Pesquisando

domingo, 15 de abril de 2018

[bibliotequices] qual é o plano afinal?

Para quem já previa que seu dinheiro iria boa parte para o transporte público e boletos (essa era eu em cartinha pra mamãe aos 11 anos), o plano até os 27 era continuar habitando esse corpo e residindo nessa existência. Quase 5 anos depois - e parece que tá dando certo - há os planos maquiavélicos de dominação mundial via estantes, prateleiras, atendimento no balcão e capacitação de leitores.

Aí aquela pergunta: O que vou fazer depois de formar.
Nada.

Isso mesmo.
Nada relacionado a graduação e pós.

Não está sendo saudável pensar em planos futuros quando se tem ansiedade na ficha de personagem e não quero estragar a minha entrada no mercado de trabalho formal com essa. 

Isso obviamente foi uma piada.

"Mercado de trabalho formal." diz Doctor Evil, meu vilão favorito. 

De acordo com as peripécias serelepe do golpista em comando, bibliotecário tá fodido de verde e amarelo, batendo panela ou não. Extinguiram cargos no governo federal no começo do ano, tão empurrando a lei 12.244 pra mais um tempo (e vão empurrar, empurrar, empurrar) e minha intenção de ir para uma biblioteca escolar pra tocar o terror está em primeiro plano. Então se era conseguir um cargo público, esquece que isso nunca esteve na cartilha, meu negócio é ir atrás de demanda antes dela virar gritante.

A intenção era formar (ano que vem, pelamoooooor! Não aguento mais aquele lugar), pegar minhas trouxinhas, ver um vagas em cidade do interior e ir. Apenas fucking ir e começar do zero como as pessoas que admiro uma vez fizeram e fazem diferença no curso, na área, no mundo. Aí que reside o sonho.

Poderia ser nos cafundó do brejo, sem acervo, sem nada, apenas por saber que há como construir algo do começo, com a comunidade, com quem precisa mais, essa era a missão quando entrei e continua sendo até agora. E porque eu cresci com Lego, logo improvisar do nada é algo que o progenitor providenciou sem saber na minha índole. McGyverianismo na Biblioteconomia deveria ser disciplina obrigatória.

Medo? Disso não.
Mas falta de oportunidades pra fazer por onde, sim.

Bora ver como fica até final do ano e tratar de me concentrar em planos que viabilizem uma formação mazomeno adequada. Ficar em capital é pedir pra morrer, pois tá tão engessado que não dá pra imaginar fazer algo fora do quadrado sem ser punido. E isso já chega por 4 anos estagiando continuamente e levando porrada do sistema.

A pergunta que costumo receber - além do "Quando vai formar?" - é se vou pro mestrado. A recusa é automática, ficar em academia enchendo linguiça não vai ajudar as coisas melhorarem lá fora.
(E gente, não sei se vocês perceberam, mas tá bem feia, a coisa lá fora)

Passar 4 anos em uma graduação que escancarou não só a deficiência do sistema, mas nenhuma preparação para combater várias formas de exclusão social, trazer cidadania pra quem nunca teve nada do governo e subverter o status quo. Afinal de contas a gente tá aprendendo pra servir a sociedade ou tamos ainda presos no modelinho besta de satisfazer as próprias vaidades? Perder essa oportunidade para me enfurnar em mais aulas, artigos, colóquios, monólogos, pisando em ovos pelos egos já fragilizados pelo mesmo sistema que o criou e nutre?



Que tipo de vida é essa, por Rangs? 

Será que é vantajoso se estropiar por um lugar ao sol em um lugar que obviamente não quer a sua inovação, mas sim sua resignação? Ah, mas ter títulos conta mais em provas de concurso! Quem disse que estou falando de concursos?!

Geral cismando com concurso como se fosse a salvação do mundo!

Existe algo que é possível de se fazer, legalmente, dentro das normas, e indo atrás das fontes e pessoas certas. É, isso mesmo que costumamos fazer cara de nojinho, o tal do empreendedorismo. Que na verdade é uma palavra bonitinha pra outras áreas acharem que tão abafando, mas que sempre teve por aí. ONG se vira nos trinta fazendo isso informalmente a torto e à direito.

Entrar com projeto em uma ONG ou se envolver com uma Associação já é um começo. O trabalho é demorado e botando tijolinho em cima da argamassa direitinho. É pra fazer algo sustentável, durável, sociável, e dá sim pra fazer com um cadinho de perseverança e teimosia. O que dava pra fazer enquanto estava trabalhando em uma ONG anos atrás abriu meu olho pra isso, há como fazer, com quem fazer, só falta tutano pra fazer.

E aquele treco de "amar o que faz" que ajuda bastante ao acordar de manhã.

Fico encafifada de entender o tal do empreendedorismo social e Biblioteconomia social. A minha visão desses 2 conceitos são englobadas em qualquer atividade voltada para favorecimento da sociedade civil, então não concordo em colocar o "social" ali. 

Se não tá fazendo Biblioteconomia para melhorar a sociedade onde vive, tá fazendo errado. 
Ou deveria estar engenharia da produção. 
(Eis mais outra piadinha infame para culpabilizar um curso nada a ver com nossa atuação)

Volta e meia vejo pessoas fora de nossa área realizando um trabalho exemplar em prol de bibliotecas, leitura e produção de conhecimento para quem realmente precisa e a gente aqui, babaquinhas, olhando pra paisagem como se não fosse nossa responsabilidade ajudar essa galera determinada, em não tentar fazer algo parecido, em não se esforçar pra honrar o diploma.

Será que tou cobrando demais de uma profissão que em cerca de um século de existência em território tupiniquim, regulamentada há 58 anos e que não acordou pra cuspir ou simplesmente quer se manter neutra de tudo pela comodidade do status quo?! Devo, mas gente, somos um bando de acomodados, hein?

Um mestrado teria que ser fora desse eixo estranho que se desdobra a minha área cheio de caminhos, mas vazio de práticas sociais. Se manter na pós também é algo submisso demais para minha já submissão. É o cúmulo do absurdo pensar que depender da aprovação de um departamento para validar minha proposta de trabalho. É mais nonsense ainda saber que pra torcer o nariz tem um monte, pra colaborar nem pensar.

Que as estrelinhas da Scopus fiquem com vocês, chuchus.
Há mais nessa vida além do sufocante internato da universidade.