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sábado, 23 de julho de 2016

A grande cisma da enunciação continua




As usual, uma das minhas pesquisas recorrentes quanto ao discurso alheio (e formas de construção de poder, manutenção desse poder e dissimulação do poder, lalalalala) sempre acaba voltando para a controversa figura da dominatrix. Não a mulher estereotipada na mídia e em alguns sites por aí, mas aquele papel de autoria demonstrado em relatos sucintos e às vezes detalhados (muita calma nessa hora) dos blogues de dommes - como elas se autointitulam - pelas interwebs. Por que o assunto tanto me fascina? Não sei, Freud explica.

Debaixo do link tem algumas impressões sobre sites que gosto de visitar regularmente para checar as enunciações das dommes - em sua maioria mulheres acima de 30 anos, classe média, residentes nos EUA (A comunidade BDSM é bem organizada e com estrutura teórica delineada por lá), que usualmente usam a Internet para expor seus pensamentos, relatar casos, trocar ideias e/ou assustar leitores incautos e inocentes com papos mais ahn... aquelas coisas que você acha que as pessoas não fariam entre quatro paredes, mas fazem.

Trilha sonora? Dica da Mistress Malice é The Genitorturers com uma cover do The Divinyls "I touch myself". Não, isso não quer dizer nada no que é tratado aqui na postagem, não vou me ater aos detalhes mais pitorescos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A slip of the tongue



Para todxs que me mostraram que amor romântico é legal, amor é sensacional, um recadinho: ouçam essa música e leiam esse texto.

Disclaimer: vou voltar nesse post amanhã para escrveer com mais calma.


E pode culpar a sociedade moderna e os escambau, até entendermos que amor não é possuir ou sentir, mas sim um instante bem pequenininho de nossa existência, fragmentado em diversos setores da nossa vida, aí sim o trem anda. 

Não é de hoje que visito blogs de dominatrixes para investigar ingenuamente o discurso delas - geeeeente quanta coisa interessante para Análise do Discurso que vou te contar... Pronomes principalmente! - e às vezes me deparo com discussões muitos bacanas sobre relacionamentos e sentimentos dessas mulheres com uma percepção do mundo um bocado diferente do que costumamos ver por aí. Mesmo que não tenha muito o compromisso de informar totalmente sobre o que fazem entre 4 paredes de uma dungeon, as femdoms que acompanho tem um domínio bem bacana de extravasar em literatura o que sentem no momento. O blog Domme Chronicles é o exemplo lindo que une informações instrucionais para os que não estão acostumados com o mundo BDSM, mas também dar aquele toque pessoal da blogueira e domme Ferns.

Esse texto "I love you / Now I don't" me impressionou devido a familiaridade da situação - o dizer "eu te amo" e depois voltar atrás por ter dito fora do tempo, cedo demais, tarde demais. Chega a dar uma chacoalhada emocional ao perceber que outras pessoas tem a mesma percepção do assunto tão delicado assim como eu.

Amar socializa (vide fandoms), amar une grupos, amar é a cola universal invisível disfarçada de um fio prateado enroscado nos pés de todos. Amar é aquele nó na colcha de retalhos que cobre a gente nessa Realidade. Amar é apenas um verbo, gente. Não um objeto, um sujeito, nem predicado, muito menos adjetivo.

O mote de deixar os outros viverem e amarem, assim como viver e amar também, não parece ser tão difícil de seguir, problema é quando se há muitos poréns na vida passada para poder realmente se sentir segura em seguir. Aquele achievement de desapego demora a chegar (quase 30 e esperando). O amor próprio, a apologia ao Ego, o narcisismo costuma se disfarçar como Amor. A emoção pode virar uma catástrofe na vida de quem não consegue balancear as balanças (Oh well Emoção vs Razão).

As três palavrinhas podem ser infelizes quando dizemos por obrigação, por costume ou por qualquer outra desculpa. É bisonho como a gente se obriga a demonstrar o quanto ama uma pessoa com essas palavras sem realmente ter pensado sobre. O direito reservado (e velado) de se questionar o "eu te amo" e admitir que não foi verdadeiramente honesto com seu próprio coração e com a pessoa é um grande passo para se conhecer a si mesmo.

A Oráculo tava certinha, Neo. E não tem colher alguma!
Conhecer-me a mim mesma me dá a consciência dos limites meus e do Outro. Logo parece bem drástico, mas quando falamos "eu te amo" de forma em que realmente não se irá levar à sério, é melhor retirar o que disse e se retratar. Difícil pra baraleo, gente!

Uma coisa boa desses textos é que elas falam bastante de limites, aquilo que se é permitido a fazer e aquilo que você se sente confortável em fazer. O que teu corpo rejeitar não deve ser incentivado de maneira alguma, tanto na parte mais... ahn... bem, cês sabem, elas são dominadoras... quanto do modo de se relacionar com o mundo. Saber recuar e rever os próprios conceitos e pensamentos também é uma boa, não um sinal de indecisão.

De acordo com minha vivência, falar essa frase tem se tornado um problema de proporções homéricas. Tenho uma mãe que resmunga às vezes por não dizer mais isso como antigamente. Chegar ao ponto de falar isso para alguém que gosto muito é deveras raro, e houve muitos mau-entendidos, oh se houve! O falar antes e me deparar com o peso das palavras nas vidas das pessoas, o dizer tarde demais (Ou nem dizer, o que é pior) e receber uma resposta recheada de puro rancor e insegurança. Ou receber um feedback bonito! Ou simplesmente ser questionada horas depois do porquê não repetir a frase novamente.

(Gentem não é obrigaçãooooooo, é sentir que se quer expressar o mundo com essas palavras)

Como fui criada com essa noção romântica ultra-paradoxal do século 18: chegar à essa máxima requer treinamento e muitas reflexões de chuveiro (Porque as melhores ideias e os pensamentos mais profundos sempre acontecem quando estamos no banho...), sem contar que me pesa como uma responsabilidade esmagadora. Isso tava me destruindo, sério. Decidi dar um breque para não alastrar demais pela minha esquálida pessoa sem muita paciência para amor romântico (o tempo passa, o tempo voa, e as ideias mudam, faz parte).

Sim, eu fantasio sobre coisas românticas como qualquer menininha da Clamp, mas me deixar submetê-las à Realidade, aí outra história.

domingo, 15 de março de 2015

dica de site - dommenique luxor [BDSM]

Ah as peripércias de recuperação de informação no Mistah Google...
Juro que estava procurando sobre Tremé, seriado da HBO, que me levou a uma página de seriados da HBO, produções nacionais, uma delas chamada Motel e bang! Aparece nos resultados uma entrevista feita por uma magazine do ClickRBS sobre uma dominatrix, Dommenique Luxor, aqui do Sul (!!!) que escreveu um livro de memórias sobre a rotina dela.

Google, seu lindo!
(Agora lá vou eu ler todas as postagens...)

domingo, 11 de agosto de 2013

Dica do Domingo - DumbDomme - BDSM Capitalization


BDSM Lexicon Entry #23: BDSM capitalization

E aquele velho interesse-mórbido sobre o discurso personalizado de dominatrixes veio à tona com esse post.
Dumb Domme é um blog que relata algumas experiências engraçadas da autora (Que é uma Domme, oras, e usei capitalização aqui, uia!), tanto a parte mais dolorida quanto as mais lolz. Diferente da Mistress de Nova Orleans com toda uma autoridade gramatical agressiva - até que fico bem confortável com isso, mas LiveJournal? Pessoas usam LJ ainda? - a DumbDomme sabe como fazer ironia sem perder o charme natural de sua linda escolha de estilo de vida que tanto me intriga/instiga/impressiona.

Gosto do jeito que ela compartilha os relatos, colocando muitos pensamentos filosóficos em sessões com o namorado de longa data (Nada descritivo, tá? Ela é boazinha nisso de manter discrição) e também fazendo comentários sarcásticos com a BDSM scene dos EUA. Não pulem os comentários, são os mais hilários!

Tenho a leve suspeita que ela seja virginiana (O overthinking is over9000)
Tenho uma teoria sobre ela já ter cursado Letras ou algo parecido (A desconstrução de discurso/texto/situações me é familiar de gente que foi educada na Humanas).
Tenho essa estranha sensação que quando leio as postagens dela, parece que há uma falha na Matrix.

R-18 - NSFW e nada indicado para quem tem coração mole e fraco para coisas esquisitas.
(Sou adepta de Cthulhu desde quiança, tenho Ph.D em esquisitice!)