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quarta-feira, 8 de março de 2017

[bibliotequices] o que, pra quem e porquê?

[Disclaimer: não uso o nome da Federal em que curso, porque já sofri uns backlashs lindos do próprio curso ao ter perfil de Facebook exposto em sala de aula por pessoinhas super bem intencionadas. Uso alusões a saga Star Wars para direcionar minha linda jornada na universidade mais tradicional de todo país. Também uso de sarcasmo e ironia pra poder escrever sem que ninguém em particular se sinta ofendido]

Uma piada recorrente entre os anos de 2004 a 2008 na PUC Betinópolis era sobre como nosso dinheiro da mensalidade ia para o Vaticano para construção da nova Estrela da Morte¹.

Because, razões tinham de sobra...

Uma coisa também que era zoeira na época - por conta de não perceber exatamente o que estudar com os Sith poderia criar - era como nossos professores eram extremamente avaliativos e rigorosos com nossa formação humana. Não era pegar a powha da Gramática e fazer pomposidade no idioma nem falado pela maioria da população, era usar aquele trambolho como instrumento de cidadania e destrinchar cada preconceito linguístico, cada inadequação temporal, cada vício elitista de "falar certo e falar errado" e mandar pro espaço sideral.

Estudar com os Sith me tornou, pasmem, Jedi. O lado iluminado da Força até pode ser feito de escuridão também (hello, bora estudar um pouco de física e refração da luz e espectros de cores), mas o que ficou na PUC dentro de mim foi esse bichinho miserável da avaliação contínua do que raios tou fazendo, pra quem tou fazendo e porque tou fazendo.

As tias fessoras mais didáticas é que adoravam repetir a romaria, quando você escreve um texto é pensando nesses três fatores - o que, pra quem, porque - e isso não mudava né um pouco na prática docente. E ser professor, caso tenha escapado do memorando, é uma das coisas mais sérias desse universo.

Se perder a noção do que tá fazendo, pra quem e porque, o trem desanda. E com consequências tão tão ferradas e sem lógica que você só vai perceber a m**** que fez daqui há 9 anos ou 12 anos, dependendo do ciclo educacional que pegar. Pra aí encontrar um colega de turma na primeira fase que não sabe interpretar uma notícia de jornal, escrever o essencial para reivindicar um direito seu, imagina só se meter com bibliotecas e livros e gente e talz?

A responsabilidade é enorme, algo que não quis abraçar a princípio por conta do olhar mais crítico que a PUC me abriu. A virginianice também tem culpa no cartório, a criação restrita com uma mãe detalhista, mas o olhar humanizado sob algo concreto, real e com consequências em longo prazo? 
Os Sith me deram.



E é com esse mesmo olhar que entrei na Biblioteconomia e é por isso que me sinto na obrigação de fazer avaliação atrás de avaliação sobre o rumo do curso, sobre tudo que aprendi até então e principalmente, ver o que isso tudo tá causando nos colegas de sala e de futura profissão. Não quero dar o pedala Robinho de imediato, mas a vida fora dos murinhos invisíveis da Universidade é bem cruel e a nossa atuação é parte fundamental em fazer alguma diferença no percurso acadêmico de uma criança cheia de sonhos, esperanças e fôlego.

Debaixo do link, avaliações, resultados, surprise, surprise modafóca, isso vai ser isso o tema do meu TCC até eu jubilar...

A gente tá perdendo muito foco nos três fatores de discernimento de realidade. Do separar o que pode fazer e o que se deve. O entender que 4 anos com um canudo na mão não vai garantir um futuro estável na profissão e muito menos devolver pra sociedade tudo que aprendemos nesse período pra fazer algo bom, justo e benéfico a todos. Todo começo de semestre me dou um sermão sobre deixar a avaliação e reavaliação de lado e viver menos preocupade com o que estão fazendo ou deixando de fazer, mas voltamos a problemática da Educação, do Ensino e das consequências a longo prazo.

"Mas Morgan, como você é exagerade, menine!!"

Bota um egresso numa biblioteca escolar sem experiência alguma pra ver o que acontece? Esquece de dar vivência e exemplos bons e ruins pros graduandos sobre a responsabilidade deles como profissionais da Informação? Joga fora o juramento e os códigos de ética e conduta, fica apenas com o que a faculdade ensina/reproduz? Teremos um bando de androides como colegas de profissão não é? Lotando vagas em locais de atuação que poderiam ser usados e apropriados pela população, zumbis acadêmicos arrastando os pés, seus sonhos e seus artigos para aceitação dos outros, mas não da sociedade.

Alguém aí viu Blade Runner, todo mundo sabe o que acontece com androides nas narrativas de ficção científica, né?

É chegando ao ponto de comparar a nossa profissão - e vou me incluir aí, porque tenho certeza que mesmo estudante, sou profissional da Informação, ou melhor bibliotecárie antes de qualquer outro título - com robôs humanoides que temos a eterna pergunta na ponta da língua:

O QUE QUI TÁ CONTEM SENO?

WTF é o curso de Biblioteconomia da UFXQUI? 
Pra que serve? 
Para quem serve? 
Por que existe?

A autoavaliação ajuda muito em perceber inconsistências no discurso ultimamente mantido na Universidade, nosso curso tem fama histórica de "instabilidade emocional" (E gente, teria que ser uma postagem só sobre essa expressão, porque há MOOOOOOOITO bapho nisso aí), complexo de limpinho e perda de identidade - hoje sou tecnicista, hoje sou empreendedor, hoje sou multitarefa, hoje sou a nata elitista produtiva acadêmica, hoje sou desempregado e por aí vai.

Povo não faz ideia de como a alteração de um termo (Esse texto da Indexadora é lindo em explicar isso) pode causar um estrago lindo como revisão de currículo ou validação de áreas correlatas em um programa de pós-graduação lá fora (já dá treta porque o resto do mundo tirando Portugal e Espanha, NÃO tem graduação em Biblioteconomia, mas sim pós em Ciência da Informação com ênfase em algo da Biblioteconomia - dá um fucking nó na cabeça analisar currículo de cursos lá fora e os daqui. Procurem por Library Science em universidades europeias e norte americanas: dá tilt nas caraminholas).

E é aí que a autocrítica tem que entrar em todos os aspectos da nossa profissão, pra formar bibliotecários aptos a encarar a sociedade atual e capaz de adaptação rápida com a comunidade, a academia tem que parar pra refletir novamente o que estamos fazendo, pra quem e porque.

Sincera opinião? 

A Biblioteconomia UFXQuiniana está fazendo nada de substancial para honrar as calças de cunho liberal e humanista que o juramento proclama² (e não tá formando gente pro mundo, mas pra ficar enfurnado forévis em laboratório produzindo pra si mesmo, nunca pra população), servindo de playground pra outras áreas que nem se resolveram na vida (Hello CTC, pega de volta que tá feio/FAIL o negócio) e tudo pra ganhar mais estrelinhas no conceito da CAPES pra pós-graduação. Apenas.

Onde a graduação se encaixa nesse lugar? 

Nenhum lugar. Tamos formando gente pra manter nota alta em pós graduação e só. 
Tá aí o exemplo mais bacaninha de parnasianismo acadêmico.

As novas não são de agora, mas é bom relembrar pra poder entender o rascunho do que pode ser o futuro. E de poder argumentar com quem tá sublimando mais ainda o que a gente só tem rascunhado aqui no Brasil para algo que se afasta da sociedade e se aproxima mais de um modelo bem bem bizarro de corporativismo tecnicista informacional, para isso dá vontade de olhar para cara do sujeito e:



Véi, tamos formando cobaias pra mestrado e doutorado, não bibliotecários. Pelo menos na Letras me davam a falsa ilusão de que poderia ser pesquisador, mas como as coisas estão hardcore, nem sei pra que beira tio Rangs vai nadar.

Alguns links para aprofundar as discussões internas:
[x] Francisco das Chagas de Souza - PRÁTICA PROFISSIONAL E ÉTICA: o juramento do bibliotecário serve a que? (Clica aqui no site do OFAJ!)
[x] Conselho Federal de Biblioteconomia - Bibliotecários: legislação e órgãos de classe (Clica aqui pra ver slides um cadim desatualizados, mas tudo bem)

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N/A: ¹ pra quem quiser saber, a gente, filhes da PUC financiávamos mesmo um projeto de Estrela da Morte sim, a quimera se autointitula de Pergamum. Aquele gerenciador de acervo estava na fase teste na intranet de PUC Betinópolis quando entrei na Letras. Tardes de terror na estante 800 - nunca usava aquilo direito, perguntava direto pra bibliotecária onde era pra chorar com os teóricos da Literatura e da Linguística (Eu ler coisa sobre Didática? Tá pirando na soda?!).

² - “Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana”(Resolução CFB nº 006/66). Se você tem Hexacosioihexecontahexafobia (fobia do número 666), é melhor pensar bem antes de ingressar nesse curso ohohohohohohohoho!!
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