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segunda-feira, 8 de maio de 2017

[bibliotequices] estágio para Biblioteconomia no IML

[Disclaimer: era para ter postado esse texto na época em que a vaga saiu, mas a falta de iniciativa vinda de minha pessoa foi alta. Bora lá deixando o verbo e analisando a cadeia hereditária...]

No email, vaga de estágio para Biblioteconomia no IML.

Sim, isso mesmo que você leu. IML, Instituto Médico Legal. 
Onde levam os mortos para serem examinados pela última vez antes de ir pra debaixo da terra - algo desagradável para o meio ambiente, viu humanos tapados? - ou também lugar onde pessoas vivas vão para terem exame de perícia médica de diversos tipos. Agressão física, estupro, coisas assim. E o que raios um estagiário de Biblioteconomia faria num lugar assim?!

Pelo anúncio da vaga é gestão documental e atendimento ao público. 
O que nem é a ponta do iceberg, creio eu. 
Trabalhar em hospital já é difícil, agora em IML é algo que grande parcela da população nem quer saber como funciona. Pequena parte da população, incluindo eu, gostaria muito de saber como é feito esse ritual institucionalizado que tão pouco é reconhecido como importante. 

Depois de ler um artigo de duas pesquisadoras de Psicologia da UFMG que submeteram artigo pra Psicologia em Revista da PUC-MG na época em que tava em Betinopolis - coincidiu com a ida do IML para a dita cidade, que ainda mandava os cadáveres pra Belo Horizonte, arruinando muitas vezes provas de crimes por ser uma viagem demorada e com contratempos (BR parada, falta de transporte adequado, etc) ou a integridade do corpo do morto.

Porque pessoas se importam com o corpo do morto quando morre como se ele fosse ainda vivo. O que é paradoxal, devo admitir. Velar o corpo em cidadezinha do interior era um modo tradicional de integrar a comunidade, morto na mesa da sala da casa, gente em volta, tudo arrumadinho, pra onde ia depois? Não sabia, fui saber só depois de crescer e a curiosidade já alimentada pela esperança vã de querer cursar Medicina aflorou a explorar as tradições dessa fase da Vida.

E não adianta falar que a Morte é algo ruim, ela faz parte do ciclo natural de qualquer coisa nesse universo.

A vaga me fez dar um pulo na cadeira e segurar meu modo pesquisador, qual seria a forma de atuação de um bibliotecário em um local assim? Apenas um documentalista? Apenas um servidor qualquer que não faz diferença alguma no grande esquema das coisas que estão ocorrendo ali? O que a Biblioteconomia contribuiria dentro de um IML?

Já matutei isso algumas vezes, sabe?

Uma das características que mais citam para desempenharem um ótimo trabalho como bibliotecário é a tal da inteligência emocional. Algo como ter aquele sexto sentido pra entender como o Outro se sente, como reage, como se expressa. Se a análise do discurso nos dá margem pra adivinhar essas pistas de interação social através da linguagem, o que se pode fazer para sacar o que uma pessoa precisa em uma unidade de informação antes dela mesmo pedir? A tal da inteligência emocional dá conta disso, dizem. Até agora o que venho pesquisando e compreendendo com prática é de observar bem quem atendo.

O que a inteligência emocional poderia ajudar em um lugar como o IML? Não sei quanto a vocês, mas pergunto sempre que há oportunidade o que as pessoas sentem trabalhando em locais de extrema insalubridade, tipo lixeiro, gari, galera de arquivo esquecido, museu, hospital, assistência social, casa de passagem (aka albergues e não é o estudantil). O feeling é de carga pesada devido a atribuição do local, dependendo de onde for, o local que faz a identidade do trabalhador, não sua própria personalidade, muito doido isso! Locais como esses citados são frequentemente esquecidos pelas instituições onde estão alocados e dificilmente conseguem uma ascensão de privilégios ou financeiro.

Como bibliotecário poderia ajudar em um IML? 
Além da parte mais técnica chatonilda que não manjo bem (gestão de docs, arquivamento de processos, organização e recuperação de informação, etc), creio que atendimento ao público com mais ênfase na situação seria uma boa, grupos comunitários de luto, encontrar meios de comunicar eficientemente o andamento do processo todo para os que sobreviveram, poupar gente de aguentar mais morosidade, porque o serviço público não é nada lindo e ter que sobreviver a um despedida dolorosa sem saber o que fazer já é algo horrível. Fazer ponte com outros departamentos e secretarias como assistência social, conselho tutelar, universidades, laboratórios, terapias alternativas? Muito gestão de pessoas pra vocês? Não vejo por que não.

Sei que vai ser uma barra imensa pra quem aceitar esse estágio - estamos falando de um local onde tem gente que quando passa faz sinal da cruz? - mas torço que consiga fazer um trabalho bacana lá. Vou lá acompanhar o andamento da vaga e ver quem vai pegar essa, não custa nada tentar levar um pouco dos ensinamentos de Rangs pra locais incomuns nesse mundão afora.

Ps: a vaga foi preenchida, agora é ir conversar com o colega que conseguiu sem ser extremamente curiose (Isso espanta as pessoas, às vezes).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] vida de estágio

As condições financeiras costumeiras são sempre na beirada da falência e pedir arrego, nada de novo aqui, mas esse post queria compartilhar com vocês faz uns 3 anos. Como eu decidi sobreviver só de estágio.

As perspectivas para uma nova graduação ampliaram minha expectativas quanto a vivência na carreira que escolhi e as pendengas eternas de nunca ter dinheiro pra nada. Porque na verdade quase minha vida toda foi sem dinheiro pra coisa alguma, contando moedinha pra comprar as coisas que precisava e pagando contas.

Só que no Mario a gente consegue mais moedas que o costumeiro aqui na vida real.
Debaixo do link, vivências em estágio e algumas dicas. Essa postagem será editada em breve com mais coisa, tem muito assunto pra esse tópico!

domingo, 23 de outubro de 2016

epifania (in)docentes


Na vida tem uns cliques. 

É aquele momento em que você consegue ver uma parte do plano geral que antes o seu olhar não tava preparado pra enxergar bem. Pode ser durante o chuveiro, olhando pela janela do busão voltando pra casa, ou conversando com alguém que você gosta muito. 

Os meus cliques acontecem sempre em horas em que não posso fazer a dancinha da vitória assim do nada. Dentro da minha cabeça eu tou dando duplo twist carpado.


Quando criança tive a brilhante ideia de perturbar meus colegas após terminar de fazer meus deveres, não porque a pentelhice me segue desde o berço, mas porque eu sabia que poderia ajudar de alguma forma. E se era pra sentar na outra carteira e ficar tagarelando sobre o porquê de 2 + 2 = 4, ou porque a escolha de giz de cera ao invés de lápis colorido, então que fosse.

Essa mania feia de atazanar me rendeu um adiantamento de idade escolar, yey 2 anos na frente de todos! Me formaria mais cedo! Mas me f*** lindamente no social. Ser a pessoa mais nova desde a antiga 2a série até o terceirão me rendeu mais lições de silenciamento e contenção do que de compartilhamento.

A epifania da PUC na Letras foi de conectar o atazanamento da infância com algo que poderia efetivamente trazer algum benefício pra mim e pra quem estivesse disposto a entender que a minha maior paixão nesse mundo era de compartilhar coisas. Qualquer coisa, informação de preferência, saberes, experiências, histórias, o que fosse.

Não levei a epifania adiante porque o horror (oh o horror!) de ser contida num espaço confinado extremamente tóxico de uma sala de aula poderia me levar a ser aquilo que eu não queria ser: os professores cansados, maltratados e ferrados que preferiam arruinar com a vida estudantil de seus alunos com a ladainha perversa do pessimismo-fatalista.

A epifania da Biblio UFSC foi estar num show do mestre Tom Zé e ao ouvir aquele serumaninho saltitante de quase 80 declamando rimas e rimando declamações pelo palco me fez pensar no atazanamento do jardim de infância. "Eu tô te explicando pra te confundir, tô te confundindo pra te esclarecer, tô iluminado pra poder cegar e ficando cego pra poder guiar" era o que ele cantava e nessa hora sei que aquela criança insatisfeita resolveu dar banana pro medo da caixinha educacional sistemática. Essa po*** de caixa nem existe!! Gimme moar!!



Resolvi então me empenhar em tudo quanto era jeito a ser a criança que absorve conhecimento, compartilha esse trem e atazana quem estiver disposto a ser incomodado. Daqui pra frente é docência na cuca e fazer o melhor pra levantar mais questionamentos do que dar respostas. Isso o sistema dá sempre, isso pra que servem as desculpas esfarrapadas.

A Biblio tava me castrando nisso, a técnica, a burocracia, a compreensão fechada de sistema produtivo, a contenção de informações, o silenciamento de vozes estava acabando comigo. Está acabando comigo nesse exato momento.

E aí o Museu me deu outra epifania (eu já tava convencide que não ia mais acontecer, que a inércia já tava instalada), de estar no meio da exposição de uma figura emblemática aqui da Ilha, com mais de 30 pessoas de diversas idades, cores, credos, vidas, sentadas ao chão, ouvindo atentamente sobre Franklin Cascaes. Nesse exato instante entre a mão levantada para uma pergunta e a curiosidade infantil de querer saber como nossos ancestrais faziam xixi (Ah as perguntas da galerinha que fazem meu dia!) veio a constatação: todos os caminhos que trilhei foram pra parar ali, nesse local de conhecimento, pesquisa e cidadania que quase ninguém aproveita como deveria.

Não é pra eu estar atrás de um balcão de biblioteca, é pra estar onde for necessário estar para construir conhecimento com as pessoas, qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mediador de informações? Produtor científico? Educador? Organizador de Informação? Esses rótulos que pregam nas nossas costas e imprimem nos nossos diplomas não está sendo o suficiente, foi mal.

A Biblioteconomia é minha paixão, mas o atazanar pessoas para que elas questionem o mundo ao redor é mais forte. O que a Academia não está conscientizando seus futuros docentes/bibliotecários esses lugares inusitados de troca de informações estão. Demorou 25 anos pra criança pentelha e sem noção perceber isso, que não há lugar para se fazer o meu trabalho.

E foi no Museu que tive o último clique. E é isso. Pelo jeito é aqui que vou ficar por um bom tempo, seja na experiência de estágio, na acadêmica ao pesquisar sobre, ou quem sabe futuramente profissionalmente...?












segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Bibliotequices - como fazer uma estagiária noobie entrar em pânico


Então ocorreu esse peleja de dimensões astronômicas no lugar onde estagio e se tenho uma vaga idéia do que seja um pandemônio armado, este seria o perfeito exemplo. 

Às vezes esqueço que sou estagiária. Muitas vezes esqueço que minha função se limita a poucas responsabilidades já  pré-estabelecidas, o problema é que não há alguém para fazer as decisões da biblioteca novamente e sinto aquele aperto ao deixar como está porque assim foi ordenado. 

Tenho uma preocupação imensa pelo que a garotada vai precisar durante esse tempo de recesso/talvez mudança de prédio. Eles estão na reta final do bimestre e não é legal ser jogado em qualquer lugar sem o mínimo de amparo pedagógico. Pelo jeito parece tudo bem, mas como é que faço como pseudo-bibliotecária? 

O prédio da escola foi dedetizado dezenas de vezes desde a quinta passada impossibilitando as aulas e qualquer outra atividade escolar/administrativa. Para a coleção de enfartos pedagógicos, veio o pessoal da dedetização com borrifadores, eu no encalço pedindo pelamoooooor não aponta pras estantes. NÃO APONTA PRAS MÓDAFÓCA ESTANTES!!

A mistura de veneno + poeira + livros não é legal, ainda mais quando você tem um público que costuma ser muito tátil (e senão às vezes palatal) com o acervo. Uma questão urgente de saúde pública, mas que realmente não deu tempo de fazer absolutamente nada devido o tempo que me foi dado para tomar alguma decisão. Não deu tempo de guardar os livros em sacolas, não deu para cobrir as estantes, apenas observei em terror como uma simples decisão sem o discernimento preciso da gravidade do ato poderia causar tempos depois.

A.k.a. eu tava apavorada. 
Pode entrar em pânico, produção?

Créditos para: Shokly Digital Art
Não tou sendo drástica, cês não me viram sendo drástica.

Mas como sou babaca - e quando digo isso é pelo senso comum, já que ser "babaca" é fazer aquilo que não precisa se fazer porque a responsabilidade não é minha, logo, eu deveria ficar calada, quieta, sentada de braços cruzados e jogando angry birds no meu celular enquanto vejo o circo pegar fogo - tentei pensar no que faria caso a escola fosse para outro lugar, o que levaria de emergência para tapear um pouco a falta que o lugar físico do acervo faria diferença na vida dos alunos.

FYI: secretamente gosto de ver o circo pegando fogo, mas é porque meu cérebro já tá maquinando para apagar o fogo, seja lá onde ele tenha surgido.

Aí barramos com a problemática desse post: a responsabilidade NÃO É minha.

O que mais escutei esses dias é que eu não posso fazer nada. Não devo fazer nada. Não tem como fazer nada. E não dá pra virar pro camarada e dizer: I DO WHAT I WANT CAUSE I AM A PIRATE!!! Ou Bibliotecária, ou algo aproximado a isso. Sim, eu posso fazer. Eu preciso fazer, não é justo não fazer e deixar outros que não fazem a MÍNIMA IDÉIA fazerem e não entenderem o quanto isso é importante para a comunidade escolar.

E também porque entrei em estado de choque na sexta passada.

Fui ver a situação e meu estômago deve ter feito contorcionismo de tanto nervoso. A coisa tá feia. Nem vou dizer que a minha cabeça explodiu, minhas pernas falharam e deu vontade de sentar ali mesmo, no meio da biblioteca e chorar.
(Mas não, preferi ser mais idiota ainda e bater boca com a administração da escola sobre o que levar ou não para o novo espaço)

Acho que os bibliotecários de Alexandria devem estar patting minha cabeça e falando: "Oh dó, oh coitada...". Se essa foi a minha reação ao ver uma dedetização sem cuidados prévios, não quero nem ver alguma biblioteca pegando fogo.

Talvez esse tenha sido o Wake Up Call de me desapegar do local. De saber que daqui alguns dias não estarei mais com eles e que o processo de chamar por mais 6 meses vá demorar. Talvez seja uma daquelas pegadinhas do Universo em sua sábia ironia me dizendo: "Hey, cê fez o que tinha pra fazer, bora ganhar mais XP pra próxima fase..." - ou talvez seja o resultado de um acidental giro na ignição do Gerador Improbabilidade Infinita.
(Que nenhuma pulga tenha dito "Ai de novo não..." e me volte como um jarro de tupilas)

Enquanto a situação não se resolve, vou perdendo meu sono com ideias malucas de como resolver a situação, ou de já me prontificar a entrar no ambiente inóspito e limpar o acervo, um a um, livro por livro, até ter a consciência limpa de que a responsabilidade não é minha, mas pelo menos fiz alguma coisa. Ou posso ficar aqui em casa, desejando ávidamente a minha rotina de volta e ser distraída por dois gatos do barulho que aprontam muitas confusões.

Venimim Enfarto-pedagógico!!


Se você entendeu as referências para Guia do Mochileiro das Galáxias, vai saber o quão desesperador a situação está sendo para minha pessoa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

bibliotecárixs das quebrada, morô?


Yo mano! Yeah ax mina! Os esquema aqui nax quebrada das biblioteca é tenso, duuuuuuude. A v1d4 L0k4 me escolheu, tou fazendo o possível pra dar iniciativa pros chegado mandar a ver nas leituras e coisa e tal.


Pá-pum, sacas?

L0k1 me abençoa, cê já conhece o refrão. Peço pro deus da Trapaça e do Lolz segurar a minha mão. Quando camarada folga comigo, a coisa chia que nem bule no fogão.

Cerrrrrto mano?! Cerrrrrto.

Só que tem alguns que acham que sou macaquinha novinha de galho verdinho, neaw? O que se deve fazer na hora? Improvisation.

Postagem básica sobre a vida de projeto de bibliotecária que às vezes precisa ter o famoso jogo de cintura (All the nation, do the rebolation!) para lidar com as diferenças sócio-históricas, culturais e de visão da sociedade que os nossos queridos estudantes têm.

A.k.a. o que fazer quando um usuário de biblioteca escolar informa de forma ativa que é membro de uma gangue.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

como acordar carrancuda e ir pra casa sorrindo?


O mesmo sonho estúpido de novo.
E de novo.
E finalmente de novo.

Sem resolução, óbvio. Há coisas na vida que não vão se resolver sozinhas dentro da sua cabeça, mas hey! Eu tento!

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