Pesquisando

terça-feira, 6 de março de 2018

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O que tem me surpreendido nesse meio tempo entre descobrimento da coisa mais óbvia da minha vida de escriba e verificar como funciona as maquinações acadêmicas de sustentação da verdade absoluta (Fucô-Fucô-Fucô, na cabeça com Fucô) é como certos termos são apropriados por outras vertentes sociais.
(pessoas cis gênero, heteronormativas, de bem, pagadores de imposto, da família tradicional brasileira e por aí vai)



Sem pretensiosismo ou protecionismo, mas me é confuso ouvir alguém, que por padrão não daria a mínima sobre o que a comunidade LGBTQ+ sente ou se expressa, se direcionar a esse público com mais afeição.

I mean, tem uma boa parcela que sofre de violência verbal, física e psicológica todo santo dia desde criança por estar com o grupo, por se sentir parte do grupo, por manter esse acordo tácito de vias de comunicação interna que são marginalizadas pelo restante do mundo. A minha surpresa vai no sentido de: "Eu ouvi isso mesmo ou há algum outro discurso permeando esse direcionamento de fala?"

Debaixo do link a constatação e spoiler alert: sim, era discurso acadêmico de produtivismo inflacionário.

Porque quando se convive 24 horas com o preconceito, em seus diversos níveis maléficos, chega-se a conclusão que apropriação linguística é uma tática interessante de se adentrar em um certo grupo, mas também aquele negócio, a linguagem é a arma mais poderosa do universo racional.
(Esquece o que Dotô disse gente, livros são pesados, mas palavras são letais)

O que pode abrir uma ponte pode muito bem causar um desmoronamento mais a frente.

Então ao ouvir e refletir sobre, meu coração desconfiado, mas romântico do modo que pessoas podem ver que o lado colorido da Força é algo bonito se assim se sentirem dispostas a enxergarem isso, há de se ter algum tipo de empatia com o esforço do outro lado (esforço esse que tenho que fazer o dobro pra ser válido como discurso).

Isso cai na regra do privilégio e empoderamento.
É dar voz a um grupo social, histórico, cultural, estatisticamente marginalizado.
Mas essa voz é realmente é em benefício de todos para um entendimento comum ou apenas uma forma de dominação mais intrincada? Talvez uma docilidade de corpos manejada com mais carinho?
(não me importo que me amarre de novo, eu sabendo quem puxa as cordas e dá o nó já me é suficiente para viver sem atritos)

Apenas me preocupa que esse arcabouço linguístico para se aninhar a um grupo seja um pretexto para algo que substancialmente não vai mudar a visão fragmentada e deturpada do preconceito já instalado. Ou pretexto científico.
(Ou que não vá mudar a vida de quem precisa)

O que não é novidade, já que nossa comunidade desde sempre é pesquisada de forma sistemática, mas não de forma empática, simpática, aliada. O que há é um muro que separa aquilo que nos torna humanos - carne, músculos, nervos, ossos, temporários em um espaço-tempo limitado - com aquilo que a sociedade nos firmou em ser.

A eterna briga do ser e estar?
Essa mesma.

Queria mesmo que esse sentimento de desconfiança baseado em autopreservação fosse mais ameno que o instinto de sobrevivência. Daria para dissertar mais sem ferrar com a cabeça.

Ou ofender ao próximo.
(Valha-me Loki de ofender ao próximo)