Pesquisando

Mostrando postagens com marcador coisas que preciso deliberar melhor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coisas que preciso deliberar melhor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de maio de 2017

sem reação


Pela primeira vez na estória de amor com a graduação na Biblioteconomia fiquei sem ação para falar bem do curso. 

Não era falta de empolgação. 
Eu amo esse curso, tanto, mas tanto que protejo o bendito com unhas, dentes e chutes baixos.
Mas não dá. 

Quando alguém pergunta como é o curso pra mim agora, vou falar a minha impressão total sem censura e cortes de classificação indicativa. A tendência não é piorar, é virar outra coisa. E nomenclaturas são um perigo, gente. Porque nomenclaturas categorizam e taxam e inibem e forçam padrões.

Quero ser otimista e pensar que daqui alguns anos haverá um corpo docente unificado e disposto a trazer mais humanidade pra quem sai daqui, mas não creio que vá acontecer tão cedo. 

Por isso tou pulando fora do barco na pós. 
(Se o mundo não acabar antes, se eu não jubilar, se não haver um apocalipse zumbi, se, se, se vários ses...)
Por mais que seja incrível contribuir com a comunidade em que te proveu experiência em uma graduação que era meu sonho concretizado, não suporto mais ver/interagir com certas situações desnecessárias. Pessoas desnecessárias. Picuinhas desnecessárias. 

Produtivismo e pouca humanidade. Isso tá rasgando um corte de lâmina cega na minha paciência e no meu ego (e não mexe com essas duas coisas que virginiane NÃO sabe lidar com essas coisas sem surtar ou cometer algum crime capital). É sem reação que consigo responder alguma coisa para a pessoa que quer retornar ao mundo biblioteconomístico. É sem reação que fico, segurando aquele bolo debaixo do diafragma, pressionando o baço, pronto pra expelir bile amarela e dar a real: se for pra ficar com traseiro sentado no funcionalismo público e não contribuir em nada pra sociedade, vai pra outro curso. 

Aí percebo o quanto meu level de comprometimento com a profissão chegou ao ponto alto, porque essa porra tá me dando uma visão unilateral do todo. Mesmo eu sendo a criatura dos relativismos, dos talvezes, dos "cada história tem 3 lados". E já vi o que acontece com as pessoas que chegam nesse estágio de pensamento unilateral. A gente fucking cansa. 

Sinceramente cansei quando não vi mais aplicabilidade da teoria da aula nos lugares onde estagiei. Atuar no Museu foi o estopim, estar em um ambiente interdisciplinar mostra o quanto não valemos muita coisa, não quando a vontade de querer ser alguém que contribui beneficamente pra área de conhecimento em que quero habitar está deixando claro que pessoas como eu não deveriam estar ali. 

Produtivismo e androides. 
Quem produz mais. 
Quem tem mais estrelinhas. 
Quem é mais citado. 
Quem traz dinheiro pro lugar. 
Quem é a autoridade. 
Quem sobe na cadeia alimentar dos glutões pelo poder frustrado. 

Não sou obrigade a aguentar esse discurso por muito tempo, não quero ficar amarrade em uma pós graduação que me cobra pra ser eficiente com metas institucionais e não enxergar que ali do lado tem uma biblioteca comunitária precisando de alguém para viabilizar cidadania. Não sou obrigade a compactuar com esse ideal mercantilista de validação acadêmica. Não foi pra isso que assinei a papelada de retorno de graduado. Não foi pra isso. 

Espero que a pessoa saiba por fontes mais fofuxas e agradáveis sobre o quanto o curso pode contribuir pra vida das pessoas, qualquer pessoa, espero mesmo, mas tou pedindo pra Dewey, Rangs e Otlet pra não me perguntarem o que acho do curso de Biblioteconomia da universidade que não irei citar o nome por questões de puro sarcasmo intencional. 

A resposta não vai ser bonita. 

E Rangs abençoe pra eu não virar essa veia coroca de coque na cabeça, dedo em riste na frente dos lábios e pedindo "xiiiiiiiiiiu!".

sábado, 25 de março de 2017

vivências maternas

Uma das vivências que gosto de ouvir de minha mãe é sobre como ela sobreviveu na época da ditadura, em plena juventude, no Rio de Janeiro, com DOPS fungando no cangote dos universitários e coleguinha de sala de aula sumindo a cada semana pra fazer um passeio sem volta.

Ela fala com certo orgulho que no local onde ela trabalhava - uma companhia de seguros conhecida até hoje - um dos chefes a elogiava sobre a organização informacional que ela conseguia ter com os funcionários de um setor inteiro e como tratar tudo de uma forma que todos pudessem resgatar depois. Numa dessas conversas que temos ela soltou que o mesmo chefe pediu para ela fazer um teste vocacional e o resultado foi bibliotecária (!!!), ela polidamente recusou, pois naquela época ser aproximado de Humanas era pra pedir pra estampar um adesivo de alvo ambulante pro governo militarista.

Minha mãe quase se formou em Economia, quase. Faltou 1 semestre para ela formar e os motivos para sair foram diversos - ironicamente os mesmos motivos que fazem muitos de meus colegas da biblio desistirem também - mas a falta de ter uma estabilidade política era um dos mais fortes. Ela não tinha certeza se continuaria no emprego até o final do mês, ela não sabia se o salário ia aumentar, diminuir, inflacionar, ir pro limbo cósmico, ser convertido em dólar, em dinares ou pesares, a incerteza econômica era certa. E ela estava se formando para isso.

Ela tinha seus 20 e poucos e mais anos, solteira, recém-saída de um relacionamento duradouro, morando sozinha há anos, sem apoio dos pais ou irmãos, se sustentando como dava em um emprego que de certa forma dava um pouco de certeza para ela (como pessoa, ela fala muito bem dos tempos nesse lugar), mas não de estabilidade emocional, psicológica ou financeira. Ela fazia o que gostava - chefiar um setor todo de controle de qualidade e depois subiu para alguma coisa no departamento pessoal e ordeira como era, fazia com que tudo saísse nos trinques pra não dar ruim depois.

E isso ela participava ativamente de reuniões, de CIPA, de conselho de sei lá o quê, da atlética da faculdade, mas o medo de travar conhecimento com militar era constante. Não era fácil ser mulher naquela época e muito menos hoje, as práticas de exclusão e repreensão são as mesmas, só muda os cenários.

Ela faz 66 anos hoje, bem vividos, sem muitas pendências, criou as filhas como dava, sobreviveu a casamento sem amor assim oooooh nossa vai ser pra sempre que romântico. Pela vivência dela me deu muitos exemplos do que fazer e não fazer, a principal referência profissional que tive dentro de casa foi ela, e agradeço bastante o apoio que ela tem me dado quando escolhi a Biblioteconomia como minha paixão. Creio que a lucidez dela me trouxe muitos caminhos para trilhar, mas também muitas dúvidas (aquela dependência nociva de achar que sempre estará no colo da mãe? Yep, me livrando aos poucos para meu bem e o dela), a força dela em batalhar todos os dias pra se superar perante uma porção de dificuldades também.

Então desejo a Karolent, a Entesposa um belo dia de Lite (Quem é nerd demais para decorar datas comemorativas na Terra-média, sabe do que tou falando), e que ela possa continuara florescer nesse mundo. Eu não sei o que faria sem uma mãe dessas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

incapacitação da epopeia estomacal

Como é estar nesse calor da powha, sofrendo de intoxicação alimentar há 6 dias?

Uma aventura.

Primeiro porque há responsabilidades e ofícios que preciso deixar em segundo plano, pois o meu aparelho digestório parece não concordar com o fato de que posso ingerir comida. Na verdade ele até deixa, mas me faz pular de onde estou para correr pro banheiro.

Segundamente há os gatos. Enquanto Zé Bunito se mantém fresquinho e bem alimentado lá na varanda, fazendo poucas aparições na sala, dona Bete Balanço virou um grude incompreensível de tanta fofurice. Se estou passando mal de dor, ela pula no meu umbigo, se tou tendo crise aguda e voando pro banheiro, ela não liga se a atropelo no caminho. Está sendo uma experiência cativante.

Aí vamos aos downsides. Eu preciso trabalhar e voltar pra rotina, não posso. Eu quero comer coisas gostosas de novo, não posso. Tendo pavor de ficar na minha cama por longos períodos de tempo? Óbvio! 17 dias de tornozelo ferrado me deram uma boa ideia de que nutrir amor pela cama pode se transformar em um pesadelo quando não se pode sair dela.
(boa ideia para plot de terror...)

E há a situação incômoda de alternância de líquidos: soro, chá preto, suco de goiaba, água muita água. Não tá ajudando. Pra piorar, parece que o volume de marcações no meu nome no Facebook e Instagram que incluem desconto, sorteio, amostragem de comida pornograficamente awesome vem aumentando. Isso não é legal, isso é minha ideia pessoal de castigo pós-moderno. Isso e ficar de cama.

Em 6 dias de contemplação de minha existência ínfima nos esquemas do universo, deu para se notar:

1) são 101 azulejos inteiros dentro do meu banheiro, o que coincide com o número do meu apartamento. Uma boa coisa.
2) foram 6 dias de pedir arrego (literalmente) e perdi 2,5kg. Não é uma coisa boa.
3) maratona de Supergirl sei lá porquê (sim, eu sei, Katie McGrath!), pra emendar com Merlin da BBC (Malhação Medieval) - veredito: esperando os próximos episódios de SG, não me empolguei com Merlin.
4) a escolha de quitutes para comer!! Muita calma nessa fucking hora!! Nada com laticínios, nada com fritura, nada com muitos açúcares, preferência para coisas que hidratam. Sinceramente, já me sinto no purgatório.
5) se completar 7 dias, é porque perdi a aposta com a Samara Morgan, minha maninha dark imaginária que só as piadas internas entre Trentonildo, tio Mary e Evil D podem decifrar.
6) as crises agudas são de madrugada, logo adivinha quem está no regime de cochilos de 20-30 minutos? Adivinha qual cérebro já fritou no 2° dia ao ter os esqueminhas de vigília bagunçado? Olha só como estou feliz em não dormir direito?

Para ficar melhor, os servidores municipais de greve (e dou toda razão e apoio a todos!), logo os postos não estão funcionando como esperado. Tentei não deixar o lado hipocondríaco dar o ar das graças e só googlei sobre como fazer soro caseiro e manter repouso em crises de dor. É bem provável que essa *bleeeeep* toda se vá da mesma forma que costuma ir, pro vaso, depois descarga. Agora que dia que acaba, eu não sei mais. Tava otimista ontem, e hoje de madrugada senti as dores voltarem. É a fucking vida tirando os limões.

Tive uma dessas em 2011, longe de casa, na ocasião descobri a minha alergia a bacon de forma nada agradável. Vamos ver se agora o corpo vai dizer: "nope nope nope fucking nope!" pra alguma coisa, tá entre miojo, queijo canastra e molho de pimenta. Purgatório? Aqui estou.

Post sem gifs ululantes ou piadinhas sem graça, tou aqui na cama tentando me manter zen pra não entrar em modo rage berserker que me acomete quando estou incapacitada de alguma coisa.

Notícias dadas, soro tomado e metade de um dramin ingerido. Hora de voltar a bater cartão com patrão Morfeu.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

[interlúdio] se acostuma com isso

Lado bom e ruim de chegar num ponto da vida que nada mais te surpreende:
Lado bom = evita muita fadiga e perda de tempo.
Lado ruim = nada mais te surpreende mesmo.

É só aceitar o Caos e seguir o fluxo.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[bibliotequices] sobre linguagem e desconstrução

[originalmente postado no Facebook e Medium

Uma das coisas que me levaram a cogitar voltar a uma graduação (sofrer mais 4 anos, isso é algo que ainda tou entendendo aqui na minha cabeça, ninguém é tão louco de querer ficar preso no sistema acadêmico por muito tempo) era sobre como a Letras me abrira os olhos pra uma coisa bem legal e simples: o poder da linguagem.

Esse pequeno detalhinho na nossa vida é literalmente a arma mais letal e também revolucionária que carregamos individualmente desde que nascemos. A forma como construímos essa linguagem e como expressamos para o mundo afora faz toda a diferença entre o que somos, o que parecemos e onde somos classificados.

Na PUC aprendi que forma padrão e informal da linguagem devem estar sempre em questionamento, assim como os discursos que são propagados por essas formas de linguagem "aceitas" na sociedade. Em miúdos: nem tudo que reluz é ouro. A academia mostra bem isso com seus floreios e firulas.
Me deixa extremamente incomodada que na Biblioteconomia não se toque na parte da Filosofia da Linguagem em algum ponto do curso - ou mesmo ter gente botando isso com mais frequência na roda científica - porque é uma parte essencial de COMO nós bibliotecários nos constituímos como profissionais.

(Véi, de Bowie: cê mexe com informação, ponto final.)

Aí duas conversas apareceram hoje sobre quase o mesmo ponto crucial que eu tava enchendo o saco do Parnasianismo Acadêmico, uma era sobre a desconstrução da linguagem (e de todo resto que vem com esse movimento) do Deleuze e a outra conversa era sobre a banalização do discurso médico nas patologias de doenças mentais.

(Olha só que legal, gente, gente não-binárie não tem número de classificação na CDD e CDU, nem mesmo lá na parte de doenças mentais - isso me alivia de uma forma nada confortável)

Essas 2 premissas aí me levam de novo ao papel do bibliotecário numa sociedade em que estamos inseridos. A gente não discute sobre linguagem no curso de Biblioteconomia, sequer faz ponte com as áreas onde estão essas teorias (Letras/Linguística, Sociologia, Filosofia) e aí vem sabichão querendo dizer que o futuro da profissão está nos números, nas estatísticas, na produção científica (estrelinha, estrelinha, na Scopus é só minha) e nas inovações da mercadologia (mercado de trabalho com ideologia? Alguém?).

Sabichões (aaaaah vocês sabem quem são), cês podem até estar parcialmente certos, faz parte, mas cadê o discernimento para entender (E provocar) que se a matéria-prima do seu trabalho é informação (seja lá como ela vier), por que não se preocupar em estudar pelo menos um pouco sobre a linguagem ali contida? E não tou falando de programação, e essas coisas de computadores! Até onde estou atenta, não ocorreu a Revolução das Máquinas e não estamos conectados na Matrix (Mas é algo questionável...), não estou fazendo meu trabalho pra satisfazer máquinas ou títulos acadêmicos, ou deixar departamentos bem na fita ou dar visibilidade pra status de universidade: tou aqui pra mexer com gente. E creio que a Biblioteconomia lá fora já esteja com isso se encaminhando bem.

E gente usa a linguagem desde que se entende como gente. Por que não estudar então? Toda oportunidade que tenho, falo com os amigos de curso para saírem um pouco da bolha/redoma e irem para o CCE passear pelas salas da Letras. ou até mesmo ali na nossa colega Pedagogia no CED. Não é porque eles lidam com Educação que eles são a coisa mais linda dos céus de Ranganathan: é porque eles têm uma coisa que a gente não conseguiu incorporar ainda no nosso curriculo - eles mexem com gente. Tá bem marcadinho, quase entranhado em cada disciplina que bato o olho quando vejo o curriculo.

(E não tou falando de disciplina de "Produção de Texto Acadêmico", tou falando de entender wtf se constitui a língua portuguesa, porque usamos gramática, fazemos dicionários, como se estrutura a nossa fala e como podemos usar isso em favor de nossa profissão - se a galera do Direito faz com maestria, por que a gente não?!)

Aí uma coisa me veio como uma bigorna de desenho animado: a nossa história profissional caminha muito no sentido de EVITAR mexer com gente, desde os primórdios, com aquela de guardar livros a 7 chaves, botar tranca em encadernação, bola e corrente em compêndio, atirar em barquinho de fulano se ele não entregar o manuscrito em pergaminho, o "xiiiiiiiiu!", a leitura silenciosa, o clima inviolável do sagrado das estantes, o classificar por organização de acervo não de recuperar informações rápidas, o mais do mesmo nas produções científicas, a falta de incentivo para inovar com releituras de realidades, o não se aproximar do nosso público (leitor/usuário/consulente/interagente/lalalala e esses termos vão se multiplicar sem ter uma ponte entre a Filosofia da Linguagem/Linguística e a Biblioteconomia).

Então, talvez, o que eu esteja querendo fazer não é Biblioteconomia, mas alguma outra coisa aí. Talvez o provocar sobre falar mais da linguagem e como é o poder nela na nossa sociedade não seja algo pra um curso/profissão que ainda não se atentou que desconstruir o status quo (Ou romper com paradigmas, escolhe aí um termo! Tem vários!) é algo natural e deve ser incentivado em nossas bibliotecas, nossas escolas, nossas salas de aulas, nossas conversas com amigos de profissão. Se a gente não questiona a nossa matéria-prima de produção, cumé que quer formar gente apta para abrir esse diálogo lá na frente?

Como é que vamos lidar com a "Ciência pela Ciência" se metade dos TCCs de um repositório de universidade só enaltece a forma como "fazer produtividade", mas não "fazer algo para a sociedade"? Nem sempre produtividade é algo legal pra sociedade tá garotada, vide a bagunça da Revolução Industrial, acho que já deveríamos ter aprendido a lição. Bicar com a linguagem é extremamente necessária no nosso curriculo atual, pra dar uma ideia pros colegas graduandos que mexer com gente é importante sim e mais ainda, só se consegue fazer isso com sucesso quando se tem noção básica de como mexer com a linguagem.

Mas por quêêêêê ficar falando isso aqui no Facebook? Por quê? Desperdício de tempo e escrita! Bem, algum babaca tem que começar a questionar, né?
(Se aparecer um Agente Smith aqui daqui a pouco, já sabem: a babaca fui eu.)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

as filas da vida


Começa com uma rememoração bem bem lá do fundo do baú, uma lembrança que talvez a infância não entenderia o contexto pra saber se cuidar ou retrucar.

 A linguagem ali era meio que um treino pra socialização posterior - mas por que as pessoas não falam umas com as outras? As coisas seriam tão simples.

Lápis é lápis. Caneta não pode usar, só os adultos. Giz de cera já não serve, porque a Educação Infantil passou e adiantada 2 anos no meio de uma turma de crianças já alfabetizadas assusta. E eu gosto de giz de cera pela textura, pelas curvas que dá pra fazer, o cheiro, a fragilidade de não poder deixar cair ou jogar de qualquer jeito dentro da mochila. A vida com giz de cera foi bem curta, mas rendeu desenhos como de uma menininha pastoreira que colori insistentemente com a cor azul, porque sempre amei azul, logo pela lógica infantil seria legal ter essa pigmentação a mais na nossa epiderme.

Aí vem as filas. Ou a linha de produção em massa em que somos domesticades.





Uma pra meninos. Outra pra meninas. Ordem crescente de tamanho. As maiores lá atrás, as menores na frente. Eu no meio, porque os 1,75m que queria enquanto crescia nunca chegou (é a genética né? Ela prediz tanta coisa! Será que previa a fila onde eu deveria ficar? Ou isso foi ssocialmente instalado?).

As filas se replicam durante a idade escolar, fila pro lanche, pro banheiro, pra cantar hino de 3 coisas que nem entendia ainda (conceitos de nação, estado e bandeira eram tão abstratos quando agora), fila pro médico, pra tirar foto 3x4 pela primeira vez.

A foto era ambígua. Não era é não sou de superfícies refletoras - aquele papo de espelho captar parte da sua alma continua circulando - preto e branco, sem detalhes de fundo como eu gostava de perseguir nas gravuras de revistas de viagem e catálogos de filmes que tinha em casa. 

O rosto de 6 anos de idade não me diz muita coisa sobre a diferenciação nas filas, mas me dá pistas de quem eu era. Parece ser a/uma Bruna, mas mesmo assim não Bruna. Parecia comigo, mas não familiar. Descobri cedo que fotografias poderiam ser boas formas de recolher pistas para o futuro.
(uma menininha com cara qualquer, dentes crescendo, cabeleira confusa e volumosa, presilha de cabelo para prender as madeixas, não pra me identificar como menina - aliás, não seria legal pensar que todo mundo já tinha uma ideia do que eu era? Porque eu tinha lá na fila, a do meu lado era de meninos, a minha era de meninas)

Socializar com os meninos da rua não me dava direito a ser como eles. E percebi que na escola, o fato de sempre estar na fila do lado deles não me deixavam jogar futebol, apenas vôlei, brincar com as bonecas da caixa, me refugiar numa revista em quadrinhos. Essas eram as opções. E eu achava que era vice-versa, os meninos não podiam mexer na caixa das meninas. Não podiam jogar vôlei no pátio (Porque a quadra era deles e era normal não é? os espaços maiores são deles, inclusive os banheiros tem mais coisa), na fila do lanche não podiam entrar na minha frente.

Eles podiam.
Agora o porquê ninguém me ensinou. 

Nos aniversários eu pedia caixas de peças de madeira ou Lego quando dava, meu pai foi felizardo em entender que passar muito tempo falando aos cotovelos de histórias fantásticas deveria ser extravasada em algum lugar mais produtivo. Primeiro conjunto de Lego: um astronauta em um planeta gelado.

Um boneco amarelo, de cara genérica, cabelo escondido pelo capacete enorme, um veículo para percorrer a geleira. Nenhuma curva, nenhuma acentuação corporal indicando qual fila ele possivelmente poderia se encaixar lá na escola. Por muito tempo foi brincando com ele e sendo direcionada por uma amiga imaginária bem marcante (sim, era uma moça bem gente boa) que a infância foi de boas.

Aí depois do acidente de bicicleta, a vida meio que deu uma guinada. O corpo começou a mudar, o rosto da 3x4 mudou muito na área do queixo, fui confundida por um menino na saída do colégio.
Porque estar toda ralada, queixo enfaixado, rosto inchado e um sorriso de experiência bem válida (e foi, nunca mais repeti o delito de descer a rua na bicicleta sem freio e verificar se as leis de Newton funcionavam mesmo) eram experimentações masculinas. Volta e meia um colega de turma estava quebrado, ralado, com roxo no corpo. Para a fila do lado era um troféu de: "fiz uma manobra no skate, não freiei o rolimã na hora, a bola me acertou na cara" - na minha fila era vergonhoso uma menina estar assim.

Insira aqui diversos motivos para uma criança de 8 anos não se acidentar por conta do bem-estar de sua saúde.

Insira aqui reprimendas por mal conseguir abrir a boca pra comer por conta da dor, mas contar animadamente que voara por cima do guidão como um super-herói.

E receber uma silenciada com aquela frase típica: "Você não é hominho pra fazer essas coisas. Não faça mais." - vejam, não veio da minha família, não foi alguém que me importava muito, mas aí que veio o gatilho pra tudo.

Eu não era "hominho", mas brincava como um, sabia me relacionar bem como um, entendia do mesmo universo deles, e mesmo naquele espaço da fila de "não pode tal coisa, pois é menina" eu fazia muito mais coisas que uma menina podia.

Isso dá uma autonomia tão perigosa que me achei no direito de trocar de fila um dia, no lanche, só pra ver se a tia gente boa do lanche me reconhecia e pedia pra mudar de fila. Ela notou, ela encheu a caneca de achocolatado, passou os biscoitos e me despachou. Foi bem cedo que aprendi que não tinha os mesmos direitos com quem mais socializava .

As censuras diárias de  gênero  fizeram parte da minha vida desde cedo num espiral looping que começava com a sensação que podia me sentir bem fazer algo, mas que socialmente não encaixava na denominação e gênero que me colocaram. Se aprende a valiosa lição que não se pode falar tudo que passa na nossa cabeça, não quando há outras pessoas por perto. Descobri que ser adiantada 2 anos na não me ajudavam nada em conhecer mesmo as pessoas e entender as duas filas.

Na família ficava esse clima de "logo ela  fica feminina, logo ela para de fingir que é homem" - tive sorte de não receber uma heteronormatividade compulsória de minha mãe na infância, mas foi mudar pro estado do pão de queijo pro pesadelo linguístico começar, ouvir o repertório de:
"Você é menino é?"
"Deixa de ser macho que não é certo menina fazer isso!"
"Sem brinco, vestido, melissinha? Cadê a presilha, batonzinho, a Barbie?"
"Não posso brincar com você, porque acham que você é homem."
"Não posso brincar com você, porque você é menina."
"Não pode ficar aí, porque vai achar que você tá aprontando."
"Oh menininho, opa desculpa era mulher? Nem parece."

Afinal de contas, o que eles estavam falando?! Sou uma pessoa primeiro, se a fila onde passei minha idade escolar primária dava a entender que sofreria limitações, teria deixado o anarquismo bater e bagunçar o sistema de filas.

domingo, 4 de setembro de 2016

mapa astral dessa pessoinha aqui

Já que a tendência é saber mais sobre o mapa astral do que a cor favorita ou o sabor de sorvete favorito (Sou bem desse tipinho antiquado pelo jeito), fui verificar com que cargas d'água - e pun intented com essa chuva torrencial aqui nas imediações - o meu mapa astral era.

Meu interesse por astrologia não é tanto devido a divergências no discurso. Já tratei disso aqui nessa postagem e volto a repetir que pode ser muito bem uma forma de categorização baseada em repetição de estereótipos, ou pode ser verdade. Entre o verdadeiro ou falso, fico com a dúvida. Acredito, mas desconfiando, sempre.

Há também o problema de memória seletiva que meu cérebro costuma fazer quando apreendo informações vindas do mundo mais intangível do ocultismo. o que eu sabia de LeNormande foi pro limbo cósmico, o pouco da metodologia de tarot nem mais lembro (boas razões, obrigade, nunca mais) e o que mais ficou fixado mesmo foi a parte de chakras, pois foi o que mais tentei usar durante os meses de molho. Os sonhos nem mais tento fazer esforço, eles não costumam aparecer tão detalhados mais, mas continuo a interpretar bem o trem de energias pra até não me deixar cair no vórtice da Banalidade.

Até porque a reação que as pessoas têm quando falo que sou de Virgem é hilária. Todos pensam que sou control freak (tá, com minhas atitudes sim, quem vai pagar as contas, receber ordem de prisão ou outras coisitas a mais sou eu), crítica ao extremo (ooooops), tenho T.O.C. (quem já entrou no meu quarto sabe o quão isso é mentira) e possivelmente vou surtar a qualquer momento por questões mínimas (nope, se é pra surtar é com a metafísica, isso sim merece ser digno de dramaticidade). Se fosse ESSE o caso.

O caso aqui é que eu não entendo essa linguagem, então fico só com comparações aproximadas de vivências. Por exemplo, vivência familiar, de amigos, de colegas de trabalho. Mas sinceramente não dou muito crédito pra isso pra estabelecer uma percepção de personalidades.

E aí entra a diferença de metodologias: recorrer ao mapa astral da pessoa dá um embasamento quase milenar para as atitudes da pessoa (Oi? É isso mesmo produção?), já eu prefiro perguntar qual a cor e o sorvete favorito. Alguém que ama verde e gosta de sorvete de morango significa uma porção de coisas pra mim.

Fiz esse trem aqui: Astro Cafeastrology

Qual é o problema de ter ascendente em Aquário? É um crime? O Vênus em Libra que confundi com o Plutão em Escorpião (Mas que por definição parecem a mesma coisa, mas anyways, explica o negócio de ter interesse em coisas nada convencionais e já ter sido admoestada pelo meu modo de apreciar sexualmente as pessoas com quem me relacionei) equivale a alguma coisa bem assim drástica? Librianes que conheci ou são super zen, adoram festa e animar as pessoas ou são totalmente da pá virada e ciumentos. Não consigo me ver em nenhum desses lugares. É pra interpretar assim? Ou tem um manual? Quede então?

A tr0llice é por ter Lua em Leão? É isso? Não é por conta de ter que usar o sarcasmo e fazer piadinha infame pra eu me sentir mais segura ao redor das pessoas nem por autodefesa? Dizem que Leão é líder natural, e super dramático (Sim, teoria comprovada dentro da família), mas como isso funciona quando é uma pessoa que se sente mais à vontade no backstage e tem pavor de dramalhamice?

Nem sabia que Lilith tava no meio, não sei o que os números significam - então nem irei opinar - o Mercúrio (Que por default é o deus grego da trapaça e das viagens, mas também o cara que simbolizava a esperteza, não raciocínio) em Virgo pode até ser alguma coisa, mas ainda sim me sinto bem por fora.

Então para a posteridade, quando estiver voltando a ler esse registro, dê para fazer a comparação que o mapa astral fazia sentido. Ou não. Tudo isso pra mim parece grego. Sério.

domingo, 29 de maio de 2016

interlúdio

Toda vez que me senti mal com tudo na vida, me convenço que é só ter paciência, esperar um pouco que amanhã sapowha muda tudinho como num rollback de fase.
(ou resetar uma instance)

Porque tá foda de suportar e não ter vontade alguma de querer me cuidar... Mas tem né? Tem que aguentar o tranco, porque ninguém vai fazer isso por mim.

Preciso de uma parada na rotina maluca, preciso me curar, preciso me proteger, tá difícil.

Mas amanhã melhora.
Tem que melhorar.


domingo, 6 de março de 2016

coisas que a gente não fala

"Anjo da Morte" por Evelyn De Morgan (1897)
A Morte, assim como qualquer coisa que envolva o Corpo acaba se tornando um tabu tão fechadinho numa redoma de adamantium que poucas pessoas que já conheci nessa vida de escriba se sentiram à vontade para sentar e conversar por horas sobre isso. Eu como boa pesquisadora desde que me entendo por gente, acabei me interessando por esse negócio (o corpo e tudo que vem envolvido nessa temática) por razõesmeio extracurriculares da minha própria natureza questionadora.
(Sabe o negócio de: "como funcionam as coisas?", então, o corpo humano pra mim é a caixinha cheia de engrenagens mais perfeita e misteriosa que já botei os olhos)

Tem gente que tá acostumada com essa perspectiva nefasta - gente que já viu a Dona Muerte de perto ou que teve experiências próximas com a perda de parentes, amigos, etc - e conversa de boa, mas mesmo assim sinto que o assunto não é lá bem tratado como deveria.

Já havia mencionado aqui no blog sobre algumas coisinhas sobre isso e como afeta diretamente a minha forma de ver o mundo, mas quando acontece muito perto, o mundo meio que para e revejo uma porção de coisas que estão erradas. Porque é exatamente isso que a Morte causa nas pessoas vivas: o questionamento incessante de que não estamos vivos completamente.

Para ler mais sobre isso tem esses links aqui [x] - [x] - [x] - [x] - [x]
Tem essa animação irlandesa MUITO legal: [x]
Emilie Autumn trata dessa temática com maestria: [x]

Alguma hora tudo isso que chamamos de corpo biológico vai parar de funcionar. Algum dia toda a energia que mantem essa estrutura intricada vai falhar e será mais um nome na lista da Dona Muerte. Às vezes o processo será apressado por inúmeras razões, medo, dor, culpa, tristeza, e por aí vai. E é aí que o tabu se torna mais afunilado, porque ninguém fala sobre suicídio.

Não sei da onde vem tanto terror pelo tópico, mas pelo que entendo em ler algo nas pessoas é que elas não exteriorizam esse pavor sobre suicídio. Por muitas vezes quem se mata é menos vítima do que culpado. A dor que fica remoendo as pessoas que ficaram para testemunhar esse ato de profunda responsabilidade - porque se matar está entre ser algo extremamente são e lúcido em certas circunstâncias, ou algo não-planejado e espontâneo. Fazer isso de forma abrupta e sem motivo algum é o que mais aflije pra quem fica. Da mesma forma que muitos classificam suicídio como na etimologia da palavra do latim, sui, "próprio" e caedere ou cidium: "matar", mas na minha teorização todos os dias estamos praticando um ato suicida contra nosso corpo.

Querem exemplos? Hábitos que prejudicam a normalidade de funcionamento do organismo: bebidas alcóólicas, drogas, cigarro, hábitos alimentares, falta de exercício, estresse demais, problemas psicológicos, ter uma carteira de habilitação...
(Oh vocês sabiam que acidentes de carro matam mais que armas de fogo no mundo inteiro? Então quem está atrás do volante pode ser considerado um suicida/homicida em potencial do que uma pessoa que possui porte de arma de fogo)


quarta-feira, 2 de março de 2016

preparação tática sem danos (colaterais graves)

...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
"that you're alone and you're lost in a forest and no one's giving you the fucking map and where the hell are you? accept that you can't go back because you would be doing something karmically (impossible?) and you just have to go forward..."


sexta-feira, 31 de julho de 2015

f-u intuição ilógica

Sabe a postagem anterior da Lady Murphy com a sensação do vai dar merda?
Pois é, deu. Só que não foi pro meu lado, foi pra Entesposa.
Por culpa de uma torneira aberta por falta de água no condomínio onde ela vive, inundou parte da casa (quartos, sala e cozinha principalmente. Milagrosamente o canto do Hankloud Strife, o cachorro ilusionista, estava intacto. Creio que ele seja a prova-dágua) e por pouco não inutiliza 70% dos móveis.

E a mania dela não ligar para avisar que está precisando de ajuda está me deixando ligeiramente irritada - não só com ela, mas comigo mesma, porque repito esse comportamento absurdo sem querer como forma de me proteger de outras pessoas e suas intenções (boas, ruins, whatever).

E aquele medo irracional que ela possa também estar sofrendo do mesmo mal de família que a intocável avó materna. 

Magnífico, agora vou ter que re-retirar o que disse antes dos sonhos.
O chato que tive na soneca inesperada de tarde era uma casa bagunçada, tudo revirado em cima de uma cama, e meia dúzia de gatos pulando em cima de mim (estava dormindo na cama com alguém que meu subconsciente cisma em trazer em lembranças), miando e arranhando de leve meus braços.

F-U ilógica da intuição! F-U!
(Isso é demais pra minha cabeça prática, it's so fucking too much!)


domingo, 19 de julho de 2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

babaquice, babaquice em todos os lugares

"Sarcasmo é uma defesa natural do corpo contra a estupidez"
Uma coisa que preciso me checar a cada 5 minutos é se não estou sendo babaca, acontece, não há como negar. Às vezes quando menos percebo, às vezes com um fundo de motivação, mas na maioria das vezes apenas observo ao redor e percebo que não importa o que eu faça que possa ser considerado "estúpido" ganhe do que está sendo praticado aí afora.

Porque gente, como as pessoas conseguem atingir uma perfeição na arte da babaquice me espanta. E me alerta que me segurar é uma coisa boa, me manter quietinha é seguro, freiar a boca antes do cérebro mandar a sinapse pra baixo também é adequado. Ajuda em MUITA coisa, facilita outras, é uma relação 50/50.

Então se eu tenho a capacidade de ser uma babaca, tenho certeza todos os dias que há um nível acima da minha babaquice que as pessoas vão conseguir atingir antes de mim.

Se não fosse tão trágico esse panorama, eu estaria rindo.

terça-feira, 30 de junho de 2015

minha vida de final de semestre

"Essa é a minha vida, comer miojo e tomar remédio..."

Fazendo alusão a uma das letras mais significativas do funk trash de intenções nada boas, começo o rambling da semana.

Tive que pedir arrego, voltei pra codeína porque a dor resolveu voltar com força total devido ao frio e a instalação dos updates no meu tornozelo, yep, meu pé tomou um rumo diferente quando fui comparar com o esquerdo. Algum osso ali deve ter ido pra frente ou pro lado, porque pisar pra dentro nunca foi meu caso.

O dilema monocromático disso tudo foi:
1 - ficar extremamente bitch e evitar todo mundo por um tempo;
2 - tomar o bendito do remédio e ser sociável.

É como uma metáfora de própria existência humana!
Foder com tudo ou se ferrar pra não foder com tudo.

Já que a vida está nesse level de estranheza completa, algumas conclusões que foram deliberadas:

  • Pelo bem de minha integridade física e mental, tenho que controlar melhor meu humor volúvel;
  • Não esperar muito que as coisas melhorem num passe de mágica;
  • Mandar algumas pessoas muito especiais pros quintos dos Ínferos pra Cérberos mascar;
  • Parar de me sentir culpada pelo acidente;
  • Procurar terapia de novo e de novo e de novo...
  • Parar de ler Nietzche;
  • Voltar a ter Disciplina.



Trentonildo salvando a pátria aqui!

Aí estava scrolling o feed de blogs e lá estava o texto awesome da tia Candye sobre o mesmo estado de espírito em que me encontro - leitura de mentes, telepatia coletiva, empatia? Chegou aqui tia Cléo!



A água que circula hoje é a mesma que molhou os dinossauros. A raiva que me consome, hoje, é a mesma que consumiu civilizações. Tudo volta. Tudo é cíclico. Mas tudo atinge as pessoas de diferentes maneiras. Tudo em mim transborda porque eu vivo no limite. A felicidade é urgente, mas a infelicidade é recorrente. A gente tem pressa para ser feliz porque sabe que a infelicidade nos segue de perto. A gente corre, mas, às vezes, ela nos alcança. 
A gente já nasce com a corda no pescoço, mas quando é criança não percebe que a corda tá lá. Então, a gente começa a crescer, e a corda começa a apertar, e, pela primeira vez, a gente se dá conta de que não está livre. Debilmente, a gente coloca a mão na corda, e pensa que ela vai se romper sem oferecer resistência. A gente se desespera. Procura por uma tesoura, para poder cortar a corda, mas percebe que a tesoura está muito ocupada aparando as arrestas da nossa vida, está ocupada recortando as memórias e colando-as onde possamos vê-las e, quando necessário, esquecê-las. A tesoura está fazendo o que a gente não dá conta de fazer. 
Nas mãos de quem está a tesoura, não se sabe. É mais fácil acreditar que as Moiras estão fabricando, tecendo e cortando o fio da nossa vida. Não é mais fácil. (Para ler o restante, clique cá)
A fineza da escrita me atingiu em cheio, e com a ressonância das palavras em meus olhos - oh sinestesia reinando hoje! - deixo a sabedoria mineira aqui.

domingo, 21 de junho de 2015

Escreva sobre a escolha mais difícil que você já fez

Domingo mais tranquilo, lotado de trabalhos acadêmicos e nostalgia da Mtv anos 90-2000, e dia de 20 coisas para se escrever quando estiver em um bloqueio de escrita! Diferente do que achei que estaria, até que o bom humor está alto. É um bom sinal, yep.

Write about the most difficult choice you made...
Escreva sobre a escolha mais difícil que você já fez...

Tenho até postagens extras sobre isso aqui e aqui. Acho que dá pra perceber o que tanto me deixa na encruzilhada quando preciso decidir algo nessa vida. Mas, go rambling! A eterna briga entre Razão e Emoção!

SANITY IS NOT AN OPTION!!

domingo, 7 de junho de 2015

feeling do domingo - thinkpol


Repetindo uma máxima que joguei sei lá, 1 ano atrás?!

"Q - Como desaparecer completamente?
R: Não saia em registros fotográficos. Não saia em registros fotográficos. Delete qualquer registro fotográfico que você saiba que existe."

Foi o que fiz. Posso até complementar com: "Quanto menos registros fotográficos, diminuem as provas do crime". Porque Polícia do Pensamento tenho de montão, faz blitz toda semana se deixar.
Prevenção para meu HD Mental não recuperar memórias RAM (ram-ram-ram-ram-ram-ram) que não gosto de ter.

Ps: Queridos cientistas malucos, inventem logo a pílula milagrosa!!

sábado, 6 de junho de 2015

[videos] yann dall'aglio fala no TED Talks

Estava na pausa dos trabalhos estudantis para poder nomnom alguma coisa e me deparei com uma rodada de TED Talks bem bacanas para me inspirar no trabalho de Ética Profissional. 

Ainda na procura por um perfeito para a apresentação daqui uma semana, mas veio esse vídeo muito interessante do filósofo francês Yann Dall'Aglio falando um pouco sobre o porque do Amor na nossa época moderna está sendo feito de forma errada.



Achei pertinente dele retratar o modo de histeria da sedução como uma prática quase involuntária da nossa sociedade ocidental, o querer ser desejável e adorado ao invés de simplesmente ter a "ternura de amar".  Áudio em francês (Ulalalá) e legendado em português aqui do Brasil.

A carapuça serviu, tio \o/

quinta-feira, 4 de junho de 2015

science sassy bitch!

LaF sabe como provar uma teoria

Antes de mais nada,

Antes de ser pessoa,
ser mulher,
ser humana,
ser a coisinha bicho do mato,
a estagiária de Morfeu,
noldorin esquentadinha,
tr0ll de carteirinha,
pregando a Palavra de Loki,
Sou cientista.
Science sassy bitch.

Então, assim como muitos cientistas se prestam diversas vezes, é preciso formular a teoria e botar em prática para ver os métodos de avaliação e conclusão. Se eu quiser provar algo primeiro antes de dar a desculpinha esfarrapada sobre alguma coisa, eu vou. Hoje foi o teste do aguentar o tranco com as muletas, estágio e federal, dobradinha sem mais remédios (FU codeína) e ver se dava para fazer essa rotina funcionar.

Entre muitos trambolhões, sermões de todo mundo que encontrei sobre eu ficar quieta em casa e não sair mais (as if vou conseguir isso hahaha), entre ameaças de "vou quebrar tua outra perna se você não parar quieta!" ou "vai sentar criatura!", vi que o lugar que menos dói hoje é o pé acidentado.

Foi bom testar o físico, saber os limites, ter ideia do que posso e o que não posso. Deu uma iluminada nas minhas convicções, deu aquele ânimo de "okay modafóca, vai ter que ficar em casa, fazendo alguma coisa que preste sem ser dormir" e o melhor, tive aval de quem achava que não iria dar brecha para minhas faltas acumuladas.

Saber que estou fraca ainda, que não tem como passar muito tempo apoiada nas muletas e carregar a vergonha de pedir para sentar na parte da frente do busão, resolvi que o olho é aceitável, tolerável, inoxidável (Sem ferro inox pelamor). O jeito é me manter aqui, fazendo tudo que preciso fazer da universidade, recebendo notícias escassas da rotina estranha do curso, comendo comida fria, tomando chá e enchendo a paciência do Zé Bunito.

Metas para essa semana toda?
Procurar jeitos diferentes de não enlouquecer com mais de 11 dias novamente trancada em casa.
Hora de sair da zona de conforto e ficar, bem... no conforto?!
#NoDonutForMeeQueSouWorkaholic

segunda-feira, 11 de maio de 2015

TCC da depressão (o seu, não o meu)

Convivo com três pessoinhas próximas que estão nos frangalhos - okay duas estão entrando em parafusos, a outra está sapateando na cara do perigo - por conta do querido TCC.

Trabalho de Conclusão de Curso.

Eu fui privilegiada na Letras por só precisar do Relatório de Estágio - o que não me isentou de milhares de edições, muita dor de cabeça, choro e ranger de dentes, além de encarar duas salas de ensino fundamental e ensino médio para montar o bendito.

O que na Biblioteconomia é exatamente o inverso, pois além do estágio - pelo que vi parece projeto de pesquisa e eu nope, just nope nope noooooooo módafóca! - tem esse lindo objeto científico de puro desprezo e rancor.

Engraçado é digitar no Google TCC e aparecer Terapia Cognitiva-Comportamental e eu não achar que a coincidência não foi tão coincidência assim. Já vi pessoas surtarem de vez com isso, já ouvi histórias macabras também e também convivi de perto com uma irmã que passou quase 1 ano escrevendo o dela de saco cheio com o tema porque orientador sem noção empurrou por goela abaixo.

Eu quero fazer diferente.

Já sou macaca véia, não vou deixar ninguém entrar no meu quadrado assim do nada. A orientadora já está pré-escolhida (Coitada da fessora), já tenho tema definido, já estou montando alguns objetivos a explorar no Projeto de Pesquisa, já sei que vai ser de longo prazo, sim, eu já sei que vai demorar mais 2 anos pra chegar nesse desespero, mas tá tudo aqui. Não tem como negar.

Não quero entrar em parafusos durante 6 meses tentando escrever algo que não vou curtir, então já começo a testar a profundidade das águas agora pra me preparar pra me afogar depois (Porque sei que irei, logo, vairy soon).

Quando entrei na Biblioteconomia, fiquei intrigada com um discurso repetitivo nos corredores do curso sobre alguns tópicos, bibliotecário em escola pública por exemplo: parece que somos uns desgarrados da matilha e provavelmente insanos. Quando comento que é isso que quero fazer da vida, ganho o mesmo olhar quando alguém diz que quer ser professor do ensino fundamental (Pena, estranheza, surpresa, indignação?). E isso me é estranho testemunhar.

Bibliotecário deveria ser valorizado por n motivos, mas pelo menos achei que a prepotência e arrogância chegaria a outro patamar aqui nesse salto - a auto-estima deveria ser mais alta, sabe? - vejo o contrário. Vejo profissionais múmias se arrastando em rotinas com um discurso bem delineado de cansaço. Até os mais novos são contagiados por isso!!

(Eu tou sendo contagiada por esse tipo de feeling de whatever, não vou fazer diferença)

O "cansei!" é tão forte que afeta toda uma estrutura interna e externa deles - de TODOS os bibliotecários que já conversei na minha vida de graduanda TODOS tinham problemas na coluna, nos joelhos, algo dentro deslocado, herniado, furado, destrambelhado - e gente... Hiena Hardy já tá lotando os esquema na Educação. Queria dar uma investigada nisso, saber o que mais posso descobrir nesse perfil de profissional da Biblioteconomia, tem tanta coisa legal pra se fazer, minha gente!

Então, sim. Oficialmente pensando no teórico do meu TCC.




domingo, 5 de abril de 2015

conselhos amorosos

Que fiquem avisados: não me peçam conselhos amorosos.
Que estejam acordados de antemão: não confessem erros de outras pessoas comigo.

Eu simplesmente vou entender, mas não o lado da pessoa que está me relatando, mas sim da pessoa que fez a besteira. Motivos pessoais, tenho de sobra. Tenho minha porcentagem alta de besteiras feitas em relacionamentos, tenhos minhas mancadas que deveriam ser pulverizadas da minha memória, tenho meus problemas de autoestima feminina com outras mulheres que parecem saber lidar com autoestima bem mais agilmente do que eu, então sempre vou ver pelo lado do perdedor.

Fatalismo? Não imagina! 

Apenas um pequeno adendo de como pode ser angustiante ouvir alguém reclamar sobre o par afetivo e não entender que a pessoa que possa estar escutando tenha feito coisa bem pior - ou se sentir pior por isso por achar que fez algo horrível e não saber lidar direito.

Lola "Just be normal!" Perry (2014) sempre certíssima.

$(function(){$.fn.scrollToTop=function(){$(this).hide().removeAttr("href");if($(window).scrollTop()!="0"){$(this).fadeIn("slow")}var scrollDiv=$(this);$(window).scroll(function(){if($(window).scrollTop()=="0"){$(scrollDiv).fadeOut("slow")}else{$(scrollDiv).fadeIn("slow")}});$(this).click(function(){$("html, body").animate({scrollTop:0},"slow")})}}); $(function() { $("#toTop").scrollToTop(); });