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quarta-feira, 19 de abril de 2017

[interlúdio] as pequenas ofensas diárias

Tem os altos e baixos
Tem os altos e baixos
Tem os altos volumes dentro da cabeça, girando ao redor dos ouvidos, até quando estou ouvindo música no último volume, porque é preciso se distrair do que ouvir a autosabotagem esperneando com o bode balindo na perna

Tem os baixos quando os ombros não aguentam muito tempo e as costas vão curvando e o pescoço vai corcovando, o semblante franzindo, o olhar desfocando e tem mais baixo do que alto

Quando deveria ter mais altos que baixos
É uma questão de aguentar o tranco

Aí as pequenas ofensas diárias
Vai tudo pro tribunal das causas realmente pequenas
Aquele júri que fica calado, tenso
Esperando a próxima testemunha botar a mão no livro
Jurar que vai falar a verdade somente a verdade e nada mais que a verdade
Tem os baixos e os altos

Os altos e baixos
Queria um lugar no meio pra me encaixar normalmente nessas parada
Não é só de categoria que tou falando
É de estar enquadrada em algum lugar
Não no alto
Ou no baixo.
Nos altos e nos baixos

Por Odin de saias nunca desce nunca sobe
Os altos e baixos

Aí as pequenas ofensas diárias
Aquela palavrinha bendita
Direcionada a esmo
(nem tão a esmo, tem autoflagelação aí)
Atravessa o ar como um silvo
Tiro certeiro em quem não precisa ouvir
(precisa, não precisa, precisa? Fui bem fui mal fui rude fui benevolente fui alto fui baixo os altos e baixos)

No alto dá pra sacar que não precisava
Ninguém realmente precisa tomar a dor dos outros
Mas tem os baixos, que tá ali só esperando
Os silvos, os tiros, as pedras, as ofensas veladas
Os altos os baixos os altos essaporranuncavaiparardeoscilar

Aí vem as pequenas ofensas diárias
Para de comer
Se nega
Se esquece
Não tem vontade
Nos altos e baixos
Chega a ser um castigo pro pouco prazer que pode obter
Nos altos e baixos

Tou exagerando demais
Tou sendo preguiçosa demais
Tou empolgada demais
Tou fora da casinha demais
Tou fugindo demais
Tou me escondendo demais
Tou prestando atenção de menos
Tou sendo menos amigue Tou sendo menos rude
Tou sendo menos acessível
Tou menos online
Nos altos nos baixos
Tou demais tou de menos
Odin de saias, preciso de um diagnóstico? Categorizar parece mais fácil
Mais fácil mais dificil
Mais fácil de lidar
Mais difícil de entender
Mais fácil de arranjar uma medicação
Mais difícil se se manter equilibrade
Mais fácil de se desculpar por omissão
Mais difícil de se encontrar na bagunça
Nos altos e baixos

Queria poder entender logo o que é
Aqui do alto (onde estou hoje)
No baixo que vai ser (quando acordar amanhã)

Aí as pequenas ofensas diárias
Vai separando nesse abismo de palavras vomitadas
Unindo todo a a mágoa não processada
Junta, separa, junta, separa
Odin de saias esse binarismo que me mata Todos os dias no alto no baixo
Quando tou no alto
Quando tou cavando pra baixo

As pequenas ofensas diárias
Tribunal das causas realmente pequenas que não dá um veredito
Queria poder... No encaixe
Ou o meio
No alto e no baixo
No meio me encaixo
Será que fui rude demais
Será que me empolgo demais
Será que devo ser menos
Nos altos e nos baixos

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

[interlúdio] testando 1,2,3...

Faço uns testes por aí
Uns mais sofisticados que os outros
Uns mais delicados
Oa resultados costumam vir imediatos
Uns testes aí

Pra não esquecer que viver é bom, navegar é preciso
(viver não é preciso, Fernandinho?)

Faço uns testes assim bem toscos
Aprecio mais que o devido
Tenho não muitas surpresas
Mantenho os relatórios
Nunca se sabe quando se precisa dos dados perdidos

Durmo menos que antes então
Não é por falta de sono, de cansaço, de lentidão
O mundo não me deixou respirar depois do safanão
É difícil

É uma pena manter o ritmo da música
Quando não se tem mais a partitura na mão
Às vezes faço uns testes pra ver como é que é
Você sem você como qualquer um outro ser humano normal
Quando se tem poucas horas pra si mesme
Quando se tem horário pra não se reprimir

Os testes que andei fazendo
Sempre acabam quando lembro de você
É batata o resultado quando tá doendo
Não tem onde mais a ferida crescer

Já fiz alguns testes, desses de desanimar
De te tirar de dentro do meu organismo
Pro sangue afinar e calibrar o que precisa ficar
O teste bem sucedido já foi, não tá mais doendo (mentira)

Mas aí lembro que há sempre algo a testar
Uma trilha, uma pedra, um canção, um fio prateado cortado antes da hora
Faço alguns testes por aí.
Ajuda a não cair mais no real momento
Deixa a vida seguir normal, é assim quando se tem ainda um tormento

Faço testes todos os dias
Parece que são mais
É um desafio vencido do absurdo
Um controle a menos na paz

O último teste que fiz foi até eficácio
Tinha mais etílico do que glóbulos vermelhos em minhas veias
E uma pergunta repetindo na cabeça
"Por que ainda se importa?"

Não vai ser o último teste, com certeza nem mais o primeiro, provavelmente será um intervalo junto ao interlúdio aqui.
Às vezes tentar dói mais
Do que se aprende

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Poeminhas nonsense - caídas e peixinhos


É como cair de uma muralha bem alta
Construída com todo cuidado para não ruir
Cair sem gravidade alguma, porque
Não há nada de errado em cair desse jeito certo?
Certo? Certo então

É como cair de um barco em movimento em alto mar e
Perceber que o tempo todo ele estava encalhado
Fazendo você de âncora e os
Sentimentos
Que
Nutria
Eram
As redes
De
Pesca
Com milhares de
Emoções comendo peixinhos
Coloridos, coloridinhos
Era para afundar
Mas você era a âncora e os
Sentimentos e a rede
E
Os peixinhos

É como cair sem ter algo para aparar a queda
Só um band-aid meio gasto como desculpa
Um tapinha nas costas
Um prêmio de consolação
"oh olha só como vc aprendeu!"

É como cair, firme, direto, espalhando todo tipo
De seu interior no asfalto
Peixinhos lembra? Coloridinhos
E a cada fratura exposta cada nó desfeito, a rede
Ela se desfaz até sobrar apenas uma linha única
Não mais coloridinha
Não mais serve para prender peixinhos
Não serve de nada, nem para prender em volta da cintura por segurança
EPI
Só serve pra enroscar nas pernas e tropeçar
Ou em volta do pescoço para sufocar

É como cair em queda livre eles disseram uma vez
Caí uma, duas, três vezes
Não quero cair mais
Tá de boa pra essa vida não cair mais
Para quebrar a cara tem outros métodos, porque perder
O equilíbrio para cair é fácil quando se está bem de pé
Problema é quando percebe que vai cair de novo

É como cair daquela muralha ali no começo
Onde peixinho nenhum consegue entrar
Nenhuma rede fica pendurada
Nenhum coloridinho para enfeitar
É mesmo como cair.

Ruim é se erguer depois

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