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terça-feira, 14 de novembro de 2017

[bibliotequices] o ser e o estar

Em uma das primeiras páginas do livro Silmarillion [J. R. R. Tolkien], há o relato de quando os elfos surgiram (Loooooonga história até lá! Mas o nome do capítulo é Ainulindalë), eles começaram a dar nome as coisas que viam, porque tudo era novo. E ninguém tinha dado nome pras coisas e informado para eles.

Aquele trem do "ser" e do "estar". No inglês tem a simplificação de "to be" pras duas coisas, logo não dá muito o que pensar/filosofar/dar cricri com isso. O problema é quando no nosso querido português importado/colonizado atribuir o ser ao estar. Ou o estar ao ser.

Dizer que algo é algo é diferente de dizer que algo está algo.
Bibliotecas são bibliotecas é super diferente de bibliotecas estão bibliotecas. O ser (existir) do estar (estado) é um trem tão doido de se matutar que tem gente que perde anos tentando saber separar um do outro ou fazendo teses em cima disso. E não é exagero dessa galera mais filosófica: a palavra que você atribui uma coisa/termo/sentimento/conceito faz TODA diferença.

Em certas estruturas da sociedade o ser e estar estão muito bem colocadinhos em caixinhas tão trancadinhas que insinuar que uma coisa é a mesma coisa que a outra dá problema. Dá troca de tapas. Dá cadeia. Dá confusão de papéis sociais dentro de um contexto.

Fala pra um médico que ele é profissional da saúde e está com título de doutor pra ver o que acontece?! Revoltz geral.

Eu não sou graduandx de Biblioteconomia, eu estou graduando em Biblioteconomia. Essa minha condição, em particular é passageira, temporária, algo que a palavra, o bendito do verbo "estar" me dá vazão para deliberar dele. Eu estou, eu não sou.

Em uma das aulas de grego e tradução que tive anos atrás rolou essa problemática, porque no grego vulgar falado na época do apóstolo João quando fez uma visita aos gregos, o trem de "E no princípio era o Verbo..." a tradução não é literal. O "Verbo" nem existia como palavra naquela época! Então como é que posso atribuir o "verbo" à Deus (Olha o problemão aí!) e no restante dos versículos se o tréco nem existia? A tradução tá errada, então? Não sei, nem pretendo saber, quiriduns, mas o que ficou daquela aula foi: jamais atribua o sentido de uma palavra a uma que necessariamente pode não existir para o contexto da outra.

Tipo, Biblioteca é uma organização.

E palavras tem poder. Muito. A gente da área da Ciência da Informação, da Educação, das Humanas SABE que tem. Se fazemos uso dela ou não, aí são outros quinhentos.

E pra quê vim falar disso aqui?
Porque as discussões que estou lendo/presenciando na graduação então conduzindo a esse viés do "ser" e "estar" que a Biblioteconomia, no caso, as bibliotecas são e estão. E essa confusão entre o ser e estar pode violentar o que é um ideal/conceito/sentimento sobre biblioteca. E abala as convicções de uma pessoa que faz todo um ideal sobre o que É biblioteca e o que isso pode prejudicar ou afastar essa pessoa de ESTAR nessa biblioteca.

(Mas é pra cuidar das pessoas, Morgan! Para de filosofar esses trem e se foca nas pessoas!)

Mas se a gente que ESTÁ estudando quem SERÁ algum dia (Profissional da Informação, gente, não esqueçam), não É importante saber o que raios ESTOU me preparando para SER? Ou onde irei atuar e o que esse conceito/termo/sentimento/ideal É antes de tudo? Saber o que É uma biblioteca não é vivenciar uma biblioteca. Você precisa ESTAR nela, certo? Os dois conceitos se aproximam. Agora me dizer que uma biblioteca É algo que ela não ESTÁ atribuída a SER por inúmeras razões já apresentadas não só pela teoria como por todas as pessoas que a vivenciam não me parece correto. Peraê, corrigindo: não me parece ético.

E quando falamos de Ética é remeter toda a reflexão sobre o que É uma biblioteca - todos os conceitos que a Academia diz, acha que É, acha tá? Nada é estável, tudo está em transformação - e o que o senso comum pensa sobre bibliotecas, chegamos a questão: O que É uma biblioteca?

Se eu não conseguir responder isso em algum momento na minha vida como bibliotecárix, não sei se consigo botar significados de SER e ESTAR em algo que mal entendo como É ou ESTÁ.

Muita coisa para pensar né?
Pode apostar as fichas aí, vai ter mais discussões sobre isso aqui no Blog.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

[bibliotequices] sonhos megalomaníacos para a docência de(s)cente

Essa postagem começa com emblemático vilão dúbio das Meninas Superpoderosas
Quero dar aula.
Pronto.

Já tava decidido faz um tempo.
Fui e voltei na decisão.
As perguntas foram muitas.
Será que tal lugar comporta a linha de raciocínio que gosto de me expressar?
Será que devo me adequar a todo um procedimento encaixotado padrão que vai matar os estudantes de tédio e eu de ansiedade?
Será que devo voltar pra onde me formei e fazer parte desse núcleo exclusivista para uma certa área do conhecimento e que esquece que a gente tá formando gente pra cuidar de gente que possivelmente vai mudar o mundo?
Será que tenho paciência pra aturar a burocracia do ensino superior?

Tudo pode ser respondido com uma música apenas. E foi daí que parti em interligar os aprendizados nas aulas, junto com aquela avaliaçãozinha discreta dos docentes que estão moldando meu serzinho para algo lá no futuro AND como o sistema universitário poderia manter minha Sanidade em cheque (e a conta bancária também, né?). Vale a pena?

Até onde estou vendo sim. Vale MUITO a pena.

Os sonhos megalomaníacos para daqui algumas décadas não é só ser le tiezinhe da referência e do café, mas também aquela pessoa que quando citam em trabalhos acadêmicos, orientadores botam as mãos na testa, sentem espasmos e viram pros seus orientandos e dizem:
" - Cê tem certeza que quer citar MORGAN?" ou " - Te peço, por favor, por tudo que passamos juntos aqui, muda de referencial teórico!" ou ainda mais " - Vai citar MORGAN? DESAFIO ACEITO!"

E aí na apuração final da banca sempre haverá aquele silêncio constrangedor ou pausa dramática antes de: " - Então, vi que você decidiu citar MORGAN (2042)... Por que essa decisão inusitada?" ou "Sabe, o referencial teórico estava ótimo, bem estruturado e coerente, mas aí você citou MORGAN... Você tem certeza disso, não é?"

Quero ser aquela pessoa que quando vão ver o Currículo Lattes perguntem na metade da leitura técnica: "WTF essa pessoa foi fazer na Biblioteconomia?" ou melhor "Véi, essa criatura pesquisou ISSO? E ISSO? Como é que passou em banca de..."

Quero finalizar meu pós-doc fazendo uma dança interpretativa da minha conclusão.
E ninguém entender. Será uma piada interna que poucos entenderão.

Quero ser aquele-que-não-deve-ser-nomeade em reuniões acadêmicas, mas que é sempre bom lembrar que existe. Não porque toca o terror, é autoritário, faz a caveira dos outros, mas porque não parece polido mencionar que estou ali. 
Tipo, porque quando rolar pesquisa com coisa que já produzi nesse meio tempo, espero causar estrago nas bases tradicionalistas engessadas acadêmicas, aqueles estragos que dão certo pra comunidade, pras pessoas que não tem acesso a universidade, aquele estrago que não produz dinheiro ou status. O estrago que a universidade e os catedráticos não gostam sequer de pensar que docentes podem fazer lá fora.

Quero ser docente que chega na sala de aula e deixa um misto de "Powha vou ter aula com aquela criatura hoje..." junto com "Caraca, tenho aula com aquele-que-não-deve-ser-nomeado... Que sortudo de uma figa que sou!" - Quero as aulas de segunda. E que os estudantes fiquem até o final por gostarem de estar ali na aula, por acharem relevantes as maluquices que irei tratar e relacionar com o curso, a profissão, o fazer algo que preste pra sociedade.

Aliás, não quero alunos, quero pessoas parceiras que pensem comigo, abertamente, sem fronteiras, sem exclusivismo, sem mania de grandeza produtiva. Quero formar bibliotecári@s desde a primeira fase até a última, pra entenderem que sim, o curso pode sim te dar ferramentas, modos e visões de enxergar o mundo das bibliotecas e afins com algo a mais. Quero giz de cera e papéis A4. Avaliação? Que tal autorreflexão sobre o que aprendemos ou não? Redação de livre associação?

Por que não usar o exercício da Ágora de defesa de argumentos?

Não quero ser o motivo de gente perder o sono pra estudar madrugada afora.
Não quero gabar meus títulos e honorários, e louros e floreios e borrões.
Não quero ser chamada de doutora professora, quero que me chamem pelo nome.
Não quero ficar subindo em tabelinha de ranking de produção.
Aliás, não quero produzir nada substancial pra área a não ser a prática que farei dentro das bibliotecas junto com outras pessoas maravilhosas.
Não quero estrelinha da Scopus.
Não quero citação na Web of Science.
Não quero que façam pesquisa bibliométrica sobre o que escrevo.
Não desejarei a aposentadoria tão cedo.
E vão sempre me perguntar quando é que vou aposentar.
" - Chuchuzim, demorei mais de 6 anos pra me formar na graduação... Cê tá pedindo demais né?"

E aí quando forem ler meu Currículo Lattes de novo vão ver que em outras produções ou participação em bancas, eventos e projetos de extensão tem mais coisa que não bate com a área. Que fiz trabalho até em lugar que não devia, com gente que nem deveria ter acesso à informação. Que peguem minhas referências ou não usem, pois é muita covardia ou muita coragem. Quase um Gregório de Matos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

a@s fessores, aquele abraço!

Deix dias atrasado, mas hey! Quem disse que memória tem que ser periódica?!
Até onde sei, esse blog apenas me serve como terapia alternativa, vazão criativa e caso de emergência para algum caso futuro de amnésia.

BTW, era para postar no dia 15 de outubro, então...
===


Hoje é Dia dos Professores! Yey!
A profissão mais responsável e séria de todo universo.
Já escrevi sobre ela aqui [x] e volta e meia vou citando a bendita da docência (in)decente aqui no blog. Por que isso? É de família.

Não é legado não. Nem maldição. É tipo algum plano bem obscuro de manipulação mental que ainda não entendi direito como se faz.

Eu gosto muito de professores.
De incomodar bastante eles também.
Pois caso não tenham percebido, vocês são responsáveis por muita coisa que vai acontecer no futuro. Médico cortando cordão umbilical é pouco comparado com a (des)construção de vida que um professor é capaz de fazer com uma pessoa. E como eu acabo direcionando toda minha atenção para quem faz o trabalho com excelência (ou não), é possível perceber o quanto eu os adoro.

É porque eu quero mesmo ser professor algum dia desses, tipo num futuro distante.

Minha mãe já foi, minha irmã continua sendo, agora parece que só falta eu aprender os paranauê. Na universidade dos Stormtroopers aprendi que deveria ficar beeeeem longe do lugar/pedestal na frente de uma classe de carteirinhas enfileiradas, acabei tropeçando nas promessas e cair na Biblio. E aí a coisa mudou.

Mas a histórinha? Sim, tem que ter! Senão não tem reflexão do papel social em que estou inserida desde criança, né? Debaixo do link alguns professores que me fizeram acreditar num mundo melhor.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

[bibliotequices] e onde vão nossos sonhos fagocitados?

Tem essa música do Tom Zé que não saiu da minha cabeça o dia todo. O nome é em homenagem a atriz francesa Brigitte Bardot. A letra pode ser interpretada de diversas maneiras, mas quando eu tava pensando sobre o bendito curso que decidi seguir e fazer minha vida, então se mudar o nome dela dali e colocar como "Biblioteconomia", fica perfeito.

Essa música ficou polêmica não só pelo fato de ser do álbum "Todos os Olhos" com a capa mais polêmica que passou pela censura da Ditadura pelo viés ambíguo, mas por Tom Zé mexer no áudio na gravação para suprimir a palavra proibida daquele tempo (E do nosso também) para efeito dramático. Ele ainda faz isso nos shows.



Tem uma parte nessa música que me remete como a nossa profissão graduou uma premissa de todo sonhador, com grandes planos de fazer o mundo melhor, como fracassada:

Biblioteca não salva ninguém.

(Biblioteca não dá dinheiro)

Escola, por exemplo, pode produzir dinheiro e garantir a manutenção do sistema dominante, pode até ser a medida mais ousada de "talvez um ou dois nesses 50" vai ser alguém na vida. Professor sofre esse dilema diariamente, aqueles que colocam o sonho/vontade de mudar acima de seus próprios necessidades.

As crianças são o futuro da nação.

Eu gosto dessa frase, me dava um senso de missão com a minha vida de poucos anos, pois era como se eu e meus coleguinhas de sala pudéssemos realmente efetivamente fazer diferença no mundo. Bem sonhador mesmo, conseguir a paz mundial, igualdade social, ninguém passa frio, fome e sede, aquelas coisas que concursos de miss gostam de perpetuar nas nossos inconscientes. E eu cresci, meus coleguinhas também. E a gente não fez/faz diferença alguma pro sistema. 

Na Educação tem esse Paradoxo quase imediato de você ser o agente de mudança (e ter instrumento para tal), mas também manter os cordeirinhos dentro do cercado. Se dentro de sala de aula existe a autonomia do professor sobre o que fazer, dentro de uma Biblioteca deveria ser da mesma forma, não? Porque bibliotecas são espaços culturais e educacionais, não? Porque é lá que as pessoas vão estudar, certo? Não? É muito louco pensar em bibliotecas dessa forma?

É aí que quero chegar: a nossa área não tem grandes sonhos pra implantar na cabeça dos graduandos. A gente não sai de lá com utopias pra mastigar, mas sim algumas certezas que o sistema adora fazer a gente engolir. Se na área da Educação há aquele senso de igualdade em tudo quanto é canto, a gente na área de Informação quer só fazer algo pra se manter em um emprego precário em um sistema falho pra sobreviver.

Ou produtivismo.
Mas aí nessa cova eu não reviro nem a pau Juvenal.

Debaixo do link tem mais considerações.
E mais sonhos fagocitados.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

[bibliotequices] a relevância de bibliotecári@s em cenários pós-apocalípticos

No episódio inaugural do melhor seriado de todo universo - and com um dos bibliotecários mais incríveis da ficção - o seguinte diálogo aconteceu:




Começando com essa frase e pedindo pelamoooooor pra quem lê esse blog a NÃO DAR corda pros meus headcanons de cenários pós-apocalípticos - sério gente, sou nerd da ficção científica desde os 10 anos, tive 21 anos pra matutar tantos cenários de realidades que tenho vergonha de escrever sobre - mas esse tratado a seguir será aquele momento de vergonha alheia que qualquer bibliotequero vai dar um facepalm por não ter sacado ainda.

O que um headcanon??
Na linguagem marginalizada dos fãs nerds ou como se autointitulam fandom, o headcanon é uma pequena narrativa de uma possibilidade que nunca vai acontecer para se tornar canon (canônico, não a máquina fotográfica) por diversas razões, sejam elas de nível social (desvio da norma padrão patriarcal, heteronormativa, capitalista, neoliberal), seja de impossibilidade racional/física (paradoxos de viagens no tempo, catástrofes muito horrendas, Apocalipse Zumbi?!).

É tipo quando aquela pegadinha do copo meio cheio ou meio vazio? Com as interpretações de otimismo, realismo, fatalismo, achismo, fetichismo (o do Karli Marquis, gente), pessimismo, nihilismo miguxo.

O questionamento foi mazomeno o seguinte: o que aconteceria com a gente, profissional bibliotecário se uma guerra mundial tão devastadora acabasse com as formas de comunicação tecnológica que conhecemos?

Incluímos aí:
  • Fim da Internet e grandes databases do mundo.
  • Fim de energia elétrica como conhecemos em produzi-la.
  • Fim de qualquer tecnologia que se baseie ou sustente por essas duas premissas.
Como sou a pessoa no canto da biblioteca, literalmente sapateando pro assunto distopia pós-apocalíptica aparecer no rolê (mas mantenho isso pra mim, pois hey! Não é todo mundo que se sente a vontade em discutir planos estratégicos de sobrevivência em mundos devastados por hecatombes ou é chegado em discussões sobre as relações de poder na comunidade BDSM - whoa falei isso muito alto?!) lá vai o headcanon.

Para esse cenário aqui acima tenho duas variantes de headcanons:

1) desde a invenção do livro em formato que conhecemos, existia uma época chamada Era Medieval que sim, não tinha luz elétrica, vaso sanitário, sistema de esgotos que prestasse, fecho-éclair e Internet. E um tanto de coisa que parece banal pra gente agora. E os bibliotecários se viraram bem com os esqueminhas de printar em prensas de Gutemberg os famosos catálogos que assustavam nossa quiançada ao entrar em bibliotecas.

Aquela fofura das fichas catalográficas? Voltariam pra rodinha e você, tão concentrado em saber qual gerenciador de acervo é melhor que o outro sobraria como jiló na jantinha. Aprender a catalogar, classificar, indexar seria TUDO NO MUQUE, SEU FOLGADO!!

Boas notícias: há pessoas vivas que SABEM e DOMINAM muito bem essa técnica de organização de informação. Diquinha da Tia Elza da Referência? Converse mais com seus professores e/ou bibliotecários que tenham feito Biblioteconomia antes dos anos 90. A gente aprende mais com eles do que com qualquer um, viu?

Lado bom: esse headcanon era canon até metade do século 19 aqui no Brasil, voltaríamos a uma época em que já vivemos e nascemos como profissão, lições de lá já tiramos e talvez, por que não, parar de ser um bando de frangotes com medo de se arriscar pelo bem comum da sociedade...? Nâo precisa de luz elétrica pra fazer uma biblioteca ser viva :) Plus, aprender a esgrima e portar arco e flecha são sonhos de criança que não consegui realizar. Freud explica. Oh oh bardos!!

Lado ruim: não faríamos tanto ativismo ou reclamar da desvalorização do bibliotecário via Facebook. E Era Medieval não era muito legal, sabe? Não gostaria de ser obrigade a escrever num tomo enorme essas bibliotequices sem poder compartilhar. Ah! E banho frio. Brrrrrrrrrr!!!
Nada mais de informação para todos, esquece disso Josebelde... Informação local e onde as canelas alcançassem.

Mas vamos piorar a situação? Porque ser fatalista me traz mais benefícios em encarar a realidade vigente do que tentar ser otimista...



2) Que tal o headcanon de APOCALIPSE ZUMBI?!
Sim, sem luz, sem Internet, o mundo devastado por uma praga incontrolável de zumbis frenéticos personificações de nossos piores pesadelos de perda de autonomia, criatividade e privacidade como indivíduo? Sim, esse mesmo, meu headcanon favorito! E o mais absurdo também.
(Já escrevi sobre o assunto favorito aqui nesses links [x] [x] [x] [x], tem esse artigo bacana aqui [x])

Então, here is the thing: Se essa possibilidade acontecer há duas opções pra mim como projeto besta de bibliotecário:

1) a mais provável na estatística básica de Apocalipses envolvendo a quase extinção da humanidade - Eu acabaria como um zumbi especializado em fazer emboscadas pra comer (literalmente, zumbis são canibais, lembram?) profissionais, cientistas da Informação e pessoas que não concordam que a CDU é genial. Por algum resquício de memória de um passado recente, teria um prazer enorme em fagocitar certas pessoas. E a lista seria enorme, sério.
(Isso Freud não explica, porque tratar de canibalismo ou antropofagia não era a praia dele, né?)

Então não poderia fazer absolutamente nada a não ser importunar vocês, amigolhes de profissão até alguém finalmente botar fim a minha existência grotesca.

Diquinha pro futuro que não vai acontecer: nada de desperdiçar munição comigo, faça uma armadilha com alguém da Biblioteconomia dizendo as leis de Ranganathan e golpe na cabeça já resolve. Iscas com edições de livros didáticos parcialmente destruídos também me atrairiam como mariposa na luz.

2) a opção menos provável seria a de sobreviver, viver com uma PTSD f*****, MAAAAAAAAS sendo bibliotecári@. Tá aí o destino mais macabro possível para pensar. Então com certeza eu seria a tia da referência mesmo, grumpy as fuck e provavelmente não tendo dó alguma em queimar livros imprestáveis pra aquecer lareiras e cozinhas improvisadas.
(Shakespeare vai primeiroooooooo!!)

Tá vendo a 300 e a 500 até 610 da CDU? Pode pegar tudo e botar fogo. E a estante deixa pra botarmos pra segurar as portas da biblioteca e servir de barricada. É óbvio que os zumbis vão nos encontrar cedo ou tarde.

Vou fazer estudo de usuários com tanta vontade que vou querer saber que tipo de pesadelo você tem durante as horas de cochilo. É provável que eu sirva de psicóloga, mais acertado eu dar a real e pedir pra você aceitar logo que o futuro da humanidade está perdido, você não serve pra nada nesse mundo e que é melhor pensarmos em formas de NÃO nos matarmos antes de sermos mortos pelos mortos-vivos. Serei uma pessoa amarga e contraditória, mas você, sobrevivente de Apocalipse Zumbi, vai precisar muito de minhas habilidades de investigação e memória ótima pra informações inúteis como jamais coma cogumelos dessa lista aqui, jamais beba água do mar sem antes filtrar e o mais importante: você pode viver sem água e comida por um bom tempo, mas ficar sem dormir por mais de 72 horas é sua sentença de morte.

Por isso as bibliotecas serão refúgios perfeitos para sobreviventes de Apocalipse Zumbi. Tem material pra barricada de montão, a estrutura de paredes firmes, portas mais reforçadas e janelas com grade (mania idiota de brasileiro achar que pessoas roubam livros) e todo o conhecimento do mundo ou parte dele ali.


E bibliotecários podem ser chatonildos pra cacete, mas somos necessários no seu grupo. Mais ainda que aquele mané ali que tem mira certeira e sangue frio. O mané não sabe o poder de estrago que um volume da Barsa pode causar na cabeça de um morto-vivo. Ou corte de papel A4!! E por favor, o que é um babaca segurando um machado ou cabo de ferro perto da minha habilidade de dar olé em corpos putrefatos cambaleando em minha direção com uma quantidade absurda de mantimentos?

Já treinei com livros didáticos, você não. E corri de crianças! Se isso não é uma habilidade magnífica, você não sabe de nada inocente.

Mas a vantagem de se ter um bibliotecário com você durante o colapso de toda estrutura histórica do ser humano desde a invenção da roda é que nós somos educadores por natureza, mediadores de informação. Então esse conhecimento todo não ficará comigo e muito menos morrerá no meu cérebro assim que a opção 1 acontecer. Vou fazer o possível pra capacitar todo mundo ao meu redor das idiotices que NÃO DEVEM fazer em um Apocalipse Zumbi. E o que podem fazer de legal.

Perpetuar a espécie é uma opção legal, óbvio sempre com consentimento de ambas as partes. Nada de forçar a barra só porque estamos em um estado anárquico de ausência de civilidade. Não seja babaca, seja consciente de seu papel nesse cenário pitoresco de aniquilação de todas as regras em que você vive socialmente. E sobreviva.

Com um bibliotecário por perto, de preferência.

Pessoas que amam CDD, tou de olho em vocês. Vocês me parecerão suculentas algum dia.

Ps: tem gente nos estaites que compilam livros como esse pra deixar a galera de sobreaviso. E pasmem, a CDC (tipo Controle de Zoonozes) americana dá dicas de como sobreviver a possíveis Apocalipses Zumbi.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Do nada aparece uma bolsista de licenciatura para ser atendida no lab onde estagio. Na blusa a seguinte frase: "Tô te explicando pra ti confundir"


Sim.
Do véi cearense trollador - troll com trovador - que me fez mudar de opinião na segunda fase ao ver o show ao vivo dele.

Tô.

Agradeci a guria aos montes.
Eu havia esquecido que meu grande plano maléfico é virar docente e me vingar de todos.
Oooooops virar docente pra explicar.
E confundir explicando.
Ou explicar confundindo.

É esse trem aí.
Tô.

Tô putiade com um tanto de troço.
Tô revoltz com uma série de absurdos.
Tô duvidando das minhas escolhas.
Tô deixando uma parte de mim ir pro limbo cósmico, because the tranco tá difícil guentar.

Já sei que ano que vem vou ter que desistir de um bocado de coisa, inclusive desse pulso de raiva que mapeia algumas decisões quando o levante é sobre estudantes e formação acadêmica.

Aí eu tô.

É tão bonito ver alguém que cê passou um tempo ou dividiu a sala ou conversas se dar bem e estar bem e sorridente e encontrou o caminho que queria, aquele sentido besta de pertencimento. Está acontecendo isso demais ultimamente. Colegas de turma, trabalho e amigos estão vislumbrando seus caminhos e fazendo o melhor que dá pra se manterem no foco. Às vezes eu tô.

Essa música, essa bendita música me faz ter certeza do é, não do ser. Quanto mais me lembro do que raios aconteceu com a menina Morgan (não mais) do começo de 2013 pra cá, consigo diagnosticar onde exatamente o meu foco tem sido desde então.

E caraca véi, tem sido a melhor sensação do mundo.

Porque as decepções são/fazem parte desse caminho, mas elas me deixam putiade por no máximo dois dias, já o Amor pela Biblio? Esse nunca sai de moda.

Ouvi de alguém muito zeloso que todos nós devemos ter canos de escape para outros prazeres na vida e por mais que eu tente, a profissão me rege a entender um mundo deteriorado por falta de abrirmos os olhos e a vermos nova perspectiva.

Talvez esteja na hora de achar os canos de escape.
(Esse blog já está sendo um faz um bom tempão)

sábado, 9 de setembro de 2017

[bibliotequices] fichas catalográficas da salvação (ou não)

Descobri um jeito de voltar no tempo, exatos vinte anos.

Decido então voltar aquela biblioteca enfurnada de livro didático, escura e cheia de livros que provavelmente nos próximos anos irei ler.

E voltei.
Como é que vou explicar pro meu eu de onze anos como uma biblioteca é organizada, qual é a importância dela pra minha vida futura e de muitos e que Dewey é um piiiiiii?

Simples! O próprio livro que tou lendo!
Vai ser esse aqui do Edgarzinho, porque ler O Gato Preto aos 10 anos de idade deixou um trauma lindo de se cultivar, inclusive a constituição desse ser que vos fala.

O diálogo imaginário de um futuro distante em que máquinas do tempo sejam capazes de realizar tal proeza:

- Hey, eu-de-11-anos, como você procura o que quer ler?
- Eu pego o primeiro livro que tá na prateleira que alcanço com a minha altura.
- E você sabe se é esse livro mesmo que vai gostar de ler?
- Não bocó, preciso ler o trem primeiro, né? (Eu era folgada assim mesmo aos 11)
- Mas como você sabe antes que é esse?
- Pela capa.
- Só isso?
- Eu abro a última página e leio.
- *eu de agora com cara de apavorade*
- Você é uma criança estranha, eu-de-11-anos !
- Valeu, velhaca. Por isso você conseguiu voltar no tempo, li o spoiler maior de A Máquina do Tempo e é por isso que você é assim... Mais estranha que eu.
- Ah, aliás! Você tinha razão ao pensar aquilo uns minutos atrás.
- Que vou gastar mais dinheiro com passagem de ônibus quando começar a trabalhar?
- Ah, isso também. Isso também.

A ideia aqui é convencer o eu-de-11-anos que me pertencia a saber procurar livros de forma mais rápida e fácil para não perder tempo. Como fazer isso sem consultar fucking manual algum?

Ficha catalográfica do livro.

Confiável?
Óbvio que não!
Acessível?
Na maioria das vezes sim.
Compreensível?
Possível. 

Vamos botar essa ideia no rolê da vida real.
O uso da ficha catalográfica era extremamente importante em bibliotecas devido o armazenamento delas em grandes armário de gavetas que a geração dos anos 90 pra baixo pegou para recuperar a informação. Nada de internet, nada de gerenciadores de software, apenas você, o armário de gavetas, a fichinha de papel datilografada conforme a necessidade - costumava ser um armário para assunto, autor e outro pra título.

A organização das bibliotecas também se dava nesse esquema.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

[bibliotequices] as gentes que vão na biblioteca

Vejo uns rolê bem bacana na Biblioteconomia sobre tecnologias inovadoras, coisas awesome conceituais e vislumbres de um futuro próximo de pura magia informativa, mas sabe?
  • Ainda tem gente que vai a biblioteca pra ler jornal procurando emprego sem saber ler uma palavra do que tá escrito.
  • Ainda tem gente que vai a biblioteca pra não ficar na rua pensando em como vai conseguir a próxima dose pra amansar o vício.
  • Ainda tem gente que vai a biblioteca com a esperança que prestem atenção nela e vejam que precisam de ajuda com um digitar de currículo, usar uma rede social, ver a foto da família que tá lá longe, escrever o próprio nome.
  • Ainda tem gente que vai a biblioteca pra escapar da infelicidade do mundo frio, violento e cruel.
  • Ainda tem gente que vai a biblioteca pra tentar ser cidadão, nem que seja o mínimo.


É neles quem tou pensando quando tou estudando.
Pros dados, pras datas, pros bytes e rebites deixo pra galera antenada. Cês tem um futuro brilhante.

Pra essa gente que citei ali em cima, nem tanto.
É uma grande parcela da população que nem vai chegar no terceirão, que passou dificuldades por todas as fases da vida, de aprendizado teve as ruas, a Educação precária, a negligência, o pouco da família desestruturada. É gente que sequer tem ideia do que é uma faculdade, de que podem ter chances de entrar em um curso superior, de que o Ensino de Qualidade é pra todos, tá lá na Constituição.

É neles quem penso todos os dias quando formulo alguma coisa.

E eu gosto das novidades tecnológicas, das ousadias biblioteconomistas, das iniciativas pra frentex de mentes brilhantes da nossa área. Mas a gente tá num local privilegiado, sacas?
Eu ouvia amiguinho de turma dizendo que só ia pra escola pra comer, porque em casa não tinha nada. 10 anos depois ouvi a mesma colocação em meu estágio supervisionado na Letras. No estágio em bibliotecas escolares ouvi a mesma coisa.
20 anos de intervalo entre a descoberta de que alguém muito próximo não tinha os mesmos privilégios que eu. Ainda me apavoro quando ouço essa de "vim pra escola pra comer", porque querendo ou não, ouço o mesmo nas filas do RU. 20 fucking anos e nada mudou. Não nesse requisito.

Aí ouço bambambam dando nos dedo de quem quer seguir pro social, pro humanitário, pro "assistencialismo". Porque elitismo higiênico nesse curso já não basta, tem que rasurar quem a gente serve. Pra quê que a gente serve, afinal? 

É isso que me deixa acordade às vezes quando vem a ideia pra um projeto que provavelmente estará escrito dentro da minha caixa craniana, mas não vou conseguir botar no papel. 

Improviso. Tudo no improviso.

Ainda tem gente que vai a biblioteca, porque momentos antes tava pensando se não seria melhor que não estivesse nem vivo, respirando o mesmo ar que a gente. Tem muita gente assim, acreditem. E a gente que tá atrás do balcão, entre as estantes, coberto e seguro por uma tela de computador, não vê. É neles que tenho vontade de sentar e conversar por horas sem dar a mínima para políticas, procedimentos, gestões ou planejamentos. Eles estão vivos ali por algum motivo, eu realmente espero do fundo do meu coração que a biblioteca, a presença dessa quimera que não conseguimos decifrar, seja uma razão boa para eles ficarem, permanecerem, serem.

Porque não vai ser a primeira e última vez que vou ter que lidar com leitores assim. Não vai ser a primeira nem a última biblioteca sem o mínimo de organização para existir. Não vai ser a primeira nem última vez que não haverá recursos, pouca mão-de-obra qualificada, omissão hierárquica, apatia, submissão.

Ainda tem gente que vai a biblioteca, porque é ali que se encontra como ser humano. 
Sem muita firula. 

É pra essas pessoas que tenho que pensar quando pegar meu canudo, fazer o juramento. E é estúpido, é antiquado, é ingênuo, sem graça, nada rentável, eu sei disso tudo, mas é neles quem penso quando pego um maldito manual acadêmico que só serve para eu interpretar e não quer dizer nada pro meu leitor. Muita coisa teórica a gente pode (E deve) deixar pra trás quando não traz benefício para o cidadão, o Amor não deixa pra trás não. 

Essa bagagem bacana, a empatia, a alteridade, a Ética acima de tudo, não deixa pra trás não.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

essa é a minha vida de cdf since 1986

Apenas para dizer que eu AMO voltar a ter aulas, porque o ambiente universitário é coisa que me relaaaaaaaxa (irmã Selma feelings).

E agitar pompons para professoras que não só admiro como quero tudo de bom nessa vida é muito, muito bom. É a perspectiva de que posso ter diálogo com elas sem firulas que dá esperanças na vida bibliotequera. São esses os exemplos que a gente pode levar pro resto da carreira e criar lacinhos fofuxos de dominação mundial via bibliotecas.

No evento em que fui hoje sobre algo que me fez refletir sobre o que raios faço todos os dias desde 2013 e quero fazer o resto da vida, foi overload de pompons internos, tipo cheerleader mesmo gente, não vou negar.



Quando é pra dar apoio pra quem me inspira todo dia, pode apostar que farei de um jeito esquisito. Ou sei lá, sair no meio da palestra pra abraçar muito a pessoa que me ensinou sobre a importância de uma gestão focada no serumaninho do que em dinheiro. E que foi muito muito muito gentil comigo em tempos difíceis de superação de crises existenciais sobre o curso (já tive duas esses 4 anos, firme e forte nas estantes!).

Aí a minha mestre Jedi senta no fundão e já me enche de orgulho por ela estar ali compartilhando as ideias e que sim, vou poder sentar e conversar sobre trocentos planos para o futuro.

E a pessoinha mais sorridente e awesome que senta ao meu lado e que me dá aula desde começo do ano que não faz ideia do quanto me ajuda a fazer o que mais amo nesse mundo (Biblioteconomia) de um modo em que posso ter certeza que não tou fazendo bobagem, não tou errada por pensar fora da caixa, que querer fazer um mundo mais legalzinho não é ideia de jerico, por me dar uma força (mesmo não sabendo lalalalala) quando me vejo fora dessa universidade, atuando na profissão que escolhi pra mim.
(A única decisão própria acertada na vida, lembram?)

A cerejinha do bolo é receber um abraço de esmagar as juntas e um presentão incrível e do coração da molieeeeer virginiana mais interessante e idealista que conheci - obrigada ACB por isso - me vejo muito nela e também presto bem atenção no que ela faz pra ter uma base de como continuar nessa vida de escriba.

É muito pompom pra quem não consegue conter o fangaling quando precisa. É mazomeno assim:


Apesar de saber que não posso transparecer o quanto fico em um estado de euforia frenético quando vejo tanta gente awesome que me inspira tanto, escrevo essa postagem mesmo assim, porque sério? Desde a Letras aprendi a valorizar meus docentes decentes como eles merecem, só faço em silêncio pra não me chamarem de cdf.
(Tá, pode chamar de teacher's pet também... Nem ligo mais, há coisas na vida que a gente esquece de agradecer por essas pessoas pertencerem a um continuum espaço-tempo mesmo que o nosso e expressar gratidão da forma mais sincera possível vem sendo minha resolução desde que saí da primeira graduação.)

Obrigadão pessoas lindas, vocês sabem quem são. E prometo não causar muito distúrbio ao agitar os pompons!
(Onde será que vende um par desses hein?)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

[bibliotequices] estágiômetro já?!

Rápido! Levanta a mão quem gostaria se um portal de medição de satisfação e relevância de Estágios em Biblioteconomia feito por estudantes e para estudantes? 

Não seria legal ter onde consultar antes de escolher qual empresa é socialmente correta para te acolher? Não seria o máximo no mesmo lugar haver um sistema de reviews com estrelinhas para lugares de estágios? 

Não seria fucking great se esse portal fosse uma forma do CRB/CFB colher dados e estatística pra agir com mais pontualidade em casos extremos de agressão as condições físicas e psicológicas dos graduandos? 

BIBLIO BROTHER IS WATCHING YOU!! 

E as instituições com reviews mais altos recebem reconhecimento e propaganda grátis, aí forçaria (sim, com esse verbo no imperativo) a se adequarem na qualidade de manter um estagiário produtivo, não uma ameba desiludida. 

E aí portal transparência pra todo mundo cuidar da vida profissional de todo mundo. Cada unidade de informação citada procurando sanar os problemas como o padrão Reclame Aqui. 
Instituição sacaneou com estudante dizendo que sua função era x e botaram na y e nas piores condições? 
Unidade de Informação apoiou crescimento profissional e deu suporte em projetos de inovação e desenvolvimento sustentável em que o estudante se engajou? 
O ambiente de trabalho é hostil e prejudicial a saúde? 
É o melhor lugar que um graduando poderia atuar? 
Dá um review fofuxo que todo mundo vê, a Internet é algo livre, chuchus! 

Não seria maravilhoso semear o Caos e a discórdia dessa forma tão democrática e de acesso aberto? 

Oras, se a CAPES tem aquela tabela monstruosa e da humilhação com classificação de melhores e piores periódico cientifico pra se sustentar de estrelinha no currículo lattes, por que não algo assim? 

Muito megalomaníaco? 
Sinistro? 
Altamente qualificado como propagação de desavenças eternas dentro da área e instrumento de opressão contra a hierarquia superior? 
Revolução biblioteconomística virtual? 

Cadê a gasolina, monamu, que tá pequena essa fogueirinha! 
(Ranganathan abençoa que não sei programar ainda, acende uma vela pra espantar esse ser miserável de mim? Não?) 

Edit: *insira risada maquiavélica aqui*
Minha mão escapou, assim de levinho... Começando com indicando os lugares que ofertaram/ofertam vagas, pesquisando agora como incluir os reviews ohohohohohohohoho


Conhece algum lugar que oferta vaga de estágio pra Biblioteconomia na grande Florianópolis?
Envia email para brmorgado@gmail.com ou deixa comentário aqui pra eu incluir ^____^
Logo esse trem funfa do jeito caótico que tava planejando...

domingo, 2 de julho de 2017

eu escrevendo textões

https://brdramallama.tumblr.com/post/161873162996/mewhen-im-all-about-library-information-science


Tradução:
"Eu não sei como ficar  emocionalmente neutra quanto estou escrevendo sobre algo que sou apaixonada. Eu tenho paixão, Winn. Um tanto disso."

Assim como a herdeira de Krypton, me acomete de tempos em tempos essa imparcialidade nos julgamentos quando vou escrever algo que está aparelhado ao conjunto coração/alma. Biblioteconomia vai bem nessa estradinha sem retorno.

Aliás, as postagens estão meio raras esses dias, culpem a volta da dor nas costas e o meu cérebro sendo ocupado por trabalhos acadêmicos (que não vou aproveitar tão cedo em qualquer coisa na vida de estagiárie).

sábado, 24 de junho de 2017

[bibliotequices] teoria e prática drástica

A gente faz uns paralelos na vida para poder ter uma noção do que deve fazer ou não enquanto se atua profissionalmente. Por exemplo: volta e meia questiono o que raios tou aprendendo nas aulas que vá de certa forma contribuir para 3 pilares da minha atuação:
  1. o que tou aprendendo vai ajudar a pessoa que atendo mais rápido, com eficácia e satisfação?
  2. o que tou aprendendo tá facilitando o meu trabalho para o item 1?
  3. o que tou aprendendo é RELEVANTE para aquela situação e não só uma sofisticação besta que será usada 1 vez só e pronto, acabou?
O que pesa mais aí: o que tou aprendendo vou conseguir repassar para outra pessoa - leiga ou não - em um futuro próximo para ela poder aplicar as mesmas teorias na prática?

Porque bibliotecário tem dessas coisas de guardar os pulos dos gatos para si, de não compartilhar informação uns com os outros porque acham que vão puxar o tapete deles (E vão, acreditem), ou sei lá, medo de se tornar obsoleto por inovar em alguma coisa e não ser significativo no final das contas (E acontece). Por isso a gente apela em buscar identidades e funcionalidades em outras áreas, porque a nossa essencialmente não é para se tornar especializada NELA MESMA (Parnasianismo Biblioteconomístico?), mas sim o integrar sempre as áreas em que estamos nos dispondo a trabalhar, atuar e auxiliar.

Então quando saio de um semestre que aprendi cerca de 5 ou 6 ferramentas vindas de áreas diferentes da minha (Administração principalmente), não estou negando a minha fidelidade aos preceitos de Ranganathan (Até porque o patrono da Biblio era matemático), estou aplicando um conhecimento fora da minha esfera para solucionar um problema da minha alçada. Não há vergonha nisso.

O trem começa a ficar confuso quando a gente se esquece do porquê tá fazendo aquilo. O motivo, o objetivo, o que se espera alcançar. vejo muito essas ferramentas serem aplicadas para processos de alguma coisa, e não para "no final é pra ajudar todo mundo e conseguir paz mundial". Aí que começa o parnasianismo biblioteconomístico, uma coisa que ~ahem~ certo outro curso¹ que sempre se infiltra em nossa área gosta de fazer ad nauseam.

Por isso não entendo o que raios eles fazem da vida.
Por isso pergunto sempre o que eles querem no nosso curso, porque não tá explícito.

É pra ganhar dinheiro?
É pra render mais capitalmente?
É para produzir mais e ter estrelinha bunitinha de órgãos de regulamentação científica?
É para ajudar em processos intrínsecos de nossa profissão, mas ao mesmo tempo fazendo ponte com teorias de outros cursos/áreas para melhorias dos meus processos?
Tudo bem, gente, não precisa ser a paz mundial, a democracia do conhecimento científico ou a vontade de mudar o mundo, pode ser dinheiro mesmo, pode ser status, pode ser o que vocês quiserem, só preciso entender o que raios fazem para ficarem num looping eterno no processo e não resolverem nada.

Debaixo do link, mais considerações.

[bibliotequices] óticas sobre ética profissional

As aulas de História levantam alguns momentos épicos de verificar a estabilidade ética d@s graduand@s desse curso tão aclamado. Já avisando que são deliberações sem qualquer objetivo de estabelecer opiniões e todo o jazz de discurso já feito. Essa postagem é feita justamente para levantar questionamentos, favorecer reflexões, essas coisa chata de gente que filosofa.

Afinal de contas, onde vamos buscar os ditames éticos de nossa profissão? Temos nosso Código lá do CFB - entidade maior de representação de nossa categoria - com as seguintes palavras.

SEÇÃO II – DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia compreendem, além do exercício de suas atividades:
e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país 
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a coletividade
SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
Nota para essa citação: Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Para o Ensino de Ética nos cursos de Biblioteconomia, temos:
 - Considerando que a educação do bibliotecário deve ter como uma de suas finalidades o colocar-se a serviço da sociedade;
 - Considerando que é responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia a formação de profissionais conscientes de responsabilidades para com a comunidade;
 - Considerando, ainda, que só assim os estudantes de Biblioteconomia poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à profissão a que se dedicarão;
Nota para ambas as citações acima: negrito são grifos meus pra gente não perder o fio da meada.
Aí quando falamos de pessoas em situação de risco como os sem-teto ou situação de rua, como o eufemismo gosta de quantificar nas pesquisas, temos essas nuances passando entre moralidade, valores pessoais e ética profissional.

Quando você apela para uma dessas na tríade, vai haver consequências a se responsabilizar e arcar. O Código Ético da profissão diz isso aí, cumprir é imprescindível de acordo com a Lei e da teórica ufanista romântica noção de que se respeitando as leis, o mundo se torna lindo e maravilhoso. Então se eu colocar o Código de Ética ACIMA de qualquer outra instância que codifica e formaliza a minha vida particular e sim a minha vida pública e profissional, haverá treta.

E NÃO TEM COMO FUGIR!
Então você, bibliotecári@, estagiári@ em uma unidade de informação, que se depara com pessoas em situação de rua e vai fazer o seu trabalho conforme seus preceitos morais ou valores pessoais, automaticamente estará saindo do Código Ético Profissional, lei promulgada por uma categoria em que você pertence, outorgada por autoridades da sua área, logo o que isso cheira?

Subversivo né?
Infringindo lei é?
Marginal?
Desrespeitando todo um conjunto de leis explícitas que todo mundo tem acesso e pode julgar como irregular passível de punição profissional e por que não criminal?

Então voltando a pessoa em situação de rua que frequenta a unidade de informação em que você atua. Ela está ali, ela existe, ela cheira diferente do que você está acostumado em sua posição de privilégio e normatividade, ela se comporta de forma fora do seu entendimento discursivo, ela utiliza aquele espaço pretenciosamente democrático para ações que estão fora da sua ideia de percepção em uma biblioteca (tipo realizar higiene pessoal no banheiro da biblioteca, porque guess what? Ela não tem onde tomar banho, lavar o rosto, ficar água potável - usa drogas naquele espaço íntimo e privativo por X razões que NÃO ESTÃO na sua alçada de compreensão da psique humana e vivência na realidade em que você habita), o mundo lindo e maravilhoso da ética profissional rui em um segundo.

O que fazer? Opções mais óbvias?
  1. chama a Polícia
  2. chama a segurança da instituição (que com certeza vai pro item 1)
  3. se apavora e deixa seja lá que o cara tá fazendo e reza pra todos os santos/deuses pra ele não voltar mais
  4. chama a Polícia
  5. respira fundo e vai encarar a pessoa e saber o que raios ela tá fazendo ali
  6. entende que sua função como bibliotecário não é pra ser babá de morador de rua
  7. já disse sobre chamar a Polícia?
  8. revê seu papel no mundo naquela situação, calça (???) as calças da alteridade e vai ajudar o camarada a entender que há lugares e lugares. Tomar banho no lavabo do banheiro de uma Biblioteca ou usar drogas ali não é adequado. dar essa informação, por mais idiota e óbvia que seja pode causar alguma aproximação ou hostilidade.

A treta vai sendo ampliada com as definições mais generalizadas sobre essas 3 coisinhas ali que vou citar daqui a pouco - isso dá uma briga ferrada no campo das Ciências que você não faz ideia. As reações da lista acima são possíveis em cenários diversos, mas o que pega é o embate entre:
  1. valores pessoais (essa porcariada toda de bagagem que você construiu durante sua vida como caráter e personalidade)
  2. preceitos morais (outro bagulho entulhado na sua mente, corpo e coração que a sociedade e cultura em que você está inserido enfiou por goela abaixo)
  3. ética (o conjunto de 1 e 2, MAIS a ruminação do que é o mais acertado a se fazer na hora)

E acertado é garantir que o indivíduo citado esteja resguardado de seus direitos de cidadão AND amparado por um Código de Ética Profissional que fucking assegura os direitos dele e os seus de agir conforme uma normativa blá-blá-blá chancelada pelas autoridades e blá-blá-blá.

Essa violação de conduta profissional por não entendermos onde 1 e 2 estão sendo usados ACIMA de 3, já que por teoria 3 deveria ser a prioridade. 3 é a regra geral, 3 por mais falha e nonsense que possa parecer em situações como essas descritas ali em cima (do sujeito fazendo coisa que não deve em lugares que não correspondem aquele tipo de comportamento), prevalece. Por quê?

Porque ter um Código Ético Profissional é um norte de qualquer  dúvida que você tenha sobre sua atuação profissional. Ética, nesse caso, traz a noção de interpretação e reconhecimento que você, como bibliotecário ou estagiário ESTÁ ENQUADRADO a assumir que vai se comprometer a obedecer o que o Código diz. A pessoa em situação de rua fumando crack no banheiro ou outro lugar da biblioteca está ali por uma razão, uma razão que não está sob seu controle ou ter o poder transformador de fazer um milagre.

Esse não é o ponto.
Você não vai salvar a vida do camarada, não é essa a intenção, não é a garantia que o Código dá para você atuar sobre o problema. É como você vai usar esse problema para conscientizar a pessoa que ali, naquela biblioteca, tem opções de uso de seus serviços para ficar informada que o que ela tá fazendo não condiz com a função real de uma biblioteca.

Você tem opções de como fazer isso de forma adequada ou de não.
Chamar a Polícia ou qualquer outro órgão com essência repreensiva não será a solução mais legal do mundo, acredite. Ter o telefone de um albergue de passagem, órgãos de defesa aos direitos de pessoas em risco (CRAS, CREA, SEMAS do seu município) é uma opção ambígua - pois não há garantia se o milagre pro camarada vai acontecer assim lindo e maravilhoso como a gente quer.

A opção que o Código nos dá é respeitar e informar. E apenas isso. Fazer com sensibilidade ou não vai dos preceitos morais e valores pessoais de cada um. Ou não. Posso ser uma babaca há 200 metros fora do meu local de trabalho, mas continuar o meu trabalho eticamente perfeito de acordo com uma legislação que me prediz a fazer isso.

Exemplo pessoal: o meu valor pessoal é questionar até o cansaço qualquer pessoa que vier falar de religião no balcão. Essa é a minha ótica de encarar o assunto religião. Cristão, budista, umbandista, wiccan, maçom, eu vou questionar, está intrínseco a minha pessoa, a curiosidade e a petulância de querer fazer a pessoa pensar duas vezes antes de querer dar lição de moral através do uso do discurso religioso me é tentador, querer saber mais sobre essas opiniões tão diferentes da minha também terrivelmente tentador. Mas essa curiosidade mórbida pode não ser uma boa coisa para o sucesso de atendimento com acesso a informação imparcial e condizer com meu dever como bibliotecári@ ou estagiári@ ali naquele momento.

Meu preceito moral é respeitar qualquer um que professe sua crença no balcão ao querer pesquisar sobre algo nesse assunto. Isso não só está no meu valor pessoal, mas também de visão da religião como o religare, a conexão de pessoas e um sentido plausível e aceitável pra pessoa viver em harmonia com o universo. Mesmo que você acredite que um alien chamado Xenu forçou milhares de almas a serem jogados em um vulcão e essas "almas" foram transmigradas para corpos dos primeiros ancestrais dos homo sapiens¹.

Minha ética profissional é esquecer as duas coisas ali e dar informações pra pessoa sem distinguir sexo, gênero, religião, cor da pele, se ele é fã de gatos ou cachorros ou se ele é capelão militar questionando severamente o porquê haver só 2 bíblias na unidade de informação. A Ética Profissional que eu JUREI ao pegar aquele canudo roxo simbólico de tudo que estudei e prometi em proteger, preservar e tudo mais, isso eu DEVO cumprir. Lembram do Juramento da Profissão?

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana"

E serei bem honesta: a 200 metros da biblioteca eu sou e estou na minha visão de mundo dos 2 itens de valores pessoais e preceitos morais. E a minha ética no reinterpretar esses dois itens em outro espaço de convivência é outra. Dentro da biblioteca, essa instituição fluída e subjetiva, não construto cheio de estantes e livros, sou eticamente responsável por um tipo de reação/ação sobre situações como essa. Lá fora, na rua, em minha casa, entre amigos, dançando ula-ula dentro do busão 221 de Canas, a ética muda. A forma de se enxergar a Ética Profissional muda.
Eu encheria o capelão de perguntas ou ficaria em silêncio?
(Militar, com carteirada do Exército, porte intimidador e já largando que não viu Bíblias suficientes na biblioteca? Óbvio que seria silêncio, isso se chama autopreservação, algo que a Ética Profissional não vai conseguir ter condições de me dar instruções sobre o que fazer quando sinto que estou sendo repreendide por algo que está fora do meu alcance)

Diferenciar o público do privado. Estabelecer limites, linhas imaginárias, por mais aproximadas que estejam, traçar fronteiras do quem eu sou e o que estou fazendo.

Aí chega numa parte do artigo sobre Ética na Wikipedia e essa passagem quebra os raio da bicicreta:
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos.
Será que tou conseguindo ser coerente no que estou escrevendo?

Se a Ética Profissional é a lei maior em uma categoria profissional, por que ainda insistimos a ir primeiro pelos valores pessoais e preceitos morais?

Será que o Código de Ética está mesmo abraçando todo entendimento de Humanidade que devo conservar ao atuar como bibliotecário em situações como essas?

Vou mais além, será que a atuação profissional deve ser pautada em valores pessoais (e a linha tênue entre confundir cada item com outro é tão perigosa, gente) e preceitos morais para DEPOIS haver uma construção coletiva sobre a Ética Profissional do bibliotecário?

Será que a gente risca isso tudo é só obedece o Código de Ética?

Não risca nada e continua a atuar conforme a própria consciência?
(Ou essa noção ilusiva do que é a própria consciência)

Para mais informações, pelamoooooor parem de ser passivones da vida e leiam:
RESOLUÇÃO No 153, DE 06 DE MARÇO DE 1976 - Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária

~Le Legislação Básica de nosso trabalho - Conselho Federal de Biblioteconomia.

~Le juramento da Profissão - RESOLUÇÃO Nº 6, DE 13 DE JULHO DE 1966

RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002 - Dispõe sobre Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

[bibliotequices] ainda não entendi!

7 semestres.
3 anos e meio.
2 crises existenciais.
1 crise de querer mudar de curso.
E até agora não descobri o que fazem os engenheiros da produção, gente.


Ainda não saquei o que eles querem da vida.
Ainda não entendi o que eles acham que tem que se enfiar na Biblioteconomia.

Ainda não compreendi que quando se metem é para fins nada felizes dentro do curso.
Ainda tou ruminando o porquê deles não terem achado algum outro lugar melhor (Sei lá, curso que dá dinheiro e prestígio, sabe?) para se alocarem.

A única coisa que encontrei de informação relevante é que eles são igualmente evitados nas outras engenharias. O que não ajuda em nada na melhoria da percepção desses incautos transeuntes da Biblio.

Botando Moz pra ilustrar, porque a situação pede

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[bibliotequices] sobre burnouts


Here I go, here I go...

Mente vazia, oficina da queridona Lady Ansiedade, do meu coração <3
Como mãe de todos os pavores, fico no aguardo pelo próximo momento lindo de dorzinha localizada. Os neurônios estão trabalhando em outras áreas pelo jeito. O legal de ter uma mente hiperativa é que mesmo quando tou lesada pela dor, vai vir coisa, sei lá, alguma coisa, tipo ontem foi ideia rápida e improvisada na apresentação do trabalho, até que deu certo - no susto, mas deu. O ruim de ter mente hiperativa enquanto se está com dor é que não dá pra executar as coisas que quer fazer. 

É um belo círculo vicioso dos Inferos pra enfrentar. E a Ira costuma vir junto.

A dor nas costas anda me fazendo relevar muitas questões na vida de escriba, até o ato de escrever já está se tornando um exercício difícil - a escrita entra como solução paliativa, um band-aid para uma fratura exposta, um "Calma, vai melhorar" - já que não posso ficar muito tempo sob meus quadris. Hips don't lie, o meu pelo jeito deve estar com uma ficha criminal bem extensa ou é fã do Pinóquio.

E aí escrevi um post angst ontem voltando no busão - porque a menininha mágica da Clamp caótica no meu sistema nervoso me lembrou assim que senti aquela fisgadinha delicinha no ciático - mas fui deletando as coisas mais blergh e coloquei piadinhas toscas e humor dos anos 90.

E uma história bem legal que ouvi/presenciei durante o estágio há uns 2 anos atrás.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

[bibliotequices] essa tal representação de categoria

Vamos lá falar de representação de classe/categoria, amorzinhos? 
Vamos, porque em tempos como agora tá precisando.

Taxas de anuidade de registro profissional (sendo cobradas em parcela única) com suas variações:
(Usa o Google e digita taxa anuidade *insira sigla do conselho regional aqui* - faz bem pra sua vida biblioteconomística)

OAB (Advogados e lalala): R$ 963,90
CFM (Médicos): R$ 712,00
CREA (Engenheiros e lalalala): R$ 639,33
CRF (Farmacêuticos): R$ 512,81
CRECI (Corretores de Imóveis): R$ 591,00
CRP (Psicólogos): R$ 479,14
CORECON (Economistas): R$ 464,00
CRB - (Esse é o NOSSO!!): R$ 425,96 
CRA (Administradores): R$ 401,00
COREN (Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares e Obstetrizes): Varia entre R$ 173,50 e R$ 300,13

* Até onde eu sei, professor/docente não tem Conselho Regional, pagar o Sindicato é o que vale, é isso produção? 

E eu poderia ficar a noite toda aqui listando as anuidades, maaaas decidi colocar essas pra gente comparar com o que algum dia pagaremos (Do tipo: "nossa como o tempo passa rápido, amanhã me formo, como assim?!"). Percebam que os listados são todos profissionais que a CLT chama de "liberais", gente como a gente. Sabe, os de cunho humanístico e talz? Bem isso.

Aí existe um órgão que cuida dos profissionais liberais (OMG não diga?!), o CNPL que abrange sindicatos, e outras entidades de representação de categoria. A FEBAB não tá, não há Sindicato de Bibliotecários em Santa Catarina, muito menos uma entidade intersindical para dar conta das demandas (Urgentes, btw, tem uma lei pra ser cumprida em menos de 3 anos, sabe?).

Então antes de ficar de mimimi que entidade de base só sabe levar teu dinheiro embora, não faz nada por você e lalala, notícias lindas e super atualizadas: quando você tiver pagando sua anuidade de registro profissional em qualquer lugar que seja, não é pra dar dinheiro pro bolso de alguém, é pra uma galera toda garantir que seus direitos vão ser respeitados - e sim, quiriduns, vocês tem TOOOOODO direito de cobrar esses direitos de quem deveria garantir seus direitos.

Aí tem uns panaquinhas dizendo que tem que acabar com essa de pagar sindicato. 
Ok. 
Vai lá falar com teu chefe que a poeira do acervo no arquivo onde você trabalha fez você contrair uma doença respiratória, pois não te ofereceram nenhum tipo de EPI, nem treinamento. Ou negociar com a chefia a contratação de estagiários, porque você não aguenta mais fazer além e muito mais das 6/8 horas de serviço, porque bem, a biblioteca tem que ficar aberta o dia todo, né? 
Oferta e demanda. 
Tenta então discutir com a prefeitura municipal de sua cidade que receber 2 salários mínimos com condições de trabalho que beiram ao impossível não é uma opção viável para trabalhar com dignidade.

Vai lá, fera! A Força está com você! #SqN

Bibliotecário sofre disso todo fucking dia ou pior, porque não tem ou não sabe querer/ter representação. E não venham dizer que "não gosta de política", amigolhes, cês tão na Biblioteconomia: tudo aqui é política, querendo você ou não.

Por que a gente precisa de representação de classe?
Pra fazer valer as leis que nos garantem dignidade em trabalhar
Por que a gente precisa disso?
Pra ninguém pisar mais na gente como faziam antes e continuam cismando de fazer mesmo com as regulamentações aí afora.
Por que a gente tem que fazer VALER as leis?
Porque ninguém vai fazer isso pela gente e começa nas entidades de base, é lá que vocês precisam atuar e se inteirarem mais das discussões trabalhistas da profissão que escolheram.

(Será por que OAB e CFM como as anuidades mais caras?! Coincidentemente quando esses caras param, o país para junto, né?)

Mais coerência nas ações do que beleza nos discursos, sim?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

sem reação


Pela primeira vez na estória de amor com a graduação na Biblioteconomia fiquei sem ação para falar bem do curso. 

Não era falta de empolgação. 
Eu amo esse curso, tanto, mas tanto que protejo o bendito com unhas, dentes e chutes baixos.
Mas não dá. 

Quando alguém pergunta como é o curso pra mim agora, vou falar a minha impressão total sem censura e cortes de classificação indicativa. A tendência não é piorar, é virar outra coisa. E nomenclaturas são um perigo, gente. Porque nomenclaturas categorizam e taxam e inibem e forçam padrões.

Quero ser otimista e pensar que daqui alguns anos haverá um corpo docente unificado e disposto a trazer mais humanidade pra quem sai daqui, mas não creio que vá acontecer tão cedo. 

Por isso tou pulando fora do barco na pós. 
(Se o mundo não acabar antes, se eu não jubilar, se não haver um apocalipse zumbi, se, se, se vários ses...)
Por mais que seja incrível contribuir com a comunidade em que te proveu experiência em uma graduação que era meu sonho concretizado, não suporto mais ver/interagir com certas situações desnecessárias. Pessoas desnecessárias. Picuinhas desnecessárias. 

Produtivismo e pouca humanidade. Isso tá rasgando um corte de lâmina cega na minha paciência e no meu ego (e não mexe com essas duas coisas que virginiane NÃO sabe lidar com essas coisas sem surtar ou cometer algum crime capital). É sem reação que consigo responder alguma coisa para a pessoa que quer retornar ao mundo biblioteconomístico. É sem reação que fico, segurando aquele bolo debaixo do diafragma, pressionando o baço, pronto pra expelir bile amarela e dar a real: se for pra ficar com traseiro sentado no funcionalismo público e não contribuir em nada pra sociedade, vai pra outro curso. 

Aí percebo o quanto meu level de comprometimento com a profissão chegou ao ponto alto, porque essa porra tá me dando uma visão unilateral do todo. Mesmo eu sendo a criatura dos relativismos, dos talvezes, dos "cada história tem 3 lados". E já vi o que acontece com as pessoas que chegam nesse estágio de pensamento unilateral. A gente fucking cansa. 

Sinceramente cansei quando não vi mais aplicabilidade da teoria da aula nos lugares onde estagiei. Atuar no Museu foi o estopim, estar em um ambiente interdisciplinar mostra o quanto não valemos muita coisa, não quando a vontade de querer ser alguém que contribui beneficamente pra área de conhecimento em que quero habitar está deixando claro que pessoas como eu não deveriam estar ali. 

Produtivismo e androides. 
Quem produz mais. 
Quem tem mais estrelinhas. 
Quem é mais citado. 
Quem traz dinheiro pro lugar. 
Quem é a autoridade. 
Quem sobe na cadeia alimentar dos glutões pelo poder frustrado. 

Não sou obrigade a aguentar esse discurso por muito tempo, não quero ficar amarrade em uma pós graduação que me cobra pra ser eficiente com metas institucionais e não enxergar que ali do lado tem uma biblioteca comunitária precisando de alguém para viabilizar cidadania. Não sou obrigade a compactuar com esse ideal mercantilista de validação acadêmica. Não foi pra isso que assinei a papelada de retorno de graduado. Não foi pra isso. 

Espero que a pessoa saiba por fontes mais fofuxas e agradáveis sobre o quanto o curso pode contribuir pra vida das pessoas, qualquer pessoa, espero mesmo, mas tou pedindo pra Dewey, Rangs e Otlet pra não me perguntarem o que acho do curso de Biblioteconomia da universidade que não irei citar o nome por questões de puro sarcasmo intencional. 

A resposta não vai ser bonita. 

E Rangs abençoe pra eu não virar essa veia coroca de coque na cabeça, dedo em riste na frente dos lábios e pedindo "xiiiiiiiiiiu!".

terça-feira, 16 de maio de 2017

[bibliotequices] onde perdemos o diálogo?

Há uma década atrás na universidade dos Stormtroopers eu escrevia emails pra professores sem ter medo de ser informal, porque convivia com essas pessoas todos os dias, nos corredores, na Coordenação, na lanchonete minúscula do campus, e tudo e tal.

Tem um email de 2006 para um docente super bacana em que me explico o porquê de ter entregue o trabalho atrasado, de uma forma totalmente nada a ver, nonsense e nada convencional (Quem me conhece, sabe que quando tou empolgade, vou acabar fazendo alguma coisa que não é determinada pelo acordo tácito padrão, tipo: falar gírias, usar minerês, fazer piada interna, referência ao mundo nerd). A resposta foi na mesma intensidade de nerdice (E sim, deu pra entregar o trabalho, era latim, a vida não era legal com latim naquela época!)

E gif de péssima qualidade sim!! Porque a dancinha é clássica!

Me pergunto onde a gente perde essa sensibilidade e aproximação com quem nos dá aula todos os dias, se é por não conseguir quebrar aquela barreira invisível de um tá cá, outro tá lá, se é protocolo de Universidade Pública não deixar esse diálogo acontecer.

Talvez seja até da própria cultura acadêmica UFXQuiniana de haver uma placa de NÃO para conversar direito com os professores sem se sentir estranho. Ou intimidado. Ou violando algum código super secreto de convivência. Até o docente dizer abertamente que está de boas para dialogar.

Talvez pelo fato da Universidade dos Stormtroopers ser tradicional, particular e uber-conservadora (Olá, tou fazendo referência ao Império Intergaláctico aqui o tempo todo!) o diálogo acontecia por questões de cordialidade e por mais tempo dos professores no campus.

Talvez fosse numa cidadezinha brejeira no findemundéco de Minas Gerais, sem conexão de banda larga ainda. A tecnologia influencia nessas coisas! Vide o email citado ali em cima, totalmente informal, sem firulas acadêmicas. Hoje temos tecnologia na ponta dos dedos, mas sensibilidade e empatia? Muito difícil!

Talvez eu tenha ganhado um pouco de noção (???) e colocado o murinho invisível, é difícil dizer, mas é nítido ver como faz diferença quando o diálogo é aberto e honesto entre discentes e docentes.

Heeeeeeeeeey conversem mais discentes e docentes, ops ops ops!!

Porque aí a gente conhece o camarada, sabe? Entende o que raios ele tá fazendo ali e as motivações dele pra trabalhar, porque hey! Talvez algum dia eu queira também estar naquele ambiente, ensinando outras pessoas. O clima na Universidade - que não citarei o nome por medo de um Lorde Sith brotar do chão e me cauterizar com uma sabre de luz - era mais de parceria acadêmica (Tá, tinha gente que arrancava nosso couro, não vou omitir), até nos piores casos (Tipo aquela mudança linda de currículo em 2006, né?). Tinha picuinha, mas tinha diálogo, não backlash e desavença, silêncio e passividade. E isso fazia uma diferença danada na nossa forma de tratar o curso, de se identificar com o curso, amar o bendito curso.

Isso me chamou atenção, porque a gente passa 4 anos (Ou mais) no mesmo lugar, frequentando a mesma rotina e não sabe absolutamente nada da pessoa que tem a paciência de te dar aula, ou que vai dar aula algum dia.

É tensinho.