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terça-feira, 10 de outubro de 2017

[bibliotequices] a relevância de bibliotecári@s em cenários pós-apocalípticos

No episódio inaugural do melhor seriado de todo universo - and com um dos bibliotecários mais incríveis da ficção - o seguinte diálogo aconteceu:




Começando com essa frase e pedindo pelamoooooor pra quem lê esse blog a NÃO DAR corda pros meus headcanons de cenários pós-apocalípticos - sério gente, sou nerd da ficção científica desde os 10 anos, tive 21 anos pra matutar tantos cenários de realidades que tenho vergonha de escrever sobre - mas esse tratado a seguir será aquele momento de vergonha alheia que qualquer bibliotequero vai dar um facepalm por não ter sacado ainda.

O que um headcanon??
Na linguagem marginalizada dos fãs nerds ou como se autointitulam fandom, o headcanon é uma pequena narrativa de uma possibilidade que nunca vai acontecer para se tornar canon (canônico, não a máquina fotográfica) por diversas razões, sejam elas de nível social (desvio da norma padrão patriarcal, heteronormativa, capitalista, neoliberal), seja de impossibilidade racional/física (paradoxos de viagens no tempo, catástrofes muito horrendas, Apocalipse Zumbi?!).

É tipo quando aquela pegadinha do copo meio cheio ou meio vazio? Com as interpretações de otimismo, realismo, fatalismo, achismo, fetichismo (o do Karli Marquis, gente), pessimismo, nihilismo miguxo.

O questionamento foi mazomeno o seguinte: o que aconteceria com a gente, profissional bibliotecário se uma guerra mundial tão devastadora acabasse com as formas de comunicação tecnológica que conhecemos?

Incluímos aí:
  • Fim da Internet e grandes databases do mundo.
  • Fim de energia elétrica como conhecemos em produzi-la.
  • Fim de qualquer tecnologia que se baseie ou sustente por essas duas premissas.
Como sou a pessoa no canto da biblioteca, literalmente sapateando pro assunto distopia pós-apocalíptica aparecer no rolê (mas mantenho isso pra mim, pois hey! Não é todo mundo que se sente a vontade em discutir planos estratégicos de sobrevivência em mundos devastados por hecatombes ou é chegado em discussões sobre as relações de poder na comunidade BDSM - whoa falei isso muito alto?!) lá vai o headcanon.

Para esse cenário aqui acima tenho duas variantes de headcanons:

1) desde a invenção do livro em formato que conhecemos, existia uma época chamada Era Medieval que sim, não tinha luz elétrica, vaso sanitário, sistema de esgotos que prestasse, fecho-éclair e Internet. E um tanto de coisa que parece banal pra gente agora. E os bibliotecários se viraram bem com os esqueminhas de printar em prensas de Gutemberg os famosos catálogos que assustavam nossa quiançada ao entrar em bibliotecas.

Aquela fofura das fichas catalográficas? Voltariam pra rodinha e você, tão concentrado em saber qual gerenciador de acervo é melhor que o outro sobraria como jiló na jantinha. Aprender a catalogar, classificar, indexar seria TUDO NO MUQUE, SEU FOLGADO!!

Boas notícias: há pessoas vivas que SABEM e DOMINAM muito bem essa técnica de organização de informação. Diquinha da Tia Elza da Referência? Converse mais com seus professores e/ou bibliotecários que tenham feito Biblioteconomia antes dos anos 90. A gente aprende mais com eles do que com qualquer um, viu?

Lado bom: esse headcanon era canon até metade do século 19 aqui no Brasil, voltaríamos a uma época em que já vivemos e nascemos como profissão, lições de lá já tiramos e talvez, por que não, parar de ser um bando de frangotes com medo de se arriscar pelo bem comum da sociedade...? Nâo precisa de luz elétrica pra fazer uma biblioteca ser viva :) Plus, aprender a esgrima e portar arco e flecha são sonhos de criança que não consegui realizar. Freud explica. Oh oh bardos!!

Lado ruim: não faríamos tanto ativismo ou reclamar da desvalorização do bibliotecário via Facebook. E Era Medieval não era muito legal, sabe? Não gostaria de ser obrigade a escrever num tomo enorme essas bibliotequices sem poder compartilhar. Ah! E banho frio. Brrrrrrrrrr!!!
Nada mais de informação para todos, esquece disso Josebelde... Informação local e onde as canelas alcançassem.

Mas vamos piorar a situação? Porque ser fatalista me traz mais benefícios em encarar a realidade vigente do que tentar ser otimista...



2) Que tal o headcanon de APOCALIPSE ZUMBI?!
Sim, sem luz, sem Internet, o mundo devastado por uma praga incontrolável de zumbis frenéticos personificações de nossos piores pesadelos de perda de autonomia, criatividade e privacidade como indivíduo? Sim, esse mesmo, meu headcanon favorito! E o mais absurdo também.
(Já escrevi sobre o assunto favorito aqui nesses links [x] [x] [x] [x], tem esse artigo bacana aqui [x])

Então, here is the thing: Se essa possibilidade acontecer há duas opções pra mim como projeto besta de bibliotecário:

1) a mais provável na estatística básica de Apocalipses envolvendo a quase extinção da humanidade - Eu acabaria como um zumbi especializado em fazer emboscadas pra comer (literalmente, zumbis são canibais, lembram?) profissionais, cientistas da Informação e pessoas que não concordam que a CDU é genial. Por algum resquício de memória de um passado recente, teria um prazer enorme em fagocitar certas pessoas. E a lista seria enorme, sério.
(Isso Freud não explica, porque tratar de canibalismo ou antropofagia não era a praia dele, né?)

Então não poderia fazer absolutamente nada a não ser importunar vocês, amigolhes de profissão até alguém finalmente botar fim a minha existência grotesca.

Diquinha pro futuro que não vai acontecer: nada de desperdiçar munição comigo, faça uma armadilha com alguém da Biblioteconomia dizendo as leis de Ranganathan e golpe na cabeça já resolve. Iscas com edições de livros didáticos parcialmente destruídos também me atrairiam como mariposa na luz.

2) a opção menos provável seria a de sobreviver, viver com uma PTSD f*****, MAAAAAAAAS sendo bibliotecári@. Tá aí o destino mais macabro possível para pensar. Então com certeza eu seria a tia da referência mesmo, grumpy as fuck e provavelmente não tendo dó alguma em queimar livros imprestáveis pra aquecer lareiras e cozinhas improvisadas.
(Shakespeare vai primeiroooooooo!!)

Tá vendo a 300 e a 500 até 610 da CDU? Pode pegar tudo e botar fogo. E a estante deixa pra botarmos pra segurar as portas da biblioteca e servir de barricada. É óbvio que os zumbis vão nos encontrar cedo ou tarde.

Vou fazer estudo de usuários com tanta vontade que vou querer saber que tipo de pesadelo você tem durante as horas de cochilo. É provável que eu sirva de psicóloga, mais acertado eu dar a real e pedir pra você aceitar logo que o futuro da humanidade está perdido, você não serve pra nada nesse mundo e que é melhor pensarmos em formas de NÃO nos matarmos antes de sermos mortos pelos mortos-vivos. Serei uma pessoa amarga e contraditória, mas você, sobrevivente de Apocalipse Zumbi, vai precisar muito de minhas habilidades de investigação e memória ótima pra informações inúteis como jamais coma cogumelos dessa lista aqui, jamais beba água do mar sem antes filtrar e o mais importante: você pode viver sem água e comida por um bom tempo, mas ficar sem dormir por mais de 72 horas é sua sentença de morte.

Por isso as bibliotecas serão refúgios perfeitos para sobreviventes de Apocalipse Zumbi. Tem material pra barricada de montão, a estrutura de paredes firmes, portas mais reforçadas e janelas com grade (mania idiota de brasileiro achar que pessoas roubam livros) e todo o conhecimento do mundo ou parte dele ali.


E bibliotecários podem ser chatonildos pra cacete, mas somos necessários no seu grupo. Mais ainda que aquele mané ali que tem mira certeira e sangue frio. O mané não sabe o poder de estrago que um volume da Barsa pode causar na cabeça de um morto-vivo. Ou corte de papel A4!! E por favor, o que é um babaca segurando um machado ou cabo de ferro perto da minha habilidade de dar olé em corpos putrefatos cambaleando em minha direção com uma quantidade absurda de mantimentos?

Já treinei com livros didáticos, você não. E corri de crianças! Se isso não é uma habilidade magnífica, você não sabe de nada inocente.

Mas a vantagem de se ter um bibliotecário com você durante o colapso de toda estrutura histórica do ser humano desde a invenção da roda é que nós somos educadores por natureza, mediadores de informação. Então esse conhecimento todo não ficará comigo e muito menos morrerá no meu cérebro assim que a opção 1 acontecer. Vou fazer o possível pra capacitar todo mundo ao meu redor das idiotices que NÃO DEVEM fazer em um Apocalipse Zumbi. E o que podem fazer de legal.

Perpetuar a espécie é uma opção legal, óbvio sempre com consentimento de ambas as partes. Nada de forçar a barra só porque estamos em um estado anárquico de ausência de civilidade. Não seja babaca, seja consciente de seu papel nesse cenário pitoresco de aniquilação de todas as regras em que você vive socialmente. E sobreviva.

Com um bibliotecário por perto, de preferência.

Pessoas que amam CDD, tou de olho em vocês. Vocês me parecerão suculentas algum dia.

Ps: tem gente nos estaites que compilam livros como esse pra deixar a galera de sobreaviso. E pasmem, a CDC (tipo Controle de Zoonozes) americana dá dicas de como sobreviver a possíveis Apocalipses Zumbi.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Estratégias para o Dia Z – Pernas, pra quê te quero!


[esse artigo foi originalmente postado no site walkingdeadbr.com com o título Estratégias para o Dia Z - Pernas, pra quê te quero, 18 de fevereiro de 2012 - texto integral]
Como vai os walkers dessa noite? Tudo na medida do possível? Tudo certo em suas vidas rotineiras? E o que acontece se o Apocalipse Zumbi decidiu vir mais cedo e te acertou em cheio? Como proceder? O que providenciar? Entrar em pânico e correr como louco pelas ruas? Trancar-se em casa e manter sua família a salvo do potencial ataque de zumbis? Se entregar as legiões famintas seria menos doloroso que sobreviver em um mundo anárquico e dominado pelos mortos-vivos?
A nova coluna Manual de Sobrevivência WDBR vai para você, amigo, que já traça seus planos de estratégia, fuga, sobrevivência e reconstrução quando o Apocalipse Zumbi chegar batendo na sua porta – bem, não necessariamente batendo, mas com certeza vai fazer um barulho danado, além de grunhidos característicos.
Os textos da coluna irão tratar de algumas idéias, impressões e soluções adaptadas, calculadas e inusitadas, com uma perspectiva mais voltada para nossa Realidade – Brasil, situação econômica/financeira, risco de contaminação, classe média, ambiente urbano e outras estatísticas – quando o dia fatídico em que a Humanidade será varrida da Terra e ser substituída por mortos-vivos rastejantes.
Manual de Sobrevivência WDBR apresenta orgulhosamente:Estratégias para o Dia Z – Pernas, pra quê te quero!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Um futuro próximo com zumbis em Floripa

Este post foi escrito sob a influência delirante de um calor horrendo de sensação térmica acima dos 40°, qualquer opinião expressada aqui está condicionada ao simples fato de que a autora estava morrendo de medo do Dia Z chegar e estar com metade do cérebro derretido

Todos nós sabemos que algum dia vai chegar o Dia Z, certo? Não adianta reclamar, dizer que o Apocalipse chega antes, quatro cavaleiros montados e blablablá, arrebatamento e sei lá, a Skynet invadindo o mundo inteiro com uma Revolução das Máquinas. Zumbis. Anota aí: É isso que vai acontecer.
E depois o resto possivelmente. De preferência tudo ao mesmo tempo ou seguindo uma ordem aleatória.

Okaaaaaaaay, sobrevivi a uma situação bem tensa ontem - 07 de dezembro de 2012, marcarei essa data como início de treinamento de sobrevivência - com os combinados: SEM LUZ e CALOR DE MAIS DE 35°. Estamos bem na premissa, beleza, por que o terror começa agora.

Desde de manhã no dia 07, os picos de luz estavam a me incomodar, até receber a notícia que algumas quadras mais a frente - onde minha irmã mora com sobrinhos e o marido - a luz havia acabado. Tudo bem até então, explicaria o porquê da luz ir e voltar por aqui. Aí caímos numa discussão linda sobre como a CELESC - Companhia Elétrica de Santa Catarina - é uma das empresas mais eficazes em atender chamados de emergência quando a luz cai. Mas para atender, meus amigos, não para solucionar o problema.

Como haveria de sair para o Norte da Ilha - apenas para lembrar, moro na Palhoça, cidade metropolitana da Grande Florianópolis, isso me renderia cerca de 2h30 de ônibus num dia ferrado de calor - saí de casa mesmo sem energia elétrica, não me faria falta mesmo, e me muni da garrafinha d'água gelada. Estava certa que aguentaria o calor de 32° que já assolava por aqui.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sonho Estranhos com detalhes - Zumbis domesticados

Acho que ver Return of the Living Dead 3 com a Melinda Clarke não foi uma boa idéia…
Zumbis militarizados e gás tóxico usado para guerrear? WUT?! E por que raios fazer isso nos EUA? Eles não preferem ferrar com nações “potencialmente perigosas” (aka cheia de campos de petróleo) não?!

Mas vamos ao sonho de hoje:
*musiquinha de programa matinal*


  • Pegue um filme classe D dos anos 80 com mortos-vivos;
  • Junte com Biologia genética que Mendell nos ensinou no Ensino Médio;
  • Faça o cruzamento das ervilhas com os milhos;
  • (Azinho azinho azão azão azão do meio, azinho 3/4 por aí vai)
  • Deixe de repouso e vá dormir tranquilo… Ou mais ou menos isso…


Lá estava eu em algum canto civilizado de algum lugar do planeta. A cidade era grande e bem organizada e tinha uma linha férrea passando pelo canto. Detalhe: Não havia ninguém nas ruas. Quase como aqui em Floripa que a partir das 13h não há UMA viva alma na rua, nem carro, nem nada.

Como meu espírito nada aventureiro me diz para lootar as coisas antes de perceber a gravidade da situação, eu looto algumas coisas caídas do chão, inclusive um relógio quebrado que não vai me servir de nada. Anda anda anda, pede informação a um sujeito maltrapilho se aproximando. Whoooooooooa!
Diálogo nonsense a seguir: