Pesquisando

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

[conto] ode ao desmemoriado sonhar


Tão cansada desses pesadelos.
Cansada pra caralho.

Dá para manter a concentração depois dessa? Sonhar no loop de imagens que NÃO se precisa realmente relembrar. Bem que poderiam inventar aquela pílula de dissolver memória, não me importaria nem um pouco em tomar um pote inteiro e esperar ficar babando em algum canto por aí.

Tão estressada.

Às vezes eles vêm, como sonhos comuns, diários, triviais, disfarçados daquele arzinho de que são inofensivos e então quase no final, BAM! uma palavra, um som, um cheiro, um registro detalhado de cada falha efetuada na sua miserável vida.

É assim que tem que ser, criança. Fez aqui, se paga aqui.
Bobagem do cacete.

Não vim pra pagar coisa alguma, vim pra aprender.


Há certos tipos de sonhos que nos fazem querer gritar quando estamos neles, porque percebemos que estamos ainda neles, mas há esses exóticos em que o grito faz parte principal do roteiro, a revolta, o choro, a garganta trancada, o apelo, a humilhação, o arrastar de pés. É quase estar na mesma situação novamente, só que em um padrão completamente maleável pela sua consciência.

Eu podia parar quando eu quisesse, mas não me dei conta do que era para ser interditado.

Tão... cansada... de sonhar e o pesadelo tomar conta.

Um dia tou bem, um dia tou ótima, um dia tou pensando em me causar grande prejuízo, em fazer algo inesperado, em simplesmente abandonar tudo aquilo que eu pensava que acreditava.

A vida é bem isso: abandonar aquilo que acreditamos a cada dia.

Vai se ferrar pesadelo, me deixa em paz, me deixa em paz, me deix... p...

O sono veio novamente, levou as minhas esperanças de um dia comum, ordinário, sem muitas surpresas. Isso me acalma, me deixa no eixo, me mostra que posso estar sob o controle, mas o sonhos, oh os malditos sonhos... Pulam pelas minhas pálpebras e invadem o ar que respiro quando não tenho muita certeza se fiz ou não tal coisa. Se disse as exatas palavras, se causei mais dano do que trouxe benefício, se mais ceguei do que abri os olhos, se fiz desperdiçar um baita tempo por algo que não ia florescer de forma saudável.


Droga, como te odeio.
Como te amo.


Maldito sentimento que não se vai, que não diminui, que não se dissolve, que não... por quê perturbar o meu sono?! Por quê?!

Às vezes vem disfarçado de benção, como uma ótima noite de dormitar, sem interrupções na bela canção de ninar, apenas sonho... E não é real, e sei que não é, sei quem eu sou, sei quem posso ser, sei que ao acordar estarei no mesmo quarto, na mesma cama, debaixo das mesmas cobertas, meus desejos poderão mudar conforme o dia passa, mas pelo menos... por favor pelos deuses que ainda me seguro, pelo menos posso seguir em paz.

Ou desmemoriada.
Felicidade verdadeira é daquele que não guarda mágoas, remorso e arrependimentos.
Abençoado seja aquele que deposita a cabeça no travesseiro, respira fundo e se deixa levar para além de nossa compreensão.
Foi o tempo em que eu tinha sonhos bonitos, de muita luz.
Hoje sonho com a vida real das formas mais traumatizantes possíveis de se lembrar, diálogos que não me pertencem, sofrimento que não é meu. Apenas queria... *suspiro* apenas desejaria um momento de trégua.

E eu?
Virei passageira do próprio sonhar, me escondendo atrás de cada pilastra, disfarçando minha sombra e esperando a brecha na porta de saída para fugir o mais rápido possível.

Todo dia parece o mesmo.
Essa música veio aos meus ouvidos assim que acordei hoje.

E creio que ela não saíra de minha mente por um bom tempo.

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