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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Crises Literárias

Tem umas coisas que não dá pra escapar, a crise após terminar livro foi por alguns instantes, ao abrir  novamente o livro Carol (Ou The Price of Salt como era conhecido antes) em um capítulo particularmente doído. Carol deixa a Therese com a promessa de que na próxima semana iria encontrá-la e isso se transforma em 3 meses de pura angústia, decepção e vazio apático. Damn Therese!!

A quote acima foi feita para o filme de 2015, mas é bem
parecida com o conteúdo da carta no livro. De cortar o s2
A Literatura é meu ponto fraco, com certeza. Palavras escritas são como um tormento pra minha mente obsessiva em detalhes e minúcias, se tiver escrito pior ainda. Eu vou lembrar, eu vou sentir, vou imergir e aceitar. Estava a respirar com mais calma entre as horas de perder a compostura e o entender que não posso me deixar cair (de novo), a mesma Literatura que me derruba me salvou várias vezes na minha vida de escriba. Até mesmo criança quando nada fazia muito sentido por meu cérebro não estar lotado de doutrinas, discursos e visões de mundo, até hoje.

Me sinto um bocado vulnerável quando estou empolgade com a narrativa de um livro, algo que resgatei lá de 2008, o que os Stormtroopers roubaram de mim (hello dissecadores de livros?!), consegui usar a Força: ler histórias é vida.

O que me leva a esse post.
Pois grande parte do crédito de estar cursando Biblioteconomia e preferindo atuar em bibliotecas escolares/públicas é esse desejo da leitura, do ouvir e contar histórias, é ver esse brilhinhu no olhar das pessoas que respondem com orgulho o quanto gostaram de tal livro e como a narrativa de outro mudou o curso de sua vida. O de dizer na cara dura que odiou o livro, que achou cansativo, isso tudo faz com que o sentido de estar ali atrás do balcão ou entre as estantes faça mais sentido. Me identifico com essas pessoas, me sinto mais confortável comigo mesme, não há espaço para destruição quando se há aceitação e entendimento.

E ler trouxe isso pra mim.


Não o ler de tradicionalmente ler e ser cidadão letrado, estudado e protótipo de gente de boa índole e moral, é que através das leituras que faço do mundo, posso ter um vislumbre dos livros que leio. Ler o mundo te humaniza, te coloca em situação igual a outros leitores como você, independente da classe social, dá bagagem cultural, das idades, do modo de se viver.

Rolou uma discussão nesse semestre sobre em uma aula sobre aquela máxima chata de que brasileiro não lê. Isso particularmente me deixa com vontade de morder a jugular de alguém por achar que pode tirar essa brilhante conclusão vendo as estatísticas e em situações típicas do cotidiano acadêmico. Pelamoooooor não esquece que somos privilegiados só pelo fato de conseguirmos estar no Ensino Superior, e ter ciência do questionar a leitura. Privilégio sim, garantido por uma sociedade regida pela meritocracia, excludente sim, pois faz com que opiniões como essa "Brasileiro não lê, tem preguiça" sejam contadas e recontadas várias e várias vezes.

Brasileiro não compra livro, fato.
Livro é caro.
Comprar um dogão do Seu Silva é mais rentável.
Por isso existem bibliotecas uai! Brasileiro não lê literatura que a sociedade de elite acha que é leitura (FFS Dom Casmurro ou Iracema na pré-adolescência é o TERROOOOOOOOR!!). Mas tá lá vendo notícias no jornaleco de quinta categoria, as redes sociais no smartphone, vasculhando classificados atrás de emprego, lendo cartaz, outdoor, banner do comércio e marketing poluidor enquanto tá no busão. Brasileiro lê a letra da música que escuta no rádio, ri de piada sem graça de jornal global televisivo, a gente lê o tempo todo gente!

Ler é um ato constituído de diversos processos e cada um deles pode dizer o quanto a informação ali no suporte pode ser recebida, processada e assimilada. Psicolinguística nessas horas faz falta no curso. A escola nos emburrece e nos tira autonomia da criatividade que possuímos quando crianças porque é mais fácil domar uma horda de autômatos do que um grupo de intelectuais. Intelectuais pensam demais, fazem de menos, não produzem imediato, não servem pra sustentar o sistema vigente. Ler obriga a gente a pensar, a lembrar das coisas antes para fazer sentido no que se lê aqui, pensar é muito perigoso.

Passividade é bacana. Não causa dor e sofrimento, é apenas uma troca de papéis já consolidados.