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sexta-feira, 31 de março de 2017

[bibliotequices] faz sentido

Tem coisas na minha vida de escriba que normalmente não fazem sentido. Tipo minha vida amorosa, a vida familiar, a vida privada que o Nelson Rodrigues fazia comédia (referência nenê?), mas estar novamente atuando em biblioteca faz total sentido.

Há uma premissa que gosto de repetir pra mim mesme: "Quanto mais insano, mais normal fica" que acaba se encaixando bem em tudo relacionado na vida de bibliotequere. A vida faz sentido aqui entre as estantes. O exercer o meu existir faz sentido aqui no balcão.

Pode parecer besteira, ver alguém enaltecendo a própria profissão como algo divino, não é, não deve ser e pelamoooooor não seja. Eu amo a Biblioteconomia utópica dentro do meu plano de ideias que entendo, compreendo e compartilho, mas tem muita coisa pra se melhorar.

Aconteceu alguns fatos nesses dias em que estou estagiando que me fizeram reavaliar muito o que me leva a ser tão apaixonade pela profissão - e aí vamos na batalha de emoção versus razão? Com esse assunto em específico, eu perco a compostura e me entrego de corpo, alma e coração. Pode levar toda minha integridade física e mental que aceito!

O motivo para tanto furor é a forma como certas cousas estão se encaixando, desde o momento do compreender o que raios faço aqui, como vou fazer, pra que/quem é porque fazer. Isso está se concretizando.

Faz sentido passar aperto no estágio por conta de situações que não dá como controlar, que se necessita de uma ética pautada até em algo superior a ciência e o academicismo pra compreender, analisar, simpatizar e resolver. Que há aulas que foram assistidas pra sr lembrar na hora do aperto e dizer "véi de Bowie, obrigade pessoa que me deu aula por existir, por ter uma consciência incrível, por estar na minha vida" - esse feeling, aliado com um pequeno papo de banheiro com velhinha simpática que exclamou "esse banheiro é feminino" em um tom escandalizado e excludente para evoluir em um diálogo de respeito e alteridade. É o puxar papo com docente decente sobre um relampejo de ideia para algo a ser produzido no futuro.

Essas pequenas coisas. 

Elas me fazem sentir vive e útil e bem comigo mesme, as pequenas vitórias. O bilhetinho para BFF com zoação, a preparação de algo improvisado que dá certo, é eficaz, as pessoas são beneficiadas. Esse feeling? Sabe esse, de fazer o coração gelado pulsar na garganta, os pulmões absorverem mais oxigênio, deixar a mente anuviada com as inúmeras possibilidades se amanhã ocorrer mais surpresas e coisinhas a se resolver com a teoria vista em sala de aula?


Eu troco todo tipo de coisa que já senti nesse mundo por esse feeling sendo habitual.

Não é take it for granted, mas é que quando se encontra a quest da sua vida, não é pra deixar ela escapar pelas mãos quando se apresenta. Ser bibliotecárie me traz muita alegria e momentos memoráveis também. Tem coisa ruim, mas entra aí nas alegrias e talz, a gente não vive suficientemente para entender o quanto pode ser feliz com pouca coisa nesse mundo, o fazer por onde está sendo constante, tá fazendo sentido.

Por mais que tenha umas criaturinhas tumulares que gostem de arranhar a superfície do quadro pra causar aquele som horrendo, elas não ganham dessa sensação. Queria que fosse permanente, tou apostando minhas fichas para manter o feeling por mais tempo.

Teve dois cliques nesses dias, um mandou o vitimismo pro fundo do poço (Sorry Samy) por saber que posso ser forte, bem mais forte que qualquer um quando preciso me posicionar como ser vivente. O outro clique foi compreender que ter um olhar mais crítico de uma situação potencialmente perigosa/vexatória pode salvar pessoas de desconfortos, inclusive o meu. E o meu desconto com o mundo se resume a um demonho bem bem beeeeeem específico: leio o mundo como se não fosse o bastante.

O mundo não é criado para ser o bastante, eu devo estar perdendo algo disso, sentir culpa faz parte (sim, eu sei, absurdo!), consertar a minha bagunça é inevitável.
E isso vai pra tudo. 

Isso também arruinou muitas oportunidades de ser feliz plenamente, mas verificar que a culpa não vai me levar a lugar algum continua sendo uma barreira a se quebrar todos os dias.


Não quando esse feeling de ser fucking awesoooooome e útil na biblioteca vem. Ele preenche tudo, transforma toda energia pesada carregada, mantém o controle e a serenidade. Pra se chegar a um level de entendimento comigo mesme foi torturante, agora o se autoflagelar não parece fazer mais sentido.

Essa é a plenitude que quero pro resto da vida. É nisso que irei focar de aqui por diante. As pequenas coisinhas, elas fazem diferença.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

bruxometria

Sonhos estranhos com detalhes de ontem:
Zé Bunito (pseudo siamês que tenho) se perde em uma fazenda meio assim estilo Tim Burton, extremamente sombria e de curvas em lugares nada a ver, mas de um colorido de machucar a retina.

Ele bebeu água de um riacho que o transformou em dezenas de versões dele mesmo, só que pequeninho e em cores mais escandalosas ainda. Lá vou eu caçar todos os Walteres (esse é o nome oficial do gato, mas ele só atende com Zé) e derrotar os contratempos que a fazenda tem pra me fazer perder eles de vista.

Numa dessas de ajuntar a gataiada arco íris perto de um celeiro (Ou era moinho? Dava pra fazer piada com Dom Quixote de boas) uma nuvem roxa carregada de raios e soando trovões chega, estaciona ali e já sei que é treta na certa. Peço pra gataiada se esconder no celeiro e ficarem quietinhos pra despistar seja lá o que vem na nuvem.

Desce uma senhora em vestimentas mais que espalhafatosas a la feiticeira do Castelo Rátimbum, pega um dos Walteres antes dele se esconder e está pronta pra abrir a boca para devorar o coitado.

Eu, babaca no meu modo, grito:
"Cê vai cumê meus gato non, tia! Pego meu breguete, taco na tua coisa, e te penabundeio!" - Sim, essa é uma das frases mais emblematicas que consegui dizer em sonho.

A tia devoradora bota o mini Walter no chão, cruza os bracinhos na frente só busto avantajado e responde:
"Tá achando que minha cara é o quê?! Eu faço contagem de gatos em periódicos!! Nem quero saber de conteúdo de qualidade ou relevância científica do tema, faço bruxometria."

Rio tanto, mas tanto que o sonho se interrompe comigo acordando gargalhando na cama com essa de bruxometria.

Juro pra vocês que não comi nada estranho, não usei dorgas e estava devidamente hidratada na hora de dormir.

Bruxometria, é esses trem biblioteconômico me perturbando até nessas horas. Ah! Zé Bunito está bem, no último sono ali na sala,nenhum spell louco ou damage.

Voltando a estagiar com Morfeu, com licença.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

[bibliotequices] vida de estágio

As condições financeiras costumeiras são sempre na beirada da falência e pedir arrego, nada de novo aqui, mas esse post queria compartilhar com vocês faz uns 3 anos. Como eu decidi sobreviver só de estágio.

As perspectivas para uma nova graduação ampliaram minha expectativas quanto a vivência na carreira que escolhi e as pendengas eternas de nunca ter dinheiro pra nada. Porque na verdade quase minha vida toda foi sem dinheiro pra coisa alguma, contando moedinha pra comprar as coisas que precisava e pagando contas.

Só que no Mario a gente consegue mais moedas que o costumeiro aqui na vida real.
Debaixo do link, vivências em estágio e algumas dicas. Essa postagem será editada em breve com mais coisa, tem muito assunto pra esse tópico!

sábado, 10 de dezembro de 2016

[bibliotequices] o tal do parnasianismo acadêmico


[Esse é o começo de um ensaio maior sobre o tema. Nos próximos capítulos da novela mexicana acadêmica, irei voltar com mais argumentos]
A expressão me veio em alguma hora estranha da madrugada, entre o escrever algum parágrafo de trabalho que não levaria a lugar algum, e o deliberar wtf ainda estou fazendo na Biblioteconomia da UFSC.

Ainda na crise de identidade com a Museologia, vou seguindo.

Lembro em que na Literatura Brasileira, com um professor uber crítico a la Mick Jagger, havia esse clima de anarquia no olhar científico do nosso objeto de estudo (a própria literatura), os sonetos de Camões foram destroçados, o hino nacional desconstruído e não sobrou muitos tijolos de fundamento na literatura nacional do período colonial para o final do século 19.

Realmente era uma aula de ouro, ainda bem que estava lá absorvendo cada lição.

O romantismo brasileiro me deixou com vontade de chutar os escritores fracassados, entre um autor e outro, o que mais me fez querer pegar uma máquina do tempo e chutar um traseirinho foi a galera do Parnasianismo. Eles sim mereciam ser esquecidos nesse Hall de "estilos de época".

Até Simbolismo eu suporto. Realismo-naturalismo também (menos Machadão. TUDO menos Machadão), aí as figurinhas carimbadas do "Arte pela Arte" que me chamaram atenção por um detalhe: a vida imita a Arte.

Hoje, inserida na Biblioteconomia vejo alguns padrões. E é uma pena que seja dessa forma.
O Parnasianismo se constituía como o novo Classicismo, aquele quê que os artistas perderam lá na Antiguidade, o apelo ao belo, simétrico, puro, limpo, esteticamente impecável com suas firulas de linguagem. A pouca audácia do poeta/eu-lírico fazer algo realmente edificante. Falar por falar.

É aí transpondo para o mundo acadêmico, parnasianistas everywhere.

Princess Kylie Aussie Sauce demonstra como funciona o papinho de parnasianista acadêmico
Começa com as coisas que lemos desde a primeira fase e vai evoluindo para uma cultura já enraizada na cientificidade acadêmica: pra ser alguém que presta, tem que publicar em uma Revista A1. Ou morra no ostracismo, ou fazendo palestra de Biblioteconomia Social (termo que igualmente desprezo pela sua implicação de que tem uma Biblioteconomia que NÃO SEJA social, uai modafóca?!). 

Produzir é algo sagrado e ali fica, ali se mantém, não se expande em nenhum momento e não atinge a sociedade em sua essência. Exemplos? Here we go:

1) você passa 4 anos em uma graduação para produzir trabalhos acadêmicos e um projeto de TCC, uma monografia e também um artigo para ser defendido para poucos verem e não haver aplicabilidade alguma. 
2) descarte e esquecimento dessas produções acadêmicas em algum lugar entre Repositório Institucional ou na gaveta da mesinha (os meus vão pro fogo quando termino o semestre)
3) a falsa impressão de que ao fazer isso, está efetivamente colaborando com a Ciência. Mas se é Teoria por teoria, então pra quê aplicar?

Essa guilhotina academifóbica produz pessoas muito muito estranhas e infelizmente altamente relevantes no nosso campo de trabalho e... Tchanananan docentes. 

O Parnasianismo acadêmico se acentua de uma forma bem sutil, esculpindo um ideal tão absurdo na cabeça dos graduandos de que só se pode crescer como profissional se não obedecer certas regras de convívio passivo em comunhão com a cumplicidade de produtividade nonstop

Biblioteconomia e a Graduação é algo além disso, gente.
Vamos ser mais conscientes de nosso papel nessa bagaça.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[bibliotequices] sobre linguagem e desconstrução

[originalmente postado no Facebook e Medium

Uma das coisas que me levaram a cogitar voltar a uma graduação (sofrer mais 4 anos, isso é algo que ainda tou entendendo aqui na minha cabeça, ninguém é tão louco de querer ficar preso no sistema acadêmico por muito tempo) era sobre como a Letras me abrira os olhos pra uma coisa bem legal e simples: o poder da linguagem.

Esse pequeno detalhinho na nossa vida é literalmente a arma mais letal e também revolucionária que carregamos individualmente desde que nascemos. A forma como construímos essa linguagem e como expressamos para o mundo afora faz toda a diferença entre o que somos, o que parecemos e onde somos classificados.

Na PUC aprendi que forma padrão e informal da linguagem devem estar sempre em questionamento, assim como os discursos que são propagados por essas formas de linguagem "aceitas" na sociedade. Em miúdos: nem tudo que reluz é ouro. A academia mostra bem isso com seus floreios e firulas.
Me deixa extremamente incomodada que na Biblioteconomia não se toque na parte da Filosofia da Linguagem em algum ponto do curso - ou mesmo ter gente botando isso com mais frequência na roda científica - porque é uma parte essencial de COMO nós bibliotecários nos constituímos como profissionais.

(Véi, de Bowie: cê mexe com informação, ponto final.)

Aí duas conversas apareceram hoje sobre quase o mesmo ponto crucial que eu tava enchendo o saco do Parnasianismo Acadêmico, uma era sobre a desconstrução da linguagem (e de todo resto que vem com esse movimento) do Deleuze e a outra conversa era sobre a banalização do discurso médico nas patologias de doenças mentais.

(Olha só que legal, gente, gente não-binárie não tem número de classificação na CDD e CDU, nem mesmo lá na parte de doenças mentais - isso me alivia de uma forma nada confortável)

Essas 2 premissas aí me levam de novo ao papel do bibliotecário numa sociedade em que estamos inseridos. A gente não discute sobre linguagem no curso de Biblioteconomia, sequer faz ponte com as áreas onde estão essas teorias (Letras/Linguística, Sociologia, Filosofia) e aí vem sabichão querendo dizer que o futuro da profissão está nos números, nas estatísticas, na produção científica (estrelinha, estrelinha, na Scopus é só minha) e nas inovações da mercadologia (mercado de trabalho com ideologia? Alguém?).

Sabichões (aaaaah vocês sabem quem são), cês podem até estar parcialmente certos, faz parte, mas cadê o discernimento para entender (E provocar) que se a matéria-prima do seu trabalho é informação (seja lá como ela vier), por que não se preocupar em estudar pelo menos um pouco sobre a linguagem ali contida? E não tou falando de programação, e essas coisas de computadores! Até onde estou atenta, não ocorreu a Revolução das Máquinas e não estamos conectados na Matrix (Mas é algo questionável...), não estou fazendo meu trabalho pra satisfazer máquinas ou títulos acadêmicos, ou deixar departamentos bem na fita ou dar visibilidade pra status de universidade: tou aqui pra mexer com gente. E creio que a Biblioteconomia lá fora já esteja com isso se encaminhando bem.

E gente usa a linguagem desde que se entende como gente. Por que não estudar então? Toda oportunidade que tenho, falo com os amigos de curso para saírem um pouco da bolha/redoma e irem para o CCE passear pelas salas da Letras. ou até mesmo ali na nossa colega Pedagogia no CED. Não é porque eles lidam com Educação que eles são a coisa mais linda dos céus de Ranganathan: é porque eles têm uma coisa que a gente não conseguiu incorporar ainda no nosso curriculo - eles mexem com gente. Tá bem marcadinho, quase entranhado em cada disciplina que bato o olho quando vejo o curriculo.

(E não tou falando de disciplina de "Produção de Texto Acadêmico", tou falando de entender wtf se constitui a língua portuguesa, porque usamos gramática, fazemos dicionários, como se estrutura a nossa fala e como podemos usar isso em favor de nossa profissão - se a galera do Direito faz com maestria, por que a gente não?!)

Aí uma coisa me veio como uma bigorna de desenho animado: a nossa história profissional caminha muito no sentido de EVITAR mexer com gente, desde os primórdios, com aquela de guardar livros a 7 chaves, botar tranca em encadernação, bola e corrente em compêndio, atirar em barquinho de fulano se ele não entregar o manuscrito em pergaminho, o "xiiiiiiiiu!", a leitura silenciosa, o clima inviolável do sagrado das estantes, o classificar por organização de acervo não de recuperar informações rápidas, o mais do mesmo nas produções científicas, a falta de incentivo para inovar com releituras de realidades, o não se aproximar do nosso público (leitor/usuário/consulente/interagente/lalalala e esses termos vão se multiplicar sem ter uma ponte entre a Filosofia da Linguagem/Linguística e a Biblioteconomia).

Então, talvez, o que eu esteja querendo fazer não é Biblioteconomia, mas alguma outra coisa aí. Talvez o provocar sobre falar mais da linguagem e como é o poder nela na nossa sociedade não seja algo pra um curso/profissão que ainda não se atentou que desconstruir o status quo (Ou romper com paradigmas, escolhe aí um termo! Tem vários!) é algo natural e deve ser incentivado em nossas bibliotecas, nossas escolas, nossas salas de aulas, nossas conversas com amigos de profissão. Se a gente não questiona a nossa matéria-prima de produção, cumé que quer formar gente apta para abrir esse diálogo lá na frente?

Como é que vamos lidar com a "Ciência pela Ciência" se metade dos TCCs de um repositório de universidade só enaltece a forma como "fazer produtividade", mas não "fazer algo para a sociedade"? Nem sempre produtividade é algo legal pra sociedade tá garotada, vide a bagunça da Revolução Industrial, acho que já deveríamos ter aprendido a lição. Bicar com a linguagem é extremamente necessária no nosso curriculo atual, pra dar uma ideia pros colegas graduandos que mexer com gente é importante sim e mais ainda, só se consegue fazer isso com sucesso quando se tem noção básica de como mexer com a linguagem.

Mas por quêêêêê ficar falando isso aqui no Facebook? Por quê? Desperdício de tempo e escrita! Bem, algum babaca tem que começar a questionar, né?
(Se aparecer um Agente Smith aqui daqui a pouco, já sabem: a babaca fui eu.)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

[bibliotequices] higieniza mi amor higieniza


Vassoura = estudantes / Mickey = Universidade
[os gifs postados tem a ver com a temática da postagem: Aprendiz de Feiticeiro foi a minha primeira experiência entre manipulação e transformação a força do Equilíbrio natural do universo. Se Mickey Mouse era um ratinho legal para mim, naquele momento em que ele deu "vida" a uma vassoura foi a porrada no sonho infantil de usar magia para beneficiar o mundo. O que isso tem a ver com a Biblioteconomia? Oras! Informação é poder!]

Observando alguns momentos de crise cáusticos e movimentação nula ou quase silenciosa ninja nas imediações biblioteconomísticas, percebe-se uma coisinha muito muito violenta e sutil: quando o silêncio se instala em uma área das ciências, ela automaticamente higieniza seus semelhantes.

Higienizar é algo positivo quando você faz no seu banheiro ou na cozinha antes de cozinhar alimentos, limpeza é bom quando precisa botar ordem em algo que está atraindo coisinhas ruins tipo germes e moscas e insetos indesejáveis, mas quando se olha por um ponto de vista afastado do circo diário acadêmico: higienização na Biblioteconomia tá acontecendo.

Aliás, vem sempre ocorrendo, pois não temos tantas referências da "sujeira" por assim dizer. Nossa profissão já nasceu com glamour de status de elite, com bibliotecários da Casa Real fugida aqui pro Brasil, entulhando seus badulaques e livros roubados da Corte Portuguesa ali onde seria conhecida como Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Intocáveis em seus uniformes quase militaristas de requinte e pomposidade. Longe do populacho, apenas atendendo a família Real, os de título mais abastados, os letrados. Os poucos.

Temos os exemplos do que é limpo, claríssimo (Sim, vou usar essa palavra por um motivo bem bem alarmante dentro do curso), cientificamente desinfetado com muita técnica, legislação e burocracia. Tudo pode ser revertido a este estado tão límpido de aceitabilidade que o que se dá para perceber aqui de fora da bolha:

  • relações abusivas de dominação e submissão (emocional, hierárquica, acadêmica, sistêmica, etc);
  • apagamento de sujeitos que se tornam um mero rascunho dentro da Academia;
  • uma alteração no status quo que NÃO CONDIZ com a realidade aqui fora.

É para ser mais direte? Okay, vamos lá então.

Vassoura = estudantes / balde de água = discurso acadêmico

Comecemos com perguntas, tudo na vida sempre começa com a dúvida:

1) quantos professores negros você vê dando aulas na Biblioteconomia?
2) quantos estudantes negros estão ingressando ou se formando na Biblioteconomia?
3) quanto a voz da comunidade LGBT está sendo ouvida na Biblioteconomia?
4) há discussões sobre gênero, racismo, evasão de grupos em vulnerabilidade social na Biblioteconomia?
5) quantos de nós estamos enquadrados em algum tipo de perturbação psicológica que afeta diretamente nossos estudos, nossa visão do todo, nossa atuação?
6) estamos REALMENTE representando esses grupos ali descritos com o devido respeito e igualdade?
7) a gente se importa?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

[bibliotequices] biblioteconomia ufsc ocupa ced

BIBLIOTECONOMIA UFSC OCUPA!

Em uma atitude inédita e histórica dentro da Biblioteconomia, uma Assembleia legítima chamada de estudante para estudante finalmente decidiu os passos do movimento estudantil no curso. 
SIM para apoio, respeito e adesão a Ocupação do CED mobilizada pelo @OcupaCed.
NÃO para paralisação das aulas e atividades acadêmicas.

E é assim que o curso onde escolhi com consciência e orgulho se posicionou.

É oficial agora, entrará para História desse Centro negligenciado pelas instâncias, pelo poder público, pela sociedade, que nos posicionamos, nós abrimos a boca, nós saímos de nossa desvalorização mesquinha de categoria, resolvemos em coletividade FAZER ALGUMA COISA.

E tenho certeza que haverá muito trabalho a fazer, muito a planejar, muita paciência, sabedoria nas atitudes e palavras, muito a se resgatar como pessoa constituinte de um coletivo em prol de uma causa que inegavelmente irá nos afetar como estudantes, trabalhadores, docentes e como cidadãos.

O curso de Biblioteconomia tem cerca de 43 anos instalado na UFSC, um curso que percorreu caminhos tortuosos, com diferentes formas de se abordar a tecnologia, a informação, a integração com outros cursos, o elitismo intelectual de status, para um esvaziamento de significado na luta por direitos da categoria e por tudo que ela representa DENTRO E PARA a Universidade. 
(Arts et Scientia - Artes e Ciências é nosso lema, pesquisa, extensão e ação é o mote atualmente usado)

Os estudantes decidiram ser solidários a causa da Ocupação, acordando em Assembleia legítima que o respeito pelo movimento também não ficaria no papel, mas o de nos ajudarmos mutuamente para conseguir a garantia de nossos direitos.

É mobilizando e enviando emails aos professores e coordenações para realocação das aulas? Sim, deve. 
É cobrando através de abaixo-assinados, petições, notas de repúdio enviadas as nossas lideranças do Departamento e na Direção por condições MÍNIMAS de infraestrutura para a realização das aulas? Sim, devemos.
É informando ao colega de classe o quão importante somos quando unidos, como classe estudantil, como classe bibliotecária, como comunidade que compõe uma rede científica DENTRO E QUE TRABALHA PARA essa Universidade? Sim, devemos ter consciência disso.

Respeito, conhecimento, solidariedade, alteridade e cidadania: é para isso que estamos ocupando esse lugar como futuros bacharéis em Biblioteconomia na UFSC, futuros profissionais da Informação no Brasil. Entendam bem isso.

A Assembleia de hoje é histórica e está registrada em cada palavra, levantar de mão, opinião proferida e voto que demos. Votamos democraticamente por um rumo de luta e não omissão em nosso curso. Cansamos de ficar calados, de dizerem que já ingressado domesticados, doutrinados a sermos neutros, omissos, ocultos, apolíticos. A Assembleia de hoje provou o contrário, manteremos nossa firmeza nas propostas e ações.

Não falo como Bruna, não falo pelo Centro Acadêmico de Biblioteconomia da UFSC, não falo pelo Grupo de Acadêmicos de Biblioteconomia da Associação Catarinense de Bibliotecários - falo como estudante de graduação, um reles número nas estatísticas, 6 dígitos de matrícula, portadora de título eleitoral descartável, base da produção científica DENTRO E PARA a Universidade, um indivíduo qualquer que a sociedade insiste de me chamar como cidadã, mas que os interesses não contemplam o bem estar comum.

Os estudantes de graduação em Biblioteconomia apoiam a Ocupação, dizem não a paralisação de aulas, vamos resgatar nossos direitos e não sermos obrigados a ouvir: "Eu não sabia", "ninguém me disse nada", "Isso não é da alçada de vocês" - temos voz sim, estamos em passos cuidadosos sim, sabemos com quem e o que estamos lidando. Nós sabemos e não compactuamos com o silêncio do restante dos cursos, dos departamentos e setores que ainda não se pronunciaram no CED.

Nós, estudantes. 
Respeito, alteridade, conhecimento, cidadania. 
É pra isso que tô aqui e ninguém mais me tira. 
(E retiro o que disse sobre ir pra Museologia, vocês, todos vocês, cada colega que foi na Assembleia me deu a plena certeza: é aqui que devo estar)

Pronto, acabou, agora ajuda aí a galera a pensar em uma forma bacana de apresentar nosso curso na Ocupação, como somos, quem somos, quem pretendemos ser, Biblioteconomia é bacaninha? Como ela pode ajudar a a Pedagogia e a Educação do Campo florescer? Quais contribuições podemos dar?

Estamos pela primeira vez em história de curso tomando as rédeas do nosso processo pedagógico, mas isso exige muito trabalho, muita paciência e mais cautela ainda.
Tem gente querendo voltar com a ditadura, para esse povo, comam batatas. 

Faz bem e faz mudar de ideia.
 




http://www.dpu.def.br/images/stories/arquivos/PDF/cartilha_ocupacoes.pdf

domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] falácia do perder o semestre

Bora lá que a gente AMA números, certo? Números é que são legais para enfeitar as coisas, estatísticas e dados e índices e a vida acadêmica segue sem o devido pensamento crítico sobre isso...

43 anos de Biblioteconomia na UFSC são:

Semestres = 86
Meses = 516
Semanas = 2.244
Dias = 15.706
Horas = 376.938

A gente gasta 8 semestres para se formar no curso (Uns a mais, mas hey!). 8 semestres em 86 semestres de história da Biblioteconomia na Universidade.

E estamos preocupados com o final do semestre. Com ESSE final de semestre em específico. Se não vai ter aula ou vai, se vai ter greve ou vai. ESSE semestre. De 86 semestres já de curso! 8 semestres de graduação! É justamente ESSE semestre que é mais importante - e obviamente não podemos perder ESSE semestre. Os outros não.

Não é sobre perder semestre, entrar em greve ou não, ocupar ou não, ser aprovado ou não: É o se posicionar ou não.

É por perceber em 8 semestres que passamos aqui, contribuindo para a produção científica da Universidade, formando bibliotecários, professores e pesquisadores que temos uma cultura muito familiar do profundo silêncio constrangedor.

Não é pelo semestre, ESSE em específico. É por 86 semestres que a classe e o corpo estudantil não se posicionou ou teve voz suficiente para ter maturidade (ou vontade?) política para discutir coisas como: Cidadania, Direitos básicos, Sociedade, Educação, Direitos da Classe, Respeito, Ética e Solidariedade.

(Contem os semestres em que foram abordados esses assuntos durante os 8 semestres - contei! 2 semestres, 2 aulas em específico mais meia aula interrompida, pois docente quis falar sobre as manifestações de setembro)

86 semestres, pra mim, é muito tempo para acordar de uma neutralidade. Não é 1 semestre, é pela aparente passividade de 86 semestres.

Se pronunciem.
Se posicionem.
Se organizem.
Se mobilizem.
Discordem.
Concordem.
Tenham argumentos em seus posicionamentos.
Questionem.
Sejam protagonistas de suas vidas acadêmicas nesses 8 semestres.

(Não deixem a história do curso afetar seus sonhos, suas expectativas, suas chances de fazer um mundo melhor, mas não ignorem o fato de que por anos ninguém aqui dentro se manifesta sobre coisa alguma. Por medo, por juízo, por interesses, por motivos escusos, não sei, mas 43 anos é muito tempo pra continuar em silêncio)

[bibliotequices] mobilização estudantil - sentido literal

Existe uma lei bem legal da Física que diz quando uma corpo se mantém em inércia ou em movimento retilíneo uniforme, ele permanecerá ad infinitum desse jeito. Óbvio que isso acontece no vácuo, se desconsidera a gravidade, as forças de atrito, as outras leis do tio Newton, a de Murphy, aí sim forévis parado ou no movimento. 

Então quando os estudantes não fazem nenhum movimento na inércia em que se encontram, nada andam, porque Newton, né? Não é tão difícil de decifrar o que tá acontecendo no campus, na cidade, no estado, no país. 

Mais cortes e medidas drásticas do golpinho temerístico e a inércia tá aí. 
Primeira Lei de Newton seguida com fervor! 

Ato falho meu, porque... engenharia \o/

Aí cortam subsídios de permanência pros estudantes, prejudicam a progressão de carreira dos TAEs (Técnicos Administrativos em Educação), dão ultimato pros professores que pra aposentar só quando eles estiverem com pé na cova. Concurso público? Esquece, governo não vai gastar com isso mais. Chama terceirizado que a coleira é mais curta e dá pra manipular a cordinha com mais facilidade. Congelamento de gastos com um teto tão absurdo de baixo que o jeito vai ser alocar recursos de um lado pro outro. 

Então, você, coleguxe fofuxe que acha que não vai ser atingido porque o curso de Biblioteconomia é imune as mudanças da sociedade, péssima notícia: um técnico ou alguém com notório saber vai tomar o seu lugar. 

E vai ser mais cruel, porque quando você estiver na metade do curso e tiver uma crise existencial individual do porquê raios tá fucking fazendo ali, servindo de panaca e cobaia pra um corpo universitário estagnado, a pergunta primordial será!? 

Vão me empregar com esse preparo que tive? 
Sou suficiente para o mercado de trabalho lá fora? 
Tenho certeza absoluta de minhas habilidades para levar minha carreira adiante? 
Como assim vou aposentar com 75 anos e sem direito a nada?! 

E aí tá todo mundo na inércia. 

No caso, a inércia fez esse lolcat continuar
 a girar, girar, girar, girar e girar

Pelo menos é lindo ver isso na Biblioteconomia da UFSC, onde há uma contrariedade de forças que sequer deveria existir em primeiro lugar. Um Departamento que não assegura os próprios interesses acima dos demais nem deveria estar constituído. 
(Sim, não é papo de coxinha reaça não, a lógica nas Federais é unir uma panelinha, defender o próprio curso/Departamento com os dentes e que se ferrem os estudantes. Eles conseguem direitos pra gente de acordo com o que as lideranças desses lugares acham mais vantajosas) 

E os estudantes? Inércia. 
E Happy Hour. Porque tem que ter.
Pão e circo e "me passa de semestre". 

domingo, 23 de outubro de 2016

epifania (in)docentes


Na vida tem uns cliques. 

É aquele momento em que você consegue ver uma parte do plano geral que antes o seu olhar não tava preparado pra enxergar bem. Pode ser durante o chuveiro, olhando pela janela do busão voltando pra casa, ou conversando com alguém que você gosta muito. 

Os meus cliques acontecem sempre em horas em que não posso fazer a dancinha da vitória assim do nada. Dentro da minha cabeça eu tou dando duplo twist carpado.


Quando criança tive a brilhante ideia de perturbar meus colegas após terminar de fazer meus deveres, não porque a pentelhice me segue desde o berço, mas porque eu sabia que poderia ajudar de alguma forma. E se era pra sentar na outra carteira e ficar tagarelando sobre o porquê de 2 + 2 = 4, ou porque a escolha de giz de cera ao invés de lápis colorido, então que fosse.

Essa mania feia de atazanar me rendeu um adiantamento de idade escolar, yey 2 anos na frente de todos! Me formaria mais cedo! Mas me f*** lindamente no social. Ser a pessoa mais nova desde a antiga 2a série até o terceirão me rendeu mais lições de silenciamento e contenção do que de compartilhamento.

A epifania da PUC na Letras foi de conectar o atazanamento da infância com algo que poderia efetivamente trazer algum benefício pra mim e pra quem estivesse disposto a entender que a minha maior paixão nesse mundo era de compartilhar coisas. Qualquer coisa, informação de preferência, saberes, experiências, histórias, o que fosse.

Não levei a epifania adiante porque o horror (oh o horror!) de ser contida num espaço confinado extremamente tóxico de uma sala de aula poderia me levar a ser aquilo que eu não queria ser: os professores cansados, maltratados e ferrados que preferiam arruinar com a vida estudantil de seus alunos com a ladainha perversa do pessimismo-fatalista.

A epifania da Biblio UFSC foi estar num show do mestre Tom Zé e ao ouvir aquele serumaninho saltitante de quase 80 declamando rimas e rimando declamações pelo palco me fez pensar no atazanamento do jardim de infância. "Eu tô te explicando pra te confundir, tô te confundindo pra te esclarecer, tô iluminado pra poder cegar e ficando cego pra poder guiar" era o que ele cantava e nessa hora sei que aquela criança insatisfeita resolveu dar banana pro medo da caixinha educacional sistemática. Essa po*** de caixa nem existe!! Gimme moar!!



Resolvi então me empenhar em tudo quanto era jeito a ser a criança que absorve conhecimento, compartilha esse trem e atazana quem estiver disposto a ser incomodado. Daqui pra frente é docência na cuca e fazer o melhor pra levantar mais questionamentos do que dar respostas. Isso o sistema dá sempre, isso pra que servem as desculpas esfarrapadas.

A Biblio tava me castrando nisso, a técnica, a burocracia, a compreensão fechada de sistema produtivo, a contenção de informações, o silenciamento de vozes estava acabando comigo. Está acabando comigo nesse exato momento.

E aí o Museu me deu outra epifania (eu já tava convencide que não ia mais acontecer, que a inércia já tava instalada), de estar no meio da exposição de uma figura emblemática aqui da Ilha, com mais de 30 pessoas de diversas idades, cores, credos, vidas, sentadas ao chão, ouvindo atentamente sobre Franklin Cascaes. Nesse exato instante entre a mão levantada para uma pergunta e a curiosidade infantil de querer saber como nossos ancestrais faziam xixi (Ah as perguntas da galerinha que fazem meu dia!) veio a constatação: todos os caminhos que trilhei foram pra parar ali, nesse local de conhecimento, pesquisa e cidadania que quase ninguém aproveita como deveria.

Não é pra eu estar atrás de um balcão de biblioteca, é pra estar onde for necessário estar para construir conhecimento com as pessoas, qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mediador de informações? Produtor científico? Educador? Organizador de Informação? Esses rótulos que pregam nas nossas costas e imprimem nos nossos diplomas não está sendo o suficiente, foi mal.

A Biblioteconomia é minha paixão, mas o atazanar pessoas para que elas questionem o mundo ao redor é mais forte. O que a Academia não está conscientizando seus futuros docentes/bibliotecários esses lugares inusitados de troca de informações estão. Demorou 25 anos pra criança pentelha e sem noção perceber isso, que não há lugar para se fazer o meu trabalho.

E foi no Museu que tive o último clique. E é isso. Pelo jeito é aqui que vou ficar por um bom tempo, seja na experiência de estágio, na acadêmica ao pesquisar sobre, ou quem sabe futuramente profissionalmente...?












sexta-feira, 12 de agosto de 2016

o peso da beca, do canudo, do capelo

Ontem foi a formatura da primeira turma em que me enfiei de vez na Biblio. Era a 3ª fase com um bando de gente bacana e de diversas vertentes de unidades de informação. Ter aulas com eles foi extremamente importante para eu sentir que o curso era firmeza, a carreira era promissora, as pessoas eram simpáticas.

Vendo eles recebendo os engessados ritos de colação de grau - Então é preciso alguém com título maior, cargo político, um objeto estranho encostado na caixa cranial pra ser finalmente bibliotecárix? Na Letras eu já me sentia professora desde o momento em que fui obrigadx a fazer um plano de aula na correria - meio que apertou um parafuso que tava aqui virando pra lá e pra cá: o parafuso da Ética.

Aí a fessora cutch-cutch que discursa muito nessa linha da Biblioteconomia fez o discurso como patrona da turma. E a coisinha linda citou Aristóteles, Kant e a diferença do Ethos com épsilon e Ethos com eta. O meu coração que já tá ferrado meio que deu um compasso trincado, desses de muitos goles de bebida forte, mas que não está completamente bêbado. Tocar nessa parte da terminologia de palavras que são terrivelmente empregadas em nosso curso, mas que ninguém tá nem aí par asaber pra que servem, é como um refresco nesse mar bisonho em que ando navegando.

Ela resgatou o Código de Ética do Bibliotecário (esse aí embaixo e que tenho diversas considerações a fazer que são contraditórias com o fazer bibliotecário de agora) e disse da importância do quanto é importante verificar a terminologia de nossos conceitos. Não obedecemos um código de ética para estamos na linha, fazer conforme a cartilha, não questionar nossa posição no mundo e a do Outro - seguimos um padrão alinhado de conjunto de regras para nossa profissão por termos a noção de que o bem maior, o bem estar social, a dignidade e a cidadania tá nas nossas mãos também.

sábado, 6 de agosto de 2016

pequena reflexão acerca de Tim Burton

Ontem tive o prazer de visitar a Confraria Literária do Colégio de Aplicação na UFSC pela primeira vez. Apesar de compartilhar a divulgação dos eventos, me atrevi a faltar quando a oportunidade vinha, tanto por conta das aulas da sexta-feira, quanto por não conseguir deslocar esse corpo até lá.

O tema de hoje foi as obras de Tim Burton e como é sua marca registrada no cinema estadunidense. Óbvio que quando citaram Eva Green como Miss Peregrine, meu coração de fangirl falou mais alto e devo ter soltado um gritinho com pompons acompanhando.

É bom demais para ser verdade.

O questionamento sobre o tabu do Corpo e o paradigma do Outro também vieram a minha cabeça ao fazer as filosofações sobre o renomado diretor. A maioria dos filmes dele tratam de algo mórbido ou tremendamente fora da tradição Hollywoodiana de se acrescentar comédia na tragédia (BTW: isso os gregos faziam com maestria, ok?), de tratar a morte como parte da vida e também saber levar essa ótica para as crianças entenderem o recado.

O tio Burton consegue tratar disso muito bem nas suas obras, tirando pela animação "A Noiva Cadáver" que literalmente é mostrar de um jeito lúdico e caricato que a Morte que tanto idealizamos no mundo dos Vivos pode ser mais divertida que o cinzento e trivial círculo de aparências.

Esse documentário do National Geographic Channel mostra 3 situações em que a Morte está na rotina de certos profissionais, mas que não deixa de ser algo que faz parte da nossa. Uma perita criminal, um maquiador funerário e um coveiro dão suas impressões sobre como é conviver com a Ceifeira à espreita todos os dias, sinceramente acho que isso magnífico - tanto pela abordagem de Vida que essas pessoas no documentário tem e como elas enxergam esse tabu.


A Nayra, a projeto de biblioteconomista mais descolada do curso, escreveu sobre a experiência, achei super awesome pela reação dela hehehehehehehe

sábado, 16 de julho de 2016

o trem da união dentro da classe

Amiguinhxs,

Quando forem se posicionar sobre a desunião da categoria bibliotecária em algum futuro distante pensem e lembrem de 3 coisas :
1) quem foram seus professores e como eles incentivaram o diálogo e união entre os estudantes e entre eles, docentes
2) quem foram seus exemplos de profissional da Informação atuante na área e qual contribuição a pessoa deu sobre o caso
3) se você repetiu o erro de 1, questionou o exemplo de 2, lutou pelo que você acreditava na época

Aí sim num futuro próximo você entenderá porque esse povo da Biblioteconomia fabrica uma guerra civil sem necessitar de muita coisa, só precisa fazer nada, cruzar os braços e quando acontece uma mobilização de importância na área, diz que já tá cansadx de lutar, que Conselho só serve pra cobrar, associações e coletivos só servem pra dar curso, que os mais novos que devem agora reivindicar nossos direitos (hello, não quero sustentar vosmicê não, queridx!) e o melhor que resume esse ranting aqui: "Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de fecho-ecler"

Por favor né profissa?
Toma vergonha na cara, vai passar óleo de perobinha e se posiciona como BIBLIOTECÁRIX pelamoooooor?

Sim, reclamo e resmungo pra baraleo quando é comodismo besta se manifestando no curso e não terem um pingo de respeito para arcar com responsabilidade de quem será diretamente atingido pela omissão.


terça-feira, 19 de abril de 2016

[contos] entre os livros

Provavelmente será entre os livros.
Assim, final da tarde, recinto vazio, muita bagunça, pouco tempo, invisível atrás das estantes, entre os livros.

Como qualquer dia que seja, vai chegar um belo dia (como sempre belo e será um dia) em que a porta da frente abrirá, a sineta sinalizara a chegada do belo dia, talvez o barulho inconfundível de sapatos sob o piso liso e intocável, ou o rangido esquisito de borracha de solado em contato com a cera do chão, talvez venha descalço (por que não?), o belo anúncio do belo dia no dia mais lotado de sua vida.

Entre os livros, escondida atrás das estantes espiará, descrente, desconfiada, sem muita vontade devido o final do dia, das tarefas acumuladas, das estantes desorganizadas, dos livros espalhados, entre eles olhará sem muita atenção e o belo dia de pés barulhentos na calmaria do caos anunciado (e quantas vezes irás amaldiçoar essa parte do trabalho de final de dia) se apresentará.
Uma vez, com voz tímida, de quem está invadindo território neutro pela primeira vez, sem mesmo saber que aquele local já é demarcado.
(e é, sempre será, espreitar aqueles que ultrapassam as linhas imaginárias entre o balcão e a cadeira de atendimento, das estações de trabalho, dos livros mais preciosos, da área de leitura infantil, do canto da sonolência, entre as prateleiras das estantes para os livros, tudo tem uma marcação bem acertada nesse palco onde atua desde sempre.)

O olhar estreitará sem miopia alguma, espiando a intrusão, desta vez sem medos ou rodeios, ultrapassou a linha imaginária entre o bom senso e a emoção, tá marcada no caderninho de ocorrências. A voz irá ressoar pela segunda vez, mais decidida, mais inquieta, mais inquiridora. Óbvio que estar invisível atrás das estantes não fã com que todos não saibam que você existe.

Por um momento, você discutirá entre a ética profissional e o dever bibliotecário. Irá arrumar argumentos válidos para tentar escrever alguma coisa que pareça plausível, realístico, seguro. É bem provável que seu coração vá descompassar por breves segundos, suas sinapses identificarem a voz como única em toda sua vida letárgica e todo jazz envolvido em amor à primeira vista.

Ou reconhecimento a primeira impressão, sim, esse termo fica melhor no imenso tesauro feito especialmente para separar você do restante da humanidade (estantes, lembra?). A agonia durará poucos segundos, afinal: trabalho é trabalho e sempre vem em primeiro lugar.

O pedido de informação, a busca calculada como é de costume, o papo estritamente acadêmico para não dar muita bandeira. A sensação de euforia ficará lá, pulsando em alguma veia da jugular, as extremidades dos dedos implorando por apenas um toque. E a voz, essa será a primeira e última a ser captada pelo cerebelo, esse órgão tão primitivo.

Entre os livros isso acontecerá, tão rápido e sem chances de repetição (para aperfeiçoar a técnica, não?), quase num improviso, sem idéia alguma do que irá acontecer. E entre os livros ficará para ir a lugar algum,como um título de obra rara será preparado com muita atenção e deixado com todo cuidado em alguma prateleira mais alta.

Assim como num belo dia, o Amor aparecerá em estado puro, pedindo informações sobre qualquer coisa, e você, ah você pessoa tão enraizada nas tuas leis, legislações e normativas: e se será o Verdadeiro, não os testes de antes.

Tudo fará sentido.
Tudo será explicado.
Tudo terá um selo de aprovação em todas as instâncias que estão envolvidas.
O Amor irá pedir informações e você atenderá da maneira mais sociável possível talvez uma piadinha aqui e ali, ouvir mais informações seria perfeito, a voz que encantou também tem o poder de trazer as experiências passadas de volta.

Em um recolher tenso, o fluxo de palavras cessa, a informação conectada, serviço do dia feito.

Assim como o belo dia entrou pela porta, ela sairá também, talvez com uma palavra agradecida, uma promessa por mais visitas ou apenas sair sem dizer nada.

Você, oh você tão chocada com a Sorte do Universo, voltará para atrás das estantes, invisível para todos, entre os livros. Não há nada o que temer, não há nada o que fazer.

A sineta toca no dia seguinte, mas com menos força, com menos determinação, sem a voz, sem os passos barulhentos, sem motivos para se exaltar.

(tiazinha do café? Sim, sim claro)


domingo, 3 de janeiro de 2016

bibliotequices - como a desciclopédia nos retrata

Não vou negar, eu adoro a Desciclopédia. Já escrevi alguns artigos por lá, encontro informações mais pertinentes que na Wikipédia às vezes (Sim, acontece!) e uma das curiosidades que se materializou em uma pesquisa aqui e agora foi de saber como essa Enciclopédia Livre de Conteúdo enxergava a gente aqui das quebrada de Ranganathan.

Nesse post loooooongo vou apenas copiar e colar alguns trechos da Desciclopédia com as opiniões expressas de quem escreve os artigos - lembrando que são pessoas como eu ou você, logo se pararmos para pensar um tiquinho, essa é a opinião da vox populi.

A lista de lá na Wikipédia está aqui [x] e contém 42 (OMFG a resposta!) cursos autorizados pelo MEC em 22 estados de nosso Brasilzão. Detalhe que nem todas as Universidades citadas no artigo da Wikipedia são tratadas na Desciclopédia. Hmmmmmm... Teoria da conspiração...?

Debaixo do link mais tosqueira, um bocado de humor sem noção, uma pitada de desrespeito com as diversidades culturais, de gênero, sarcasmo elevado, erros gramaticais não-propositais e comentários críticos/reflexivos de minha parte.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Bibliotequices: A GUERRA CIVIL DOS LIVROS DIDÁTICOS!!

Let the War begins!!
[Texto produzido por Lucas Mendes, graduando de Biblioteconomia – Gestão da Informação na UDESC]

GUERRA CIVIL: PRÓ-LD’s VS. ANTI-LD’s
(titulo provisório zoeristico)

Depois de 6 meses nessa indústria vital da iniciação científica em Biblioteconomia, com uma pesquisa mais especificamente em livro didáticos (Titulo da pesquisa: Bibliotecas Escolares e Acervos: Possibilidades de Fontes, História e Memórias), eis que me deparo, mais especificamente no Painel de Biblioteconomia de 2015 já comentado aqui no blog pela Morgado, com uma discussão bem calorosa com a mesma. 

No segundo dia do evento eu e a Bruna discutimos por quase uma hora sobre prós e contras dos livros didáticos. Depois de refletir um pouco sobre isso tudo, tive a ideia de escrever esse singelo texto com minha opinião sobre o assunto, então coloquem os cintos que irei expor outro lado dos livros didáticos além do espaço que ele ocupa nas prateleiras das bibliotecas escolares.

Particularmente vejo o LD (livro didático) como um instrumento social do que realmente só um peso de papel no acervo. Acredito que os LDs igualam os estudantes de escola pública com os de escola privada (como reforçado pela minha chefinha com a qual me guiou por esse mundão do mercado editorial e social do LD), logo eles representam um ponto de igualdade, que claro não acredito ser o suficiente, pois muita gente tem o LD, mas não tem biblioteca ou professores suficientes em suas escolas. E em muitos casos o livro didático tem quase o papel de uma biblioteca móvel, já que o formato atual de LD trás poemas, contos, imagens, textos de referência, indicações de leituras. 

Com o crescimento do Ebook didático (não sei se esse termo realmente existe, mas uso ele para falar do LD digital) essas ferramentas se desenvolveram e até irão desenvolver outros formatos, possibilitando até a Social Reading (na qual acredito amplificar o ensino de toda nossa criançada).

Vale destacar que o Brasil compra através do PNLD (Plano Nacional dos Livros Didáticos) muito livro didático para as escolas públicas, e isso representa 35% de unidades vendidas no mercado editorial brasileiro (Fonte: Snel jul. 2012), e no caso dos Ebooks didáticos, ainda é um mercado em crescimento, já existem algumas escolas particulares usando (Essa matéria aqui fala um pouco disso) e a FNDE (Funda nacional de desenvolvimento da educação) por exemplo, já “obriga” as editoras a publicarem os LD em formato digital. O governo já iniciou a distribuição dos ebooks em algumas escolas nesse ano (ver aqui)

Os Ebooks digitais resolveriam o famigerado problema de espaço das bibliotecas escolares, mas acredito eu que eles são importantes obras de referências e que merecem um lugarzinho na estante, não em quantidade exagerada como acontece na realidade.

A biblioteca escolar, querendo ou não ganhou mais uma atribuição, que é a de guardar e distribuir os LD, e acho que não seja realmente um problema, desde que seja uma atividade apoiada pela secretaria da escola, já que pode ser uma dor de cabeça. Tem uma galerinha do barulho lá de Minas gerais que desenvolveu um software de gestão de livros didáticos, o i10 (chequem o projeto dessa empresa, e os outros também que são um amorzim), e que já fizeram vários testes e parece estar funcionando muito bem, eles conseguem fazer a distribuição dos em livros em um curto espaço do tempo, e recuperar grande parte dos livros ao final do ano (porque eles tem vida útil de 3 a 4 anos, são renovados por causa de atualização e afins).

Não quero me alongar, porque talvez um dia eu e a Morgado possamos discutir estilo filósofos gregos, só que sem precisar de cartas quando temos Twitter e Facebook. Fecho com o meu pensamento muito mais sentimental do que prático. Vale cuidar desses pestinhas espaçosos, porque eles têm mais importância social e econômica do que realmente prática (no sentido do espaço, já que a educação fica muito mais prática com a ajuda dos LD, mas isso abriria uma outra discussão no cunho da educação). 

Posso morder minha língua, pois ainda não estagiei em biblioteca escolar, mas defendo sim o LD e sua grande importância de fonte de pesquisa escolar e acadêmica.


Bibliotequices apresenta: GUERRA CIVIL DOS LIVROS DIDÁTICOS!!

Vídeo auto-explicativo, porque a ideia é muito boa!
(Sem modéstia alguma, pois nóis é humilde, mas sabemo dos esquema, morô?)


Próximo post do Bibliotequices será a inicialização de um projeto em conjunto com o Lucas Mendes da UDESC sobre Livros Didáticos. Fiquem ligados nos updates nas quartas-feiras (Não todas, mas com certeza os assuntos desse tópico cairão SEMPRE nesse dia tão lindo) para entenderem o porquê nós, projetos de bibliotecárixs ficamos horrorizados ou não quando essas 2 palavras - livros didáticos - aparecem na conversa...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

docência de(s)cente - aquele lugarzinho especial


Resolvi separar um tópico para o BIBLIOTEQUICES para falar especialmente da carreira docente que estou me preparando para me enfiar. O DOCÊNCIA DE(S)CENTE vai estar tagueado para quando esse assunto for abordado.

Como primeiro post, bora ranting about uma coisa que já está incomodando faz tempo no curso.

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Nesse percurso acadêmico cheio de absurdos, há de imaginar que em algum ponto da linha cronológica de acontecimentos da minha vida de escriba do porquê eu ter recusado terminantemente a não seguir a docência na PUC. 
Até porque não construíram a Estrela da Morte com as centenas de milhões de denheros coletados dos pobres estudantes ferrados. 

A licenciatura vem me ensinando muitas coisas, inclusive o de não subestimar as pessoas, por qualquer motivo que seja. O indivíduo pode ser o mais estúpido possível lá fora das quebrada, isso não me dá razão para desabonar sua personalidade e caráter (Até porque não pago suas contas e não me interessa tua vida). Mas se a didática for ruim, meu camarada, cê tá condenado com carteira há VIP para Minos para passar a eternidade no Tártaro no pior castigo possível formulado para sua conduta profissional dentro e fora de sala de aula. 

Na minha sincera opinião, professor que não dá a mínima para as suas aulas e só está preenchendo lugar merece ter uma chance de assistir as próprias aulas no repeat, em uma cadeira velha de dentista sem ergonomia alguma, preso por linha de pipa coberta com cerol. 

Porque é essa a sensação que tenho após sair de aulas assim, em que se percebe claramente que o caboclo não quer nada, está ali ocupando o tempo e prejudicando os estudantes (e se não o sistema educacional funcionar). Esse tipo de profissional está na minha lista de "erros que não cometerei quando estiver na docência". Entendo que para muitos doutorandos o caminho para conseguir um cargo estável no ensino superior é passando pela docência, isso é magnífico, pois ensina muitas lições de humildade e alteridade, mas os mais velhos de casa parecem não entender que eles estão formando gente que vai fazer diferença lá fora. 
Os de mais de 25 anos de casa que digam. 

Como a seriedade do assunto não me permite dar nomes aos bois (fica mais interessante fingir que ninguém sabe de quem especificamente estou tratando nesse post) vou continuar a dissertar com o simples cenário:

Paredão de fuzilamento. 
Cerca de 60 estudantes a cada intervalo de 1 ano. 
O pelotão de fuzilamento está com as armas prontas, só falta alguém para dizer "Fogo". Adivinha quem é que dá a ordem?! 

A visão fatalista da educação é entendivel quando percebemos a seriedade do assunto. Somos instruídos como agentes sociais de mediação de leitura, informação e cidadania. Os professores são habilitados/especializados em nós ajudar a construir os significados de nosso percurso acadêmico, seja incentivando ações educativas para nos doutrinar (e vou usar esse verbo mesmo com o peso dele na frase) ao sistema de controle educacional vigente ou nos desafiar como indivíduos em nossa imensa elasticidade pedagógica e social. 

E tem sempre o fdp que é provável um zé mané qualquer e adora o som de sua própria voz repetindo: FOGO!! ATIRAR!! 

Então vamos lá!
(Post longo sobre como não tenho mais paciência em aturar professor que deveria estar pescando, não lecionando)

Cê que sabe se vai clicar ou não...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

bibliotequices no ritmo contagiante dos memes

Eu já sei que não presto pra muita coisa, mas hey! Pra escrever eu consigo bem! e fazer memes e paródias! E não levar à sério tanto a Realidade Estática ou eu tenho um tréco antes de chegar aos meus 40.

E já que a vida é cheia de tragédia e bodes amarrados na perna, bora lá fazer piada?
Agora é só cantar comigo, vamos lá:

"A CDD,Tabela de Pha, Otlet, CDD e CDU,
tem a AACRDox,o BibLivre,Vixi..."
(Repete 2x)


Debaixo do link, mais memes do Ranganathan. Surpresinha para o Mistah Melvil aqui:


[DISCLAIMER: pode usar à vontade, nem precisa creditar, sem medo de ser feliz, porque esses caras estão mortos, eram super felizes na Biblioteconomia e com certeza gostariam que as gerações futuras soubessem do bem que eles fizeram para o mundo.]

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Bibliotequices no 33º Painel de Biblioteconomia


[suspeito que esse post será editado várias e várias vezes na esquina com as macas da Varig, então...]

DISCLAIMER LINDO QUE PRECISO FAZER: Sou graduanda de Biblioteconomia na UFSC, na fase do só Ranganathan sabe, loooooogo minhas opiniões acerca do evento são inteiramente minhas, da minha cachola meio amalucada nutrida com café e comida do RU. Creio que terei que introduzir um tesauro nesse blog para os novos leitores entenderem as piadas internas e as referências nerds (Gente, referência é tudo nessa vida!).

Para quem quiser dialogar sobre esse post e outras questões (Inclusive motores de avião, estou disposta a discutir sobre engenharia aeronáutica, tá?), só deixar um comentário ali na caixinha abaixo. Não custa nada, sério. Nem pro Google Adwords eu apelo (E não tou ganhando jabá nenhum por declarar minhas opiniões... Eita).

Bora lá que lá vem postagem longa...

O que posso dizer sobre esse evento estranho que junta um povo mais esquisito com o intuito de falar sobre a maluquice do fazer bibliotecário e bibliotecas?
(Porque cês sabem né? Conforme a nossa sociedade contemporânea, ajudar as pessoas a buscarem cidadania, dignidade e autonomia é coisa de gente biruta. Mexer com máquinas é mais seguro.)

Me senti mais animada, o low da semana passada foi substituído por essa coisinha mastigando minha bile e cuspindo formas de se abalar a estrutura do sistema vigente. Eu amo a minha profissão, amo meu curso e tudo que ele representa em minha vida nesse momento. Ter um espaço para discutir sobre a Biblioteconomia é raro dentro da Academia, mas nesse Painel a conversa foi inspiradora no modo prático. Apesar da minha cabeça estar bem bem bem cheia de idéias iludidas para se fazer no local onde trabalho (estagio em uma biblioteca escolar da rede pública de ensino), vi aqui no encontro um modo real de colocar essas coisas fora do papel.

Aprendi um bocado com colegas, mais um pouco com os docentes, descobri algumas coisas sobre mim mesma, sobre o Outro, e vi que a vontade de nossos estudantes é MUITO grande, mas como há sempre problemas no caminho, tivemos a oportunidade de ouvir e também debater sobre as dificuldades no curso. Graças a Dewey tivemos como nos expressar, porque a coisa tá feia gente...

Auditório do CEDUP cheio e muitas discussões
Palavras que surgiram como ser ousado, proativo, gestor cultural, conhecedor de leis me iluminaram bastante sobre o meu papel na sociedade. Eu tenho um orgulho enorme de ter escolhido esse caminho, mas ao mesmo tempo me sinto inibida ao ver que algumas responsabilidades são bem maiores que eu pensava.

Por exemplo: pra qualquer lugar que olho há empreendedores e a única coisa que eu gostaria mesmo de sentar e conversar era sobre "okay, estamos todos ferraxs, o que fazer com uma caixa de leite vazia, retalhos de EVA e tinta guache para trazer os leitores pra dentro das nossas bibliotecas?" - mas a maior parte do tempo era algo sempre virado para a tecnologia embutida nesses espaços. Méh.

Senti-me como um daqueles homens das cavernas ainda tentando entender o que é a pedra redonda enquanto os outros homo sapiens já faziam uso da roda. Talvez seja o nicho que decidi me enfiar, biblioteca escolar pública é um lugar primário, rústico, dah roots, sem muitos recursos tecnológicos, a improvisação é primordial e às vezes a vida não te dá mais ideias pra tirar da cartola (Ou das mangas ou atrás da orelha, cê sabe, fazer efeito de mágika perto dos não-despertos dá Paradoxo e Choque de Retorno¹!).

Outra coisa que me fez repensar meu papel:
 - A tal da caixa.
 - O pensar fora da caixa.
 - O ir além da caixa.

Véi, de Bowie...
A caixa não existe.
É que nem a colher do Matrix. Não tem essa de caixa, a sociedade que gosta de colocar paredes pra delimitar tudo, a caixa é simbólica, você se encosta no canto se quiser, mas ela não tá lá. Somos além da caixa, somos além das paredes como o evento quis colocar em sua temática.

NÃO TEM CAIXA NENHUMA.
(Get used to it! let's Dewey it!)
Agora volteeeeemos. Cês já sabem: TL;DR.
(Too long; don't read)

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