Pesquisando

sábado, 3 de agosto de 2013

Introduzindo a Playlist Dark - parte 1

Como eu tenho ideias muito originais e estupendamente incríveis (Sim, modéstia também faz parte das minhas qualidades tão esmeradas durante anos de pesquisa intensa), vou mostrar em alguns posts em como sua vida pode mudar ouvindo EBM - eletronic body music - já que é um dos estilos musicais que mais fazem parte da minha biblioteca musical. E porque é sexy, libertador e me dá vontade de escrever (A Arte e Pulsão de Morte by Freud, olááá?!). E porque pode ser até engraçado tentar explicar isso sem parecer pervertida ou maluca.

O primeiro a inaugurar os esquemas aqui  se intitula: "Como doutrinar um incauto ouvinte na Playlist Dark do EBM"

Há vários modos de se apresentar EBM - eletronic body music, uma variante do metal/eletrônico/industrial vindo lá de Berlim - para pessoas inocentes, mas curiosas pelo estilo musical. O mais importante de tudo é fazer isso com cuidado e sempre com consentimento psicológico para não haver aversão depois.

Claro que às vezes o tiro pode ser headshot e a pessoa jamais querer ouvir nisso por ser "coisa de maluco metido a doido" demais, mas vamos por partes: se você gosta de David Bowie na fase dos anos 90 pra frente, vai gostar de EBM. Se acha que Rammstein é o máximo, também pode ficar tranquilo que é o mesmo esquema, até a Nienna aka Amy Lee do Evanescence bebe da mesma fonte.

Alguns avisos são importantes: não recomendo ouvir EBM com fones de ouvido. Aliás, não recomendo mesmo ouvir tudo dessa seleção aqui com fones de ouvido, se quer causar damage permanente em algum aparelho auditivo, que seja o dos seus vizinhos ou familiares. Alguns temas tratados nos vídeos são NSFW, Rating-18 e definitivamente NÃO deixe as quianças na sala/quarto. Não me culpe caso alguém fique traumatizado pro resto da vida (Eu sei, eu sei...)! Não enviem suas contas de terapia pro meu endereço, não me xinguem por mostrar de forma explícita como entender esse universo oculto.

(Para não haver confusão, esse passo-a-passo foi testado inicialmente em mim, depois em mais 2 pessoas e até que deu certo, logo então, concluo que foi satisfatório o resultado!)

Tudo começa no Patrono Bowie, claro. Ali a partir de "Earthling" (1997) pra frente, se bem que com o projeto Tin Machine de 1989 ele já tava flertando com música eletrônica demais, mas bem. Começa com esse vídeo aqui!





"I'm afraid of Americans" foi um marco na carreira do Patrono, porque proporcionou aquela volta fenomenal para as paradinhas de mainstream que tavam meio murchas. Trentonildo - vocalista/banda-de-um-homem-só/Bombril-1001-utilidades/eu-mando-nessa-powha-e-ninguém-mexe-no-que-é-meu - Reznor faz uma participação bonita (Stalkeia o Patrono Bowie, tipo, o tempo todo, com  uma cara suspeita de querer mais que um autógrafo, mas doce, bala e chiclete) e marcante no vídeo, vale conferir a performance da metralhadora invisível no final.

I am in ur vidz, ratátátá tudu!
1998 era o ano e coincidiu do Sr. Trentonildo fazer a trilha sonora de Lara Croft: Tomb Raider com a música "Deep" - de acordo com as lendas do game, a Madame Croft acha Nine Inch Nails "levinho" perto do que ela costuma escutar enquanto treina em sua mansão de 83 quartos lá em Surrey. Se você não viu o filme com a Angelina Jolie, não perca seu tempo lendo isso aqui, VÁ VER O BENDITO DO FILME e depois volta cá. Tudo vai fazer mais sentido (Se não, pelo menos você viu a Angie Jolie atirando pra tudo quanto é lado, com sotaque britânico e mexendo com a imaginação de muitos espectadores, inclusive ocupou boa parte dos meus daydreams na  adolescência). Mas espera que a coisa fica boa, porque o Patrono dá mais pano pra confecção da maluquice metal/eletrônica/industrial que ocorre nessa experiência de esquisitice musical. Depois de dar uma conferida em "Hours" (1999) e "Heathen..." (2002) pode parar em "Reality" (2003) porque a fase eletrônica do tio Dave termina aí. (Acho... Vai que ele muda de ideia...)

Voltemos ao Trentonildo - porque ele, de certa forma, é a base fundamental para adentrar no universo maléfico, vil e obscuro do EBM - com dois vídeos em especial para alegrar a garotada: vá de "Perfect Drug" primeiro. Bem devagar e pegando todas as referências Bram Stockianas do vídeo para a trilha sonora de Lost Highway (Estrada Perdida de 1997) do David Lynch:


É, esse mesmo. Já sei, prepara os analgésicos porque é mindf*ck garantido - qualquer filme do David Lynch pra mim é como uma piada interna que só ele entende, mas se você for vendo muitas vezes acaba entendendo boa parte e mesmo assim não sente vontade de rir porque seus neurônios já pifaram faz tempo, em todo caso: evite - assim como a época do tortured soul do Trentonildo nessa época traduziu muita experimentação musical com mais batidas eletrônicas por segundo, sintetizadores e cordas de todos os tipos. Então vamos para o segundo vídeo que é de seu álbum mais aclamado pela crítica e uma obra-prima pilar para quem tem curiosidade em entender o porquê é tão awesome (E perturbador yay!), "The Downward Spiral" (1994):


"Closer" foi banido da programação de muitas MTV's por todo o mundo, muito menos tocava em rádios sem edição especial da censura - motivos? Preciso explicar? Quer mesmo que eu explique? - com um riff de baixo como uma porrada bem dada nos tímpanos, manipulação experimental de parafernália eletrônica e trouxe a tona uma amostra escabrosa da personalidade doentia do Trentonildo, o que muitos tarados-pervertidos poderiam achar normal (Tá eu fiquei um pouco chocada com o Director's Cut, mas ao ver a Explicit Version, totalmente WTF is going on, wut wut, coisas estranhas all over, yay! No way poor monkey?! Ah feels!!) acabou se constatando como um dos maiores sucessos do NIN durante a época de TDS. E assim como o Depeche Mode, a letra dessa música é um perfeito manual de instrução para atividades recreativas de reprodução sem geração de descendentes, então...

Okay, conseguiu chegar até aqui de boa? Porque doutrinar incautos ouvintes para essa playlist do dark/pervyside é um pouco trabalhoso, requer muita disciplina, força de vontade e perfeita harmonia com a Natureza Caótica do que o EBM pode influenciar visualmente e musicalmente nas nossas vidas. Então o último vídeo a ser apresentado deve ser visto com cautela, já que pode mexer com o emocional das pessoas expostas ao metal contemporâneo.

Após o tempo de TDS, lançando o "The Fragile" (1999) Trentonildo decidiu dar uma rebelada contra o mainstream que tava enchendo o saquinho dele - o cara é pavio curto since ever - e escreveu "Starfuckers" para homenagear a indústria de música da época. Bandas de nu metal, rapcore e outras vertentes de rock misturado com rap e pistas de dança e globos de cristal proliferavam o tempo todo. Ao ver o vídeo você reconhecerá as figurinhas estampadas nos pratos em que Trentonildo sai atirando bolinha e talz. Aliás, um dos pratinhos consta uma figurinha carimbada que Trentonildo tanto apertava em alguns palcos da vida durante as turnês, às vezes brigava de belém-belém-nunca-mais-tou-de-bem, fazia as pazes, jogava umas farpinhas pra machucar, voltava a conversar, etc. Essa linda amizade deu vazão pra milhares de rumores de pegação, mas acabou que ninguém até hoje confirmou o que raios aconteceu entre os dois. Veja o vídeo, tente descobrir o que estou tentando falar.


Ao ver esse vídeo pela primeira vez, realmente achei mais estranho que Closer - pasmem! - por ter esse ser loiro ao lado do Trentonildo dentro da limusine. Belas pernas btw, lindas pernas, longas e com meia arrastão/cinta-liga sexy, é belas pernas, gostei de você, pernas longas e belas e com cinta-liga e meia arrastão (É, é cinta liga e meia arrastão mesmo, se o vestido fosse de renda, eu teria um nerdgasm, sério!). Trentonildo com balãozinho de oxigênio e maquiagem pesadinha no verdinho platinado também me deixou desconfortável, o freak show retratando Hollywood foi creepy, mas nada, nada, NADA nessa minha vida troll/sacaneadora/no-shame-of-make-fun-de-gente-séria me assustou mais (E que ainda rende alguns pesadelos, caso queiram saber) do que ESSA LOIRA do lado do Trent.

!!MINDBLOWN!!
Viu o vídeo até o final? Tem certeza? Pois é...
Se eu tinha resquícios de inocência, ali, naquele momento fatídico em que a loirona de pernas lindas, cinta-liga/meia arrastão e übber-wtf se mostra realmente, a minha vida mudou. Sério!

Primeiro que nunca mais ia levar a sério a pessoa em questão (E eu tinha um certo distanciamento de qualquer coisa que a tal pessoa produzia musicalmente, inclusive a versão mais macabra de Sweet Dreams do Eurorhythms), segundo por não acreditar em como o Trentonildo conseguiu pregar essa peça - troll-master achieve! - e com certeza isso influenciou no que eu iria ouvir no futuro incerto de minha vida no EBM. Não recomendo fazer isso com os fãs e simpatizantes da Loira do Banheiro sem antes dar um aviso de advertência e mostrar uma bandeira vermelha de perigo.

Okay, já prestei um serviço de utilidade pública a todos que gostariam de saber os princípios a serem mostrados sobre o EBM é - na verdade não fez muita diferença né? Sei que muita gente ainda não vai entender bulhufas do que é esse tipo de música - e como Trentonildo pode ser a chave para todas as questões que incomodam os curiosos na playlist dark.

Obrigada, boa noite. Não sonhem com a Loira do Banheiro.
(Eru Ilúvatar dos Céus de Varda - onde eu tava com a cabeça?!)