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segunda-feira, 1 de maio de 2017

[bibliotequices] 5 coisas para fazer estagiári@ feliz

Já que hoje é dia de trabalhador e meu trabalho é ser estagiárie pro resto da graduação que vou acabar jubilando (lol), compilei algumas coisinhas aqui com a experiência que já tive no ofício.

Você, amigolhe bibliotecári@, você já foi estagiári@? Lembra como era essa época absurda entre ter conhecimento teórico e ver a prática de perto e chegar a conclusão que "QUEQUI TÁ CONTESSENU?!", "Que cês tão fazenu?!" "Rangs dos céus acende vela que LIVRO DA CAPA AZUL?1" - é provavél que tenham passado por perrengues assim.


Bem, o feeling continua o mesmo, mas você que tem estagiári@ sabe que pode fazer com que seja menos penoso. 

Cinco coisas para fazer seu estagiário feliz? Urrum, porque eu tenho a impressão que quando eu for como você quando crescer, irei tratar @s querid@s assim.

1 - dialogue com ele sobre a profissão: pontos altos, pontos fortes, as surpresas, os desafios, o que rola de chato, o que é de se esperar, isso ajuda um bocado pra quiança se enturmar.
(aaaaaaand saber se está realmente interessado ou não no estágio - tem gente que só faz pelo dinheiro, vai me dizer que não?) 

2 - socialize com as instâncias superiores da biblioteca. Faça a pessoa saber quem assina cada folha de pagamento e quem dá o aval para o financeiro, quem faz a coisa funcionar . É importante fazer a pessoa entender o que é gestão e como isso funciona, a pessoa não é somente a sua responsabilidade, é também de quem te chefia.

3 - estimule criatividade e idéias inusitadas, por mais bobas que sejam. Estagiári@s estão com outro olhar sob a biblioteca onde atuam, as percepções são novas, as inovações podem ajudar a fazer o trabalho mais otimizado, você como gestor pode avaliar o que pode dar certo e o que não vai. Ps: a linguagem d@s estagiári@s podem estar mais aproximadas do público-alvo da biblioteca (vide @s estagiári@s gamers, YouTubers, músic@s, geek)
Ps: experiência própria - falar a mesma língua do usuário dá mais resultado que questionário de satisfação e enquetes. 

4 - pergunte se a criatura está se alimentando direito: muit@s estagiári@s passam algumas dificuldades com alimentação, ainda mais quando não se recebe vale-alimentação ou ajuda de custo para isso. Tirando o fato del@ passar o maior tempo do dia na unidade de informação, é possível que não possa ou não tenha condições de pagar um almoço decente ou esperar até a noite antes da aula pra comer no RU ou comer em casa antes pra poder não tomar tempo no estágio. Buscar algumas alternativas com estagiári@ é viável nessa hora (hey não precisa pagar meu almoço!) como disponibilizar acesso a copa ou cozinha da instituição (esquentar marmita) seria uma boa.
Ps: estagiári@ com fome não levanta as toneladas de livros didáticos que vocês são obrigados a carregar, foi mal gente. 

5- Comunicação. Não está gostando da contribuição d@ estagiári@ na biblioteca? Converse com a pessoa sobre suas prioridades. Está realmente gostando da ajuda que tem dado?  Fale com a pessoa. Seja honesto sempre, lembre-se que muitos de nós fomos criados para só acatar ordens e não dialogar, comunicação evita tantos maus entendidos e acerta em feedbacks para graduand@ se sentir valorizad@ onde está.

Não se preocupem amigolhes, bibliotecári@s terão também uma listinha em breve!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

[bibliotequices] - leitor proficiente e literatura de qualidade

Cês lembram do Rangs, né? E que ele escreveu umas coisa bem bacaninha pra gente poder usar na nossa vida loka de bibliotequêro/bibliotectomista/biblioteconomista.

"Cada livro seu leitor" e "Cada leitor seu livro" resumem um conceito bem legal do pessoal da Pedagogia e da letras que afirma que a maturidade de um leitor proficiente pode ser mensurada com a quantidade de leitura que faz e o quão criticamente se posiciona sobre o que leu.

Não mexe com esses trem de "qualidade de leitura", porque esse conceito é abstrato pra caramba para se colocar na rodinha.

Num resumo bem tosco, o leitor proficiente - aquele que lê e interpreta bem o que lê e faz indagações com o que lê e consegue comparar e/ou associar com outra coisa que lê - é tipo a meta mais importante dos professores desde a alfabetização até Ensino Médio. Encontrar uma criança que passe por todos os estágios de aquisição de leitura (E leitura é tudo tá? O saber identificar os signos/alfabeto, juntar as palavras, formar frases, construir falas coerentes, realizar contas de matemática e tudo mais e coisa e tal) e saber como usar isso socialmente para se posicionar como cidadão no mundo.

Pra chegar a esse estágio tem muito trabalho, muito empenho, muita prática e muita, mas MUITA persistência de quem está querendo ter esse tipo de leitura do mundo.

Aí eu vejo uns comentários sobre como pessoas depreciam a Literatura atual com a quantidade de YouTubers, celebridades globais escrevendo livros e como a garotada vem consumindo esse gênero que nem água. Algumas dessas pessoas estão ou serão internamente ligadas ao processo de aquisição de leitura e escrita da garotada mencionada. Essas mesmas pessoas também não respeitam quadrinhos, graphic novels, coleção Sabrina, auto ajuda como "literatura de verdade".

Seguinte, galeris: sabe os canônicos que enfiam pela nossa goela desde o ensino fundamental para acharmos que aquilo ali é "literatura de qualidade"? Então, esquece. Cada um faz a sua tabelinha de o que é bom o que é ruim pra ler, tem dessa de desmerecer e desestimular a leitura de jovens que procuram justamente nesses tipos de literatura (Os YouTubers por exemplo) pra ter a experiência awesome de se ler um livro, qual seja o que for. Se o conteúdo é fraco, médio, valioso, quem vai julgar é o leitor, não você regulando porque se acha no direito de afirmar que "literatura de qualidade" é Machadão, Alencar, Shakespeare, os canônicos e os dado aguado. Maturidade de leitor proficiente DEMORA pra desenvolver, ajuda mais você incentivar a garotada ler esses YouTubers e ir aos poucos dando outras opções - e vendo como eles desenvolvem a curiosidade de querer mais para ler e mais para pesquisar - do que simplesmente sacanear com o jovem por estar lendo a Kéfera.
Se o objetivo maior aqui é dar oportunidades pra criaturinha chegar ao ponto de leitor proficiente e autônomo, então joga esses preconceitos pra debaixo do tapete e se foca no que o usuário tem vontade e maturidade para ler.

Pessoalmente eu acho literatura brasileira cânone um porre (os antigos, não adianta que não me desce), passei a minha fase escolar toda lendo crônicas de Sabino, Stanislaw Ponte Preta, Veríssimo e Millôr, rindo a beça com as Revistas MAD, me aventurando em gibis de diversas temáticas, folheando a Ilustrada da Folha de São Paulo só pelos quadrinhos do quarteto fantástico (Angeli, Glauco, Laerte e Adão), tia Agatha Christie na cabeceira e pelo hábito de ler tudo que tinha na frente - e ter pessoas perto de mim que gostavam de me incentivar a ler - cheguei ao ponto de leitor proficiente. Não quer dizer que o processo para por aí, ainda tenho dificuldade em ler textos muito técnicos ou que não estão de acordo com a bagagem sócio-histórica que carrego comigo desde criança.

Não foi lendo Machadão, fazendo análise crítica de Hamlet, ou entendendo as rasuras da tradução da Ilíada ou Odisseia pra saber que tinha chegado ao ponto em que é ideal para isso. Não foi entendendo Camões ou louvando as fases da literatura "brasileira" (vamos colocar em aspas aqui, porque é discutível quando se imita intensamente um estilo de fora para incorporar na nossa cultura e achar que aquilo é lindo, maravilhoso e o certo, wowowowow me deixa ser burra 5 minutinhos #AlineDurel), foi lendo jornaleco de quinta categoria, folheto de supermercado, manual de instruções, lendo placas e cartazes na rua, fazendo essas coisas que seres humanos fazem para sobreviver ao usar a linguagem, sabe?

Então entre recomendar a Kéfera no balcão ou empurrar um Cruz e Sousa pra uma criança ler, eu sei o que fazer: "Cada leitor o seu livro", "Cada livro o seu leitor". Eu sei que algum dia ela vai se interessar pelo Simbolismo e o papel do Broquéis na Literatura Brasileira. Tenho certeza que a fase dela ler essa "literatura fraca" vai passar e ela procurará algo mais adequado a visão de mundo *dela*. Vai que numa dessas lê um Asimov, Leminsky, o ferrado do Joyce? Nunca se sabe, mas não custa tentar incentivar ao invés de apontar dedo na cara e dizer que YouTubers só escrevem porcaria.
Eles escrevem, e a garotada lê, e isso já é meio caminho andado pra eles quererem ler mais seja lá o que for.

sexta-feira, 11 de março de 2016

bibliotequices - descartes (não é o filósofo iluminista)

Oi, eu sou Ranganathan e gostaria de 5 minutinhos para falar das minhas 5 leis...

This guy de óclinhos e todo roxo nesse desenho básico de uma das fotos deles tirada nos anos 50 é o Patrono da Biblioteconomia (O da Letras é David Bowie e isso ninguém me tira).

Ele fez muita coisa bacana durante sua vida bibliotequista lá na Índia, escrevendo livros sobre procedimentos técnicos, classificação, organização e um tiquinho sobre a ética e código de conduta des bibliotecárixs. Ranganathan NÃO ERA engenheiro, mas era matemático, o véinho foi na raça estudar Biblioteconomia na College University e desbravou muitas descobertas e teorias até o seu tempinho na estante da Vida acabar.
(Porque assim como os livros nossos, tudo ao nosso redor tem prazo de validade.)

Uma das coisas bacanas do Ranganathan é de ter criado 5 princípios norteadores para o curso de Biblioteconomia, seus aprendizes, para a área e para aqueles que estão chegando sem saber o que raios fazer. Essas 5 Leis (descritas aí em cima e repetidas aleatoriamente nesse blog para motivos de mensagem subliminar devidamente programada) literalmente cobrem QUALQUER situação em que podemos nos encontrar nesse caminho.

É óbvio que algumas áreas que interagem com a gente não sabem dessas regrinhas - olááááá pessoas da T.I.? A nº 4 é feita especialmente para vocês com seus softwares meia-boca de gestão de centros de informação... - e aos poucos a nossa categoria também esquece de algumas coisinhas, tipo a regra nº 5: a biblioteca é um organismo em crescimento.

Sendo um organismo, é de se presumir que esteja vivo, instável, dinâmico, em pleno movimento mesmo que a 2ª Lei do Newton seja bem leeeeenta. Mas aí vocês pensam: OMFG LIVROS ESTÃO VIVOS?! - e eu digo: urrum, eles estão. As bibliotecas estão em constante movimento, e não são lugares estanques. O trem não é um lugar, entende, é tipo um espaço-tempo (Vai estudar Física poxa! Altas coisa bacana pra pirar o cabeção). E se um espaço-tempo precisa de eterna constância devido as leis do Universo, é óbvio que se você deixa uma biblioteca estática, ela vira museu. Ou depósito de livros. Só o movimento constante de fazer empréstimo, devoluções, consultas nas estantes já é motivo suficiente para dizer que a biblioteca é dinâmica, tem vida e constantemente está em crescimento.

E aí vamos lá falar de descartes.
(A ação de descartar coisas, não o filósofo do "Penso, logo existo.")

Enquanto tem gente sapateando com sapatinhos de estalinho sobre descarte - ai meldeozo não pode fazer que é pecado! - já dou logo a ideia de que se não vai ser vir pra unidade de informação, serve pra gente maluca fazer uns trem bem legal. Sempre tem. Ou vender pro reciclável e ganhar uma graninha pra comprar acervo novo pras bibliotecas que não tem recursos financeiros próprios - como as escolares e as comunitárias.
Vai sem dó e piedade! A lei do MEC bunitosa ESQUECE que tem lugar aí por Brasil afora que está com uma biblioteca minúscula abarrotada de livros velhos, que professor algum tem paciência de olhar se é bom ou não, aluno nem quer saber e bibliotecário? Hello? Desde quando temos bibliotecários suficientes nessa equação?!

Pense em um livro como uma árvore mastigada, cuspida e prensada para servir de suporte para seja lá o que você escrever. Mesmo sendo uma árvore morta, o livro ainda possui qualidades da árvore de onde foi cortada. As páginas tem fibras entrelaçadas, essas fibras vão se quebrando, emaranhando desordenadamente, queimadas pelo sol, molhadas pela chuva, vento, ar condicionado, tempo, manuseadas de forma agressiva pelos usuários, pelas máquinas, pelos carimbos e cola branca e tudo mais. Isso vai desgastando o bichinho até ele ficar quebradiço ou rasgar ao meio. Ou pior! Ser vítima de hospedeiros muito muito chatos!

Traças, piolhos de livro, baratas, roedores, são alguns exemplos de coisas que não podemos tolerar dentro de nossas bibliotecas. Sem falar nos lindos seres invisíveis como ácaros, micróbios, bactérias, micro-organismos e tudo mais que se alojam nos belos encadernados empoeirados. Urrum, estou falando sim daquelas enciclopédias antigas que ficam fazendo peso e volume em uma biblioteca que já possui outros recursos atualizados para pesquisa e consulta (internet, edições atualizadas, livros didáticos, acervo especializado, etc). Sim é aquela maldita prateleira ali de obras de referência que está em destaque, mas NINGUÉM toca porque é onde estão os livros MAIS caros do acervo.

Méh.

Foi-se o tempo de enciclopédias, okay? Foi-se. Aqueles trambolhos de mais de 20 volumes eram considerados símbolos de status e pouca informação continham para quem realmente precisava fazer uma pesquisa apurada. Eu dou mais respeito para atlas desatualizados do que enciclopédias. No atlas pelo menos eu posso fazer a comparação antes e depois, na enciclopédia? Posso abrir uma de 1987 e outra de 2007 e ver o mesmo conteúdo lá, apenas mudando algumas palavras ou verbetes.
(Sim, eu fiz isso para uma disciplina no semestre passado e fiquei chocada ao ver que a tão linda e notória Barsa mantinha as MESMAS informações sobre verbetes históricos, só acrescentando mais acontecimentos quando era necessário)

Isso não me parece uma gestão democrática da informação.

As 2 grandes empresas de enciclopédia aqui no Brasil são donas de conglomerados que cuidam de dicionários, compêndios, portais online e editoras de livros didáticos. Quem garante que as informações e não estejam viciadas em um ponto-de-vista unilateral e arbitrário? Já encontrei em um dicionário de 1983 do MEC (olha só a importância) em que a definição da palavra "ÉTICA" tinha em um dos seus verbetes a explicação: "ser patriota." - pode?!

O que fazer com esses trambolhos então? Já havia falado sobre o assunto das enciclopédias - e as dores no coração de dó de certo apresentador/comentarista de programa globístico ao meio dia - e como podemos fazer o melhor para as bibliotecas.

UPCYCLE - ou reciclagem para cima (???) de livros \o/
É minha obsessão favorita desde então.

domingo, 3 de janeiro de 2016

bibliotequices - como a desciclopédia nos retrata

Não vou negar, eu adoro a Desciclopédia. Já escrevi alguns artigos por lá, encontro informações mais pertinentes que na Wikipédia às vezes (Sim, acontece!) e uma das curiosidades que se materializou em uma pesquisa aqui e agora foi de saber como essa Enciclopédia Livre de Conteúdo enxergava a gente aqui das quebrada de Ranganathan.

Nesse post loooooongo vou apenas copiar e colar alguns trechos da Desciclopédia com as opiniões expressas de quem escreve os artigos - lembrando que são pessoas como eu ou você, logo se pararmos para pensar um tiquinho, essa é a opinião da vox populi.

A lista de lá na Wikipédia está aqui [x] e contém 42 (OMFG a resposta!) cursos autorizados pelo MEC em 22 estados de nosso Brasilzão. Detalhe que nem todas as Universidades citadas no artigo da Wikipedia são tratadas na Desciclopédia. Hmmmmmm... Teoria da conspiração...?

Debaixo do link mais tosqueira, um bocado de humor sem noção, uma pitada de desrespeito com as diversidades culturais, de gênero, sarcasmo elevado, erros gramaticais não-propositais e comentários críticos/reflexivos de minha parte.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

sobre bibliotequices e créditos

Minha intenção ao criar o Bibliotequices foi de princípio catártico de descarrego de encargos, em outras palavras menos rebuscadas, era pra reclamar que nem uma velha coroca.

Nunca levei a minha forma de escrever esse blog à sério (e vai ver que é isso que funciona tão bem pra mim nessa vida, o não se preocupar tanto com o que escrevo) e tagarelar sobre o curso e a carreira onde pretendo me instalar até os dias finais de minha existência tem se tornado um imenso prazer pra mim. Sim, porque sou humana e os 140 caracteres do Twitter não iam aguentar as besteiras que costumo proferir em nome da Ciência (da Informação, mas hey! Ciência)

Acabou que o Bibliotequices vem sendo uma forma também de ter uma reflexão indireta do que raios eu ando fazendo da minha vida e o pior, o que faço da vida dos outros - já que estar na linha de frente em uma biblioteca escolar é praticamente apontar a porta de entrada pra diversas coisas estranhas nessa vida acadêmica para pessoinhas que não fazem a mínima idéia de como ser adulto é algo sofrido. Divertido às vezes, mas sofrido.

Já havia escrito como a informalidade nos espaços acadêmicos tem me ajudado a compreender melhor quem eu atendo, esse olhar besta e de cientista idiota (id e ota) não trazem vantagens para a  demanda que me aparece durante os dias. E chega uma hora que o beco sem saída aparece, e mesmo quem tem pouco tempo de estrada cansa subitamente devido à diferenças ideológicas entre aqueles que supostamente deveriam estar dando o exemplo e eu na ponta, tentando apreender (E aprender) tudo que posso nesse espaço curto de tempo.
(4 anos passam voando, acreditem)

Ter a oportunidade de conhecer pessoas que se dispõem a dedicarem suas vidas acadêmicas a estudar gente, ser humano de verdade, acaba me derretendo do modo mais meloso possível.
(Sim, os pompons sobem e descem no ritmo contagiante da lambada...)

Eu perco a minha frieza habitual quando vejo alguém competente fazendo um belo trabalho para a comunidade. Não só porque tenho esse fraco pela reforma interna da Educação aqui no Brasil, mas porque desejo ser esse agente volante de mudança. E quase um complexo de Messias, só que sem a parte de morrer de forma agonizante ou algo assim. Tá mais pra profeta de últimos dias com aquela placa alertando o que virá e o que a Humanidade deve fazer para ser salva.

Sim, megalomania está falando alto esses dias.

Creio que todo bibliotecário que converso tem um pouco desse "defeito", o de querer ser mais do que é para conseguir atingir seu público de maneira eficiente, mesmo com os poucos recursos, a falta de apoio das instituições, colegas de trabalho, de profissão e dos usuários, a briga eterna entre "Fazer porque dá dinheiro" versus "Fazer porque quer". O fazer bibliotecário se torna um estilo de vida, incorporado no sujeito e tudo que a gente faz é porque faz parte de nós mesmos.

É uma viagem mó lôca essas coisas se for parar pra pensar.

A Biblioteconomia ufscquiniana tem me proporcionado feelings de profundo desgosto e admiração em espaços de poucos segundos. É como apreciar um prato perfeito e perceber no paladar que o gosto está horrível. Às vezes a vontade de levantar da cama é zero, de chegar ao balcão, de abrir o sorriso, de se empolgar com o que faz. A academia come muito do nosso eu lírico, da nossa inspiração querendo ou não, a docência (in)descente arruína com muitas idéias, muitos sonhos, muitas ações. Aquela vontadezinha de mudar o mundo murcha a cada pelavra ou atitude absurda vinda da hierarquia maior. O gosto de se querer fazer algo para mudar a vida das pessoas não se torna fardo (Antes fosse!), mas sim daqueles cafézinhos adoçados com o pior tipo de aspartame do mercado. Cê sabe que não vai ter problemas de saúde com poucas calorias, mas por Odin de saias! Com oé horrendo aquele gosto que sobe.

Aí saio de uma palestra incrível com apresentações de trabalhos maravilhosos que tentam desvendar as nossas incertezas como profissionais. Gente que se importa com o que fazemos, como fazemos, porque fazemos. Gente que vê nas dificuldades de cada um de nós atrás do balcão, ou entre as estantes, ou no processamento técnico ou até mesmo em lugares inusitados de atendimento e dizer no tom mais amigável possível: "Eu, você importa. Sua voz também tem importância. Você gostaria de falar comigo?"

Isso é extremamente válido. Essa escuta produz profissionais e estagiários mais aptos a aguentarem o tranco mesmo com tantos problemas. Esse esforço de nos colocar como protagonistas de algo maior (e é gente, como é!), faz todo sentido pra gentinha sem noção, tagarela, com imaginação fértil como eu se sentir bem com o que faz. De ver futuro para o que tá fazendo, de não parar mesmo com as adversidades.

Eu me sinto honrada por conhece essas pessoas mais de perto, além dos muros invisíveis da universidade, além dos referenciais teóricos, as cátedras imaginárias, os títulos pomposos, os discursos furados querendo nos convencer que somos invencíveis. Não somos, somos invisíveis e é isso que a Academia deveria estar tentando reverter enquanto é tempo.

(E há pessoas fazendo esse trabalho lindo de nos colocar no protagonismo, isso é ótimo!)

Aos trancos e barrancos, a esses profissionais queridos, docentes, amigos, futuros orientadores de uma galerinha do barulho qu evai aprontar mil e uma confusões, vão meus créditos para essa coluna que comecei do nada por uma demanda interna (Pseudo-bibliotecária de referência é fogo viu?). O Bibliotequices tá começando ainda, mas já vislumbro vários posts sobre a área que possivelmente possam fazer alguma diferença na vida de alguém.
(Nem que seja para traduzir em palavras a reclamação de alguém, nem que seja por isso!)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

bibliotecárixs das quebrada, morô?


Yo mano! Yeah ax mina! Os esquema aqui nax quebrada das biblioteca é tenso, duuuuuuude. A v1d4 L0k4 me escolheu, tou fazendo o possível pra dar iniciativa pros chegado mandar a ver nas leituras e coisa e tal.


Pá-pum, sacas?

L0k1 me abençoa, cê já conhece o refrão. Peço pro deus da Trapaça e do Lolz segurar a minha mão. Quando camarada folga comigo, a coisa chia que nem bule no fogão.

Cerrrrrto mano?! Cerrrrrto.

Só que tem alguns que acham que sou macaquinha novinha de galho verdinho, neaw? O que se deve fazer na hora? Improvisation.

Postagem básica sobre a vida de projeto de bibliotecária que às vezes precisa ter o famoso jogo de cintura (All the nation, do the rebolation!) para lidar com as diferenças sócio-históricas, culturais e de visão da sociedade que os nossos queridos estudantes têm.

A.k.a. o que fazer quando um usuário de biblioteca escolar informa de forma ativa que é membro de uma gangue.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

bibliotequices - o caso dos pronomes possessivos

E aí aparece isso na timeline (E não consigo me conter para fazer o carão e chiar...).

Gente, bora parar com noção de propriedade? Até onde sei, não somos objetos de consumo pra isso. Tenso pra caramba esse trem...
(Que tal valorizar quem trabalha nas bibliotecas e cuidar do espaço para o bem comum? Parece mais sei lá... humanitário...)



Todo mundo tem um médico que chama de "seu", se contrata um advogado, logo vira o "meu advogado"...e por que não o "meu bibliotecário? :)
Posted by Mural Interativo do Bibliotecário on Segunda, 21 de setembro de 2015

Esse trem de coisificar nossxs bibliotecárixs tem cara de capitalismo marxista e acreditem, é a coisa mais tensa que a gente pode conceber na sociedade. 

Primeiro porque você perde a concepção do "eu" em você mesmo, já que muitos gostam de se identificarem como "bibliotecárixs" não como outra categoria. Eu sou uma filhadaputinha dessas, tou até pensando em usar como orientação política e sexual: "bibliotecária", acaba englobando um conjunto de valores tão complexo que dá nó na cabeça do interlocutor - good, vairy good...

Segundo porque se somos mercadorias para serem tomadas e chamadas com pronomes possessivos por seus respectivos donos, vamos retroceder aquela época linda antes do Renascimento em que os bibliotecárixs eram realmente tratados como isso: meros guardiões de livros, mais mercadoria na estante do que realmente operante. 

Alguém aí viu/leu O Nome da Rosa
(É do Umberto Eco e ele é awesome! E vocês deveriam ver, porque ele é o linguista mais gente boa desse Universo)

Então, vai saber o quanto a vida é dispensável naquela época linda - e como agora está quase na mesma importância.

Plus: quando você usa esse maldito pronome possessivo é automaticamente anular o papel social de educador e profissional da informação que tanto tentamos manter desde Alexandria. O princípio também vai pra "meu advogado" ou "meu doutor", isso não era legal lá anos atrás quando só certa camada alta da população poderia "possuir" coisas. É tipo ferrar com nosso lema. Não quero ser "sua", quero ser de "todo mundo", porque É ISSO que a minha profissão se pauta, ajudar todos sem ver fuça de ninguém. 

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