no, nope, ope, nope over 9000 - ser bibliotecário é eterno.

E isso é inspirador.
(Viu como dei uma volta enorme para chegar no tópico principal dessa postagem? Urrum, urrum...)

Pessoas mais velhas costumam me inspirar de um modo muito muito muito mais arrebatador que os novinhos. I mean, tenho respeito com todos, mas se você já chegou ao ponto de ter uma conta quilométrica de vezes que foi ao ortopedista por problemas na coluna ou que não aguenta mais ver as políticas governamentais de pura encheção de linguiça na Educação, pode ter certeza que estarei prestando bem atenção em você. Todos os bibliotecários mais velhos que tive o prazer de conhecer e bater um papinho ou apenas observar de longe e verificar suas técnicas sempre me trouxeram aquele quentinho entre os pulmões de que estou no caminho certo (Não, não era azia ou má digestão, é um coração que tem ali, por incrível que pareça).

Com raras exceções nos novinhos, os profissionais calejados me dão vontade de dar pulinhos de alegria e desejar que o futuro venha logo e eu vire um jurássico e seja fonte de chacota/inspiração de alguém. Porque eles são sacaneados, não vou mentir, eles tão mais tempo ali na labuta, eles já viram governos sendo firmados e destruídos, viram gente crescer e ser diminuída, e resistiram pelo Amor que tinham pela profissão. Os meus devaneios estúpidos de querer ser docente na Biblio vem exatamente dessa valorização interna de querer repassar alguma coisa que essas pessoinhas tão queridas que me influenciaram de algum modo. Não custa nada gente e olha, nem precisa de um livro pra saber. Unir as 2 profissões mais velhas do mundo (Não, não é aquela outra profissão mais velha do mundo não) pode trazer alguma diferença para esse mundo estranho.

E porque as senhorinhas estão se aposentando e sossegando e os novinhos estão se descambando para os valvulados da engenharia de produção e sistemas de informação. Isso isso me preocupa, tem uma pancada de formandos querendo cuidar de coisas e não de gente. E pelamordaSilvaSauro, cês tem certeza que estão no curso certo? 

Chega de bibliotequices hoje, bora voltar ao trabalho.



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Notas:
¹ - erro básico da profissão, achar que cuidamos de livro. Quem cuida de livro é a editora, a gráfica e restauradores, beleza? A gente só intermedia os esquemas pras paradinha do incentivo a leitura e construção da cidadania através do conhecimento ocorrer, morô? Veneza? Mó Egito aew...

² - As diretrizes que regulamentam a profissão no Brasil são essas aqui:

1. 
Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962 - Dispõe sobre a profissão de Bibliotecário e regula o seu exercício. O decreto nº 56.725, de 16 de agosto de 1965 - Regulamenta a Lei nº 4.084/62.
2. Lei nº 9.674, de 25 de junho de 1998 - FHC tentou dar uma arrumada e hey, ficou legal com o trem de "Profissional Liberal" lá da CLT (Getúlinho dramalhama, seu lindo!)

(Aliás, é um ótimo tópico para se pesquisar quando estou extremamente entediada com alguma coisa: saber qual é o panorama das outras profissões.)

³ - #VanessaumFeelings

[4] Juro por Ranganathan que não é indireta para as "ostis otoridades" que permeiam o curso de Biblioteconomia no Antro Vil e Maléfico de Cthulhu, nem é... Imagina bunita!
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