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sábado, 30 de maio de 2015

[review] Muitos pompons para Marvel's Daredevil

TÁ NA HORA DE FANGIRLIZAAAAAAAAR!!!!

Por que?! Oras, oras, oras, terminei de ver o último episódio de Marvel's Daredevil hoje (Demorou, mas foi) e a única coisa que consegui fazer nessa cadeira foi:

Sim, pompons. MUITOS pompons!! O meu herói favorito está vindo!!
 A vida esses dias anda meio apertada com anúncio de provas, trabalhos atrasados, matéria deixada para trás, um acúmulo de coisas que eu pensei que não iriam me morder no traseiro - guess what? - mas depois de passar a manhã e tarde inteira tentando decifrar Catalogação e o Tesauro do site da UNESCO, chega uma hora que a pilha falha e eu caio no sono profundo.

Com vocês Matthew Murdock, o advogado dos necessitados
Como precisava ficar acordada para a segunda parte dos estudos, decidi botar o seriado muito bem elogiado produzido pela NETFLIX. Eu já estava me surpreendendo com a densidade da história e como as coisas estavam tomando forma no universo de Daredevil - ou Demolidor aqui nas terras tupiniquins - e entendam: ele é meu único herói favorito de toda Marvel e DC juntas.

Ou melhor: o Diabo da Cozinha do Inferno
E lá vamos nós com um review sobre o seriado com muito, muito fangirling... Me aguentem!!
A Marvel tá acertando os ponteiros com os heróis com o pacotão de Vingadores e tudo mais - okay, não acertando tudo, porque a caquinha prevista para X-Men tá ficando feia srsly guise - e quando soube que iriam produzir um seriado exclusivo para o Demolidor no NETFLIX a minha única reação foi urrar de alegria. Sério, eu fiquei tão feliz que nem encarei com pessimismo o que seria depois de tanta bola fora feita esses anos todos.

Não gosto dos heróis retratados nos quadrinhos (os do gênero masculino), não mesmo. Simpatizo com a causa de alguns, mas há aquele pretencionismo barato americanizado que me dá embrulho no estômago. Prefiro os vilões, os antagonistas, eles chegaram a esse patamar por conta de inúmeras coisas, eles sim merecem o lugar onde estão. Um homem mascarado não vai me comover, um cara que usa cueca por cima da calça também não e pelo amor de Loki, um outro cara que usa capa pra lutar contra o Mal? Por favor biiiiiiiitch, isso é tão... Aff...

Então por que o cara com fantasia vermelha e com chifrinhos? I dunno exatamente, mas ele foge de todos os estereótipos típicos que a Marvel e DC costumam colocar como sucesso nas vendas, sabe? Eu aprendi a respeitá-lo como personagem já faz uns 12 anos e sim, a coisa despertou com aquele filme horroroso com o Ben Affleck (But plus Jennifer Garner como Elektra? Acertaram nisso Hollywood, obrigada.). A Panini lançava Justiceiro, Elektra e Demolidor mensalmente com o começo da Saga do Novo Rei do Crime - lots and lots of tretas people - e também colocavam umas edições históricas às vezes. Eu catava tudo que tinha disponível e tentava completar os números para entender todo o enredo maluco do Diabo da Cozinha do Inferno e suas aventuras tentando salvar a cidade (Nova York) em que vivia.

O cara vivia no pior bairro de Nova York - a Hell's Kitchen existe mesmo, fica aqui ó - mãe morreu quando quiança, um pai boxeador fracassado, não teve uma infância muito boa depois do acidente que o deixou cego (carga radioativa acertou em cheio no rosto dele, mas lhe deu sentidos superaguçados #HomemAranhaFeelingsBro), decidiu virar advogado (masoquista) e decidiu sair da bolha de viver de empreguinho em grandes escritórios de advocacia para ter uma firma com seu eterno amigo e sócio Foggy Nelson.

Os grandes abacates!!
Dois losers do caramba tentando fazer o máximo para ajudarem a comunidade em que vivem e tendo muitos problemas com isso. Como não amar os desajustados? Os outsiders? Foi isso que chamou atenção na figura toda estropiada de Matt Murdock, que em TODA edição do quadrinhos voltava pra casa tossindo sangue, botando os bofes pra fora, com hematomas cobrindo o corpo e com pelo menos um galo na cabeça. Diferente dos outros heróis que conheço que tem poderes especiais de se curarem rápido ou terem alguém que cuide deles de forma correta e médicamente aceitável, Murdock simplesmente se arrastava de volta pra casa, às vezes chorando por ser tão miserável, apagava no sofá ou no chão da sala e sabe-se lá se conseguia acordar no outro dia para poder fazer curativos e ver se havia quebrado algo.

E no outro dia tinha que ir trabalhar que nem um condenado pra pagar as contas de casa e do escritório, dar a desculpa básica pro melhor amigo (Foi um acidente, caí na rua, bati no poste) e ainda despistar suspeitas de sua identidade heróica pra metade de uma cidade corrupta pelas mãos de Wilson Fisk, o Rei do Crime, o grande vilão de todo esse rolo.

A perseverança de Murdock não vem do ímpeto de "proteger os frascos e comprimidos", mas aquela sensação xenófoba de manter a paz e ordem na vizinhança onde ele nasceu e morou a vida toda. A obsessão dele com Hell's Kitchen é tanta que chega a ser honorável. Apesar de desaprovar isso na construção do personagem, creio que o Demolidor não seria o Diabo se não fosse isso: Hell's Kitchen fez ele ser quem ele é e é dever dele manter a Hell's Kitchen protegida do mundo lá fora. Não está muito longe do que Fisk sente sobre a cidade, os dois são 2 faces da mesma moeda, cada um operando suas vidas de vigilância ao local em que vivem de uma forma diferente.

O seriado tem 13 episódios de quase 58 minutos, recheado de todos os elementos que os quadrinhos mostrou todos esses anos, temos o cenário caótico da Hell's Kitchen, a briga eterna entre a operabilidade da Lei a favor da Justiça e a Justiça sendo feita pelas mãos do Demolidor ou pelo Rei do Crime. Temos conspirações, muita ganância, lavagem de dinheiro, distribuição de drogas pesadas, Yakuza, russos, salafrários da Wall Street e puta que pariu, a aparição do Velho Stick que ensinou o Matt a lutar quando adolescente? Foi a cereja no topo do bolo perfeito.

Tudo foi se encaixando direitinho, o modo como o Matt vê o mundo - metaforicamente e ideologicamente dizendo - o que ele reproduz em seu discurso de "salvar a Hell's Kitchen", como ele executa esse discurso - as cenas de luta são reais, MUITO reais, tipo soco bem dado, ossos quebrando, contusões, pessoas ofegantes mesmo, caindo pelas tabernas, catando cavaco e talz - o modo como ele é impulsionado a continuar a cavar o mistério que ronda a figura de Wilson Fisk, alguém que ninguém ousa pronunciar o nome devido a vilanice ali embutida.

Tudo é FUCKING perfeito!!
(Bem, quase tudo...)

Vincent D'Onofrio fez o perfeito Fisk, com toda a fragilidade e as animosidades do vilão ambíguo, entre o hostil e taciturno chefe do crime organizado, para um adorável e carente homem de meia idade apaixonado. O personagem tomou a tonalidade da saga em que acompanhei com muita expectativa nos quadrinhos e estou vendo algumas peças se encaixando para chegar a essa premissa do "2 faces da mesma moeda".

Um que chamou a minha atenção foi James Wesley, o "amigo chegado camarada do coração" assistente pessoal de Fisk e que soltou as melhores frases do seriado, com alusões a certos eventos que o Universo Marvético está envolvido. (Pela cronologia citada pela Marvel, Daredevil está depois de Vingadores a Era de Ultron e antes de Capitão América: Guerra Civil.)



Apelidado pelo fandom de "Queen of the Sassy", Wesley é a pessoa quem eu com certeza contrataria para ser meu assistente no dia fatídico em que dominasse o mundo. Ele cuida de tudo, ele sabe de tudo, ele sabe como saber de tudo, ele simplesmente é Wesley, você não precisa fazer nada, ele apenas é. O personagem foi muito bem explorado, com as camadas de lealdade, pretencionismo, manipulação over 9000 e uma cobertura fofa de preocupação. Wesley é quem Fisk precisa que ele seja, mas não quer dizer que o filho da putinha não tem emoções, ele tem. Só não é necessário ali naquele momento. E ooooh o sarcasmo é forte nesse gentil e fofo rapaz.

Um destaque muito importante aqui são as personagens femininas, Karen Page - oh Jessica de True Blood, oooooh Jessica de meus sonhos! - saiu um pouco do original dos quadrinhos, sendo a secretária do escritório de Matt e Foggy, mas também sendo um pilar principal em toda a trama, vasculhando tudo que pudesse ajudar a incriminar Fisk. Ela não é a namoradinha de Matt e muito menos aquela garotinha assustada em busca de alguém para salvá-la. Por um momento nos últimos episódios, coloquei a cabeça entre as mãos e disse: "FO-DEU!", pois ela realmente encaminhou algo realmente crucial para o final.

Plus, achei por um momento que ela era a Mary Typhoid, aí lembrei que o nome da supervilã mercenária era Mary mesmo e era ruiva, mas o plot twist serviria caso Karen virasse a Typhoid - eu não me importaria de ver o desenvolvimento da identidade fragmentada e esquizofrênica da Typhoid pela perspectiva da Karen. Iria encaixar.

Foggy, Karen, Matt, Claire e Fisk

Claire Temple não aparecia nos quadrinhos que eu acompanhava, então fui pesquisar sobre ela e eis que a enfermeira que cuida de Matt depois que ele é encontrado em sua caçamba de lixo, todo destruído, aparece nas primeiras edições com o mesmo papel. Ela é um suporte vital para clarear as ideias do advogado, é ela que está ali ao lado dele quando tudo está cheio de dúvidas e caminhos errados. Ela oferece ajuda porque está dentro do caráter dela, não porque ela quer dar uns pegas no rapaz. Um possível envolvimento romântico foi apresentado ali, mas como eu disse antes nesse seriado: tudo é MUITO real. Relacionamentos não são tão fáceis, não existe amor à primeira vista, sentimentos são colocados de lado por orgulho, dever e obsessões, tudo é muito complicado que nem a vida real, sabe? Esse é o clima de Daredevil que conheço e bem... o Matt tem a maldição da Elektra né? Jamais conseguir ficar com uma garota por muito tempo sem estragar tudo.

Aliás, Elektra é mencionada brevemente em uma conversa entre Foggy e Matt, sendo chamada de "a garota grega que estudava espanhol", mas nada além disso. Mas depois que o Velho Stick apareceu na metade da temporada a trama me pareceu apontar para uma possível aparição dela na 2ª temporada - oh please, please, pleeeeeeeeeeeease I'm begging for it.

Vanessa Mariana é a uber boss bitch de todo o cenário, aos poucos moldando a natureza explosiva de Fisk para ficar em equilibrio com a filosofia de vida dele "Preciso salvar a minha cidade". 

Essa tia vai ser a morte de muita gente, srsly.
Aliás, o que demorou aaaaaanos para a personagem aceitar o que o marido fazia - tipo a Vanessa Fisk só "desconfiava", mas não perguntava pra não se aborrecer - foi se desenrolando nos 13 episódios com uma maestria assustadora. Vemos uma Vanessa que concorda com a violência, o caos e o reinado de terror do futuro marido, se isso irá manter a cidade a salvo e "limpa" de gente pior, que seja pelas mãos do seu amado, não outras.

E indo para a mais assustadora vilã que já botei os olhos: Madame Gao.


Essa simples senhora chinesa simplesmente é creepy, fala em metáforas místicas, tem uma porrada de direita que derruba elefante, parece ter super velocidade e está SEMPRE certa. Isso assusta pra cacete, ainda mais quando ela vem com o discurso sobre seus "empregados" - os cegos no galpão de heroína - que eles se cegaram (!!!) para conquistarem um lugar melhor (!!!) de suas vidas e evolução (???). Ou essa mulher é da Tentáculo ou deve ser mutante!
Oh wait, os Marvéticos querem BANIR o gene X da cronologia deles - bando de manés ¬¬''

Mas vemos que o líder da Yakuza, Nobu é que fez uma aparição breve como ninja vermelho do Tentáculo e provavelmente vai haver mais deles por aí.

[Edit] Fui ler um artigo do FreakPop com os Easter Eggs e tchanan, agora tudo foi desvendado, lalalalala, continuo morrendo de medo dessa velhota.

Nem tudo são flooooores...
Tudo muito lindo, muito lindo, mas aí vem sempre algo que escapa né? Sou a fã que gosto de uns Alternatives Universes da vida, gosto quando mexem com passados de personagens para validarem seus comportamentos atuais, adoro quando dão aquela ajustada para encaixar uma cronologia na outra (Joss Whedon está fazendo isso), mas aí Ben Urich.

Yep, o famoso repórter, aliado de longa data de Matt/Demolidor, está aqui conosco, desde o primeiro episódio, em atuação espetacular do Vondie Curtis-Hall. O original que era irlandês e ruivo tomou um bom partido como afroamericano já de meia idade, lutando para manter seu emprego n'O Boletim Diário (Outra cisma boba da Marvel com a Sony devido o Clarim do Homem Aranha) e continuar sendo o repórter excepcional que é. Ben desvenda muitas pistas para pegar Fisk em flagrante, mas sempre em conflito entre sua vida particular - sua mulher sofre de perda de memória recente, Alzheimer, talvez? - e sua vida profissional.

Ben quer expor Fisk de alguma maneira ao ver que a história de Karen Page está batendo com todas as atrocidades que vem acontecendo na cidade, mas parece que nada vai a favor de suas tentativas de publicar algo concreto e sustentável.

Ali atrás "A Batalha de Nova York"? Alguém pegou a referência?

A coisa piora quando Ben quer desistir devido as dificuldades que encontra para manter a esposa em um hospital decente, é angustiante ver essa parte do enredo, pois sabemos que Ben precisa fazer algo logo, senão o mundo todo desaba. Essa parte do "herói atrás da cadeira" que me cativou desde que vi Ben nos quadrinhos, ele é o cara que luta pela Justiça com o discurso e o diálogo. Ele não tá lá fora distribuindo porrada e pontapés para manter a sua cidade salva dos vilões, ele faz o qu epode com aquilo que mais tem afinidade e talento. Um apreço me subiu quando vi o esforço do Ben Urich do seriado mover muitos palitinhos para conseguir algo concreto para continuar as investigações. Matt agradeceu muito à ele sobre isso.

O que desandou? Vão querer mesmo saber? Então tá. [1] e [2]

Era pra ficar calma?! ERA PRA FICAR CALMA?! COMO ASSIM FICAR CALMA?!
Essa escorregada no roteiro não trouxe muitas esperanças para mim quanto a parceria Urich-Demolidor, que é extremamente importante na Saga do Novo Rei do Crime que acompanhei nos quadrinhos - e que me fez apaixonar pelo cenário todo - mas vamos ver o que acontece para a próxima temporada, tenho grandes expectativas quanto o que vai ocorrer e principalmente ver o meu herói favorito na melhor forma possível, com seu uniforme bem discreto e caramba, fizeram de um jeito tão esquematizado que deu invejinha...

Vamos falar do uniforme então?

Murdock começou com um equipamento comprado pela internet, com algo confortável, discreto e totalmente preto. As botas militares, a máscara preta cobrindo parte do rosto, nada de firula pra mudar de voz, o uniforme dava uma certa tranquilidade nos movimentos, mas se provou ser ineficiente para a cruzada dele. O tecido parecia ser leve, algo que esportistas usam? Mas não era a prova de nada, pancadas, facadas, muito menos balas (Uma sorte ele não ter sido atingido por nenhuma nessa temporada).

Aí a sacada genial do destino em encontrar Melvim (O alfaiate faz-tudo de Fisk) e pedir para fabricar o verdadeiro uniforme com alguns apetrechos. As barras ajustáveis para virar a vara que ele usa também estão desde o começo, finalmente ajustadas no cinto dele como conhecemos - faltou a parte da corda flexível nas extremidades, mas vamos esperar para ver.


O Demolidor não é para ser fotogênico ou fofuxo, o aspecto macabro da máscara, os chifres e os olhos vermelhos é simbólico, e bem explicado em uma das conversas que Matt tem com o padre da paróquia da Hell's Kitchen. O Diabo precisa existir para que os pecadores fujam para a presença de nosso Bom Deus Cristão, alguns mais medrosos caem nas mãos da Justiça, mas outros acabam sendo recepcionados pelo Diabo em si. O barato de ver essa personificação do demônio cristão na vestimenta de Matt é que ele próprio se vê como alguém que está prestes a explodir no mesmo pecado que aqueles que tenta deter. O humor do advogado não é dos melhores e muita terapia para o anger issues que ele vai demonstrando durante os 13 episódios.

Matt Murdock tem o Diabo dentro de si, mas um demônio interno que a Hell's Kitchen empurrou dentro dele, a obsessão pela vizinhança pode ser um pouco disso, o ímpeto de lutar contra as injustiças também, mas o que dá para notar claramente é que ele tá lutando contra si mesmo para não sair baixando soco na cara de qualquer marmanjo por aí.
(Ele e Doutor Bane deveriam tentar uma terapia de grupo, né?) 

Encerrando primorosamente essa primeira temporada, eu bato palmas de pé para oq ue fizeram com o homem sem medo. Nada de pieguice, nada de dramalhama, apenas uma realidade cruel, caótica e intricada em uma cidade que sofreu dois grandes ataques de supervilões em menos de 5 anos.

E quando essa cena apareceu, eu simplesmente urrei!

Oh e aquela aparição manjada do Bom Velhinho? É um pisca-e-perca, mas dá gosto de rebobinar e ver novamente. Último episódio, últimos minutos, cenas importantes para o desfecho e ali atrás do ÚNICO policial honesto nessa série toda, está lá: Stan Lee homenageado como o policial aposentado. 


Muitos pompons, muitas lágrimas, muitas emoções.
SEGUNDA TEMPORADA CHEGA LOOOOOOOOOOGO!!