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segunda-feira, 15 de maio de 2017

le petit muerte

O problema não é a causa disso tudo. 
O problema são as pequenas coisinhas que matam.
Pequenas mortes.

O que mata é não poder ter seus dedos ficar entrelaçados nos outros dedos, em público não pode.
O que mata é não poder sentar ao lado de quem ama porque vão perceber, em público, que não deveria amar aquela pessoa.
O que mata é não ter escolha de palavras quando perguntam o estado civil, mesmo após anos de vivência, de rotina conjunta, de vidas entrelaçadas (como os dedos lá de cima).
Não é o grande problema que mata, mas são os pequenos, todos os dias, se repetindo em uma espiral de não-expectativas.

O que mata é a olhada de cima abaixo em como você se sente confortável sendo você mesmo. 
O que mata é a recusa de emprego por ser quem você quer ser, mas em público não pode
O que mata é a vergonha da família, do não poder falar
O que mata é o silêncio de quem tá junto e sofrendo o mesmo assassinato todos os dias. É o ninguém falar
O que mata é cada "Eu gosto muito de você, mas não posso ficar contigo", porque em público não podemos
O que mata é não esperar por mais nada, porque esperou tanto por algo inesperado na vida e ter nenhuma expectativa de viver aquilo novamente. 
O que mata são as contas das soluções paliativas médicas, dos atestados de sanidade, das terapias, dos medicamentos, das taxas a mais, da burocracia. Isso pode ir à público.

Isso que vai matando um pouco a cada dia. 

O que mata é outra vez não poder contar com ninguém quando a coisa aperta. Em público não posso.
O que mata é quando se convence disso é de que em público não pode
O que mata mesmo é ter um termo científico pra isso só esperando o momento oportuno - entre um diagnóstico caseiro, paranoico, atestado por autoridades e outros - para aparecer. 
O que mata é colocarem uma categoria em que não se quer ou se imagina encaixar. 
O que mata é aquela foda muito boa na noite anterior e se sentir sem vida pro resto do dia. Porque entre quatro paredes tudo pode, mas demonstrar carinho em público não pode
O que mata é saber que a foda não vai acontecer novamente, porque não vai haver mais do que aquilo.
O que mata é ver que ainda estão matando gente como a gente, porque em público não pode.
(mas matar pode, em público tá virando moda) 
O que mata é dizerem que é invenção da cabeça, modinha de intelectual, que é fase, que vai passar quando achar um padrão decente pra colocar no lugar. Essas coisas em público não pode
O que mata é não se ver em lugar algum. 
O que mata é ver que a mídia mata quem você acha que pode representar um pouco daquilo que você sente na maior parte do tempo. 
O que mata é não ter a ilusão de conto de fadas, nem de final feliz. É não sonhar mais.
O que mata é não poder passar os dedos nos cabelos de quem ama, nem que seja discretamente, em público não pode.

O que mata mesmo é ver isso acontecer há poucos bancos no ônibus para um lugar onde supostamente deveria (e se proclama) dar segurança de viver como sou. 
O que mata é ver isso acontecer enquanto um casal padrão normativo fazer isso e muito mais, bancos a frente, sem ser admoestado. Em público não pode. Eles podem.
O que mata é ver aquela fagulha ínfima de cumplicidade, de carinho, se tornar um olhar desconfiado ao redor e um sorriso amarelo para se explicar. Em público não pode.
O que mata mesmo é ainda ser obrigado a se explicar por querer dar carinho a alguém que amo.


O problema não é a causa disso tudo. 

O problema são as pequenas coisinhas que matam.
Pequenas mortes.

E como elas vão silenciando a gente, aos poucos, conta-gota, até a normalização ser habitual, o controle imediato, as ações de sobrevivência mais automáticas.

O que mata mesmo é isso. 
E em público não pode
Pro resto da sua existência miserável nesse planeta: em público não pode.

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N/A: Le petit mort é uma expressão francesa para conotar o orgasmo "a pequena morte", já muerte é uma alusão a Santa Muerte, a padroeira dos pobres, dos comerciantes ilegais e traficantes, e não tem nada a ver com prazeres.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

conselhos valiosos

Recebi os seguintes conselhos nessas 2 últimas semanas. Valiosos, só para constar:

1 - seja mais filha da puta.
2 - tem coisa que só você vai conseguir se levantar sozinha.
3 - você precisa pedir ajuda quando precisa pedir ajuda.

São meia noite e dezesseis de uma segundona, após domingo esquisito e surreal. Triste por assim dizer, foi um vazio oco bem no meio do estômago com uma ligeira sensação de dor no baço. E com esses 3 conselhos ecoando nas caraminholas, bora filosofar.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

aprendimento no agradecimento

Uma coisa que aprendi de uns anos pra cá foi de agradecer as pessoas que me deram oportunidade de crescer como ser humano, como profissional, como estudante e tal.

Os altos e baixos que já havia escrito em alguma postagem anterior mostrou isso, ontem eu tava em péssimo estado, hoje trmho mais lucidez graças a algumas pessoinhas que brotaram ontem e foram ao meu encontro.

Uma delas faz aniversário hoje e com o pouco tempo de convívio já me mostrou que muita coisa da vida se conquista com insistência e sensibilidade com o próximo. Ela é um dos exemplos mais admiráveis de vivência na carreira onde tou me enfiando e isso significa muito pra mim.

Agradecer faz bem, sabe?
Ter essa gratidão por quem te apoia, tem um carinho especial e te deixa feliz por saber que essa pessoa existe no mundo.

É meio isso.

Escrevi pra não perder esse fio da meada dentro do ônibus e não conseguir resgatar o feeling do dia de hoje.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A família Morgan

Sem tantas postagens esses dias, muita coisa andou acontecendo aqui pelas quebrada.

Família Morgan visitou o recinto e sequestrei meu primo pra um interrogatório básico na luz do luar, o som das ondas e o BRILHINHUUUUU das estrelas.

Melhor coisa que fiz nesses últimos anos, com certeza.

Algumas respostas foram encontradas, algumas dúvidas explicadas, por um momento me senti um pouco mais feliz comigo mesma. É bom ter o feedback do Universo dizendo que você não arruinou tudo ou que sua vida inteira é feita de falhas pra se poder consertar.

Obrigada Universo, você é um fofuxo quando explica direitinho como as regras funcionam.

Fazia um bom tempo que não sentia essa sensação de dever cumprido no miocárdio. Deve significar alguma coisa.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

considerações no dia de são valentim

Possivelmente um dos dias mais estranhos desse começo de ano, com direito a dobradinha especial da sexta-feira 13 de ontem com a Lady Murphy me cortejando divinamente. E a chuva.

The fucking chuva.

O importante é que durante o período de claustro em que me encontro devido fatores climáticos e emocionais, mesmo estando bem equipada com gaterapeuta, chocolate, playlist musical boa (Apesar de ter um pequeno probleminha com Bonnie Tyler no começo da manhã até a tarde), artigos bons para se ler, chá quente e muito pensamento positivo, deu para se perceber que não precisa de muito para ser felizinha aqui na conchinha do Gary.

Na verdade faz tempo que não passo um dia quietinho na minha, cuca meio fresquinha e acordada (Graças a Eru,sem mais caídas de sono bruscas) para aproveitar o dia. Faz tempo que não sinto que os pensamentos estão em ordem, que posso sentir um pouco do controle voltando, que posso fazer algo que preste de minha vida sem incluir absolutamente terceiros em minha vida. É um pensamento bem egocêntrico, mas talvez estivesse precisando ter esse momento de clareza para notar que não estou perdida: só meio que desviei do caminho novamente porque a pedra gigante sempre estará lá, só precisava decifrá-la sem pegar atalhos na floresta escura.

A vida circula como a espiral que supostamente deve ser. Muita coisa a ser feita.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

acerca 50 tons de cinza

A BDSM-style collar that buckles in the back. ...
(Photo credit: Wikipedia)
 Com toda a controvérsia sobre 50 tons de cinza - o filme - causando por aí, tive a oportunidade de deliberar wtpowha devo me posicionar quanto a isso (hehehehe trocadiiiiilho):

Méh.

Vai ser um daqueles filmes que terei o prazer (mais outro trocadilho) de baixar ilegalmente sem sentir pena alguma da distribuidora, estúdio e salários dos envolvidos.

Na época em que "li" o livro - ler é uma expressão razoavelmente parecida com o exercício monótono e rápido que fiz até quase a metade, passando os olhos entre página e outra pra vasculhar se havia algo realmente interessante e apenas ver que é inner-dialogue O TEMPO TODO e descrito de forma nada criativo - meu interesse principal eram os parâmetros usados em relações BDSM. Mas aí quando fui pesquisar o histórico do enredo, deixei de lado e fui fazer algo mais interessante.

Não desmerecendo o trabalho árduo da autora E.L. James em escrever uma fanfiction A.U. de Crepúsculo - o que me dá uma oportunidade boa para explicar o que é fanfiction para as pessoas que desconhecem! E hey, até seus desdobramentos espaço-temporais dá para se discutir - mas sério, amiga, que lesse um pouco mais da cultura underground, faz bem pra escrita pesquisar ANTES, vivenciar talvez (Nunca se sabe). E yep, quando o assunto é polêmico como tabus sociais, tem que ter cuidados extras. Não é questão de moral, cívica e toda essa bobagem, é questão do dever glorioso de ser escritor

Povo estadunidense tá ameaçando boicotar o filme por vários motivos: violência contra mulher, relações afetivas com abuso psicológico, porque vai te levar pro Inferno, porque vai influenciar a quiançada fazer a mesma coisa (As if) e a lista vai aumentando. Aqui no Brasil a classificação indicativa ficou para maiores de 16 anos, o que me dá uma esperança que alguém lá do Ministério da Justiça LEU a fanfiction, depois o livro, achou uma porcaria e julgou bem o quanto de zoeira isso pode causar.

Well done Coordenação de Classificação Indicativa, vocês às vezes acertam na limitação da zoeira - apesar de que classificação +16 não vai resolver coisa alguma nesse país.

Esse tipo de livro me deixa no muro inquietante dos "nãos" e "sims", pois há tantas nuances de o que fazer e o que não fazer. Não vou mentir: ver esse reconhecimento de 50 tons de cinza me dá esperanças como fanficwriter, como escritora amadora, oh hell, se essa criatura escreveu algo assim e foi reconhecida, eu que escrevo BEM MELHOR posso ir longe. #HýbrisEmAltaHoje

Mas o lado de ser humano racional e emotivo também me deixa em completo estupor por tudo que isso pode desencandear em uma geração que tá cheia de informação sobre tudo, disponível a hora que quiser, mas que não sabe lidar com os filtros. Meu lado bibliotecária apoia ter essa trilogia em uma biblioteca pública ou universitária, mas não se sente feliz se estivesse em uma biblioteca escolar. Meu lado anarquista quer espalhar conhecimento pra tudo quanto é canto, sem me importar com quem esteja captando as mensagens, mas for crying out loud, se os "adultos sérios e responsáveis" tratam os jovens como se estivessem nos anos 50 ainda, como isso vai ser possível?!

A powha do pensamento crítico não ajuda nessas horas.

domingo, 18 de maio de 2014

o recado do meu eu do futuro



Então recebi ontem esse email de mim mesma de cerca de 1 ano e 2 meses atrás. Não lembro exatamente onde escrevi e como estava, mas fez sentido por mais confuso que estivesse. O serviço do FutureMe.org foi uma mãozinha na roda e descoberto no Blog da VeVa Danger Dame Diary.
The awesomeness dessa cartinha básica? O desejo latente de ir pra Biblioteconomia estava muito muito forte e até cogitei a UDESC - mas foi a UFSC que me apareceu primeiro neaw? Não lembro também porque decidi colocar essa data de agora, sendo que comentei sobre o St. Paddy's e deveria ser 2 meses atrás... Anyway! O trem tá aí para deliberação aqui no Tribunal da Tríade Coração, Mente e Espírito e faz muito, MUITO sentido!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pulos no ônibus

"Mas você não se arrisca em nada!"


Arrisco sim, já tentou andar equilibradamente sem se guiar pelos corrimãos num corredor de ônibus em movimento retilíneo com toda confiança que não vai tropeçar e cair em público?


Pois é, pequenas coragens geram desafios maiores.
(Isso e estourar pipoca com a tampa aberta, aposto que ninguém aqui tem coragem pra fazer isso)


O conceito de coragem para muitos pode denotar bravura, iniciativa ativa, ter os culhões de se envolver em situações que podem ou não culminar em sua morte prematura. Ter coragem pode ser também a iniciativa ativa, aquela em que a pessoa. Dá uma fungada boa de ar, levanta o peito e vai lá enfrentar o que for.

Então andar sem a ajuda do corrimão dentro de um transporte público pra mim é o exemplo-mor de coragem suprema, pois só não desafia as leis regentes da gravidade, como também implica no total desibinimento de se enfrentar uma gafe social. É quase um se livrar de correntes megalíticas do status quo - posso ser ou não alvo do escárnio e desprezo do ser humano, mas posso igualmente estar ofertando uma sensação de liberdade ao fazer isso.

Isso pra mim é ter coragem: fazer coisas que provocam o coletivo mesmo sendo uma atitude individual.


E se eu cair, não passo do chão. Loki tá me vigiando, logo medo não tenho.
(Tá, medo eu tenho, posso quebrar um osso nessas horinhas de puro distraimento)

terça-feira, 18 de março de 2014

Vida de adulto.

Os métodos aprovados para aprendizado para uma vida inteira se resume a simples noção de que não há nada o que se possa fazer.

Por exemplo:
Mesmo que eu me desespere por causa de diversos motivos, é melhor manter a calma tranquila antes da bomba explodir. Porque se o barco afundar, quero ser a tiazinha que fica balançando a cabeça conforme a música para o quarteto de cordas que vai continuar no barco condenado.

Legal que essa metáfora serve pra qualquer coisa na minha vida, inclusive assuntos de Banalidade ferrada.
(começo a desconfiar que os sentimentos mais nobres de um ser humano são na verdade fabricação dos deuses pra distrair a gente da loucura ou da ira).
Ps bem assinalado: ser adulto nesse mundo atual é chato.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

ano novo, foto nova

My reflection, dirty mirror
There's no connection to myself
(Smashing Pumpkins - Zero)

True story, bros...
Toda vez que me olho no espelho tenho essa impressão de reconhecer quem me olha de volta. Isso não acontecia anos atrás, em que munida de meus longos cabelos castanhos escuros e cara de sono não me dava a impressão que eu era eu mesma. Aliás, o meu rosto ainda me parece desconhecido (Meu corpo não, conheço-o bem e sei que ele é meu mesmo), mas aos poucos me acostumo com essa cara que me olha de volta no reflexo do espelho.

Ao cortar as madeixas pela trogésima vez e deixar a cor natural voltar, percebo algumas nuances de familiaridade. O rosto é meu, só não o reconheço como algo meu. A cicatriz em meu queixo é a que mais me faz lembrar que o rosto é meu, mas de resto não consigo identificar uma semelhança com o restante.

Muita coisa supostamente deveria mudar de outubro pra cá, mas finalmente percebi que a mudança tem de vir de dentro (Oh poético isso não?), então a tendência é deixar as mudanças virem sem me esconder dentro da conchinha do Gary (meow!). E sim, me olhar mais em refletores de imagem sem ter medo que algo vá roubar a minha alma no processo.

sábado, 23 de novembro de 2013

regras mundanas que atrapalham a evolução (e o entendimento)

Uma das coisas que mais me barra ao estudar qualquer tipo de crença religiosa é quando eles, de certa forma, discursam sobre o corpo. Yep, o corpo, esse físico, saco de ossos e tiras de carne que arrastamos por aí nessa viagem maluca cósmica de aproveitamento de disciplinas em Retorno de Graduado Espiritual - porque vivemos um ciclo em espiral, queridos, trazemos bagagem cultural até de outras vidas para podermos reaproveitar e reinventar algumas coisas aqui.

Das experiências negativas que tive ao tocar nesse assunto - o corpo físico - a questão que mais pegava era a sexualidade envolvida no processo. A eterna premissa do saber sexual, a experimentação física para se achar algum sentido no transcendental sempre feriu alguns dos meus princípios básicos de convivência em Sociedade. Motivos? Tenho vários, só de me sentir 70% culpada quase toda parte de minha vida por desejar sexualmente e emocionalmente o mesmo gênero (palavra feia, muito feia) já me rendeu uma trava psicológica que não vai ser resolvida tão cedo.

Viver em uma cultura judaica-cristã é massante, você é culturalmente engrenado para rejeitar qualquer coisa anormal e imoral da vigência estabelecida, ser homossexual é como sair da norma (Isso quando não apelam pro bom e famoso "pecado divino" que tanto gostam de pautar seus discursos nada solidários e humanitários), como ser tão subversivo ao ponto de quebrar regras que essencialmente o fisiológico deixa transparente que não deveriam ser quebradas. É estafante e se não dizer: desestimulante.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pedi Pepsi, me empurraram Coca-cola.

Vamos ver se não estou tão maluca assim para entender a lógica do mundo capitalista/patriarcal/ocidental:

Se eu vejo alguém entrando num comércio e perguntando se tem Pepsi há algumas possibilidades de interpretação para o pedido:

1 - a pessoa não localizou ou está com preguiça de localizar a Pepsi;

2 - a pessoa viu a Coca-cola ali, ela SABE MUITO BEM da Onisciência do líquido desentupidor do Capitalismo, que tem uma geladeira da Coca em TODO LUGAR que a pessoa vá, mas ela NÃO VAI trocar Pepsi por Coca por alguns motivos:

a) Pedir Pepsi é uma forma de se rebelar contra o sistema e não seguir o padrão pré-estabelecido;
b) Pepsi é mais açucarada, tem gosto melhor e custa menos que a porcaria da Coca-cola;
c) a pessoa é viciada em Pepsi (acontece!).

3 - a pessoa quer variar hoje. Se ela perguntou por Pepsi é porque está implicitamente marcado que ela NÃO QUER Coca-cola (já que essa é pedida padrão da grande maioria).

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

manifesto da legitimação da conchinha

Deus do Céu, pode me avisar até quando e o quanto vou ter que chorar pra finalmente entrar no closure e não me preocupar mais com certos assuntos que eu nem deveria estar mais me preocupando agora? E please, dá um toque nas pessoas queridas que amo e que insistem em falar que "Vai ficar tudo bem, a próxima vai ser melhor" que não, não é momento para dizerem isso? Não vai ter próxima, não está tudo bem, eu vivo no maldito presente, última coisa que quero agora é pensar em futuro e muito menos relembrar passado algum (tá virando uma obsessão ferrada esses dias).

A conchinha está de volta por motivos de segurança nacional (Ou patrimonial corporal/mental).
Ao ver que o estabelecimento da ordem binária entre o "fiz porque quis e fui feliz" e o "me arrependo amargamente pelo resto da minha vida" está sendo ameaçada para um dos pólos, é decidido em sessão extraordinária que haja a legitimação da conchinha, padronizada durante anos de pesquisa, arquitetura social e estratégia válida de autopreservação psicológica e física.

Com a legitimação da conchinha há a possibilidade remota de enfrentamento da Realidade 2.7 com embasamento teórico fundamentado na teoria da desconstrução, da desmistificação e principalmente na desatribuições de significados e significantes dos processos destrutivos inferidos por projétil de calibre incerto, desferido por moleque estrábico e míope que se autoproclama Eros, filho único e legítimo da Deusa do Amor - Afrodite - e do Deus da Guerra - Ares.

A presente escrivã desse Blog se entrega inteiramente ao encarceramento consentido na então intitulada Conchinha de Gary (meow) para que danos maiores não sejam perpetuados em larga escala por conta de seu ego ferido, personalidade de natureza rude e volúvel, atitudes que podem beirar ao puro extremismo em pânico e/ou talvez perpetrar situações constrangedoras para si mesma e para outrem. (E sim, tenho ciência do karma que atraí pra mim mesma nesse processo todo e como vai ser difícil de sair andando sem mancar de desconfiança, ter coragem de novo pra qualquer coisa ou simplesmente sentir qualquer coisa.)


Conclusão: Não tem como mais ficar fingindo que tudo está ok e sorrindo. Tá na hora da autorreflexão (E fuga da Realidade, senão todos meus medos infantis e de adulto irão subir com a mesma quantidade).

Outubro, era para você ser legal, mas não foi.

sábado, 31 de agosto de 2013

cartas, lots of cartas

Ainda as tenho. Bem guardadinhas em um envelope enorme com um cartão impossivelmente mais enorme ainda, elas estão lá, em tinta azul, com a caligrafia bonita e redonda, com muitas palavras. Muitas.

Por um bom tempo eu as evitei para não me lembrar demais - essa benção de memória boa para detalhes jamais foi encaminhada pela minha pessoa, às vezes desejo ter uma amnésia total e só lembrar do meu nome - mas as palavras escritas estão lá, grafadas para sempre nessas cartas já amareladas, tão cheias de recordações - e não tenho coragem de me ver longe delas.

Quando você passa muito tempo se correspondendo com uma pessoa, acaba criando uma rotina de co-dependência de assuntos, algumas dessas cartas continham mais de 5 páginas, narrando literalmente um diário semanal de duas pessoas separadas por mais de 420 km e 21 horas de viagem. Estranho foi ver como consegui abrir a pasta com as cartas e dar um fim nelas como elas deveriam ter, a memória que tenho desses anos de trocas de correspondências são como flashes de lembranças, nada muito sofisticado, felizmente naquela época (Quase 14 anos atrás) não havia tomado para mim a irritante habilidade de relevar as palavras escritas acima das faladas - agora, brutalmente, faço o contrário.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tagarelices: 3 momentos de Alex Vause

Minha obsessão fangirlística recorrente é com o novo seriado da Netflix: Orange is the New Black (Para saber mais, tem esse post aqui no Nerdivinas que escrevi um tempinho atrás, sem spoilers, I swearz!), mais ainda pela personagem de Laura Prepon: Alex Vause.

Porque ya know, não posso me conter: ela é exatamente tudo que eu sonhei e mais um pouco. Menos a parte de ser traficante de drogas em um Cartel Internacional - apesar de que isso poderia ser um add-on estranho para o relacionamento fictício - mas entendo completamente do porquê a Piper Chapman ter ficado literalmente caída por ela.

Três momentos em que me fizeram ter meus pompons de fangirl agitados e derretidos ao mesmo tempo foram:

" - Eu era uma importadora..." *wink wink*
Durante a "reunião" do NA/AA dentro da prisão, ela explica porque começou a usar heroína, mesmo sendo a traficante (Tudo culpa do coração mole que ela tem debaixo daquela fachada badass apaixonante <3).

E ao falar a história do "fundo do poço" é que a gente percebe o quanto ela está ferrada nessa vida que escolheu, enquanto as outras estão apenas passando pelo tempo na prisão com as coisas já acertadas ou ferradas. O momento de "fundo do poço" para ela é ali mesmo, naquele momento, onde ela perdeu tudo que tinha (O poder1 de ser uma manipuladora de 1ª em um Cartel Internacional) e a única pessoa que tem um pouco de noção do que ela era antes é Piper - que está fazendo yoga no momento e morrendo de raiva dela do depoimento dela.

É fofo o jeito que ela trata sua relação com a heroína, a comparando imediatamente com o relacionamento que teve com Piper, então constatamos, mais outra vez: o Amor é uma Droga (Lícita e Involuntária, pelo jeito). Ou como Jojo Ulhoa falaria: é cego, surdo, mudo, ruim de mira e com retardo mental para errar tanto até acertar mesmo onde deveria acertar.

domingo, 7 de julho de 2013

eu e o marinheiro


Como atividade dominical, resolvi levar meu marinheiro favorito lá pra Praia dos Ingleses e ter um encontro com ele. Como o coitado ama o som do Mar e dá uma de filósofo quando vê gaivotas pairando loucamente no ar em busca de qualquer coisa para comer, resolvi que dividir um cachorro quente seria o bastante para ficarmos de boa ali perto do Grande Mar.

Claro que temi pela integridade de meu cachorro-quente de recheio duplo e a eminência de um ataque gaivotístico, então após degustar o lanche (Que esfriou rapidamente, aquela praia faz um frio tremendo) fui dar uma andadinha perto das águas de Iemanjá acompanhada do serzinho miserável que fica me cutucando o tempo todo para visitar mais as areias e as ondas.

domingo, 2 de junho de 2013

Andarilhos e filhos do vento

Sacaneio com o pessoal que fui alimentada de pop-trash nos meus anos de adolescente, mas esse cara em especial me doutrinou (Essa é a palavra, doutrinar) a ver o mundo através dos olhos de um simples viajante, aquele andarilho na estrada, afastado do mundo tumultuado, avista o cotidiano e se inspira em pedaços para criar seu próprio mundo, sua Arte.

Andarilhos e músicos (irlandeses em sua maioria que encontro) têm esse poder de juntar os fragmentos da Realidade e colocá-los em forma de melodias e letras e vozes e rimas, sempre acreditei nisso, é algo que vai comigo para o túmulo que ninguém irá me tirar. Mas quando se percebe que o andarilho passou muito tempo longe dessa filosofia, tudo se perde, inclusive alguma estrelinha que tenha brilhado o tempo todo, mas que você não enxergava por conta da noite ser tão escura (Não, não costumam levar lanterna ou lamparinas nessa de andar a esmo pelo mundo).

Algumas pessoas entendem o porquê dos andarilhos serem assim, outros não tanto, mas acreditem, eles tentam o máximo possível em ver o mundo como um todo não como os pedacinhos pequenos que costumam vir. A Música é o único modo de se expressar o Universo em pedaços (a supercola universal às vezes não cola tudo), por isso estar munido de Música e um fio de prata no bolso é o melhor a se fazer em épocas como essa - sem estrada para andar, sem estrela para se orientar, sem tantos pedacinhos para se juntar, sem tantos ouvintes para apreciar sua música.

E essa música é a síntese de absolutamente tudo que acredito em minha vida. I still haven't found what I'm looking for, mas sei que tem uma estrelinha lá em cima para me guiar e me ensinar a brilhar (E no final tem essa de filha dos ventos com a faca para poder cortar certas coisas ruins que se amarram em nossos pés).

Uma ótima semana, pessoal e jamais deixem de crer na estrelinha lá em cima.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sobre minha opinião acerca a Norma Culta Padrão de qualquer língua


[opinião expressa sem efeito de professar qualquer coisa ou alguém, apenas estou deliberando o papel da linguagem em nossas vidas e como algumas pessoas insistem em estragar esse exercício bom de se expressar linguísticamente]
Garoto: Não tente entortar a colher. Isto é impossível. Ao invés disto tente perceber a verdade.
Neo: Que verdade?
Garoto: Não há colher.
Neo: Não há colher?
Garoto: Então você verá que não é a colher que entorta, e sim você mesmo.

Sabe aquela passagem de 1984 que o coleguinha de biombo do Winston comenta que a próxima edição da Nova Gramática da Novilíngua/Novafala poderia vir com menos páginas que a anterior?

Então, é como vejo como os grammar nazis operam. Impedem sua manifestação oral e escrita - enchendo o saco que é errada, feia, não adequada, sem cabimento, e lalala - reduzem como podem todas essas para um grupo de "erro hediondo massacrante" e depois dizem que é pro nosso bem. Vide o ENEM com aquelas pérolas que todo mundo gosta de sacanear no final de cada prova. Não é uma questão de não saber ler e escrever, darling, é uma questão de extermínio silencioso de uma expressão individual que todos nós temos a capacidade de ter devido o tamanho anormal de nosso crânio comparado a outros primatas: a linguagem.

Predizer regras é dar um chute na reflexão da língua, qualquer uma que seja. Dizer que está errado e pronto (E tendo o costume bobo de apontar pra um livro de Gramática e dizer que a Verdade está ali) não é a forma mais eficaz de se instigar a reflexão da linguagem nas pessoas, todos sabemos disso. Passamos cerca de 8 ou 9 anos dentro de um sistema educacional que fica apertando essa tecla até o infinito, com raros casos de formar leitores e produtores de textos que têm algum tipo de consciência crítica sobre a linguagem e os modos de usá-la em diversos contextos sociais.

Poucos se esquecem que muitos não tem o mesmo privilégio de poder entrar em contato com um filosofamento mais aprofundado sobre a nossa língua materna e suas variações. Logo, os poucos preferem ou deixar baixo, ou serem chatos pra caramba (grammar nazi) ou tirarem proveito disso (religiosos, vendedores do Polishop ou políticos).

Para aqueles que escolhem ser tão ferrenhos com a questão da norma culta contra a linguagem formal, uma boa sorte, camaradas. O trabalho de vocês é penoso e nunca vai terminar ou melhorar. Já quem tem pelo menos o bom senso de ser solidário e ajudar quem não compreende a complexidade da Língua Portuguesa é um abençoado (E com certeza vai pros Campos Elísios e tudo mais). Esses poucos entre poucos costumam ser taxados de liberais demais com a língua e frequentemente são chateados por grammar nazis. Tentar fazer um grammar nazi se colocar dentro dos sapatos dos muitos que não tem os mesmos privilégios sociais que os poucos que instituem a lingua como padrão e tudo mais é tarefa difícil e muitas vezes sem resultado algum. Melhor estratégia: ignorar e prosseguir a vida sem se prender demais nas regras de um grammar nazi. Eles não sabem o que é se divertir com as palavras, brincar com as possibilidades e desvendar os mistérios de entrelinhas presentes em qualquer texto.

A linguagem não é estagnada, não é imutável, está em constante transformação porque ela não é um objeto cronológico de vida própria e externa, ela depende de nós, seres humanos, para evoluir. Quanto mais faço uso da língua, mais estarei a modificando em uma situação de nossa Realidade. Dizer que a Verdade Absoluta está em um compêndio organizado por pessoas que não fazem questão de acompanhar as pequenas mudanças sociais em cada santo dia é o mesmo que ler uma bula e acreditar piamente que vai sofrer de TODAS as contra-indicações. É absurdo, inviável, questionável e violável.

SIFALA COMO SISCREVI me é delicioso, invejável e extremamente desejado, mesmo que seja tão anárquico e imprevisível quanto o pensamento único de cada indivíduo. Padronizar é preciso, mas cristalizar a fórmula por quase 200 anos de República e ignorar os novos tempos é tontice. Não aceitar outras formas de linguagem é pedir pra ser ermitão em um mundo tão influenciado socialmente e linguisticamente por tantas fontes, o belo dom de se comunicar é o único bem privado que temos a chance de fazer o que quiser de forma espontânea e sem culpas. Legislar que sua linguagem é errada e inadequada é matar esse sentimento de pertencimento de si mesmo, é condicionar uma identidade em constante construção em um conjuntinho de regras feitas por poucos para muitos. Catar erros de ortografia para se sentir superior aos outros é babaquice, manipular o mundo com uma Gramática debaixo do braço é mais babaquinha ainda.

Preste atenção ao seu redor, todos nós somos únicos, assim como a linguagem que cultivamos desde pequenos. Trabalhar as diversas formas de manifestações linguísticas em nosso cotidiano é necessário, mas não obrigatório. Ser grammar nazi não te traz vantagem alguma, ser um questionador da língua sim. Mesmo que nossa sociedade prefira obedientes cumpridores e não formuladores de leis, mesmo que o mundo atual esteja lotado de chatinhos de galocha que gostam de dizer que você coloca vírgulas demais em períodos ou que sabem conjugar o verbo haver no pretérito-mais-que-perfeito. Mesmo que defendam que a Norma Culta é o Português Correto, mais adequado, mais entendível para todos, não quer dizer que seja a Verdade Absoluta.

Não há colher alguma.

Ps¹: E dude, os Grammar nazis. Esses são dignos de risadas acima de tudo (Porque não gostamos de sua extrema direita na política e no jeito de falar/escrever).


quinta-feira, 18 de abril de 2013

breve momento de interlúdio entre um tiro e outro



Alguém muito sábio uma vez me disse que o coração não deveria ser nem de longe o órgão que representa as nossas emoções. A bagunça toda vai para o estômago e dali jamais sobe ou desce. Esse mesmo alguém me ajudou formular a teoria da pedra no meio do caminho (conforme o post aqui). Parte desse post vai ser deliberando a teoria da pedra e esse sonho chato que tenho desde novinha.

Às vezes tenho esse sonho voltando no looping, o mesmo campo, a mesma névoa, o mesmo silêncio, o mesmo som abafado de um estampido violento, o mesmo eco, a mesma dor. Mesmo ela não sendo minha necessariamente dizendo. No sonho é de outra pessoa, e quando ele cai é como se uma parte de mim fosse junto para o limbo que o espera. Nunca é bom saber que parte dele vai ficar em mim, mas nenhuma parte minha vai verdadeiramente alcançá-lo, ele é um mistério para mim, é aquilo que as pessoas vêem, mas não consigo enxergar quando fico olhando demais no espelho (E são poucas vezes,espelhos me apavoram). É frustrante, é doentio, é humilhante.

Saber que você poderia pelo menos ter feito alguma diferença e no grand finale ter a surpresa de que um ato egoísta foi a melhor solução para a situação.

Me incomoda bastante ter que acordar com essa sensação de que o sonho está me avisando de uma coisa que não admito querer sentir. Mesmo que seja produto nato de meus passeios oníricos, esse sonho em particular anda me perturbando por um bom tempo. De acordar no meio da noite e ficar encarando o objeto mais perto de mim para poder me concentrar que não estava ainda sonhando. Particularmente a Realidade dos sonhos me é tão familiar e palpável, às vezes me confunde. Nas vezes em que acordava no meio da noite, tendo certeza que estava mais protegida e salva possível, a dificuldade de me concentrar nesse processo de "acordamento" aumentava quando eu olhava para o lado.

E não doía tanto. Demorava o período entre "acordar" e voltar a dormir, mas não doía.

Agora, assim como o sonho que se repete - e o estampido, e o silêncio que vem depois - meio que se manifesta fisicamente de uma forma bem conhecida. Há dias em que acordo como se tivesse levado um tiro certeiro no estômago, um tiro bem de perto do pulmão esquerdo, bem ali no baço e quase dá para sentir o cano da arma robusta e enferrujada (possivelmente de algum século passado) encostado na minha pele. O que parece me queimar por um tempinho antes do despertar, me deixa com essa sensação absurda que o tiro imaginário atravessou o meu corpo, destruiu tudo que tinha ali dentro, deixou estilhaços e com certeza levou tudo embora quando abriu o buraco.

A única coisa que posso fazer é me levantar e me concentrar que a Realidade aqui não é como nos sonhos - lá pode doer mais, pode ser mais realista, pode até ser mais apavorante - mas a sensação de ter sido baleada continua pelo resto do dia, enquanto estou lúcida e desperta. E sei que vai demorar a passar, vai demorar a ter a limpeza geral e o estancamento e os pontos e os dias de resguardo e a restauração dos tecidos e talvez uma lição aprendida - sempre espero pela lição, acima de tudo - mas é mais ou menos isso.

Se alguém me perguntar, direi com toda a certeza que meu corpo sente: é como levar um tiro. Não sei como explicar como posso saber disso, mas é bem parecido.Preciso reaprender a fazer pequenas intervenções cirúrgicas novamente.

John Lennon tava certo: Happiness is a warm gun (Bang bang shoot shoot!).

terça-feira, 16 de abril de 2013

breve momento de interlúdio entre um poço e outro




Are you sleeping? Still dreaming? Still drifting off alone.
I'm not leaving with this feeling, so you'd better best be told
And how in the world did you come to be such a lazy love?

It's so simple, and fitting the path that you are on
We're not talking, there's no secrets, there's just a note that you have gone
And all that you've ever owned is packed in the hall to go

And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone

I'm not listening for signals, it's all dust now on the shelf
Are you still working? Still counting? Still buried in yourself?
And how in the world did we come to have such an absent love?

And how am I supposed to live without you?
A wrong word said in anger and you were gone
And how am I supposed to live without anyone?

And how in the world did you come to be such a lazy love?
And where did you go?
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